domingo, 2 de dezembro de 2012

O tortuoso ato de pensar e amar

O suposto fim do mundo se aproxima. Em cerca de três semanas, haverá um verdadeiro dilúvio de imagens compartilhadas toscas no Facebook. Teremos um dilúvio de reportagens inúteis e sensacionalistas instaurando o terror em busca de audiência. E teremos fanáticos religiosos vendendo lotes no céu, se autoflagelando ou até mesmo, cometendo suicídio. E nesse clima de caos e bizarrice poderíamos refletir um pouco sobre a raça humana.

O que o homem de hoje mudou em relação àquele do Egito Antigo, da Grécia, de Roma, da Idade Média ou da Idade Moderna? Exceto pelo desenvolvimento extraordinário das ciências e da tecnologia, talvez pouco no que diz respeito à civilidade. Pode parecer exagero, mas será que realmente estamos mais civilizados, mais críticos, mais inteligentes?

Vamos olhar ao nosso redor: a escravidão acabou mesmo ou ela apenas mudou de nome para trabalho assalariado? Realmente conquistamos mais poderes políticos ou estamos moldados a uma cultura que nos dita como pensar e se expressar? A democracia realmente existe ou é apenas uma falácia já que a população não participa e seu único poder político efetivo é o voto? Se somos animais racionais, por que consumimos pela necessidade de ter uma vida bem-sucedida ao invés de uma vida boa? Por que destruímos o meio-ambiente? Por que vemos pessoas morrendo de fome, matando, sofrendo e o máximo que fazemos é fingir pesar ou chorar lágrimas de vapor?

Estamos emburrecendo, estamos decaindo, estamos nos resumindo e tratando as pessoas como coisas, objetos. A palavra “humanidade” deveria ser banida dos dicionários pelos grupo do controle de linguagem: ela tem conotação pejorativa pois está associada a uma espécie que destrói a natureza, aos outros animais e a si própria.

Falta ao mundo amor. Falta ao mundo coragem. Falta ao mundo respeito. Falta ao mundo o mínimo de inteligência para pensar, discernir e analisar criticamente com sensatez. Falta ao mundo o mínimo de inteligência para sentir além do seu umbigo. Apenas gostaria de viver em um mundo que funcionasse e não onde até o mais básico, que é pensar e amar, o homem ainda não aprendeu.


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