domingo, 14 de outubro de 2012

Quem sabe na próxima encarnação

Chove e faz frio lá fora. Gostaria de me enfiar debaixo de camadas e mais camadas de cobertor. De pular dentro de uma fonte de água quente e me deixar envolver, afundar, sentir o calor, sentir seu abraço. Gostaria de correr descalço pelo deserto, o Sol escaldante queimando minha pele, toda suja de suor e poeira. O cabelo desgrenhado.

Gostaria de jogar meu cérebro fora, ou pelo menos dar a ele um pouco de férias. Impressionante que nem durante o sono ele para, mas se ele para, estaremos mortos. Mas o problema mesmo é essa mania de querer respostas para tudo, de querer analisar tudo, de querer julgar tudo, comentar tudo. Meu Deus, que coisa mais chata!

Nascemos livres ou nascemos escravos, não importa onde quer que nasçamos: ou nos adequamos à ordem econômica e à ordem social dos padrões de sucesso, ou estaremos condenados à passar fome e a sermos isolados. É uma realidade difícil de escapar, pois o mundo sempre funcionou assim.

Nascemos para morrer. A religião educa as pessoas para o dia de suas mortes, e a vida na terra se torna apenas um curso extensivo para o vestibular do céu. E a vida passa para aqueles alienados a se culpabilizar por seus pecados. Mas há também a religião do sucesso pois, para sermos felizes, precisamos acumular bens materiais, trabalhar duro para conquistar riqueza, impressionar aos outros e assim, preenchermos vazios.

A vida é curta. Demasiado curta. Deveríamos amar mais e viver mais. Mas nesta, vamos trabalhar duro pois a nossa aposentadoria, de fato, será na nossa morte. Temos tempo. Quem sabe na próxima encarnação nós possamos amar aqueles que hoje odiamos ou desprezamos, nesta vida eles devem sofrer porque nossos egos estão feridos. Quem sabe na próxima encarnação nós estejamos livre desta ordem idiota de necessidade de salvação e de sucesso. Quem sabe na próxima encarnação nossos corações estejam limpos das mágoas de hoje e assim, estaremos livres para amar.