domingo, 15 de abril de 2012

Tromsø

O leite quente aquecia minhas mãos durante o ensolarado, porém frio, dia de inverno em Tromsø. No momento em que meus olhos repousaram no pote de petit suisse aberto, a neve lá fora derreteu e voltei ao verão de 1992. A neve foi substituída pelo verde vivo da grama.

Corríamos descalços ao longo da margem do rio de água transparente. Podíamos ver seu fundo cheio de pedras e até alguns peixes. E pelos campos vastos e abertos, podíamos soltar pipa e admirar as formas curiosas das nuvens. Ou as várias estrelas que as luzes da cidade não podiam esconder no céu.

Os reis do mundo escavavam o chão procurando por tesouros. Escalavam algumas colinas como se fossem um grande fjord. Quanta história poderia haver em uma casa abandonada?

Dois potes de petit suisse e um barbante e tínhamos um telefone. Música calma e aconchegante tocando dentro da casa. Um cachorro correndo atrás de uma bola. O som da água da chuva caindo no telhando e na poça de água que se formava no chão. Sem preocupações.

Sopa de galinha se você pegou um resfriado. Conselhos quando você estava inseguro. Estudar juntos quando um de nós tinha uma prova difícil na faculdade. Abraços quando falhávamos, abraços quando vencíamos. Presença quando um de nossos parentes partia.

Naquele tempo, vivíamos bem. Éramos amigos, éramos parceiros. Pelo olhar, podíamos ler palavras nunca ditas, podíamos entender facilmente o que um estava sentindo e pensando. Não estávamos preocupados com a irritabilidade das pessoas chatas. Não víamos graça em rir de quem era diferente ou excêntrico. Não estávamos preocupados em julgar a tudo e a todos. Nunca queremos ser o centro das atenções, ser melhor ou pior. Nunca estivemos desesperados pelo feedback dos desconhecidos.

Estávamos preocupados apenas em viver, em apreciar a beleza da vida, aproveitar uma vida simples sem esperar milagres ou coisas grandiosas. Não queríamos perder tempo com a tristeza e suas consequências desagradáveis.

Nada mudou, estamos apenas mais velhos. Ainda vemos o mundo com os mesmos olhos. Ainda podemos ver a sentir a beleza mesmo nas pequenas coisas.

Temos um ao outro. Somos mais que amigos, mais que irmãos, mais que uma família. Somos uma fortaleza quando estamos juntos. Somos a luz quando está escuro. Nós nos importamos, nos cuidamos um do outro. Somos uma dupla que a vida uniu, incapazes de sermos separados por qualquer um.

2 comentários:

  1. Oi tdb
    quanto ao seu comentário no meu blog, vivemos sim em uma democracia, por isso o muque de peão tem o direito de escrever o que quer, eu tenho direito de criticar e recomentar que ele não seja mais lido, e os leitores tem a opção de fazer o que quiser: ler o meu blog ou do muque, aceitar a minha opinião ou criticar. Recomendar que um blog não seja lido não é uma falta de democracia, isso seria se de algum modo eu proibisse as pessoas de ler o blog dele. E eu não leio mais o blog dele só por causa do post sobre o pinheirinho, mas por diversos post que vão contra as minhas ideologias e ideais, é um escolha minha e que eu compartilhei com os meus leitores.
    ps: gostei do vídeo do seu post.

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  2. amizades verdadeiras transcendem o tempo.

    abraços, p. florindo.

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