domingo, 18 de março de 2012

Complexo de inferioridade


Sabe aquela frase “cuide de sua vida que eu cuido da minha? Pois bem, é pura hipocrisia, certo? Daí talvez você pense que não se intrometa na vida dos outros porque você não gosta que se metam na sua, não é mesmo? Errado! Não queremos que as pessoas nos julguem por sermos quem nós somos ou deixamos de ser, mas a verdade é que nós estamos sempre julgando os outros e, se julgamos, é porque o outro faz algo que nos desagrada (porque gostaríamos de fazer o que ele faz mas, por algum motivo somos obrigados ou nos obrigamos a não fazer).

Um tipo de comportamento bastante irritante dos brasileiros, antigamente desestimulado pelo fato de ter que lidar com conflitos cara a cara, que ganhou força na internet recentemente é a reclamação em massa. É o tipo de pessoal que, na internet reúne pessoas com as mesmas ideologias chatas e argumentações clichês e que se sente protegido para “trollar” todo e qualquer um que tiver qualquer opinião que o desagrade.

Todo começo de ano temos aquele pessoal de sempre, com argumentos de sempre que esperam que o Big Brother passe mensagens boas, bonitas, educativas, eruditas porque lá só tem “baixaria e gente sarada e fútil”. Agora neste ano, além do BBB (cuja audiência não para de cair e o programa fica cada vez mais monótono), temos o grupo que fica chocado com o programa “Mulheres Ricas”. Os argumentos dos “haters” não deixam de ser válidos porque BBB, Mulheres Ricas e qualquer outro reality-show de maior ou menor sucesso sempre tem “baixaria, pouca vergonha, não é bom exemplo pra nossa sociedade recatada da década de 1920”.

Agora por que será que esse pessoal se sente tão ofendido com pessoas saradas (que são previamente rotuladas de “ignorantes”), mulheres bonitas (previamente rotuladas de “vadias”), homens bonitos (previamente rotulados de “burros” ou “viados”) ou ricas (previamente rotulas de “fúteis”) têm de tão ruim que as pessoas ficam realmente ofendidas como aparentam nas redes sociais com seus argumentos pré-escolares agressivos recheados de ironia e/ou palavrões?

A resposta a estas questões tende a ser desviada e não diretamente respondida. “A televisão tem que passar coisas boas, coisas úteis, coisas que eduquem. O Brasil está cheio de problemas como a corrupção dos políticos e brasileiro só quer saber de Big Brother. É por isso que essa p* de país não vai pra frente”. O argumento de revolucionário virtual não costuma fugir disso. Devemos mobilizar o país para a causa deles, do contrário, sofreremos com sua cólera virtual.

Esta indignação toda pode (e potencialmente) ter um fundo psicológico. Tamanho ódio a este grupo de pessoas pode revelar uma frustração com a própria vida, possivelmente porque esta pessoa não se sente bonita, desejada, interessante, satisfeita com os rumos que a vida dela tomou, etc. Odiar estes participantes de reality-show pode ser, nada mais, nada menos, do que inveja mesmo. Devem ter sido pessoas que, em algum momento da vida, sofreram preconceito por não serem ou não se considerarem pessoas bonitas, saradas, fúteis, ricas, etc e este comportamento agressivo seria uma forma de dar o troco, de colocar para fora tudo aquilo que esteve engasgado Ver que pessoas “não-belas, não-saradas, não-fúteis, não-ricas” assistam a programas assim as enche de fúria mais ainda.

No fundo, todos nós gostaríamos ser pessoas bonitas, saradas, ricas. Todos nós gostaríamos de ter que trabalhar menos e nos divertir mais. Então por que criticam tanto uma coisa que gostariam de ter e ser? Não seria inveja ou então complexo de inferioridade?

Um comentário:

  1. peterson,
    como eu falei numa recente postagem do blog (aqui), acho que as pessoas veem na internet uma forma de exteriorizar sentimentos de mau gosto porque não vão sofrer punição e podem fazer isso de forma anônima.
    muito bom seu texto. realmente o que se critica é aquilo que incomoda a si mesmo.

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