domingo, 11 de março de 2012

Casa


A estrada corta os vales, montanhas, florestas. Aproxima, afasta, alimenta, contribui para o progresso, é cenário de acidentes fatais. Estradas. Rasgam o verde e mancham de cinza. Permite cruzar rios, fronteiras, limites físicos e psicológicos. Enfim, pode-se discorrer por linhas e linhas descrições sobre ela.

Um peixe grande dentro de aquário pequeno. Cansou, renunciou, mudou. Conquistou, se mudou. Um peixe do Aquárius em janeiro no Rio de Janeiro. Novos peixes, novos tubarões, novos crustáceos. A água tinha temperatura diferente. Conquistar alimento era diferente. O novo aquário, embora bonito, era intangível.

Sardinha com preço de caviar. Um aquário cheio de vazamentos e coisas com defeitos. Poucos aquários domésticos e dos poucos aquários domésticos, muitos com preços de oceanário. A água quente não agradava o peixe de água fria. E o peixe não estava mais com seus peixes queridos.

Ir atrás de um objetivo é derrubar uma barreira quase sempre mental. Oportunidades não caem do céu, mas aparecem com maior facilidade se você trabalha para isso. As coisas não são tão simples quanto parecem, mas não são tão complicadas também. Se vencer é motivo de orgulho, renunciar seria motivo de vergonha?

Cada coisa ao seu tempo. Dificuldades são um mal necessário para que aprendamos a valorizar nossas conquistas. Se você não está preparado para alguma coisa, ouse enfrentar. Se você cair, levante-se e tente novamente. Se um osso quebrar, engesse; ele irá melhorar mais cedo ou mais tarde.

Desconexo? Aparentemente, mas estradas, peixes e dificuldades são apenas metáforas para falar de nossa busca por um objetivo que às vezes não está preparado para nós, às vezes não estamos preparados para ele. Alguns pássaros nascem com asas e não voam. Alguns pássaros possuem asas, mas demasiado pequenas para voar. E outros não possuem asas, mas criam, inventam e voam mesmo assim.

A estrada trás de volta o lar, os amigos, a família, a vida. O imenso verde que não tem fim são um convite para pular da janela do ônibus e viver ali naquele mundo isolado e bonito. Um rio, uma linha de trem, o sol se pondo e inundando o horizonte de vermelho e laranja. A noite cai e na escuridão total, as estrelas brilham e até as menores podem ser vistas. A Lua ilumina a mata ao redor da estrada suspensa a metros de alturas, é como se voássemos baixo sobre as árvores.

Dormir não dá. Os ouvidos ficam zunindo, a sensação de balanço é constante, tal como uma tarde inteira dentro de um mar agitado. Daí amanhece no quintal de sua casa. O Atlântico à sua direita. As montanhas negras emergem. Tal como as casas, os prédios, a gente e o sotaque. Chegar em casa. A nuvem que te engolfa de aconchego.

Um comentário:

  1. there is no place like home...

    ou, na era da internet:

    there is no page like home...

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