terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A utopia da criação de novos estados


Os paraenses rejeitaram a divisão de seu estado em três. A separação traria mesmo as melhorias tão prometidas ou seria uma reles mudança no mapa político?

No último domingo, dia 11 de dezembro, os eleitores do Pará foram as urnas. Eles deveriam decidir se queriam ou não a criação dos estados de Carajás e Tapajós, ambos nascidos do desmembramento do estado do Pará, que poderia ter seu território reduzido a 17% do tamanho original. Após o encerramento da votação, os paraenses decidiram pela unidade, rejeitando a criação de dois novos estados. 66,60% dos votos disseram “não” à criação de Carajás e 66,06% também disseram “não” à criação de Tapajós.

Este resultado mostra que a maioria dos paraenses foi sensata. Por trás de toda a argumentação da centralização de recursos perto da região de Belém havia, é claro, um interesse único: a criação de novos cargos públicos, construção de prédios administrativos, ou seja, gastos. Gastos que deixariam de ser investidos na educação, saúde e segurança pública para poder proporcionar mais conforto aos nobres deputados, assessores, secretários, ao governador enquanto o povo continuaria a míngua. A divisão apenas saciaria o desejo de riqueza e poder de políticos e empresários mais poderosos e o povo, como sempre, seria apenas um peão conveniente em um xadrez de interesses.

Se os estados se separassem, os problemas continuariam os mesmos e não é separando que as coisas iriam se resolver. Certamente, o poder está centralizado nas grandes capitais de vários estados enquanto, no interior, os recursos não chegam e as obras também não. E não é exigindo a criação de novos estados que os problemas vão se resolver e os recursos vão se descentralizar. O povo tem que saber exigir estes recursos, tem que saber quem são os centralizadores e tem que boicotar, nas urnas, os aqueles que falharam nas suas promessas. Antes de tudo, o povo precisa saber votar!

Além da consciência de que a separação não vai distribuir recursos e construir obras de interesse público de forma descentralizada, não houve um sentimento de segregação ou de superioridade de certas regiões em relações a outras. Ou então um deslumbramento de fazer parte de um novo estado. Quer dizer, eles podem até fazer parte dos 30% de derrotados, mas agora é aceitar a derrota e chorar a frustração pelo resultado das urnas.

Esse tipo de consciência, por exemplo, falta nas populações de alguns estados do Centro-Sul do Brasil. E além de toda uma falácia, todo uma arrogância, temos uma demonstração nítida de falta de inteligência. Ano passado tivemos a estudante Mayara Petruso tendo piti no Twitter pela expressiva vitória da presidente Dilma Rousseff na região nordeste. E volta e meia temos outros exemplos de adolescentes recém-saídos da puberdade tendo aqueles típicos acessos de revolta infanto-juvenil, como este da imagem abaixo.

Talvez a derrota dos separatistas no Pará nos mostre que o povo já sabe perceber um mero interesse na criação de novos cargos políticos com a tradicional desculpa de que “vai ser melhor para o nosso povo”. Poderiam reduzir o Pará ou qualquer outro estado ao tamanho de um átomo que se, o povo não souber votar, não adianta: os problemas vão continuar sendo os mesmos de sempre. Quem pensa e defende a ideia da separação ou é um político interesseiro, ou é um empresário ou é um adolescente mimado e sem argumentos que xinga muito no Twitter evidenciando possuir uma superioridade que não existe e que não se conquista no grito. E talvez pior que esse grupo de pessoas interesseiras e adolescentes obtusos, seja o dos pobres deslumbrados que, por agora fazerem parte da nova classe média, se acham elite, mesmo morando de aluguel, mesmo ganhando um salário mínimo e mesmo parcelando um notebook Positivo em dezoito vezes sem entrada.

Um comentário:

  1. muito bom seu texto, peterson. realmente a voz do povo é quem manda e eu votaria como eles.

    abraços,
    raileronline

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