domingo, 31 de julho de 2011

Feiura do mundo


“Não tenha piedade dos mortos, Harry. Tenha piedade dos vivos e, acima de tudo, dos que vivem sem amor.”

Desde a morte de Amy Winehouse, no último 23 de julho, várias pessoas no Facebook têm homenageado e lamentado sua morte. Para muitos, ela tinha fama, dinheiro e um talento enorme mesmo sendo tão jovem, sendo então lamentável o modo que ela partiu. Porém, poucos são aqueles os que se perguntam o por que de, mesmo com fama e dinheiro, ela ser tão autodestrutiva, sendo flagrada diversas vezes bêbada e drogada?

Não precisamos esperar que um artista de fama internacional morra de overdose para que nos perguntemos o que leva uma pessoa às drogas e ao álcool. Muitos dos leitores devem ter alguém da família ou algum amigo que tenha problemas com esses entorpecentes. Porém, poucos são aqueles que procuram ajudá-los de alguma forma, muitos preferem julgar, afastar-se e ignorar a sua existência.

O brasileiro tem o grande defeito de refutar tudo o que possa atingir a sua preciosa “felicidade”. O mito de que o brasileiro é feliz se deve a sua irresponsabilidade e covardia para enfrentar qualquer situação que o desagrade. É muito mais fácil julgar e elaborar teorias totalmente infundadas e preconceituosas. Lágrimas de vapor e uma necessidade de fingir revolta diante de crimes bárbaros nada mais são do que uma tentativa de mostrar uma humanidade que não existe desde que as pessoas adotaram carpedienzismo da ditadura do disfarce emocional como filosofia de vida. Quem não é carpedienzista fanático é rotulado de infeliz, negativo e deve ser evitado.

É necessário, no entanto, ter discernimento para não apelar para os extremos. Ninguém precisa ser o patético carpedienzista fanático – que é a engrenagem que move a nossa sociedade para trás –, tampouco precisa ser aquela pessoa sempre focada em tornar o mundo um lugar melhor que quer ajudar a todos. Ninguém precisa de uma Bíblia e ser uma pessoa religiosa para entender o significado de “amar ao próximo”.

O que leva uma pessoa ao álcool e as drogas? O que é que todos os viciados têm (e não têm) em comum? São todas pessoas sem rumo na vida que procuram alívio ao seu desespero interior através de alguma substância química que lhes dê a sensação de prazer. O prazer passa e ela sempre vai querer mais e mais e, sem que se dê conta disso, já estará perdendo os amigos, a família, a sanidade mental e principalmente, a saúde. Muitas delas não têm uma pessoa que lhes dê o conforto psicológico que todo o ser humano precisa. É claro que algumas pessoas experimentam estas substâncias por influência dos amigos e da propaganda de uma suposta “liberdade”, mas dificilmente quem têm uma boa estrutura mental e familiar vá ceder e usá-las.

A base de muitos problemas é a falta de amor, seja a falta de amor dos outros para si ou a falta de amor próprio. Não é preciso perder alguns anos na faculdade e formar-se psicólogo ou psiquiatra para aprender a desenvolver sentimentos – e no caso deles, costumeiramente artificializados. Qualquer um que tenha sensibilidade, humanidade e responsabilidade social, não será aquele que irá criticar os bêbados e drogados para, em seguida, virar-lhe as costas, mas será aquele que irá procurar ajudar dentro dos limites que o doente irá estabelecer baseado também, na vontade dele de ajudar a si próprio a sair do buraco.

Os doentes precisam procurar ajuda em clínicas de reabilitação, e os brasileiros carpedienzistas precisam extirpar o seu egoísmo e desenvolver o amor ao próximo. Todos precisam de amor.

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*Créditos pela frase de introdução: J.K. Rowling em “Harry Potter e as Relíquias da Morte”.

domingo, 24 de julho de 2011

Quedas de julho


O que levaria você do céu ao inferno em questão de segundos? Como tremer de frio no deserto do Saara? Como suar de calor no frio da Antártida? Como explicar essa viagem entre os dois extremos?

Não é a primeira vez que há quedas em julho. Inverno aqui no hemisfério sul, verão no norte, mas as folhas ainda caem quando não é mais outono em lugar algum.

No início da segunda metade do ano, o músculo mais forte do nosso corpo faz hora extra e a mente é avaliada por psicólogos e submetida a exames laboratoriais de resistência.

A glória vem quando julho inicia com e-mails escritos com letras roxas e uma nova mina de diamantes é encontrada na África do Sul. Ficaremos fascinados com novas cores e brilhos.

Seremos envolvidos por um fogo que nos aquece durante as noites frias, um calor que nos alegra e nos faz querer contagiar e aquecer aqueles que sentem frio. Estamos pegando fogo, a casa está pegando fogo e então acontece: CABUM! O botijão de gás explode e o fogo sai de seu controle.

Você precisa de gás para novas explosões e alimentar as chamas, mas elas diminuem, o fogo apaga e o vermelho, amarelo e laranja dão lugar ao azul. Restam as cinzas...

Chamem os bombeiros! Vai buscar Dalila, ligeiro!

domingo, 3 de julho de 2011

Buenos Aires

No estoy más respirando con dificultad, no estoy más ahogandome con la contaminación del aire.

Vivi en la oscuridad. Cerré el portal del parque de diversiones, pero dejé la llave bajo el felpudo. Y la sacaste y andentraste. Las luces volveron a brillar nuevamente. Mi intuición, que no costumbra fallar para las cosas dolorosas, detectó algo diferente. Algo bueno, sincero, transparente como el água de un lago helado islandés.

No estoy más respirando con dificultad, no estoy más ahogandome con la contaminación del aire. Ahora yo respiro buenos aires. No necesito actuar para gustar a alguien. No necesito temer lo que decir y no estoy ansioso con el futuro porque tengo la tranquilidad y la seguridad que yo necesitaba para estar en paz. Puedo mirar a través del água limpia del lago. Todo viene a su tiempo.

La bateria está cargada. Las luces estan brillando. Las flores, florindo. Y el aire está limpio y a mi me gusta respirar estes buenos, buenos aires.

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Vivi na escuridão. Fechei o portão do parque de diversões, mas deixei a chave sob o capacho. Você a pegou e entrou. As luzes voltaram a brilhar novamente. Minha intuição, que não costuma falhar para as coisas dolorosas, detectou algo diferente. Algo bom, sincero, transparente como a água de um gelado lago islandês.

Não estou mais respirando com dificuldade, não estou mais sufocando com a poluição. Agora respiro bons ares. Não preciso mais atuar para agradar a alguém. Não preciso temer o que dizer e não estou ansioso com o futuro porque tenho a tranquilidade e segurança que precisava para estar em paz. Posso ver através da água limpa do lago. Tudo vem ao seu tempo.

A bateria está recarregada. As luzes estão brilhando. As flores, florindo. E o ar está limpo e gosto de respirar estes bons, bons ares.