domingo, 8 de maio de 2011

Parque de diversões

O parque de diversões fechou. Depois de tantos acidentes, decidiu-se que era a melhor coisa a ser feita. Era tempo de fazer uma reforma, uma análise e de descansar os brinquedos.

O ambiente era majoritariamente frequentado por crianças. E não era apenas um parque de diversões, mas um pequeno universo desconhecido a ser explorado. O tesouro perdido, os patos nadando no lago, o piquenique debaixo da Pohutukawa Cornwallis, o pôr do Sol e as montanhas esmeraldas.

Uma voz misteriosa veio de fora e uma criança curiosa ouviu seu nome. A voz dizia que queria entrar e a criança, inocente e disposta a trazer o amigo misterioso àquele mundo belo que ela já conhecia, foi atropelada por um caminhão ao tentar atravessar a rua. Aquele ambiente alegre ficou triste.

Algumas semanas depois, a alegria retornou. Mais um chamado, mais uma criança tentando trazer quem estava chamando. Mais uma morte. A alegria cedeu à tristeza e o luto por uma segunda vez.

Após essas mortes, as coisas já não era mais as mesmas, alegres e felizes como havia sido antes. Divertir-se estava ficando mais difícil. O sorriso não estava sendo mais espontâneo, mas forçado para transparecer uma falsa alegria e simpatia.

O público estava diminuindo. Acidentes internos causaram mais mortes. Uma criança voou da montanha russa. Ninguém percebeu. Uma criança quebrou as pernas no carrinho de choque. Ninguém foi ajudar. Uma criança gritou por socorro enquanto era engolida por uma jiboia. Ninguém viu ou ouviu. Ninguém quis acreditar. Eles decidiram ignorar.

O marketing não funcionava mais. Quanto mais promoções, menos gente. Apesar de todas as coisas bonitas que o parque pudesse oferecer, ninguém queria mais ir lá para visitar. No máximo, chamavam as crianças esperando que elas se arriscassem e se machucassem – ou moressem. Ou olhavam pelas frestas no muro. Subentendiam que o lugar era uma lástima e que não havia nada de interessante ali dentro então, decidiram dar meia-volta e ir embora.

Logo, decidiu-se fechar o parque. Não era fácil renunciar à alegria de quem já havia se divertido naquele pequeno mundo pouco conhecido, mas era necessário. Necessário consertar os brinquedos, regar as flores, cortar a grama, limpar o lugar e jogar o lixo no lixo. Era necessário recriar, revitalizar e aquilo só poderia ser feito com o parque vazio.

Quem quiser entrar, deve esperar a reforma terminar para não se machucar. A administração crê que não é mais preciso gastar tempo e dinheiro com marketing, já há divulgação demais. Quem quiser ingressar depois da reforma, será bem-vindo, quem não quiser, que fique de fora sem saber o que poderia ser desfrutado.

Informamos que o parque de diversões está em reformas. Ninguém mais vai se acidentar. Não vamos mais investir em mais divulgação para evitarmos a falência. Quem quiser entrar nesse pequeno universo, agora deve esperar a reforma terminar.

Um comentário:

  1. tem horas que é preciso dar um tempo mesmo, pra acertar as coisas e voltar com tudo em cima!

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