domingo, 13 de março de 2011

United States of Mine

Para cada ambiente, diante de cada pessoa, adotamos uma postura ímpar, adotamos um “eu” apropriado, uma linguagem e um comportamento particular.

Interessante como um reality show como o Big Brother Brasil, duramente criticado pelos “maus exemplos” à nossa sociedade puritana e conservadora, possa ser uma fonte de temas relevantes a serem debatidos no que diz respeito ao comportamento humano e da sociedade. Apenas para exemplificar, uma das grandes preocupações dos participantes é em serem eles mesmos. Mas o que é ser você mesmo?

Talvez uma das respostas mais plausíveis seja “agir como você sempre agiu, sendo coerente com aquilo o que você pensa e sente”. Este pensamento faz sentido, no entanto, é importante ter em mente de que é impossível estabelecer uma espécie de perfil sobre quem se é.

Primeiramente, todos nós sabemos que nós mudamos com o passar dos dias, meses e anos. Podemos ter gostado muito de alguma coisa no passado e hoje não gostarmos mais, ou o contrário, podemos ter odiado algo e hoje o adorarmos. Segundo, qual é a data de validade de um perfil relativamente confiável sobre quem somos nós?

Não somente o tempo pode mudar a visão que nós e os outros têm a respeito de nossa personalidade. O ambiente também nos “molda”, juntamente com as pessoas que dividem este ambiente conosco. Por exemplo, a linguagem e as brincadeiras que fazemos com os nossos amigos e familiares nem sempre são as mesmas que fazemos com quem trabalha conosco. Uma pessoa pode ser muito alegre, brincalhona e divertida com um determinado grupo de pessoas, ao mesmo tempo que pode ser mais séria e rígida com outras. Ela não estaria sendo “ela mesma” em alguma dessas situações?

Em um BBB, um participante pode sentir-se intimidado pelas câmeras, pela exposição e pelo julgamento constante de seus colegas e do público. Ele pode acabar não sendo lá dentro quem ele imaginava ser por ter medido demais as palavras para não desagradar ninguém, como também pode ter passado por cima de quem ousasse se meter em seu caminho. Podemos descobrir um novo “eu” em situações assim. E somos um monte de “eus”, temos múltiplos perfis, quase todos parecidos em sua essência, mas nunca idênticos. Para cada ambiente, diante de cada pessoa, adotamos uma postura ímpar, adotamos um “eu” apropriado, uma linguagem e um comportamento particular.

Qual é o seu “ser você mesmo”? Quais são os seus “eus” para os diferentes ambientes e pessoas? E quando é que você é fiel à sua essência e quando você está sendo falso com os outros ou com você mesmo?

8 comentários:

  1. O ser humano constrói-se e descontrói-se a cada segundo, nunca resgatamos ou emulamos um eu passado com perfeição.
    Adorei o post.

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  2. Eu adorei o post. Me lembrou a filosofia do "logos heraclítico" que diz que estamos sempre em constante mudança. Acho que os princípios e valores morais que acreditamos definem o nosso "eu", não nossas diversos comportamentos e atitudes.

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  3. Eu tento ser quem acho que sou para depois descobrir que não sou quem pensava que era e assim poder ser um novo ser, que depois não será mais quem sou, nem quem fui, muito menos quem serei. Tendeu?

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  4. Acho que mudar de comportamento conforme o local é meio que instinto. A gente muda mesmo,sou muito diferente em casa por exemplo,do que com meus amigos.

    O que acontece é que algumas pessoas se surpreendem com seu "eu" verdadeiro,em determinados contextos,mas na verdade...a gente pode ser outra pessoa?

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  5. Acho que mudar de comportamento conforme o local é meio que instinto. A gente muda mesmo,sou muito diferente em casa por exemplo,do que com meus amigos.

    O que acontece é que algumas pessoas se surpreendem com seu "eu" verdadeiro,em determinados contextos,mas na verdade...a gente pode ser outra pessoa?

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  6. Nada original, mas me traduz nessa idéia:
    "Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse." - Friedrich Nietzsche

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  7. a gente tem que ser a gente mesmo, sem se preocupar com os outros. acho que a preocupação com o que as pessoas vão achar de você é que muitas vezes poda a pessoa.

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  8. Não me recordo de quem falou sobre o BBB ser uma espécie de "laboratório sociológico e psicológico" - o que não deixa de ser um ponto de vista interessante, embora aquilo seja um jogo.

    Mas existe também a velha questão das máscaras, não é? Cada uma apropriada para cada situação. "Ser" quem é de fato, expressar a própria personalidade muitas vezes não é bem visto. Há os chamados "padrões de comportamento", não é verdade? São estes que a sociedade prefere.

    abs

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