domingo, 28 de novembro de 2010

Referendo - Voto obrigatório

O voto deve continuar sendo obrigatório no Brasil? Neste post de estreia da série “Referendo”, abordaremos a questão do “voto obrigatório”.

A grande mídia do Brasil, que é a nossa grande formadora de opinião, infelizmente, é parcial. Durante estas eleições gerais de 2010, isto ficou bastante explícito, desde capas de revista tendenciosas até um perícia controversa para mostrar que um dos candidatos não foi atingido por uma simples bolinha de papel. Não há o compromisso com a verdade e sim, em defender os interesses de uma minoria que governa o país.

O maior objetivo da série “Referendo” é convidar o leitor a analisar os prós e os contras de ser contra ou a favor de alguma coisa e ajudá-lo a ter uma opinião sobre temas polêmicos.

O tema de estreia desta série não é novo e sempre é debatido com maior ênfase quando são divulgados os números finais das eleições. Quais as vantagens e desvantagens de um sistema eleitoral onde o voto é obrigatório e as de um sistema onde o voto é facultativo?


VOTO FACULTATIVO
- O voto obrigatório fere os princípios da democracia uma vez que o cidadão não tenha a liberdade de escolher se ele deseja votar ou não.

- O voto facultativo estimula o voto consciente. Somente quem estiver realmente preocupado em mudar alguma coisa através do voto, fará questão de comparecer à sua seção eleitoral, não importa o clima ou se é domingo.

- E uma vez que o voto seja consciente, talvez não tenhamos mais o chamado “voto de protesto” para políticos que não estejam preparados para assumir um cargo administrativo ou a eleição de candidatos envolvidos em escândalos de corrupção.

- O voto facultativo seria uma ameaça aos políticos desonestos que usam de discursos demagógicos e populistas para iludir a população mais pobre.


VOTO OBRIGATÓRIO
- O voto obrigatório faz com que a maioria das pessoas (que é a mesma maioria que sente os reflexos de uma boa ou má administração) participe do processo eleitoral e eleja os políticos que a maioria quis.

- O povo brasileiro ainda não está preparado para o voto facultativo. As pessoas mais pobres que formam a maioria da nossa população, ainda não têm consciência da importância da política em suas vidas e, sendo assim, decidiriam por não ir votar. Enquanto isso, uma minoria rica, bem instruída e preocupada em manter a sua posição de domínio na sociedade, votaria - e em massa - naqueles políticos que defenderiam a desigualdade social.


O IDEAL
O ideal seria que a população tivesse consciência da importância do seu voto no processo democrário e de que é através dele que ela pode demonstrar a sua satisfação ou insatisfação com os partidos e os políticos que concorrem à reeleição. Para isso, as escolas deveriam estimular a consciência política nas crianças desde cedo e da maneira mais imparcial possível.

Uma vez que o tema política tenha saído daquele grupo de “coisas que não devem ser discutidas” e a população fosse politicamente madura, o voto facultativo deveria ser instaurado. “Você quer mesmo que os outros decidam o seu futuro enquanto pretendem defender os interesses delas? Então vá votar!”


Considerações finais
Quer expressar a sua opinião sobre a obrigatoriedade do voto? Então comente!

Dê sugestões para as próximas postagens e, se tiver fontes com dados confiáveis sobre este ou outros assuntos, por favor, inclua-os no seu comentário.

domingo, 21 de novembro de 2010

Continue caminhando

À esquerda, como os senhores podem observar, temos um caminho onde seus sonhos se tornam realidade... E à sua direita, temos a mesmice e as coisas tediosas de sempre.

O famoso asfalto escaldante e quente da Guiné-Bissau, agora Patrimônio da Humanidade da UNESCO, dividiu-se em dois. Você não pode parar de andar, é como se a garrafa de Johnnie Walker ordenasse: “keep walking!” Dois caminhos a serem seguidos. Faça sua escolha.

À esquerda, como os senhores podem observar, temos um caminho onde seus sonhos se tornam realidade. É onde a metade da sua laranja pode ser encontrada, encontrar aquilo que você perdeu, ter tudo o que você mais gosta no lugar que você sempre quis... E à sua direita, temos a mesmice e as coisas tediosas de sempre.

O caminho escolhido foi o da esquerda...

Seguindo o caminho da esquerda, você foi subindo cada vez mais alto. Você encontrou abrigo ali, voltou a ter esperanças ali, voltou a sonhar ali, voltou a sorrir ali. Pelas suas veias fluia o melhor sentimento que você pode sentir. Apenas mais alguns metros e você estaria no topo do Monte Everest, ou a poucos degraus da escadaria que te leva às estrelas. Estaria...

De repente, tudo escureceu e você não teve tempo para entender nada. Uma motocicleta veio voando e chocou-se propositalmente contra você que deu com a cara no asfalto e caiu desmaiado.

Escuridão.

O céu sem Lua e sem estrelas. O sangue se espalhando pelo asfalto e, dessa vez, em suas veias, que outrora fluia o melhor sentimento do mundo, agora fluia o pior. O atropelador era um ladrão de sonhos e de esperanças que levava suas vítimas até o topo do Monte Everest apenas para ter o prazer de lançá-las de lá direto para a Fossa das Marianas. Do céu ao inferno. Não contente, roubou o coração de sua vítima, deixando dentro dela, um grande vazio.

Preenchê-lo novamente, conseguirás?

A vítima tenta se livrar da pressão da fossa onde se encontra. Pressão demais para a sua cabeça que não consegue enxergar a luz e sentir o calor do sol. Perguntas sem resposta e o desespero para voltar à superfície e novamente. Quem a ajudará?

Há o medo, o trauma, as sequelas, as cicatrizes, o vazio.

Enquanto a vítima sofre sozinha debatendo-se no mar, o ladrão toma vinho tinto francês em um sofisticado restaurante francês. Enquanto a vítima sente frio, o ladrão está aquecido pelas esperanças e os sonhos que roubou. Enquanto a cicatriz não fecha e a dor não passa, o ladrão sente-se bem para mais uma. O ladrão não sofre, não sente, não escuta, não quer um feedback, ele ignora a dor que causou. Não sente remorso e não pede desculpas.

E a vítima vai emergindo à superfície para voltar a tomar o asfalto escaldante e quente da Guiné-Bissau. É o destino. Você não pode parar.

Keep walking!