domingo, 25 de julho de 2010

A jornada


Em um mar que o Google Earth não consegue localizar, há uma pequena ilha e nela, uma imensa fortaleza.

Uma ilha no Mar da Solidão. Uma ilha quase desabitada se não fosse por uma única pessoa que lá vivia completamente sozinha: a Rainha Razão. Ela tinha uma única preocupação: proteger o seu filho, o Príncipe Coração.

Ela já havia presenciado todo o horror do mundo além daquele oceano imaginário e decidiu fugir para o lugar mais isolado que conseguiu encontrar para proteger seu filho. Fugiu para esta ilha, construiu uma fortaleza e colocou seu coração sobre a almofada mais macia, cobriu-o e isolou-o em uma caixa de vidro rodeada de lasers e com a temperatura controlada. Lá estava ele, aquecido e seguro, o maior desejo da Rainha Razão.

Os anos se passaram e o Príncipe Coração sentia-se muito sozinho, tão sozinho que ficava triste muitas vezes. A Rainha Razão viveu um dilema: a proteção infeliz ou a arriscada busca pela felicidade?

O Príncipe Coração era extremamente persuasivo. Conseguia fazer a Rainha Razão ceder aos seus pedidos mais absurdos e perigosos. E vencera novamente. Ele abandonou o lar e pelos mares, navegou.

E então o coração viu coisas terríveis. Corações cicatrizados e destruídos o perseguiram como vampiros sedentos de sangue e mortos-vivos de carne humana, machucando-o das piores formas. A dor do coração era imensamente maior à dor física. Ele então pôde entender porque havia tanta proteção ao seu redor: ele era o maior tesouro da Rainha Razão.

O Príncipe Coração agora vivia o mesmo dilema de sua mãe. Devo viver isolado e seguro dentro da proteção da Rainha Razão? Ou devo correr o risco de ser completamente destruído nessa minha jornada em busca de um outro coração que me proteja e me faça feliz ao mesmo tempo?

[Eu quero voltar para casa.]

3 comentários:

  1. o fat ode estar protegido pela Razão, não quer dizer que ele não possa encontrar outro coração que o faça feliz. Até pq, do msm jeito q ele tentou sair da Ilha nessa busca, algum outro pode encontrar essa ilha perdida e viver com ele ali.

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  2. O dilema de todos nós!
    Gostei do texto!

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  3. Isso parece Lost...mas qualquer um pode sair da ilha quando encontrar sua razao....

    abraçao amigo....

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