domingo, 20 de dezembro de 2009

Tempos de exagero


Em busca da tão citada emoção, a sempre criticada mídia transforma estalinhos na Tsar Bomba.

Muita gente sabe que a mídia não é nada santa e que criticar a sua “falta de santidade” tornou-se um clichê clássico de qualquer boçal que se acha intelectual. Mesmo assim, ainda tem muita gente que se deixa levar pelas opiniões da mídia e pela exagerada importância que ela dá para casos que estão longe de serem preocupantes.

Temos vivido anos muito chatos onde usinas nucleares não explodem e matam milhares, onde ditaduras importantes não caem, onde não há novos países independentes, onde o homem não pisa mais fora da Terra, onde o mundo não é dividido entre duas superpotências capazes de dar início a uma nova guerra mundial.

A mídia tem estado carente de algo que prenda a atenção de um país inteiro para frente da TV, a exemplo da final da Copa do Mundo de 1994 e dos ataques de 11 de setembro de 2001. Ela quer causar a famosa “emoção” que todas as novelas da Globo afirmam que irão causar (“você vai se emocionar com a nova novela das oito”).

Quando as pessoas começam a comentar sobre as coisas que viram na TV na escola, no trabalho, no happy-hour, no Orkut ou onde quer que seja, é porque a mídia conseguiu causar o impacto que desejava. Nem sempre isso se deve ao fato de a notícia ser relevante e sim, ao fato de ela ter sido citada à exaustão, dando a impressão de ser algo extremamente relevante.

O que diferencia os casos Isabela Nardoni e João Hélio de todos os outros casos de violência contra as crianças? Várias crianças são violentadas a cada dia no Brasil e no mundo e isso não é noticiado. O que diferencia esses dois casos destes tantos outros de violência é que eles envolveram crianças bonitas e de famílias ricas. Se uma criança não muito bela fosse lançada pela janela pelos pais pobres e feios, a repercussão não teria sido maior que a destas.

A gripe suína e seus múltiplos substantivos é um grande exemplo da carência da mídia por notícias que causem rebuliço. Foi um caso exaustivamente noticiado que gerou o pânico em muitas pessoas (ignorantes, diga-se de passagem) que passaram a ver esta enfermidade como uma espécie de “peste negra moderna”. A famosa dengue continuou matando muito mais que a gripe suína Brasil afora e ficou esquecida. A gripe suína era uma doença nova, desconhecida e totalmente fashion.

Para finalizar, ainda tivemos o rotulado “absurdo caso de discriminação” contra uma estudante de uma universidade de São Paulo que foi humilhada por seus colegas de faculdade acéfalos por ter vestido um vestido curto demais. Ok, ela não queria chamar a atenção para a sua ousadia, ser xingada, e eventualmente ficar famosa e estampar a capa de uma revista masculina (“Por dentro do vestido vermelho”).

Se você acha que é o expert em maldades da mídia e é “inteligente” o bastante para morder iscas como estas, cuidado. Os seus clichês anti-Globo podem ser usados contra você: sorria, você está sendo manipulado!

2 comentários:

  1. Manipulado completamente, eu diria. Dia desses em que eu fui comprar umas lembrancinhas de natal ( manipulação again?)passei em umal ivraria e me deparei com um livro que trazia à tona justamente essa questão: até que ponto a mídia influencia a percepção das pessoas quanto ao "medo" e quanto à "violência"?

    Estereótipos. Enquanto o Rio de Janeiro é "dominada pelo crime", Salvador é a "terra da alegria". Mas a situação na capital baiana está terrível: acho que no último final de semana houve 12 assassinatos, sem contar os "acidentes" de trânsito. Quem vive em Salvador e tem um olhar mais crítico sabe que a coisa por aqui não está boa. Mas o que perdura é a imagem da "cidade da alegria" e o verão promete "grandes emoções' como o Festival de Verão ( um festival que não inova e é algo repetitivo e enfadonho quanto às atrações) e o carnaval. E aí ouvimos o tempo os jornalistas locais com seu bairrismo todo dizer que "é a maior festa popular DO MUUUNDO".

    Veja que abordei por outra vertente, mas que há também o exagero. E isso cria percepções em quem está de fora das cidades relacionadas que acabam reforçando tais estereótipos.

    Ah, e enquanto todo mundo estava comprando alcool gel ( olha a mídia aí) e usando máscara, a dengue avançava firme e forte e a meningite tá por aí com tudo fazendo vítimas, principalmente crianças.

    É que dengue e Meningite não são as doenças que mais matam no MUUUUNDO.

    Um abraço!

    PS: Feliz Natal =D, obrigado pelas palavras lá no blog!

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  2. Claro que a mídia tem influência...eu que sou mulher posso dizer..que por exemplo as mulheres copiam cabelos,estilos de roupas e aquela idéia de amor perfeito e para sempre na maioria dos temas...além de muitos outros temas polêmicos que às vezes são até apelativos...no final acaba tudo bem!

    E quanto ao exagero da mídia.
    @#@#$@%#%$$%$,esse ano eu fiquei de saco cheio de tanto ouvir sobre a gripe suína e sobre a morte do Michael Jackson.
    A mídia só se interessa pelo que lha dá retorno,nada de noticias baratas.
    Eu moro em uma cidade que eu considero violenta(Londrina) e garanto que acontecem coisas aqui..muito,mas muito pior do que as que retratam as manchetes de jornais.

    Ah sei lá,onde a gente vai parar!

    Sem mais Peter!

    Julis (:

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