domingo, 11 de outubro de 2009

Cérebro de massinha


É mais fácil construir um menino do que consertar um homem. (Charles Chick Govin).

Imagine o nosso cérebro como uma grande massa de modelar. Uma massa suscetível a manipulações e a mudança de ideias, que podem ser positivas ou não. Mas não pense que ela é totalmente maleável. Algumas partes ressacam, não podendo mais sofrer qualquer tipo de manipulação ou mudança.

As crianças podem ser facilmente manipuladas. Como ainda são muito novas e sabem pouco da vida, elas acabam absorvendo informações de pessoas que impõe respeito a elas.

Os filhos costumam ser reflexos dos pais. Isto pode ser um grande problema, uma vez que muitos deles sejam frutos de uma gravidez indesejada, sendo tratados como estorvos. Muitos pais não se preocupam em ser bons exemplos aos filhos e os expõem a diversas situações desagradáveis.

Os pobres também são presas fáceis dos manipuladores. Muitos não têm o estudo necessário para desenvolverem o senso-crítico próprio e muito menos a inteligência para contra-argumentar. A falta de vontade de correr atrás de conhecimento e da verdade faz com que eles sejam o alvo principal de políticos em tempos de eleição, como todos nós já sabemos.

Ter um cérebro de massinha é ruim então?

Nem sempre. Como ninguém é o dono da verdade, é importante que estejamos sempre abertos para algumas mudanças de opinião que podem ser necessárias. Mudanças que podem evitar a injustiça, o sofrimento, o retrocesso. O problema é estar aberto demais a novas ideias. Isto pode ser enlouquecedor. Em um momento, você acreditava na verdade pura depois, abriu-se à mentira, que marcou território e expulsou a verdade da sua cabeça.

Estar fechado demais pode poupar você de situações como esta, mas também podem transformar você em um ignorante convicto. É como sentir-se um pecador quando você ousa contestar qualquer coisa que possa estar errada na sua religião, por exemplo.

O ideal mesmo é armar-se de conhecimento. Estudar e ir atrás de verdade. Assim, haverá partes maleáveis no seu cérebro para receber a verdade e partes ressecadas para repelir a mentira e inutilidades.

4 comentários:

  1. Falar de manipulação é complicado.Ainda mais se tratando de Brasil e de brasileiros.Devido aos grandes problemas sociais que nós temos,e o pior de tudo,muito dos brasileiros não gostam de estudar!E como é você mesmo cita,os país criam a mente e as perspectivas futuras das crianças,ou seja,não se pode deixar de lado que podem sim ser ignorantes e manipulados com facilidade por qualquer situação.
    Acho que saber quando se é manipulado já é um progresso,mesmo que não faça nada a respeito,como as pessoas infelizmente estão acostumadas.

    Sem mais!
    Beijinhos.
    Ju

    ResponderExcluir
  2. O problema é que cérebros de massinha acabarão sempre sendo os bundões que conhecemos...
    Eu tenho cérebro de argila, que vai endurecendo alguns pontos, mas que posso colocar mais camadas 'moles' por cima afim de criar novos conceitos e expectativas que complementem o que já está determinado.

    Abraços

    ResponderExcluir
  3. nem todo mundo sabe dar/receber crítica ou feedback. mas é algo possível de se aprender, como você sabiamente escreveu. resta a essas pessoas aceitarem isso.

    ResponderExcluir
  4. "A falta de vontade de correr atrás de conhecimento e da verdade faz com que eles sejam o alvo principal de políticos em tempos de eleição, como todos nós já sabemos".

    Não apenas de políticos, mas de toda a gama de malandros em vários setores da sociedade.

    Achei muito bom o seu texto todo, mas gostaria de destacar mesmo essa questão do conhecimento. Hoje temos acesso a muita informação, como nunca a humanidade teve antes.

    A partir da informação a pessoa constrói o conhecimento. Não dissociamos, claro, mas eu sei entendo exatamente quando você fala em "falta de vontade" em correr atrás do conhecimento. Tentava de várias formas livrar meus alunos do tormento da "decoreba" ou do que Paulo Freire chamava de "educação bancária" ( apenas "depositar informações no quadro para os alunos copiarem, sem reflexão e nenhum senso crítico"). Mas as pessoas estão condicionadas a seguir modelos fáceis, prontos e pré-estabelecidos. Novas ideias? Difícil. Por isso passamos por tempos estranhos, onde muito pouco é construído em termos de conhecimento. Ou, quando alguém constrói, fica 'escondido' porque não é palatável ao "grande público".

    É isso. Abs!

    ResponderExcluir