domingo, 30 de agosto de 2009

Necromania: o espetáculo da morte


Ela fascina o povo desde a pré-história. Ela é o medo de muitos, o ganha pão de alguns e a diversão de tantos outros.


Um amontoado de gente ao redor de um carro estraçalhado. A mesma notícia sendo dada durante semanas. Jogos que fazem um enorme sucesso entre crianças e adolescentes. A exploração do medo. O que todas essas coisas têm em comum? Um mórbido fascínio pela morte!


A morte é encantadora. Embora essa afirmação dê medo e pareça suicida, não há como negar que ela encanta as pessoas. E não é de hoje. Desde a pré-história, o homem sempre teve a curiosidade de saber como seria a sua vida após o fim dela. Nasceram, então, as religiões com suas teorias (i.e., verdades absolutas) sobre a morte para aliviar mentes inquietas.


O medo é um sentimento que anda de mãos dadas com a morte. Sabendo disso, as religiões e governantes o exploraram sabiamente como uma forma de manipular as pessoas, induzindo-as a fazer tudo o que quisessem. Porém, alguns não caíram nessa chantagem emocional e foram assassinados em público de modo criativo e extremamente cruel.


Isto mostrou todo o fascínio do ser humano pelo desconhecido. Enquanto por um lado não desejam morrer de jeito algum, por outro eles não têm piedade e até apreciam ver pessoas agonizando até vir a falecer.


Uma pena de morte em praça pública sempre atrai e atraiu centenas de pessoas. Não deve ter havido uma inquisição, um enforcamento, um apedrejamento ou uma condenação à guilhotina sem público presente. O Coliseu, por exemplo, nada mais era do que um lugar aonde a urbe ia para assistir batalhas sangrentas, ansiando por mortes emocionantes.


A morte fascina as pessoas até hoje. Quando há um acidente de carro, tem sempre aqueles urubus ao redor, onde muitos olham e poucos ajudam. Quando um avião explode, uma criança é arrastada pelo asfalto ou um popstar bate as botas, muitas pessoas procuram manter-se informadas, não que elas lamentem pelas vítimas, mas elas apenas quererem viver a emoção que a morte propicia.


Existem aqueles que fazem dela um espetáculo visando o lucro. É o caso da mídia, dos diretores de filmes de terror e dos criadores de sites sobre mortes e mortos. O pior de tudo é que existe gente que realmente aprecia esse tipo de espetáculo. Gente que, na minha opinião, é mentalmente perturbada e que não passa de um psicopata passivo ou em potencial.


Fato é que a morte ainda fascinará a raça humana até que saibamos o que realmente acontece depois que perdemos a vida. Muitas pessoas se aproveitarão do medo para manipular as outras, farão dinheiro sobre ele e haverá aqueles que desfrutarão da emoção que ela propicia. Muitos esperam que a morte seja mesmo algo fascinante, pois muitos se sentiriam frustrados se descobrissem que ela é tão bobinha e chata quanto um documentário sobre a reprodução de lesmas albinas no Sri Lanka.

domingo, 23 de agosto de 2009

Cuidado: frágil


Receber uma crítica* não é uma coisa muito agradável. Pior do que reconhecer os seus defeitos é saber que os outros também os conhecem.


Há dois tipos principais de crítica: a destrutiva e a construtiva. A primeira é caracterizada pelo desejo de magoar alguém visando satisfação pessoal. Já a segunda é caracterizada pelo desejo de aprimorar algo através dela, fazendo com haja um trabalho sobre o problema.


Como vivemos em um mundo egoísta, é muito comum pensarmos que quando uma pessoa nos critica ela está fazendo por mal. Muitos não sabem diferenciar uma crítica destrutiva de uma negativa. Então, é bastante comum que as pessoas confundam isso e a encarem como algo extremamente ruim.


Por causa disto, é necessária toda uma técnica na hora de criticar. Para começar, o sujeito deve ter moral para fazê-la. É como um fumante criticar as pessoas que fumam, por exemplo: que moral ele tem para falar? Segundo, o sujeito deve ser educado e manter um tom de voz brando, mas sem deixar de ter firmeza e plena convicção de que sabe do que está falando. E por último, e não menos importante, é necessário ter tato.


Algumas pessoas sabem entender as críticas e reconhecer que não são perfeitas. Elas mantêm o respeito por quem a criticou e aprendem com a crítica. Por outro lado, há também aquelas pessoas que não as aceitam de jeito nenhum. Elas agem como se fossem perfeitas e, não satisfeitas com a crítica, guardam rancor e assim que puderem, irão se vingar, nem que seja através de críticas destrutivas.


Cientes disso, muitas pessoas temem ser sinceras e preferem ficar caladas. Essa omissão pode gerar consequências desagradáveis como perda de autoridade e falsidade, além de mostrar que você consente com o erro.


Criticar mostra muito sobre a sua personalidade. Pode mostrar indignação com coisas absurdas e também pode ser uma demonstração de amizade afinal, amigo é aquele que enxerga virtudes e defeitos e não um ser apaixonado que te vê como a personificação da perfeição.


Agora se a sua crítica foi feita com boas intenções e a pessoa não a recebeu muito bem, talvez isso mostre que ela não tem maturidade o suficiente para lidar com elas. São pessoas muito mimadas, egoístas e arrogantes. São pessoas que gostam de aparentar que são muito fortes, mas que na verdade são muito frágeis.


*Para a melhor compreensão dessa postagem, entenda crítica como “o ato de apontar erros ou defeitos”.


domingo, 16 de agosto de 2009

O botão "foda-se"


Ele foi criado para libertar as pessoas das preocupações desnecessárias, mas caiu em mãos erradas...


Era uma vez uma sociedade que se sentia oprimida por uma carga pesada de responsabilidades e condutas. As pessoas viviam extremamente preocupadas com a sua imagem, com o que os outros poderiam pensar ou deixar de pensar caso se desvirtuassem. Os dias se passavam e alguns sentiam a necessidade de se libertarem. Sentiram a necessidade de viver uma vida plena, sem desejos reprimidos. Até que um dia apertaram o botão “foda-se” de suas vidas...


Pessoas ficaram chocadas e os recriminaram por pura inveja. Eles invejaram a falta de vergonha na cara e a ousadia daqueles que apertaram o botão “foda-se” para a sociedade careta. No fundo, queriam estar vivendo a vida dos “sem-vergonha”, mas eram covardes demais e não queriam pagar o preço de serem criticados por terem apertado um botão tão... amoral.


Aqueles que não queriam casar virgens apertaram o “foda-se”. Aqueles que se sentiam desconfortáveis com seu casamento apertaram o “foda-se”. Aquelas que queriam catar geral apertaram o “foda-se”. Aqueles que não queriam passar o resto de suas vidas vivendo uma vida certinha e normal imposta pela sociedade apertaram o “foda-se” e resolveram ser felizes.


Muitas pessoas se libertaram em busca de uma vida mais plena e feliz graças ao “foda-se”. Os índices de medo de rejeição, angústia e preocupação com a própria imagem diminuíram visivelmente quando as pessoas descobriram todo o prazer e liberdade proporcionada por este revolucionário botão.


A sociedade caminhava para um futuro glorioso. Ela sentia-se mais livre, feliz e ia quebrando preconceitos e tabus. Mas no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho e esta pedra era (e ainda é) constituída pelos “burros”, um povo desprovido de inteligência, senso crítico e moderação.


Os burros ignoraram as precauções do botão “foda-se” e o apertaram a qualquer momento. Os burros eram matutos e ficaram fascinados pelas maravilhas causadas pelo apertar deste botão. Eles o apertaram inúmeras vezes inutilmente tornando-se assim, cada vez mais irresponsáveis e egoístas.


Achavam estudar chato e apertaram o “foda-se”. Não conseguiam estabelecer um diálogo e apertaram o “foda-se”. Engravidaram: “foda-se”. Seus filhos viraram trombadinhas: “foda-se”. Política: “foda-se”. Violência: “foda-se”. Aquecimento global: “foda-se”.


O inventor do “foda-se” morreu de desgosto. Sua invenção deveria ter ajudado a libertar as pessoas e de termos uma sociedade mais justa e harmoniosa, mas ele só viu egoísmo e irresponsabilidade quando sua criação caiu nas mãos dos burros.


Um dia o mundo chegará ao colapso pelo uso excessivo do “foda-se”. Nesse dia, o presidente dos Estados Unidos da América subirá em um palanque e nos dará a notícia fatídica:


"O botão Foda-se do mundo foi acionado e quebrou. Agora, ninguém poderá desfudê-lo até que todos se unam em prol da desfudição."

domingo, 9 de agosto de 2009

Um eterno carnaval de Veneza


Embora tenham uma conotação negativa e seu uso seja condenável, a verdade é que é impossível viver sem elas.


Um dia desses, uma amiga de um amigo meu fez uma visita ao meu perfil no Orkut e eu fui checar quem era. Ela tinha um texto bastante interessante em seu “sobre mim” que começava dizendo:


“Você usa máscaras. Isso não é uma pergunta, é uma afirmação”.


Dizer que uma pessoa usa máscaras é apontar com o dedo sujo, pois todos nós também usamos. E não adianta negar que você não faz uso delas; ou você torna a sua vida um livro aberto, falando exatamente tudo aquilo que pensa e sente, agindo da maneira que você quiser?


A expressão “fulano usa máscaras” tem sempre uma conotação negativa. Falamos isso quando queremos dizer que um sujeito é dissimulado e que esconde a sua verdadeira personalidade para conquistar algo. Em geral, é usado quando queremos dizer que uma pessoa é muito falsa e mal-caráter.


Por outro lado, usar máscaras não torna ninguém condenável, pois as máscaras, infelizmente, são necessárias. Usamos máscaras para controlar a nossa impulsividade e evitar problemas. Usamos máscaras para preservar coisas muito íntimas que dizem respeito somente a nós.


As máscaras servem de escudo não só para nós nos protegermos dos outros, como também para proteger aos outros de nós. Você já imaginou um mundo sem máscaras com pessoas plenamente sinceras? Elas seriam extremamente mal-educadas pois, sem as máscaras, elas não precisariam medir as palavras, não teriam papas na língua. A sinceridade seria uma “qualidade” extremamente cruel e muitas pessoas ficariam realmente tristes e desapontadas umas com as outras.


Imagine-se você vivendo sem máscaras em um mundo também sem máscaras. As pessoas não diriam “me dá licença”: elas diriam “sai da minha frente” ou simplesmente te dariam um empurrão sem pronunciar uma única sílaba. Elas tirariam sarro da maneira como você se veste e de defeitos que veem na sua aparência. Elas não esconderiam o choque e seus preconceitos se você revelasse os seus segredos e desejos mais íntimos. Se vivêssemos em um mundo sem máscaras, as pessoas estariam condenadas a viver na depressão.


Máscaras são necessárias, então, viveremos um eterno carnaval de Veneza. Mas é claro que isso não lhe dá o direito de ser dissimulado e fingir ser uma pessoa que você não é para conquistar os seus objetivos a qualquer custo.

domingo, 2 de agosto de 2009

As medidas paliativas


As medidas paliativas são ideais quando você quer dar uma maquiada no problema para mostrar que está fazendo algo.


Resolver problemas é muitas vezes algo complicado e que exige certa dedicação. Quando o problema é complexo demais e a sua solução exige investimento (costumeiramente financeiro), os responsáveis pela solução dão o seu “jeitinho” com medidas paliativas.


Seja em casa, no trabalho ou na política, as medidas paliativas são, quase sempre, medidas covardes de pessoas que não estão realmente dispostas a solucionar um problema. Tais medidas são usadas para iludir as pessoas menos instruídas ou que gostam de se comportar como mendigas. A solução definitiva desses problemas seria atacar na raiz do problema, mas os paliativos são os atalhos e as pessoas já se dão por satisfeitas com eles.


Uma série de exemplos de medidas paliativas por parte do governo são os programas sociais: Bolsa Isso, Bolsa Aquilo... Tem gente que acha que elas são a revolução quando nos referimos ao combate a pobreza. Abram os seus olhos: elas não são!


Mas ai de você se disser isso na presença de um ativista do PT. Ele simplesmente irá virar para você de maneira arrogante e, desesperado pela falta de argumentos convincentes, irá chamar você de “ignorante” com ar de superior. Aliás, uma pessoa que não concluiu o Ensino Superior e que torna o diploma de jornalismo desnecessário para ingressar na mídia podre tem muita moral para falar, né? Em breve, ela estará na Suécia e na Noruega recebendo vários prêmios Nobel.


Muita gente acha adorável o governo e suas Bolsas, achando que ajuda mesmo no combate a fome, a pobreza e a desigualdade social. As bolsas amenizam os problemas, mas não os resolvem. O correto seria investir pesado em educação de qualidade para todos, fazendo com que cada cidadão seja capaz de conseguir um emprego digno e bem remunerado.


Mas investir em educação não dá votos e o Brasil tem problemas maiores com corrupção, violência então, não podemos perder tempo com bobagens como crianças em uma sala de aula aprendendo a serem honestas, justas, cultas, inteligentes e capazes de viver sem o auxílio desses programas sociais. Não dá para esperar muito de um país onde educação e cultura são tratadas como supérfluos.


As medidas paliativas nunca resolvem um problema, elas apenas os amenizam. As pessoas que tomam essas medidas são preguiçosas, covardes e inaptas a resolvê-los, muito provavelmente porque são ignorantes. É importante que tenhamos essa visão se nós realmente queremos que um problema seja solucionado de vez, aonde quer que seja. Medidas paliativas iludem e nos fazem perder tempo, dinheiro, qualidade de vida e paz.