quinta-feira, 23 de julho de 2009

O camaleão interior


Você sentia-se seguro quando a possuía e não admitia a possibilidade de perdê-la. Mas como agir quando a perda ocorrer?


Durante a nossa vida, nos deparamos com várias escolhas. Podem ser escolhas pequenas, como se você vai comer pudim de leite ou gelatina de morango como sobremesa, ou escolhas grandes como mudar de cidade ou não. Até mesmo quando não fazemos escolhas aparentes, estamos fazendo a escolha de deixar as coisas fluírem sozinhas.


Uma escolha que poucas pessoas fazem é mudar. Pode ser mudar de cidade, cônjuge, emprego, estilo de vida, pensamento, etc. A verdade é que muitas pessoas têm medo de mudar, motivadas pelo medo de “trocar o certo pelo duvidoso”. Elas não querem sair da sua zona de conforto e preferem ir vivendo a segurança da sua rotina.


Essas são escolhas que você pode tomar, capazes de transformar a sua vida num paraíso ou num inferno. Porém, há aquelas coisas que você não é capaz de interferir, pelo menos não diretamente.


Quando você é obrigado a abrir mão de algo que te dava conforto, é como se você tivesse levado um soco no estômago, e o tempo que você fica sem ar é proporcional ao quanto você não queria abrir mão do que perdeu. Se a situação já foi vivenciada antes, a recuperação ocorre mais rapidamente. Se é inédita, ela é mais lenta e dolorosa.


A melhor maneira de enfrentar a mudança seria antecipando-se a ela, mas isso é algo tão desconfortável que as pessoas não gostam nem de imaginá-las. Além do mais, isso seria ser pessimista e poderia ser inútil, pois seria sofrer por antecipação. Fato é: a mudança ocorrerá, mais cedo ou mais tarde.


Uma vez que a mudança inesperada chega, as pessoas devem manter a cabeça fria para tomar as melhores decisões para si. Elas devem primeiramente aceitar a mudança como algo natural, o que não é fácil. Depois de terem aceitado a mudança, elas devem entender que a vida deve continuar, desatando todos os nós que o prendem à coisa perdida.


Aceitar a mudança não é procurar substituir exatamente o que foi perdido. Cada coisa é única e é por isso mesmo que não estamos dispostos a abrir mão delas: elas não são 100% substituíveis e é doloroso para nós nos imaginarmos sem elas. Quando a pessoa que você ama termina com você, por exemplo, não tente encontrar um outra que sorria, pense, aja ou te trate da mesma forma que a que terminou. Essa é uma das atitudes que vão manter você sem ar depois do soco.


Para que você possa conviver com a mudança sem que isso se torne um martírio, você deve encontrar o seu camaleão interior. Você deve rapidamente adaptar-se à nova situação e desligar-se da antiga para poder tocar a sua vida novamente. Entenda que o que você perdeu não pode ser substituído em 100%, mas não se feche para um novo horizonte que pode ser mais próspero que o antigo.

domingo, 5 de julho de 2009

Só mais um


Por mais que eles digam que você é importante, você é apenas mais um. Eles querem apenas o seu dinheiro, força ou voto.


Para que uma empresa venda os seus produtos e tenha lucro, ela precisa de pessoas como você. Para que sua empresa cresça e atraia novos clientes, ela precisa de trabalhadores como você. Os políticos querem ser eleitos para representar você.


Você, você, você. Esse é o pronome mais amplamente usado pelo comércio para atrair clientes, pelas empresas para que seus funcionários trabalhem o máximo que puderem e para que os políticos possam se eleger. Nós, o singular você, somos induzidos a acreditar que nós somos importantes e que sem nós, eles não seriam nada.


A verdade é que eles precisam de vocês (com S), plural, não singular. Isso, é claro, se eles dependerem de muita gente para obterem êxito no que quer que desejem. Em alguns casos, o você (singular) realmente é necessário.


O povo realmente tem o poder. Porém, ele não fica concentrado nas mãos do tal você da propaganda, do seu chefe ou do discurso político. O poder é descentralizado entre as pessoas de tal modo que uma a mais ou uma a menos não faça diferença, embora sempre tentem nos convencer do contrário. O povo sabe sobre essa descentralização de poder, mas se sente impotente quando sabe que só a união faz a força.


Houve um tempo que uma operadora de telefonia móvel tinha como slogan “É você em 1º lugar”, embora tivesse outra onde se orgulhava de dizer que tinha milhões de clientes no Brasil. Milhões de pessoas em 1º lugar para a empresa? Meio difícil, né?


Algumas empresas aderiram a essa ideologia mentirosa de massagear o ego dos trabalhadores para conquistarem os seus objetivos, mesmo que eles sejam apenas mais um. Visam motivar seus “colaboradores” (eufemismo para “empregados”) para que estes trabalhem mais e melhor, iludidos pelo pensamento de que eles são “essenciais” para a empresa. Porém, quando você enxerga a hipocrisia e não segue as imposições do seu chefe, a empresa manda você embora sem dó nem piedade. O seu chefe não irá se jogar de joelhos e beijar seus pés choramingando pelo seu retorno. Eles simplesmente “trocam” você como se troca uma lâmpada queimada.


Um mundo perfeito, onde todos os problemas podem ser solucionados em quatro anos, é apresentado pelos nossos políticos em tempos de eleições. Nessas horas, eles se lembram do povo, que o seu único voto é importante. Depois desse período, voltamos a nossa realidade com serviços públicos precários que volta e meia entram em greve, apesar dos altos impostos. O povo só se lamenta “que absurdo, né?”.


A verdade é que quando estamos inseridos na maioria e o poder está concentrado nas mãos de uma minoria, estamos sempre expostos a comum falta de respeito. A população precisa de serviços como água, luz, telefone, bancos, transporte que são comandados por um pequeno grupo de pessoas. Se você não estiver satisfeito com esses serviços, o problema é seu.


Por mais que eles digam que você é muito importante para eles, um cliente a mais, um cliente a menos não faz diferença alguma. O mesmo vale para a empresa onde você trabalha e políticos e seus serviços públicos.


Se você não é um especialista em um ramo que você é um dos poucos que entende, empresário ou político, conforme-se em sofrer com a falta de respeito ou iluda-se achando que você é importante. Ou quem sabe, sonhe com a revolução: as pessoas unindo o seu poder que foi descentralizado para fazer valer os seus direitos...