domingo, 31 de maio de 2009

Criança selvagem


Elas nasceram e cresceram sem família, embora algumas tivessem tido pai e mãe. Elas foram deixadas de lado, esquecidas e mal-tratadas.


A criança selvagem não estava programada para vir ao mundo. Ela foi mais um desses “acidentes”. Sua mãe foi expulsa de casa e juntou-se ao seu pai em um barraco na favela, não muito longe de onde moravam.


Sua mãe o via como um estorvo que lhe roubou a liberdade e que se via obrigada a cuidá-lo. Ele por várias vezes apanhava quando chorava de fome. Seu pai era ausente e constantemente chegava em casa bêbado e também batia nele se fizesse barulho demais ou chorasse por estar o dia todo sem comer.


A criança selvagem passou frio e não tinha muito o que vestir além de roupas largas, sujas e rasgadas. Ele também não tinha brinquedos. A amizade verdadeira ele não conhecia e não tinha muitas opções. Ou ficava isolado em casa sendo maltratado por sua mãe drogada ou se juntava aos moleques que desde pequenos falam em assassinato.


Na escola não conseguia estudar. Os professores faltavam com frequência e não ensinavam. Não somente a criança selvagem, mas como todos os outros poucos alunos não se sentiam motivados a seguir um modo de vista honesto.


Aos seis anos, a criança selvagem já trabalhava fazendo malabares nos sinais. As pessoas tinham medo dele, fechavam os vidros e os poucos que lhe davam algum dinheiro lhe davam em moedas que raramente tinham valor maior do que cinquenta centavos. Embora pretendesse usar o dinheiro para comprar algo para ele, era obrigado por seus pais a entregar tudo a eles.


A criança selvagem nasceu e cresceu sem família, sem amigos, sem esperança. Seu destino certo era o crime, era o tráfico, era matar ou morrer. Ele se achava tão esquisito quando via dois irmãos se dando bem, uma mãe abraçando um filho, um grupo de jovens bonitos em uma escola de bacanas. Aquilo tudo estava completamente fora da sua realidade.


Mas havia pessoas que diziam que ele podia mudar aquilo se quisesse. Ele precisaria estudar, trabalhar, tentar sair da favela, vencer. Mas ele estava envolvido pelo desânimo e pela desesperança.


As escolas eram péssimas: como ele conseguiria se formar se mal conseguia ler aos 16 anos? Quem daria emprego a um favelado sem estudo? Como conseguiria sair da favela sem dinheiro? Só mesmo o crime. Que opções tinha a criança selvagem? Ele sempre se sentira inferior e seus sonhos eram meras ilusões. Família, escola, amigos, roupas, comida. A vida também tinha lhe roubado o direito de sonhar.


Embora parecesse amargo e frio, a criança selvagem era frágil. Ele se sentia muito mal toda a vez que as pessoas percebiam que ele as olhava, como se ele estivesse pronto para assaltá-las. Ele se sentia mal por estar morto de fome e não ter dinheiro algum pra comer. Ele se sentia mal quando a sociedade o tratava como lixo, como um rato transmissor de doenças. Ele sentia a rejeição e na favela, mergulhava no buraco negro da desesperança, mas se sentia menos mal por não ser o único.


A criança selvagem se perguntava como as pessoas podiam ser tão cruéis para ignorar não só o sofrimento dela, mas como também o de outras crianças? Crianças que desde que nasceram tinham um destino quase certo. Perderiam a sua infância saudável e feliz. Seriam agredidos pelos pais, obrigados a trabalhar desde cedo, passar frio, fome, conviver com a violência e o medo da morte e a não terem a oportunidade de crescer como crianças saudáveis com pais, amigos, uma escola de qualidade e um emprego honesto. A criança enxergava um mundo egoísta que ignorava o seu sofrimento e que dormia tranquilo em uma cama limpa e macia.

domingo, 24 de maio de 2009

Quanto menos, mais melhor


Era uma vez uma arma que se caísse em mãos erradas, poderia causar a queda de pessoas poderosas. Que arma será que é essa?


Todos nós já sentimos o reflexo do descaso do governo com a educação, seja porque você estudou e/ou trabalha em escola pública, seja porque lida com pessoas que estudaram em uma, seja porque trabalha com crianças carentes... Enfim, todo mundo sabe que a educação no Brasil não é das melhores.


Nos dias de hoje, o conhecimento é poder. Na maioria dos casos, pessoas com o Ensino Superior completo recebem salários mais altos e ocupam posições relativamente mais importantes, enquanto pessoas que tem apenas o Ensino Médio costumam exercer funções menores. O Ensino Médio, aliás, é o mínimo necessário para se conseguir um emprego razoável. Quem tem apenas o Ensino Fundamental é praticamente um escravo e que não tem nem isso, cata lixo.


O conhecimento é uma arma poderosa que pode ser usada ao seu favor, porém compartilhar conhecimento demais pode ser coisa de kamikaze, especialmente no trabalho. Se você ajudar demais um novato, você periga “criar um monstro” que em pouco tempo pode ter mais importância na empresa do que você. O mesmo pode acontecer com professores universitários. Imagine se um deles compartilha todo o seu conhecimento obtido por anos de estudo e entrega de graça para os seus alunos em sala de aula. Um desses alunos pode acabar tirando o emprego dele no futuro por ser mais qualificado graças a ele. Essas situações não são tão comuns porque muitas pessoas simplesmente não têm muito conhecimento para compartilhar.


Agora voltemos à educação pública. Você já pensou por que o governo não dá a devida importância a ela?


Vamos relembrar os tempos de eleições. Showmícios são promovidos, políticos compram as pessoas com favores, entre outros. Não estamos mais na Roma antiga, mas a velha política do pão e circo continua muito atual no Brasil. Agora imagine o público que se deixa seduzir por showmícios e favores: você acha que eles são muito estudados ou que tem um senso-crítico bem desenvolvido?


É claro que não! Muitas dessas pessoas são alienadas e facilmente manipuláveis. Para muitas delas, educação é supérfluo e elas provavelmente iam para a escola sem saber por que ir para a escola era importante.


Imagine agora o governo investindo exemplarmente em educação. O povo brasileiro se tornaria irreconhecível. O número de drogados, alcoólatras, aidéticos, pais adolescentes, mortos no trânsito diminuiria visivelmente. Canções pornográficas não conseguiriam mais atingir o topo das paradas musicais, revistas de fofoca viriam a falir, vários programas de TV sairiam do ar e nossos políticos, a-ha! Não re-elegeríamos mais os mesmos políticos corruptos de sempre!


Se o povo fosse instruído, ele mudaria de mentalidade em relação à política. Ele não votaria em quem tem vários processos nas costas e procuraria saber quem é que ele está elegendo. E a participação popular não se resumiria em um voto e nada mais. O povo iria cobrar as mudanças, procurar saber o destino da fortuna de impostos que pagamos em tudo e faria vista grossa em relação a essas picuinhas partidárias onde quem sempre paga o pato é o povo.


O conhecimento é a maior arma que uma pessoa pode ter nas mãos. Se você não anda na linha e o entrega nas mãos daqueles que podem fazer a revolução, você pode estar cavando a sua própria cova.


PS: o título errado foi proposital.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Intransferível


Existem coisas em você que as pessoas podem levar embora e têm outras que elas não podem levar nem mesmo se você pudesse entregá-las.


Existem várias coisas em nós que os outros podem pegar e levar com eles. Essas coisas são sempre aquelas que podemos tocar. Um ladrão, por exemplo, pode roubar o seu celular, o seu dinheiro, as suas roupas, documentos e coisas assim. Uma pessoa invejosa pode roubar o espaço que você lutou para conquistar. Mas existem coisas em você que ele jamais conseguirá levar embora, nem mesmo se você quisesse ou pudesse entregá-las.


Imagine que no seu ambiente de trabalho tem alguém que simplesmente detesta você porque você sabe fazer uma coisa e ela não. E outra: você ocupa o cargo que ela quer ocupar. Num belo dia, ou melhor, num dia não tão belo, ela arma uma cilada para você e isso acaba custando o seu emprego, cuja vaga é ocupada por essa pessoa. Pouco tempo depois, seu antigo chefe implora pelo seu perdão e que você volte a trabalhar com eles, pois só você sabe fazer aquele serviço corretamente.


O seu país vive uma guerra civil e foi confiado a você o segredo de onde é o esconderijo do líder separatista. Os inimigos capturaram e torturam você para que você conte onde fica o esconderijo, mas você sabe de todo o sofrimento promovido por eles durante anos de guerra civil e prefere morrer a contar. O exército inimigo precisa extrair de qualquer maneira a informação de você, mas você diz que não conta nem morto. Por mais que eles ameacem que vão te matar, eles não o fazem porque precisam da informação caso contrário, eles morrem também. No final, você não conta, vira refém e os inimigos morrem por terem falhado na missão.


O amor e a amizade são sentimentos muito cobrados pelas pessoas e que não costumam não ser recíprocos se não sentirmos isso da outra parte. Muitos filhos reclamam da falta de atenção dos pais, que eles não os amam e coisas assim. Quando você está apaixonado, você espera o mesmo. Você também fica se perguntando se a outra pessoa pensa em você assim como você pensa nela, se ela realmente te ama, se ela se preocupa em lhe agradar e lhe confortar você quando necessário. Você precisa sentir o afeto para acreditar que ele é verdadeiro, mas isso é possível?


Estudo, experiências e memórias são três coisas que ninguém pode tirar de você.


Bem, na verdade, são mais de três coisas. São coisas que são guardadas e estimuladas pelo seu cérebro. Para alguém roubá-las, seria necessário que alguém roubasse o seu cérebro e conectasse ao dele, ou então se ambos os cérebros tivessem saída USB, mesmo assim, não seria a mesma coisa.


Quando você vai a uma montanha-russa, por mais que muitos digam que ou “é adrenalina pura” ou que “dá muito medo”, cada um sente a experiência de uma maneira diferente. Durante o tempo que você fica lá você imagina outras coisas, tem outras sensações, etc. O mesmo vale para qualquer outro momento da vida: assistir ao pôr do Sol, presenciar um acidente de carro, fazer aniversário, quebrar o próprio braço, beijar uma pessoa, levar um fora, comer pizza... Cada pessoa sente essas coisas de maneira diferente e por mais que ela tente te explicar nos mínimos detalhes, a pessoa que está ouvindo você jamais conseguirá sentir o que você sentiu, mesmo que ela já tenha vivido algo semelhante.


Sensações são intransferíveis e sentimentos também. O máximo que você pode fazer é demonstrar amor, raiva, ódio através de atitudes, mas por mais demonstrações que você dê, isso nunca vai ser aquilo tudo o que você sente por dentro. Não é porque uma pessoa nunca te disse “eu te amo” ou “eu gosto de você” que isso signifique que ela realmente não goste de você. Cada um sente e demonstra de um jeito, mesmo que esse jeito não seja aquele esperado por nós. O mesmo acontece com aquela pessoa que te trata bem. Quem é que garante a você que ela não vai te dar uma punhalada nas suas costas assim que puder?

domingo, 17 de maio de 2009

Criticar a mídia é clichê


Vamos falar de mídia. Vamos falar de clichês. Vamos falar de programas educativos, lucros e livros empoeirados.


Falar sobre a mídia, em especial sobre a TV, é sempre difícil, pois é um assunto que de tão debatido, tão comentado acabou virando clichê. O problema de uma coisa ficar taxada de clichê é que as pessoas já têm uma opinião formada (em geral, formada pelos outros) e não estão mais dispostas a argumentar ou enxergar outros pontos de vista que possam contradizer tais opiniões.


Sempre que se fala em mídia televisiva no Brasil, não tem como não pensar na Rede Globo de Televisão. Milhões de pessoas falam mal dos programas da emissora, em especial das novelas e do sucesso de polêmica Big Brother Brasil. Os argumentos contra o programa quase sempre são os mesmos: não tem nada de bom, é perda de tempo, só tem baixaria, não tem nada de educativo, é tudo combinado, é tudo manipulado, é lavagem cerebral, etc, etc, etc... Ou seja, argumenta-se sempre essas mesmas coisas que elas acabaram se tornando clichê.


Com a expansão da internet e de sites de relacionamentos, em especial, do Orkut, houve um verdadeiro boom de pseudo-intelectuais (seres super-humildes que entendem de vários assuntos científicos e filosóficos complexos que nós, meros mortais ignorantes, não entenderíamos jamais). Todo o pseudo-intelectual tem a sua opinião formada sobre a Globo e sobre a televisão: “a Globo é uma porcaria mesmo. Por isso, eu assisto a Cultura” (traduzido do pseudo-intelectualês para o português).


Quando você diz que assiste a Cultura e que na Globo não tem nada de bom, você praticamente assina o seu Atestado de Pseudo-intelectual. Muito pseudo fala que assiste a Cultura, mas peça a eles para citarem uns cinco programas que eles assistem, quem os apresenta, em que dias da semana ele vai ao ar e em qual horário. Só aqueles que realmente têm uma antena potente (onde eu moro o canal só pode ser sintonizado com antenas parabólicas de tão ruim que é a imagem) e que acompanham de verdade a Cultura, poderão responder essas perguntas sem pesquisar no Google ou dizer que não tem tempo para assistir TV (se não assiste, como sabe que a TV Cultura é tão boa assim)? O problema desse clichê é que quem assiste e não é pseudo, vai ser rotulado como tal.


Ou seja, fala-se tão mal da mídia, que ela é manipuladora e que nos mostra a verdade que interessa a eles, além de que os programas da TV não são nada educativos, que tudo isso acabou se tornando clichê. Entretanto, às vezes o povo esquece que não existe só a Rede Globo como veículo de comunicação.


Desde o fim do regime militar, a mídia ganhou de liberdade de expressão (inclusive para empregar jornalistas de fofoca) e a censura pode até ocorrer, mas com uma frequência bem menor. Você pode conferir a mesma notícia pelos vários sites jornalísticos que temos no Brasil e no mundo. A verdade é uma só, mas devemos ter em mente que ela não é sólida e sim, maleável. A mídia sabe disso e ela vai moldar a verdade de tal maneira que ela venda mais jornais e dê mais audiência afinal, vivemos em um mundo capitalista onde se você não lucra, vai à falência. Ou seja, você só engole as opiniões de tal jornal ou jornalista se quiser. Acesso à informação é o que não falta.


O povo também esquece (especialmente os pseudo-intelectuais) de que os programas de TV só se mantêm no ar se derem audiência (lucro) e que a TV não tem função de educar coisa nenhuma. Existe algum contrato com uma cláusula que diz “educarás o povo brasileiro”? Não! Devemos lembrar que todos os aparelhos têm um botão “desliga” (power) que pode ser acionado sempre que um programa de TV não for considerado “educativo”. Pra que uma pessoa compra um aparelho de TV: para se divertir ou para educar os filhos?


Esperar que a TV eduque é tapar o Sol com a peneira, é ridículo. Educar é função dos pais e das escolas, não da TV. Chega dessa palhaçada e desses clichês sobre a mídia. Programas educacionais não dão audiência porque não atraem o povo (teoricamente) interessado. Vivemos numa sociedade capitalista e a informação não está mais limitada a um único meio de comunicação. Ao invés de reclamar, mude de canal, compre outra revista, vá ajudar seus filhos nos estudos e desligue a tal “porcaria da televisão” ou então vá ler aquele livro empoeirado que você sempre ameaça ler e que nunca leu.

domingo, 10 de maio de 2009

Ponto de interrogação ambulante


Você não sabe se elas merecem mesmo a sua confiança. Você não sente firmeza em suas palavras. Você não sabe se conhece ou não.


Para que haja um bom relacionamento na família, entre amigos, na faculdade ou no ambiente de trabalho, você tem que despejar certa confiança em alguém. Seja qual for o caso, você faz isso para ficar mais aliviado, sentir-se menos estranho e não precisar resolver tudo sozinho. Porém, algumas vezes, você não consegue saber se essa pessoa é ou não é merecedora da sua confiança. São as pessoas ponto de interrogação.


No trabalho e na escola (ou faculdade) nós temos compromissos, tarefas e responsabilidades. Para que algumas tarefas sejam realizadas, é necessário que mais de uma pessoa trabalhe em cima dela. Então ocorre o tal “trabalho em equipe” e nesse tipo de trabalho, tem sempre aquele que se destaca mais (em geral, o líder ou o cara mais inteligente). A equipe precisa ter confiança no líder para ficar tranquila de que o trabalho ficará bem-feito. E se essa pessoa não te passa confiança alguma? Certamente você ficará inseguro e perderá a sua tranquilidade ao ficar com essa dúvida na cabeça.


A mesma coisa pode acontecer em casa. Ninguém se sente bem quando parece que alguém está escondendo um segredo. Em alguns casos, mesmo que convivam juntos todo o santo dia, pais e filhos quase não se conhecem. Os pais não sabem o que o filho faz fora de casa com os amigos e os filhos não sabem dos problemas dos pais e do casamento deles. Não saber o que os filhos aprontam pode deixar uma mãe doida, fazendo-a pensar coisas do tipo “será que meu filho está envolvido com tóxico?”, “será que minha filha está grávida” ou “será que meu filho é gay?”.


E em como toda a relação de amizade (amizade mesmo, não coleguismo), você precisa ter confiança naqueles que você considera como sendo seus amigos. Quando você confia nos seus amigos, você acredita que eles não farão o seu mal, que vão ouvir as suas lamúrias sem mandar você pastar e que vão te defender quando você for injustiçado. E se você tiver um amigo que quando você conversa cara a cara transparece ser seu amigo e que em outros momentos parece que está evitando você ao máximo?


Quando você lida com pessoas que mais parecem um ponto de interrogação ambulante, você se sente inseguro e começa a pensar um monte de coisas, incluindo possibilidades reais desagradáveis e um monte de besteiras. Você então não sabe se está sendo neurótico ou ficando louco. Você simplesmente não sabe se está preparado para lidar com o caso daquelas possibilidades desagradáveis serem reais. Você passa então a se questionar sobre o caráter dessas pessoas: se elas estão escondendo alguma coisa pesada de você e se ainda são merecedoras da sua confiança.


Mesmo que você já tenha pensando nas possibilidades desagradáveis, você sempre fica negativamente surpreso quando elas se tornam realidade. Isso pode acontecer quando aquele seu colega de trabalho puxa o seu tapete e provoca a sua demissão, quando o casamento “feliz” dos seus pais termina com frieza, quando o seu filho que aparentava ser ajuizado é preso vendendo ou consumindo drogas ou quando aquele seu amigo trai a sua confiança.


Pessoas assim merecem a nossa confiança? É difícil de dizer, mas para que você não enlouqueça ou fique neurótico, é melhor conversar sobre isso o quanto antes para que você possa dormir tranquilo. Entretanto, se uma pessoa virou um ponto de interrogação de repente, desconfie. Ela pode estar escondendo alguma coisa de você. E se for um amigo seu, desconfie também, pois amigo que é amigo não ficaria de segredinho pelo contrário, ele tranquilizaria ou alertaria você para algo ruim.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Liberalismo vs. conservadorismo


É melhor sermos liberais ou conservadores? Os prós e os contras de ambos refletidos no mundo atual.


Desde os primórdios, o ser humano sempre vive em sociedade, compartilhando os mesmos objetivos, costumes, preocupações, etc. A religião, seja ela qual for, sempre teve o poder de influenciar em uma sociedade, usando o seu livro sagrado como uma espécie de norma de conduta.


O século XX foi um século de grandes mudanças e podemos perceber isso quando falamos das décadas de 1950, 1960, 1970, até a década de hoje. Cada uma delas foi bastante distinta e o comportamento da sociedade de mudou muito, especialmente na sociedade ocidental de maioria católica.


O conceito de moral e amoral sempre existiu. No começo do século XX, a mulher era muito submissa ao homem e era criada para cuidar do lar e dos filhos. Elas casavam virgens e precisavam do aval do patriarca. Ninguém dava amassos em público. As mulheres que se recusavam a esse destino e que queriam ser independentes eram muito mal-vistas pela sociedade, tal como Hilda Furacão e a cantora Maysa.


Nos dias de hoje, as mulheres agora votam, têm muito mais espaço no mercado de trabalho e são menos dependentes dos homens. As roupas ficaram cada vez menores. O divórcio deixou de ser coisa do outro mundo. Casar-se virgem deixou de ser motivo de orgulho para ser motivo de piada, entre outras mudanças.


Os mais velhos e mais radicais poderiam dizer que o mundo se perdeu e, de certa, forma, isso faz sentido. São raras as famílias que são bem-estruturadas ao ponto de ninguém se envolver com o crime, drogas ou engravidar durante a adolescência. Talvez isso não aconteça na sua família, mas muita gente tem um parente envolvido com o submundo, especialmente nas famílias mais pobres. Talvez seja o preço que se paga pelo excesso de liberdade.


Quase sempre dá problema quando uma cultura tenta interferir numa outra. Por exemplo, os EUA (Bush) com o seu lema de “estabelecer a democracia” (como um pretexto para fazer guerra), plantou o ódio no coração dos mulçumanos, que responderam com atentados terroristas.


O mundo ocidental dá tanto valor à liberdade, ou passa uma imagem tão positiva que acaba seduzindo pessoas de outras culturas. De acordo com o nosso ponto de vista, as sociedades mulçumana e hindu são muito rígidas e seus costumes são seguidos à risca. Muitos se sentem oprimidos, mas mesmo assim, seguem a tradição. As mulheres, por exemplo, são criadas para cuidar do lar e do marido, assim como as mulheres ocidentais também foram. Muitas delas adorariam ter nascido no Ocidente para poder desfrutar da nossa liberdade.


A liberdade e o conservadorismo têm os seus prós e os seus contras. O desejo de liberdade deu mais espaço às mulheres, minorias oprimidas e aos jovens, mas isso não quer dizer que as coisas tenham melhorado. Poucas são as famílias estruturadas e as pessoas estão cada vez mais egoístas, solitárias e manipuláveis. Por outro lado, o conservadorismo pode gerar infelicidade. Imagine-se casando com uma pessoa estranha por obrigação e, se você se separar, será apontado como um mal-exemplo para a sociedade. Ou imagine-se indo contra as suas vontades e ideais. É difícil, ainda mais se você souber que a sua vida toda vai ser assim.


Deste modo, ser 100% liberal e ser 100% conservador não é bom. A liberdade é muito boa desde que usada com sabedoria. São necessários limites, e nessas horas é importante ser conservador, para acabar não passando do ponto e tornarmos a liberdade algo prejudicial. Conservadorismo demais sufoca e aprisiona. É necessário um equilíbrio, um limite. Agora onde começam e terminam esses limites? Vai depender do quão expandida é a sua e a mente dos outros.

domingo, 3 de maio de 2009

Falso moralismo


Eles condenam os outros por algo que eles também fazem. Eles defendem uma moral que não existe mais. Eles são os falsos moralistas.


Ser sincero é sempre algo difícil. Quando falamos a verdade, corremos o risco de desagradar alguém, o que pode custar a nossa paciência, a nossa paz, a nossa amizade, o nosso emprego ou até mesmo a nossa vida. Todos nós sabemos que a sociedade estabelece padrões e opiniões para que os cidadãos sejam aceitos e respeitados até certo nível. Por causa disto, é muito mais fácil ser hipócrita e condenar outros por coisas que nós também fazemos escondidos.


É muito comum vermos pessoas nuas ou seminuas durante o desfile das escolas de samba no carnaval. Com exceção das velhinhas e de pessoas muito religiosas, isso não tem nada de anormal e não é nada condenável. Por outro lado, um topless na praia pode chocar muita gente. Por que andar quase sem roupa no carnaval é aceitável e um topless é condenável? Por causa das crianças? As crianças também participam do carnaval e os desfiles são reprisados durante a tarde, sendo que uma pintura ou purpurina funcionam como a tarja preta.


Na semana passada, a vice-colocada no concurso de Miss Estados Unidos causou polêmica (ler). A Miss Califórnia disse que “dentro da criação dela, ela acredita que o casamento deveria ser entre um homem e uma mulher”. Ela recebeu vaias e aplausos e plantou o ódio no coração de alguns jurados, especialmente do jornalista (uma espécie de Leão Lobo dos ianques) declaradamente gay que formulou a pergunta.


Embora eu discorde da opinião dela, eu não acho que a Miss Califórnia tenha cometido crime algum. De uma hora para a outra, os EUA, um país de homens e mulheres “livres” passou a condenar a Miss por sua declaração. Ela pagou um preço alto por não ter bancado a falsa moralista e ter dito algo do tipo “se somos mesmo livres, o casamento entre pessoas do mesmo sexo deveria ser legalizado em todos os Estados Unidos da América”. Ela foi diplomática ao acrescentar “sem querer ofender ninguém”, mas não adiantou. Movimentos GLBT e a mídia estadunidense condenaram-na por ela ter sido sincera naquele momento. De uma hora para a outra, um país conservador (o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido em apenas quatro estados) passou a ser a favor da causa homossexual.


Somos falsos moralistas quando vamos contra as nossas vontades e crenças, mas temendo a reprovação da sociedade, agimos de acordo com seus padrões e opiniões pré-estabelecidos. Em 2001, a participante do No Limite 3, Cláudia Lúcia, deu uma declaração que foi taxada de racista (relembre). É claro que sua declaração foi preconceituosa, porém ela foi sincera e não bancou a falsa moralista, alguém que diz “eu adoro os negros” e que por trás diz “odeio preto”. O mesmo ocorre com aqueles que dizem “adoro os gays” e depois os chamam de “viados”.


Ninguém é obrigado a gostar de pessoas com quem não se tem afinidade, porém é importante lembrar que a justiça e o respeito devem prevalecer. O que devemos fazer? Sermos sinceros e nadarmos contra a maré da hipocrisia ou nos escondermos atrás do nosso falso moralismo para que não corramos o risco de sentir a fúria da sociedade?