quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sambemos


Quando você faz uma crítica negativa é porque você detesta algo? As pessoas entendem isso? Como o brasileiro lida com a “tristeza”?


Criticar faz parte da natureza humana. Existem dois tipos de crítica: a positiva e a negativa. A crítica positiva é aquela que todos gostam de receber, que ocorre quando se é elogiado por algo que foi bem feito. Ninguém gosta de receber uma crítica negativa mesmo que saiba que algumas sejam importantes para constatar erros que devem ser resolvidos.


Quando você faz uma crítica negativa, ela pode ser destrutiva ou construtiva, o que pode dizer muito sobre a sua personalidade. A crítica destrutiva é feita com o intuito de diminuir algo ou alguém. É uma crítica burra, infundada que mostra o quanto você é pequeno e o quanto os seus argumentos podem ser infantis e egoístas.


A crítica construtiva é uma crítica inteligente que você não faz com o intuito de diminuir algo ou alguém. Elas são feitas como uma forma de mostrar que existe um problema e de que ele deve ser corrigido para que algo seja aperfeiçoado. Não é que você não goste do que você está criticado, é exatamente o contrário. Você gosta, mas você não é um sujeito passional que enxerga somente coisas boas. Você sabe que algo não está certo e o mostra o erro através da crítica para que ele seja visto e corrigido.


Porém, não espere que todas as pessoas sejam maduras para entender as suas críticas negativas construtivas. Do ponto de vista delas, a sua crítica não vale nada e é vista como uma crítica negativa destrutiva descartável.


O tema desse post não é falar sobre os diferentes tipos de críticas e reações que elas podem causar. O tema desse post é polêmico e não é novidade: vou falar da indiferença do povo brasileiro com as mazelas do nosso país. Se eu não tivesse feito essa introdução, eu poderia ser mal-interpretado e receber comentários grosseiros do tipo “falar mal do Brasil, Lula e BBB é moda”, “os incomodados que se retirem” ou “e que é que você está fazendo para melhorar”? Vamos ao tema do post “Sambemos”.


Quem assiste TV já deve ter visto um comercial que é relacionado a uma das paixões nacionais: o futebol. Estou me referindo a este comercial das Havaianas (assistir) estrelado pelo ator Marcos Palmeira. No comercial, Palmeira e o grupo Samba na Veia estão em um bar fazendo samba e são interrompidos por uma “doida pessimista de óculos” que critica a atitude deles: “Estamos no meio de uma crise mundial. Está todo mundo preocupado e vocês aí, rindo, se divertindo como se nada estivesse acontecendo!?” Palmeira lamenta e diz: “Que tristeza, hein!” . Então começam a tocar “Tristeza”: “Por favor, vá embora...” E expulsam a “tristeza” (a mulher que os criticou).


Foi um comercial infeliz de uma marca que é referência nacional no exterior sobre o povo brasileiro. Infeliz, porém, real. A mulher do comercial foi ali fazer uma crítica construtiva, foi dar um tapa na cara deles para que acordassem para a realidade. Apesar de o tema ter sido a crise mundial, ele mostra bem como o povo brasileiro reage em momentos críticos: ele não dá a mínima!


O povo brasileiro é muito passivo. As escolas não preparam os alunos para a vida, montanhas de pessoas agonizam em filas nos hospitais, pessoas inocentes são assassinadas todos os dias, epidemias de dengue se repetem a cada verão e nossos políticos são corruptos confessos. O que muitos brasileiros fazem? Não se importam. Depois eles têm a cara de pau de dizer que amam o Brasil e acreditam que tem moral para criticar aqueles que criticam o Brasil por desejarem um Brasil melhor sem tapar os olhos ou fazer demagogia.


No exterior, os brasileiros são muito admirados pela sua alegria. Os gringos que vem para o Brasil se apaixonam por esse lugar porque embora o povo conviva com os problemas de violência e pobreza, ele é alegre. Acredito que se um dia eu sair do Brasil, vou sentir falta dessa alegria. Infelizmente, o brasileiro é tão alegre que chega a ser irresponsável, que é o que mais acontece. Não condeno o sujeito que vai para o bar, toma sua cerveja, participa da sua roda de samba e joga seu futebol aos domingos. Acho isso natural, saudável e importante para destressar. Só não concordo em fazer isso como uma maneira encontrada para fugir da realidade.


Infelizmente, a maioria do povo brasileiro pode ser retratada no comercial das Havaianas, como um povo alegremente irresponsável. Ele não vai aceitar as críticas da “tristeza” e não vai ter maturidade para entender o recado dela. Aqueles que querem um Brasil melhor e que tentam abrir os olhos do povo são vistos como antipatriotas. Então, se você não quer ser chato e triste, desligue-se dos problemas. Feche seus os olhos, tape seus os ouvidos e cale a sua boca. Pegue suas Havaianas e vá ao bar mais próximo sambar com Marcos Palmeira e o grupo Samba na Veia e espantar a tristeza. Sambemos, meu Brasil, sambemos.

17 comentários:

  1. Concordo com vc em partes, Peterson.
    Quanto a crise mundial, acho q é um assunto que nós não podemos resolver... Não podemos desejar que as pessoas façam como o presidente Lula sugeriu quando ele falou algo que a população é um pouco culpada por não "aquecer" o mercado com a compra de produtos.

    Em contrapartida, vce tem razão ao dizer que o brasileiro é um povo que não se preoucupa tanto com as questões atuais. Em certos casos temos que levantar a bunda do sofá e usarmos o cérebro... pararmos e pensarmos nas coisas importantes que nos rodeiam.

    Por isso que o Brasil tá nesse estágio tao avançado de safadezas, ainda mais na política.... Acho que o povo já foi mais ativo.


    Ótima postagem.
    Bjs!

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  2. Pois é...a critica nunca é dada apenas pra denegrir...acho isso...falar mal nao tem nada a ver com critica...e critica sempre é dada com o intuito de auxiliar em alguns pontos que possam ter ficado fraco...A propaganda das Havainas nao me agradou..induz as pessoas a virar as costas pros problemas que estão acontecendo no país...

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  3. mas nós brasileiros nos tornamos assim passivos, mas no tempo de nossos pais não era assim. Será culpa nossa? ou culpa da educação cultural q temo agora? Mas concordo com essa qualidade q nós temos, o brasileiro realmente nao se entrega ao medo, ele se alegra, nao somos americanos q corremos pra encher nossas dispensas quando algo ruim vai acontecer, nós nos juntamos para ajuda.

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  4. Peterson concordo com você quando você diz que o povo brasileiro não se preocupa com as questões do País, as pessoas só passam a se preocupar quando precisam e sentem realmente o resultado desse descaso que começa por "nós". Eu tenho a opinião de que tudo isso é uma questão da educação, da falta de cultura política, a falta de conhecimento de fato das coisas que nos dizem respeito. Nós temos representantes la no poder, nós damos o poder á eles então essas pessoas(o povo) deveriam ter o mínimo de conhecimento pra "transferir esse poder para as mãos certas". Agora foi o que você disse no comentário no meu blog: Eles estão interessados em educar as pessoas pra elas terem conhecimento e inteligência na hora do voto? Eles querem que as pessoas abram os olhos? NÃO! É difícil mas é a realidade.

    Belo post, ainda não me livrei dos comentários ridículos acredita? rs! Beijoos!

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  5. Pensei que só eu havia me sentido mal ao ver esse comercial. Sério, ele me comeu por dentro. agora é moda esse negócio de passagem pra renca toda da família mamando no nosso dinheiro. Aliás, nunca vi uma confusão tão grande aqui no Brasil, onde os políticos não conseguem diferenciar o DELES e o NOSSO, o PÚBLICO... Como um político que disse que, caso os parentes dele que façam aniversário não tiverem passagem, ele falta no trabalho e vai lá passar o aniversário com eles, ou como o outro deputado que achou uma hipocrisia a mulher dele não desfrutar das passagens. Desculpa, mas ela trabalha pro país? Pelo visto, nem eles. Essa propaganda só me fez ver que em 2 meses esse bafafá todo de farra das passagens vai ser varrido pra baixo dos tapetes.
    Aliás, adoro a música Tristeza, e o Jair Rodrigues tem o estereótipo do brasileiro: sempre alegre e carismático, pro bem ou pro mal.

    Beijos
    Stephany

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  6. Eu vi o intervalo comercial e no momento em que o assisti já pensei: Perderam a oportunidade de ficarem calados.

    Mas a constante repetição do filme, comecei a observar detalhes em um âmbito publicitário.
    À primeira vista (e à segunda também), o comercial é de mal gosto e enobrece um comportamento tristemente brasileiro. Um comportamento conformista, alienado e 'carnavalesco'.
    O problema é que este comercial vende. Vende pq a MAIORIA dos brasileiros diz o mesmo que Marcos Palmeira. Não conseguem, ou não querem, avançar em uma discussão por mais de meia dúzias de argumentos, até que se proponha sambar, rir, se divertir e esquecer os problemas.

    Aproveitando para comentar seu comentário em meu Blog:
    Infelizmente a publicidade não pode ser considerada uma arte, nem algo criativo por excelência.
    Tem como função única e exclusivamente: VENDER. Seja um produto, uma ideia, uma marca...

    Nada mais correto do que dizer que a Publicidade É BURRA. Afinal, não é um instrumento pensante. E sim, um instrumento que se utiliza de formas inteligentes para vender, não para refletir sobre o que está certo ou não e sim VENDER.

    O problema é que a publicidade influencia no comportamento das pessoas mais do que se imagina, ou que quer que se pareça.

    Um estudante de publicidade revoltado, eu?
    NÃO. Apenas um Realista.

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  7. assim que vi a propaganda eu não gostei
    a propaganda mostra que o samba é mais importante que tudo(eu não assisoto jornal na época do carnaval,porque só mostra trio eletrico e desfile).

    é incrivel como podemos filosofar sobre uma propaganda de chinelo!!!

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  8. concordo q o brasil é passivo...
    parece q vivemos nun imenso carnaval... e é a palhaçada do carnaval. alegria, alegria... vão pra Cuba saber cm é o povo de lá!
    o//

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  9. Infelizmente nosso país passa por uma crise que não foi causado por ele, mas passa bem... Brasil é uma nação que sofreu pouco com a crise mundial, se você for comparar com os outros. Porém o mundo gira em torno do EUA e se ele não vai bem, o mundo também não.
    Acho que o comercial pode mostrar dois lados... o lado de Poncios Pilatos(lavar as mãos e nós brasileiros sempre fazemos) ou o lado do otimismo(se preocupar com o assunto, mas não deixar de ser feliz)


    Depois dê uma passada no meu blog MILHA TURVA
    Abração

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  10. Não concordo totalmente com você, mas você tem toda razão quando diz que o povo brasileiro dexa tudo passar, isso não é ser passivo, alegre ou qualquer coisa do gênero, pra mim é acomodação.

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  11. Cara, excelente post. sob a introdução, nós blogueiros somos muito pouco permissiveis às criticas. Logo ficamos amuados por ver alguém falando do nosso produto.

    Mas a continuação do post foi excelente também. vejo essa alegria irresponsável quando algo de tão grave acontece no país e deixamos que não resulte em nada. sendo mais específico, falo desses politicos, que sempre reelegemos, não importando o quão grave tenha sido o seu delito, como atualmente no escandalo das passagens aéreas.

    Parabéns pelo Blog, estava vendo os meus visitantes antigos e você tinha passado por la... obrigado. Não por isso, mas pela qualidade do seu texto, estou te add no seguidores.

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  12. Ixi... num sei o que comentar.

    Acho que a questao nao eh q o brasileiro nao se importa e sim q ele tenta abafar as consequencias.

    Ah mano... num sei. =/

    Mas ficou mto bom.

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  13. Olá, Peterson!
    Quando você iniciou seu texto, eu jurava que ele seria sobre alguma questão profissional e, de repente, você virou o jogo... boa sacada!

    Voltando lá no início, pois esse é um post bem rico, acredite ou não eu sou daquelas pessoas que gostam de receber "críticas negativas construtivas". É claro que no momento da crítica a gente engole seco - a sensação realmente não é das melhores. Mas, pelo menos, alguém sinaliza para você algo que não vai bem. Melhorar um trabalho, um comportamento, atitudes ou até mesmo maneiras de pensar é muito gratificante, se você sabe aproveitar bem a crítica recebida. Honestamente, até prefiro que me critiquem de forma construtiva para que eu melhore em algum aspecto do que me elogiem demais, muitas vezes até escondendo algum tipo de intenção.

    Quanto à nossa situação como brasileiros, nem tenho muito a dizer: assino embaixo. As pessoas (eu, tu, ele, nós, vós, eles...) precisam aprender a se enxergar como seres de direitos e deveres, pois só dessa forma poderão fazer valer o seu poder. Canalizamos esse poder para outros cantos todos os dias, esquecendo-nos dos problemas e dificuldades que nos afetam como um todo.

    Enquanto todos continuarem calados,nada vai mudar. Não adianta somente a Sra. Tristeza bater à nossa porta: sozinha, ela será eliminada facilmente. Em conjunto, a história poderia ser outra...

    Espero que algum dia esse cenário mude!

    Abraços e parabéns pela ótima reflexão.

    http://deixafluir.wordpress.com/

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  14. Olá! Li seu texto e: concordo e não concordo.

    Concordo no que diz que nossa 'felicidade' brasileira é tamanha, que nos cega, a modo de não nos fazer reagir quanto às coisas que nos acontece. Concordo que estamos acostumados a esse tão odioso 'jeitinho brasileiro' e tal. Concordo que as escolas não estão nem aí (as públicas, em sua maioria, estão abandonadas, sem estímulo, etc; as particulares só querem saber de colocar o sujeito na faculdade federal/estadual, como se isso formasse caráter -- afim de ter maior prestígio para si e, com isso, lucro) para a verdadeira educação, aquela que importa. Etc.

    Não concordo em outras partes. De guerrinhas o mundo está cheio, obrigada. Ficar arrancando cabelo ao invés de aproveitar o que a vida tem de bom a oferecer, é perda de tempo. A gente morre e as coisas continuam aí. Acho que a mensagem do comercial foi essa: enquanto você continuar fazendo o bem, não incomodando ninguém, não se desespere, tome uma cerveja e toque um samba. E a ''tristeza, por favor, vá embora...''.

    Um abraço.

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  15. a critica é boa ... mas nao apenas rechaçar as consequencias.. critica de verdade é aquela que procura a causa do problema.. rechaçar apenas as consequencias é mto fácil... não é de se admirar q o povo brasileiro nao dê a mínima para crises.. afinal é mais facil guardar seu dinheiro pra comprar uma cerveja que um livro

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  16. Olá! Gostei muito de sua crítica "construtiva" a respeito da tranquilidade do povo brasileiro frente a tantos problemas. É claro que não devemos ficar alienados e não buscarmos maneiras de "desestressar", como você disse. Mas a vida não pode se resumir a isso. A crise está aí, a violência, os problemas sociais em geral. Não podemos fingir que está tudo bem e tamapr o sol com a peneira o tempo todo. É preciso encarar o problema e procurar fazer algo para contribuir um pouco para com a sociedade, sem, contudo, perder a nossa alegria característica. Que sejamos alegres, sim! Mas com responsabilidade.

    Adorei o blog!

    Um abraço!

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  17. Pois é, tem um pouco de tudo aí.Duas características marcantes do brasileiro: alegria e passividade; não sei até que ponto elas se complementam ou se "separam", mas é um ponto de vista interessante.

    Eu acho que o comercial procurou a vertente do "otimismo" em relação a um assunto sério como a crise mundial. (ou poderia ser qualquer outro tema) Temos dois lados aí: a "despreocupação" do povo e o alarmismo da "mulher pessimista". Claro que a crise é algo para se preocupar, mas não é necessário preocupar-se com ela o tempo todo. Há que encontrar espaço para as manifestações de alegria e também para os momentos "fúteis", digamos assim.

    O problema é justamente que não há equilíbrio. E o desejo é que tudo seja um "carnaval eterno" ou que a festa dure o ano inteiro. E é aí que entra a passividade do povo.

    Uma pena que ao lado da alegria esta passividade seja outra característica marcante. Se houvesse pelo menos um comprometimento para com a educação ( tanto doméstica quanto escolar) e para questões de cidadania, este país seria sensacional! Imagine toda esta alegria e criatividade sendo utilizada também com espírito crítico?

    Seria demais!

    abs e seu texto traz inúmeras reflexoes!

    http://grooeland.blogspot.com

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