domingo, 5 de abril de 2009

A ignorância mata


Eles acreditam demais que tenham uma saúde boa. Eles acreditam que os outros falem besteira. Eles acreditam veementemente que sairão vivos dessa.


Seu Sebastião, mais conhecido como “Tião”, bebia desde os seus 18 anos. Ele dizia que beber era coisa de macho e que bebia para esquecer os seus problemas. Quando bebia, costumava ficar violento e batia na mulher na frente dos filhos. Se alguém o procurasse e ele não estivesse em casa, era certeza de que ele estaria no bar. O alcoolismo fez Seu Tião ser abandonado pela esposa e pelos filhos. Morreu na mais absoluta miséria vítima de cirrose aos 45 anos.


Seu Adamastor fumava desde muito jovem. Pôs um cigarro na boca pela primeira vez aos 15 anos. Ele começou a fumar por vaidade. O cigarro tinha charme, tinha glamour e isso atraia as garotas na sua época. Nenhuma comida lhe parecia saborosa e era só ele dar uma corridinha que ficava difícil de respirar. Foi estimulado pelos filhos e amigos a parar de fumar, mas ele sempre dizia: “Eu fumo há 42 anos e ainda estou vivo. Você acredita mesmo nessa besteira de que cigarro mata”? Seu Adamastor morreu de câncer de pulmão aos 58 anos.


Juninho foi um adolescente que sempre conseguiu as coisas sem muito esforço. Ele vestia as melhores roupas, alimentava-se muito bem, estudava no melhor colégio e conseguia pegar a garota que quisesse sem muito esforço. Mesmo assim, Juninho sentia-se vazio: ele não sentia que era legal. Então uns amigos legais lhe ofereceram cocaína para que ele se libertasse da vida dura e vazia que tinha. Tornou-se viciado em cocaína. Foi internado, recuperou-se, teve uma recaída e morreu de overdose.


Reginaldo sentia orgulho de ser homem macho. Ele era viciado em sexo. Embora fosse casado, isso não o impedia de ir para a zona todo o sábado à noite. Reginaldo era muito apressado e não usava camisinha de jeito nenhum. Ele era muito limpo, e como só transava com mulher bonita e gostosa, ele jamais adquiriria alguma DST. Um dia, ele apanhou um resfriado que veio forte. Tão forte que evoluiu para uma pneumonia. Reginaldo não resistiu a ela e morreu aos 38 anos. Os médicos disseram à esposa que o sistema imunológico dele estava debilitado pela AIDS e que ela poderia ter sido infectada pelo marido.


Os jovens amigos universitários Carlos, Márcio, Milene e Suellen, saíram para um barzinho para curtir a noite de sexta. Eles resolveram não beber muito, pois tinham um casamento para ir no dia seguinte então, beberam apenas para se distraírem. Carlos ficou bêbado e não pôde dirigir, Milene bebeu pouco e não se sentia bem para dirigir, e Suellen não possuía carteira de habilitação. Márcio, o único sóbrio que restou, foi o escolhido para dirigir o caminho de volta. Em uma curva perigosa, o carro em alta velocidade em que os quatro amigos estavam, chocou-se violentamente com um outro de uma família que voltava da praia. Descobriu-se que Márcio estava alcoolizado, embora aparentasse sobriedade. Ele, aliás, foi o único sobrevivente desse acidente que matou sete pessoas, sendo os seus três amigos e o casal com seus filhos de 8 e 12 anos que estavam no outro carro. Márcio sobreviveu, mas vive em cadeira de rodas.


Maykssuel sabia que Valdirene tinha recém-terminado o seu namoro com Valmir, um adolescente de 14 anos com várias passagens pela polícia. Maykssuel não dava atenção aos conselhos de pais e amigos que diziam “essa mina é chave de cadeia” e não se importava com as frequentes ameaças de morte de Valmir. O seu amor por Valdirene superaria tudo e duraria para sempre. Em uma noite, quando voltava do trabalho, ele foi alvejado por um motoqueiro que lhe deu três tiros certeiros na cabeça, matando-o ali mesmo.


O que todos esses casos têm em comum? Todos eles envolvem mortes que foram motivadas pela ignorância, por uma autoconfiança burra e pelo velho pensamento de que “isso nunca vai acontecer comigo”. O álcool destrói lares e mata. O cigarro mata, lentamente, mas mata. Largar as drogas demanda muita força de vontade para superar o vício e amor próprio, mas como poucos os possuem, ela mata quase sempre. Embora o tratamento contra a AIDS tenha se aprimorado, ela ainda mata. O trânsito mata milhares de pessoas todos os dias: culpados e inocentes. Os criminosos são pessoas muito sensíveis e orgulhosas que matam sem precisarem de grandes motivos.


Poucos são os que se preocupam com o sofrimento que a sua irresponsabilidade possa causar. Os vícios destroem famílias. Tem gente que se importa muito mais com a multa por beber embriagado do que com a própria vida e a dos outros. A ignorância, o preconceito, a autoconfiança burra e a arrogância matam. O mínimo de inteligência pode salvar a sua vida e poupar a dos outros.

12 comentários:

  1. Já tava ficando assustado. Achei q no fim ia dizer q seja lá o q a gente faça, vamos acabar com uma morte tragica. =P

    Mas concordo com vc.
    O povo eh burro demais.
    Dificil acerditar q ainda tem gente q morre por causa dessas coisas.

    Prefiro morrer d tedio do q "me divertindo" desse jeito.

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  2. tem diversão que não val a pena
    e realmente a cachaça muda uma pessoa
    por completo minha vó se suicidou com alcool e remedios deixou dois filhos loka sem juizo

    cheguei aqui pelo orkut num tópico

    COMENTEM NO BLOG ACIMA

    http://www.exoticlic.com/

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  3. acho que burro ou ignorância não é termo em alguns dos casos acima, agora autoconfiaça sim, e é lastimável, a falta de amor que se da a vida...

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  4. É triste ver como a irresponsabilidade pode pode acabar com os outros... É muita falta de amor a vida.
    O pior é que isso acontece o tempo todo. =/
    www.hoppipollablog.blogspot.com

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  5. O álcool destrói famílias, é a droga mais utilizada no mundo e ainda assim, no Brasil, sÃo exibidas propagandas de cerveja incentivando ao consumo da "cervejinha" associando-a a "alegria, prazer, festa e mulheres bonitas".

    Inclusive "ídolos e referenciais" de muitos jovens atrelam sua imagem a esta bebida, como Ivete Sangalo e Ronaldo Fenômeno. Em época de Copa do Mundo propagandas de cerveja são exibidas até nos intervalos de programas infantis.

    Bebe quem quer, claro, mas é inegável que estas propagandas induzem a pessoa a "tomar uma cervejinha" e depois sair dirigindo por aí.

    Eu ia comentar sobre outra ignorância que são os homens que se recusam a fazer o exame de próstata e depois muitos morrem de câncer. Não tem a ver com vício, mas é uma ignorância braba.

    abs! Muito bem escrito o seu texto.

    vote no groo! :D

    http://grooeland.blogspot.com

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  6. Concordo com tudo que está no texto. Porém, acho que a mídia, acima de tudo, é a maior culpada por essa ignorância do povo brasileiro. Pois, não faz a mínima questão de esclarecer ou, apenas, deixar que o povo decida por si só. Isso fica evidente se pensarmos que o cara pode estar bebendo pq não se parece com o protagonista da novela das oito; outro pode fumar porque viu um fulaninho fumando na TV; aquele outro, boa pinta, quer comer todo mundo porque o protagonista do seriado assim o faz... e por aí vai.
    Infelizmente, esse é o resultado do desmando que vive este país, onde cada um faz o que quer, sem pensar no próximo. Sou completamente contra a censura, longe de mim. Apenas queria que os que mandam tivessem um pouquinho de consciência, que não conseguissem colocar a cabeça no travesseiro porque uma adolescente se matou por não ter recebido uma resposta do seu ídolo...

    http://www.oquartoelemento.com.br

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  7. puxa puxa puxa, você têm publicado bastante e eu vejo que estou em falta com o teu blog!!!

    Prometo que hei de ler os últimos posts, mas agora passei pra dizer que indiquei um selo pro seu blog! Não sei se o seu blog tem muito a ver com selos e memês (muitos blogueiros não curtem), mas de qualquer forma eu indiquei, não precisa postar o selo se não quiser :D

    abraço!

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  8. Muito bem relatadas, pontuadas e necessárias as histórias do post.

    Um pouco de consciência, responsabilidade e bom senso, nunca mataram ninguém. Já a ignorância...

    E olha que o post ficou apenas na parte rasa do assunto. Caso se aprofundasse mais, iriamos encontrar: fanáticos religiosos, milhões de pessoas sedentárias, uma geração de fast-food, intolerÂncia ao diferente e um Q de superioridade (pode-se ler: uma 'legião de Arianos')


    Parabéns pelo texto e o tema, que deve sempre ser posto à mesa!

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  9. O que mais me impressiona é que todos esses desfechos foram causados por uma autoconfiança burra, como você mesmo diz...

    O cara que fuma pra impressionar as minas. O pai de família que transa sem camisinha e trai a mulher, porque é muito macho e precisa de sexo. O sujeito que bebe porque quem não bebe é fraco e não se socializa.

    Enfim... O resto da história a gente já conhece!

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  10. Tem louco pra tudo neste mundo,não é possivel! =)

    Adorei a forma que relatou,tá muito bem escrito mesmo,imaginei até a imagem das pessoas.Parabéns.

    Eu acho que seja lá o que você for fazer na vida,tem que fazer com responsabilidade!


    Sem mais!
    =)

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  11. tens razão, a ignorância de fato, pode ser fatal.

    Todos os vícios, de um modo geral, me incomodam muito, mas o da bebida me incomoda mais. Talvez por conta do meu pai, que bebeu muito durante a minha infância e só agora tem maneirado na bebida. Acho que quando a gente vive na pele determinado vício na família ou com alguém muito próximo de nós, sentimos isto doer mais, sei lá.

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  12. Nossa, é bom receber uma chacoalhada dessas de vez em quando. Tudo bem que ao passar das linhas o coração vai ficando apertado com tanta tragédia em um post só, mas melhor mostrar as tragédias com motivação e moral da história. Afinal, temos que nos prevenir. Por mais prevenidos que estejamos, nem assim estaremos 100% a salvo. Por essas e outras que nunca pego estrada de noite (tudo bem que de dia também existem muitos irresponsáveis, mas muito menos chance de serem os irresponsáveis pós-balada) pois tenho muito medo de, mesmo praticando direção defensiva, chegar um boçal sem amor a propria vida e a dos outros, bebado pensando que não tem limites, e aí tudo ser posto a perder.

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