quarta-feira, 29 de abril de 2009

Síndrome de novela


Você conhece algum mocinho? Você conhece algum vilão? E alguém que vive uma síndrome de novela, você conhece?


O conceito do bem e do mal, assim como o conceito do que é certo e do que é errado, varia muito de pessoa para pessoa. Esse conceito leva em consideração principalmente a criação familiar, a visão da sociedade, o ponto de vista religioso, o nível intelectual e outros fatores menores como as experiências de vida e coisas assim.


O conceito do “bem” e do “mal” quase sempre é abordado em filmes e novelas. A abordagem não é feita de maneira explícita: os personagens não se reúnem em volta de uma mesa para debater o tema. O conceito de “bem” e “mal” fica implícito no decorrer da história. São raros os filmes e novelas sem o “mocinho” (o bem) e o “vilão” (o mal) e o final quase sempre é bastante previsível: o bem vence o mal.


O comportamento dos personagens quase nunca é analisado. Na maioria das vezes, os mocinhos têm uma imagem imaculada, faltando apenas uma auréola sobre suas cabeças. Os vilões são sempre diabólicos e carregados dos piores defeitos possíveis. Não existe uma análise de comportamento por dois motivos: primeiro, os filmes e novelas não foram feitos para servir de divã e, segundo, o público não está interessado em análise alguma e quer que o vilão pague por seus pecados no final.


Esse conceito de “bem” e “mal” é trazido para a realidade. Nós sentimos uma necessidade de analisar o comportamento alheio pelas primeiras impressões ou de acordo com o comportamento deles conosco. Na escola, era comum termos a professora “megera” que só tinha defeitos e aquela professora “boazinha” que era amada por todos. Talvez a primeira fosse apenas exigente e que, embora parecesse que queria reprovar a classe, apenas queria instigá-los a correr atrás do conhecimento, enquanto a segunda podia ser uma lesada que apenas queria estar de bem com os alunos.


A “síndrome de novela” é comum em jovens e adultos infantilizados. Podemos percebê-la atrás do comportamento das pessoas diante das novelas. Volta e meia, aquele vilão da novela das oito diz numa entrevista que seu personagem faz tanto “sucesso” que é ele abordado nas ruas e criticado por suas maldades na novela. O exemplo mais típico é o do BBB. Na 7ª edição, tivemos a separação da casa nos grupos do “bem” e do “mal”, liderados por Diego Alemão e Alberto. A Globo inteligentemente e visando a audiência (sinônimo: lucro), “novelizou” o BBB-7, “vilanizando” os arqui-inimigos de Alemão e Íris: Alberto e Felipe (curiosamente) Cobra.


Podemos perceber que a “síndrome de novela” é algo negativo quando não se sabe separar a realidade da ficção. Personagens de novela e participantes de BBB despertam amor e ódio. Existem aqueles fãs fanáticos que são doentes e vivem em função disso, participando ativamente de fóruns e sempre atentos aos canais de fofoca. O problema piora quando isso é trazido para a vida real e os “vilões” sofrem nas mãos dos fanáticos através de insultos graves ou até mesmo de agressões.


Todos nós somos bons e ruins, temos qualidades e defeitos e devemos ter noção da realidade. É claro que existem pessoas ruins, como criminosos e pessoas boas, como os Médicos Sem Fronteiras, mas ninguém é plenamente bom ou mau. A síndrome pode nos tornar injustos, podendo fazer um estrago na vida dos “vilões” que nem eram “vilões” de verdade. Sejamos justos e salvemos aqueles que vivem no mundo da fantasia, achando que vivemos em uma novela da Globo ou em algum filme de Hollywood.


PS: foto do filme “Enfermeira Betty” sobre uma fã da telenovela “A Reason To Love” que confunde a realidade com a ficção.

domingo, 26 de abril de 2009

Gênios, sensatos e tolos


Alguns sabem tanto e trabalham tanto que ganham um prêmio Nobel. Outros são sabem separar o certo do errado. Já a maioria, ridiculariza o certo.


Em nossa sociedade, lidamos com vários tipos de pessoas com as mais diferentes opiniões e atitudes. Algumas são muito inteligentes de fato, o que pode despertar a inveja e o despeito de alguns. Outras sabem reconhecer as suas capacidades e incapacidades. E temos aqueles que fingem ter um conhecimento que não têm.


Ignorando o teste de QI como um índice que mede a inteligência de alguém, por ser algo que envolve muita lógica, o que o limita bastante, criei a minha escala onde acredito que qualquer pessoa pode se identificar e identificar os outros nela. Ela conta com seis níveis, do gênio ao tolo.


1. Gênio: o gênio é uma pessoa extremamente inteligente que é capaz de inventar coisas novas (que serão indispensáveis à humanidade), encontrar a cura de doenças e qualquer outra coisa que ninguém tenha conseguido fazer ou provar. São pessoas versáteis que entendem de várias coisas complexas. O mundo tem pouquíssimos gênios. Exemplos: Leonardo da Vince, Galileu, Albert Einstein, Benjamin Franklin, e vencedores dos prêmios Nobel por feitos na área científica.


2. Intelectuais e sábios: os intelectuais são pessoas que entendem de vários assuntos sendo capazes de escrever livros e dar opiniões realmente respeitáveis. Já os sábios podem não ter tanto estudo quanto os intelectuais, mas são pessoas vividas que batalharam incansavelmente em busca dos seus ideais e que tem moral para dar conselhos respeitáveis. Exemplos de intelectuais: filósofos, psicanalistas, autores de obras literárias e cientistas premiados por suas obras. Exemplos de sábios: Mahatma Gandhi e aquelas pessoas comuns que têm lições de vida para compartilhar através de conselhos que podem mudar a sua vida para melhor.


3. Sensatos: são aquelas que têm conhecimento de si mesmos o bastante para saber admitir os próprios erros e defeitos. São pessoas justas e honestas que procuram sempre fazer a coisa certa. São pessoas inteligentes, que têm opinião própria e argumentos convincentes. Elas têm cérebro e fazem bom uso dele. Quando não entendem de determinado assunto, elas têm humildade de reconhecer que não dominam o assunto e que, por causa disto, não podem dar uma opinião a respeito de algo. Elas sabem ser tolerantes e a respeitar os outros.


4. Pseudo-intelectuais e chatos: pseudo-intelectuais são pessoas vaidosas com déficit de atenção e que costumam ser arrogantes. São pessoas que sentem a necessidade de impressionar e o fazem através do uso citações de grandes filósofos em momentos e lugares inoportunos. Sua maior característica é uso exagerado de um vocabulário rebuscado do século XIX ou anterior, visando impressionar as pessoas menos instruídas. Exemplos de pseudo-intelectuais: existem vários no Orkut e principalmente nas universidades.


Os chatos são pessoas inteligentes, porém exageradamente teimosas que sentem a necessidade de diminuir os outros. São aqueles que sempre vão procurar um furo nos seus argumentos para imporem a opinião deles e provar que você estava errado. Aliás, os chatos nunca admitem que estão errados e sentem prazer em irritar os outros através de sua teimosia e descoberta de erros e pontos de contradição dos outros.


5. Ignorantes: os ignorantes compõem uma boa parte da sociedade (nacional e internacional). São pessoas com pouco estudo e que cometem erros que poderiam ser perfeitamente evitados. Os ignorantes têm ideia do certo e do errado, tem acesso à informação correta, mas cometem muitos erros levados pelo impulso. Dentro dessa classe se encaixam os “espertos” (malandros), que sempre dão um jeitinho brasileiro para escapar das responsabilidades.


6. Burros ou tolos: os burros correspondem a grande maioria da população. Eles menosprezam o conhecimento. Eles não têm o mínimo de vontade e não fazem o mínimo de esforço para aprenderem e a progredir na vida. Os burros são pessoas teimosas que não conseguem aprender com os erros e que insistem nos mesmos. Eles valorizam a futilidade e o materialismo. São pessoas irresponsáveis e imaturas, costumando ser grosseiras e cheias de preconceitos.


Analise as suas atitudes. Analise as suas ideias. Se você realmente quiser respeitado e levado a sério, tenha bons argumentos e tenha humildade para reconhecer seus erros e defeitos, não esquecendo que você também tem qualidades. Ser inteligente não significa ser arrogante. Significa usar para fazer algo bom, que vai ajudar você e aos outros.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sambemos


Quando você faz uma crítica negativa é porque você detesta algo? As pessoas entendem isso? Como o brasileiro lida com a “tristeza”?


Criticar faz parte da natureza humana. Existem dois tipos de crítica: a positiva e a negativa. A crítica positiva é aquela que todos gostam de receber, que ocorre quando se é elogiado por algo que foi bem feito. Ninguém gosta de receber uma crítica negativa mesmo que saiba que algumas sejam importantes para constatar erros que devem ser resolvidos.


Quando você faz uma crítica negativa, ela pode ser destrutiva ou construtiva, o que pode dizer muito sobre a sua personalidade. A crítica destrutiva é feita com o intuito de diminuir algo ou alguém. É uma crítica burra, infundada que mostra o quanto você é pequeno e o quanto os seus argumentos podem ser infantis e egoístas.


A crítica construtiva é uma crítica inteligente que você não faz com o intuito de diminuir algo ou alguém. Elas são feitas como uma forma de mostrar que existe um problema e de que ele deve ser corrigido para que algo seja aperfeiçoado. Não é que você não goste do que você está criticado, é exatamente o contrário. Você gosta, mas você não é um sujeito passional que enxerga somente coisas boas. Você sabe que algo não está certo e o mostra o erro através da crítica para que ele seja visto e corrigido.


Porém, não espere que todas as pessoas sejam maduras para entender as suas críticas negativas construtivas. Do ponto de vista delas, a sua crítica não vale nada e é vista como uma crítica negativa destrutiva descartável.


O tema desse post não é falar sobre os diferentes tipos de críticas e reações que elas podem causar. O tema desse post é polêmico e não é novidade: vou falar da indiferença do povo brasileiro com as mazelas do nosso país. Se eu não tivesse feito essa introdução, eu poderia ser mal-interpretado e receber comentários grosseiros do tipo “falar mal do Brasil, Lula e BBB é moda”, “os incomodados que se retirem” ou “e que é que você está fazendo para melhorar”? Vamos ao tema do post “Sambemos”.


Quem assiste TV já deve ter visto um comercial que é relacionado a uma das paixões nacionais: o futebol. Estou me referindo a este comercial das Havaianas (assistir) estrelado pelo ator Marcos Palmeira. No comercial, Palmeira e o grupo Samba na Veia estão em um bar fazendo samba e são interrompidos por uma “doida pessimista de óculos” que critica a atitude deles: “Estamos no meio de uma crise mundial. Está todo mundo preocupado e vocês aí, rindo, se divertindo como se nada estivesse acontecendo!?” Palmeira lamenta e diz: “Que tristeza, hein!” . Então começam a tocar “Tristeza”: “Por favor, vá embora...” E expulsam a “tristeza” (a mulher que os criticou).


Foi um comercial infeliz de uma marca que é referência nacional no exterior sobre o povo brasileiro. Infeliz, porém, real. A mulher do comercial foi ali fazer uma crítica construtiva, foi dar um tapa na cara deles para que acordassem para a realidade. Apesar de o tema ter sido a crise mundial, ele mostra bem como o povo brasileiro reage em momentos críticos: ele não dá a mínima!


O povo brasileiro é muito passivo. As escolas não preparam os alunos para a vida, montanhas de pessoas agonizam em filas nos hospitais, pessoas inocentes são assassinadas todos os dias, epidemias de dengue se repetem a cada verão e nossos políticos são corruptos confessos. O que muitos brasileiros fazem? Não se importam. Depois eles têm a cara de pau de dizer que amam o Brasil e acreditam que tem moral para criticar aqueles que criticam o Brasil por desejarem um Brasil melhor sem tapar os olhos ou fazer demagogia.


No exterior, os brasileiros são muito admirados pela sua alegria. Os gringos que vem para o Brasil se apaixonam por esse lugar porque embora o povo conviva com os problemas de violência e pobreza, ele é alegre. Acredito que se um dia eu sair do Brasil, vou sentir falta dessa alegria. Infelizmente, o brasileiro é tão alegre que chega a ser irresponsável, que é o que mais acontece. Não condeno o sujeito que vai para o bar, toma sua cerveja, participa da sua roda de samba e joga seu futebol aos domingos. Acho isso natural, saudável e importante para destressar. Só não concordo em fazer isso como uma maneira encontrada para fugir da realidade.


Infelizmente, a maioria do povo brasileiro pode ser retratada no comercial das Havaianas, como um povo alegremente irresponsável. Ele não vai aceitar as críticas da “tristeza” e não vai ter maturidade para entender o recado dela. Aqueles que querem um Brasil melhor e que tentam abrir os olhos do povo são vistos como antipatriotas. Então, se você não quer ser chato e triste, desligue-se dos problemas. Feche seus os olhos, tape seus os ouvidos e cale a sua boca. Pegue suas Havaianas e vá ao bar mais próximo sambar com Marcos Palmeira e o grupo Samba na Veia e espantar a tristeza. Sambemos, meu Brasil, sambemos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O dinheiro faz o mundo girar


Um simples pedaço de papel pode proporcionar luxo e miséria. Ele pode comprar e moldar pessoas e valores. O dinheiro faz o mundo girar...


Para que um ser humano possa sobreviver, ele precisa de ar para respirar, água para beber, comida para se alimentar e dinheiro para comprar essas e outras coisas. Há séculos, o homem não sobrevive sem dinheiro. É impossível conviver em sociedade sem dinheiro. Para sobreviver sem dinheiro, você teria que levar o mesmo estilo de vida do Tarzan, e não se existem mais Tarzans hoje em dia. Até porque se existissem, algum satélite do Google os teria localizado e algum jornalista metido teria feito contato.


O dinheiro só poderia ser tranquilamente banido em uma sociedade comunista (o que não é a mesma coisa do que socialista, embora ambos sejam perfeitamente usados como sinônimos). Aliás, se um dia houve uma sociedade comunista de fato, foi no tempo das cavernas, onde tudo era dividido e não existia o “meu” e sim, o “nosso”. O dinheiro então foi criado como um meio de recompensar quem produzia mais. Pegando o exemplo de uma lavoura, não seria justo se você trabalhasse duro plantando, colhendo e tivesse que dividir a sua produção com uma pessoa que não fez absolutamente nada. O dinheiro foi criado com esse intuito: forçar as pessoas a trabalhar, fazer por merecê-lo ou morrer de fome levando uma vida miserável.


Hoje nossa sociedade é toda voltada ao dinheiro. Para ser rico de maneira honesta, ou pelo menos levar uma vida confortável nos dias de hoje, você precisa ter estudo, o que explica o fato de as pessoas irem para a escola e tentarem um curso superior. Todo mundo quer ter dinheiro. Todo mundo precisa ter dinheiro. Para muitos, o dinheiro pode comprar tudo e proporcionar felicidade, embora o dinheiro em si não compre a felicidade como muitos imaginam.


Tudo nessa vida tem um lado bom e um lado ruim. Com o dinheiro não é diferente.


O dinheiro pode ser uma praga na vida de muitas pessoas. Quem tem muito dinheiro atrai gente invejosa e ambiciosa, que vai fazer de tudo para conseguir uma lasquinha dele. É o caso daquelas que dão o golpe da barriga, o golpe do baú, dos sequestradores, do governo e dos atendentes de telemarketing.


O dinheiro tem o poder de corromper, apodrecer, ridicularizar e de acabar com a essência das coisas. É quando algo é feito visando primeiramente o lucro. É nesses casos que começa o conflito Amor vs. Dinheiro.


Quando alguém faz algo por amor, normalmente o faz bem feito. A pessoa que faz as coisas por amor ao que gosta não costuma desanimar, se dedica, dá sempre o seu melhor e no final do trabalho, faz algo bem feito. Os pintores que hoje são considerados gênios só tiveram o seu trabalho reconhecido e valorizado depois de sua morte. Eles faziam as coisas por amor.


Infelizmente, o dinheiro faz o mundo girar. Seduzidos pelas verdinhas, muita gente “se vende”. Quando um jogador de futebol joga mal, costuma-se dizer que ele é marketeiro, ou seja, só joga bem onde é bem pago. Os maiores exemplos de “vendidos” estão na mídia: o lixo vem ganhando cada vez mais espaço na música, nas revistas, na TV e também na internet. Quem faz jornalismo sério e comprometido com a verdade corre o risco de passar fome. O sensacionalismo e a futilidade vendem jornais, revistas e fazem sucesso na TV. As rádios vomitam qualquer porcaria pop e os porcos (a massa) vão lá e comem. Nem mesmo os blogs escapam, pois agora se pode ganhar dinheiro com eles. Nessa batalha Amor vs. Dinheiro, o amor perde. O que é bom, feito com qualidade (mas não aos olhos da mídia e da massa), não tem vez.


O dinheiro também traz calamidades. Nenhuma guerra é travada se ela não der lucro para alguém. George W. Bush não mandou invadir o Iraque porque a missão dos EUA é salvar o mundo das “forças do mal”. Ele o fez para agradar às indústrias de armas e explorar o petróleo do Iraque. A fome na África é causada pelas guerras e corrupções dos seus governos. A atual crise mundial vem fazendo o maior estrago nos países desenvolvidos e agora os seus líderes estão tendo que se virar como podem, pois a economia não tem o botão reset para ser apertado quando o sistema dá pane.


Então, se você quer sobreviver neste mundo capitalista, arranje algum dinheiro. Você pode consegui-lo de uma maneira mais suada, porém honesta, estudando e trabalhando. Mas se você for preguiçoso e desonesto, tente um cargo na vida política, tente extorquir alguém que tenha dinheiro, vire jogador de futebol europeu, modelo, prostituta de luxo ou componha uma música com uma letra vazia (ou de baixo calão). Se você faz as coisas por amor, conforme-se em penar para conseguir o seu reconhecimento pela massa sem cultura. O sensacionalismo, a futilidade e as baixarias dão dinheiro e o dinheiro faz o mundo girar...

domingo, 12 de abril de 2009

Velho pirata


O velho pirata abriu mão de várias coisas para ir em busca de um sonho: navegar o Oceano Azul em busca do mais valioso tesouro perdido.


Havia uma lenda que era contada de geração para geração na Vila Pirata. Ela tratava de um valioso tesouro perdido em uma ilha deserta do Oceano Azul. Batalhas navais foram travadas entre aqueles que navegavam em sua busca. Ninguém sabia exatamente que tesouro era esse, mas todos imaginavam vários baús lotados de moedas de ouro e pedras preciosas.


O velho pirata já havia afundado muitos navios e encontrado muitos tesouros perdidos, mas o seu maior sonho era encontrar esse tesouro lendário. Em sua última conquista, o velho pirata encontrou o valioso mapa deste tesouro, que já estava bastante surrado, na cabine do capitão adversário antes de afundar o seu navio. Ele sabia que era o mapa verdadeiro e passou noites em claro planejando navegar sozinho o Oceano Azul em busca do seu sonho de menino.


Ele era feliz com a sua família e sentia muita falta da sua esposa e de seus dois filhos pequenos enquanto passava meses no mar com sua tripulação. Gostava muito de ficar em casa e contar aos seus filhos todas as aventuras que tinha vivido Oceano Azul afora. Gostava também quando estava no mar, sentia-se feliz de que todos os seus amigos de tripulação fossem bastante valentes para enfrentar o que quer que fosse, visando conquistar todos os tesouros possíveis. Todos eles eram uma grande família onde era um por todos e todos por um. A viagem em busca do tesouro lendário seria uma busca solitária, pessoal, fazendo com que o velho pirata pensasse bastante se ele se arriscaria no Oceano Azul e se abriria mão de ficar meses, ou até mesmo anos, longe da família e dos amigos.


Era o sonho de menino do velho pirata. Ele não hesitava: ele corria atrás dos seus sonhos custe o que custasse.


Seu navio estava pronto para a partida. A esposa e as crianças estavam inconsoláveis, pois não sabiam quando veriam o velho pirata novamente. Seus amigos o abraçaram e lhe deram apoio para que ele navegasse em busca do seu mais ambicioso sonho. O velho pirata viajaria atrás do mais valioso dos tesouros perdidos, munido do mapa que só ele, sua família e amigos tinham conhecimento de que ele o possuía.


Sua viagem demorou sete anos! Batalhas, tempestades, monstros marinhos e mudanças de rota atrapalharam o seu caminho, adiando cada vez mais o sonho do velho pirata. Foram anos difíceis e se ele fosse qualquer um, já teria desistido do seu sonho logo no começo. Mas o velho pirata não admitia a possibilidade de pensar em desistir. Ele queria realizar o seu maior sonho e voltar para a casa. Sempre que algo dava errado, ele pensava na sua família e nos seus amigos. Ele queria proporcionar a eles orgulho e riqueza. Isso o motivava para seguir em frente.


Em uma ensolarada manhã de verão, o velho pirata finalmente encontrou aquela ilha deserta com um “X” marcada no mapa. Uma imensa montanha verde, palmeiras e uma praia de areia branca foram avistadas pelo velho pirata. Faltava muito pouco para alcançá-la. Mas algo inesperado aconteceu. Algo que nunca havia acontecido antes. Seu barco bateu com força em um rochedo debaixo da água, fazendo o seu navio afundar rapidamente. O velho pirata não podia carregar muita coisa com ele. Pôs o mapa em uma garrafa, tampou, guardou-a em seu bolso e jogou-se no mar, nadando até a praia.


O velho pirata pisou pela primeira vez no solo da ilha deserta dos seus sonhos. Ele sabia que estava muito próximo tornar seu sonho realidade. Ele levou três dias explorando a ilha em busca do tesouro, como também de comida e de um lugar para dormir. Até que um dia ele encontrou... O baú do tesouro estava enterrado perto da praia e ele pôde desenterrá-lo com a pá que havia ido resgatar nos destroços do seu navio. Cavou, cavou, cavou e desenterrou um baú que ele não esperava que fosse tão leve.


Estourou o cadeado com a pá e dentro do baú tirou uma garrafa com um pergaminho dentro dela. Era tudo o que havia ali. Não havia vários baús cheios de tesouros. Ele havia sonhado anos, tinha passado anos no mar, enfrentando as mais variadas adversidades em busca de um pergaminho dentro de uma garrafa?


Ele retirou o pergaminho, leu, terminou de ler e então começou a chorar. Aquele era mesmo o maior tesouro que qualquer um poderia encontrar, mais valioso do que ouro. O velho pirata já havia conquistado aquele tesouro havia muitos anos atrás. Resumidamente, o pergaminho dizia que o maior tesouro que ele poderia ter eram amigos e uma família feliz...


E AGORA, LEITOR? O que você acha que o velho pirata deve fazer agora? O que você faria se você tivesse realizado o seu maior sonho e ele não fosse aquilo tudo que você esperava?


A caverna: conforme avisado no último post, eu diria a vocês nesse aqui do que se tratava a caverna. Como o texto é cheio de situações metafóricas, resolvi disponibilizar aos interessados uma versão comentada completa, que você pode baixar clicando aqui.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A caverna


Alguns já estavam preparados para enfrentar a caverna, outros não. Ela é a mesma para todo mundo, mas varia de pessoa para pessoa.


Um psicanalista foi convidado a dar uma palestra em uma grande empresa. Ele convidou quatro pessoas para subirem ao palco. Eram pessoas bastante diferentes entre si. Ele convidou um dos donos, um pai de família comum que trabalhava ali havia 10 anos e um casal de adolescentes, sendo a menina uma menor-aprendiz de 16 anos, grávida de 6 meses e seu namorado, que trabalhava de motoboy. Os quatro sentaram-se em um sofá e então o psicanalista retirou um pêndulo do bolso dizendo:


- Vocês serão levados à caverna, um lugar nunca visto e nem vivido antes em suas vidas. Vocês sempre souberam da existência dela e de que ela poderia ser hostil. Tiveram tempo de se preparar. Agora, preparados ou não, vocês terão de enfrentá-la, como terão de enfrentar as fatalidades e os fracassos durantes as suas vidas. Vocês viverão como se fossem obrigados a vivenciá-la, numa busca constante pela saída. Quanto mais tempo lá dentro, pior. Se perderem muito tempo, morrerão por lá.


Ele então estralou os dedos e os quatro adormeceram hipnotizados.


A caverna era exatamente igual para os quatro, mas era diferente aos olhos de cada um. Cada um vivia a sua caverna particular, sem poder se comunicar com os outros, vivendo cada um por si. A diferença mais marcante era a luminosidade. Para o casal de adolescentes, que eram os únicos que viviam juntos a mesma caverna, a escuridão era absoluta. O pai de família podia enxergar algumas luzes que poderiam levá-lo à saída, embora que com certa dificuldade. A iluminação só não era problema para o empresário, que além de ter uma caverna razoavelmente bem-iluminada, ainda contava com a ajuda de uma lanterna.


Os quatro tinham consciência de que a caverna poderia ser um ambiente perigoso, especialmente para aqueles que não conseguiam enxergar nada dentro dela. A caverna era traiçoeira, cheia de perigos e armadilhas. Uma pessoa poderia sair muito machucada dela. A caverna tinha o poder de causar tanto danos físicos quanto psicológicos. Morrer dentro da caverna era o maior medo de suas vítimas.


Os quatro queriam sair da caverna o mais rápido possível. O casal de adolescentes era o que tinha as maiores dificuldades devido a completa escuridão. Eles davam passos curtos, pois tremiam de medo de cair em um buraco. Balançavam os braços procurando uma parede que pudesse lhes levar à saída. Ao que tudo indicava, demorariam muito tempo para sair de lá de dentro.


O pai de família contava com os feixes de luz que saiam de algumas paredes e do teto. Para ele não era tão difícil visualizar o interior da caverna, mas aquela pouca iluminação não lhe dava muita segurança para seguir em frente. Ela confundia. Ele não sabia o tempo que duraria essa luz. Poderia anoitecer lá fora e escurecer o interior da caverna. Em sua frente, ela enxergava três passagens, sendo que uma delas o levaria à saída. A iluminação insuficiente embaçava a sua vista e para ele sair de onde estava, tinha que enfrentar uma espécie de labirinto entre um desfiladeiro. Um passo em falso poderia ser mortal.


O empresário sabia que mais cedo ou mais tarde teria que enfrentar a caverna. Ele conhecia os seus perigos e que a escuridão era o maior de todos. Ele então se preparou, planejou o que teria que fazer e levar consigo caso tivesse que enfrentar a caverna. Isso explica lanterna e pilhas de reserva. Assim como o pai de família, ele também conseguiu enxergar as três passagens e o labirinto entre o desfiladeiro. Sua visão não ficava embaçada e o caminho correto brilhava timidamente através de pequeníssimos rubis e esmeraldas. Mesmo assim, ele não parecia 100% sólido, palpável e seguro. Mesmo que tivesse planejado estar na caverna, o empresário tinha uma pequena dose de insegurança.


O empresário e o pai de família enfrentaram o medo de falhar na sua travessia. Tentaram atravessar da maneira mais bem-estudada possível e ambos tiveram sucesso. Assim que chegou ao outro lado, a passagem correta brilhou intensamente para o empresário achar a saída. Duas passagens, uma com e a outra sem saída, iluminaram-se para o pai de família. Ele arriscou a primeira e tropeçou em uma pedra. Era a passagem errada então, as luzes se apagaram. Ele não desistiu, já conhecia a passagem correta. Mesmo que não houvesse mais luz na passagem errada, ele conseguiu sair de lá pois já conhecia o caminho de volta e então pegou a passagem correta e iluminada, libertando-se da caverna.


O casal de adolescentes teve medo e resolveu não arriscar. O máximo que os dois fizeram foi gritar por socorro e esperar por ajuda. Esperaram um dia, dois, três... e assim o tempo foi passando até que morreram de fome.


Todos os quatro voltaram à realidade (e vivos) quando o psicanalista estralou os dedos libertando-os da hipnose e, consequentemente, da caverna.


OBS: Esse não foi mais um simples conto nesse blog. A caverna e o conjunto de circunstâncias vividas lá dentro é uma grande situação metafórica. Será que você sabe qual é?


Para fazer o download do texto comentado, clique aqui.

domingo, 5 de abril de 2009

A ignorância mata


Eles acreditam demais que tenham uma saúde boa. Eles acreditam que os outros falem besteira. Eles acreditam veementemente que sairão vivos dessa.


Seu Sebastião, mais conhecido como “Tião”, bebia desde os seus 18 anos. Ele dizia que beber era coisa de macho e que bebia para esquecer os seus problemas. Quando bebia, costumava ficar violento e batia na mulher na frente dos filhos. Se alguém o procurasse e ele não estivesse em casa, era certeza de que ele estaria no bar. O alcoolismo fez Seu Tião ser abandonado pela esposa e pelos filhos. Morreu na mais absoluta miséria vítima de cirrose aos 45 anos.


Seu Adamastor fumava desde muito jovem. Pôs um cigarro na boca pela primeira vez aos 15 anos. Ele começou a fumar por vaidade. O cigarro tinha charme, tinha glamour e isso atraia as garotas na sua época. Nenhuma comida lhe parecia saborosa e era só ele dar uma corridinha que ficava difícil de respirar. Foi estimulado pelos filhos e amigos a parar de fumar, mas ele sempre dizia: “Eu fumo há 42 anos e ainda estou vivo. Você acredita mesmo nessa besteira de que cigarro mata”? Seu Adamastor morreu de câncer de pulmão aos 58 anos.


Juninho foi um adolescente que sempre conseguiu as coisas sem muito esforço. Ele vestia as melhores roupas, alimentava-se muito bem, estudava no melhor colégio e conseguia pegar a garota que quisesse sem muito esforço. Mesmo assim, Juninho sentia-se vazio: ele não sentia que era legal. Então uns amigos legais lhe ofereceram cocaína para que ele se libertasse da vida dura e vazia que tinha. Tornou-se viciado em cocaína. Foi internado, recuperou-se, teve uma recaída e morreu de overdose.


Reginaldo sentia orgulho de ser homem macho. Ele era viciado em sexo. Embora fosse casado, isso não o impedia de ir para a zona todo o sábado à noite. Reginaldo era muito apressado e não usava camisinha de jeito nenhum. Ele era muito limpo, e como só transava com mulher bonita e gostosa, ele jamais adquiriria alguma DST. Um dia, ele apanhou um resfriado que veio forte. Tão forte que evoluiu para uma pneumonia. Reginaldo não resistiu a ela e morreu aos 38 anos. Os médicos disseram à esposa que o sistema imunológico dele estava debilitado pela AIDS e que ela poderia ter sido infectada pelo marido.


Os jovens amigos universitários Carlos, Márcio, Milene e Suellen, saíram para um barzinho para curtir a noite de sexta. Eles resolveram não beber muito, pois tinham um casamento para ir no dia seguinte então, beberam apenas para se distraírem. Carlos ficou bêbado e não pôde dirigir, Milene bebeu pouco e não se sentia bem para dirigir, e Suellen não possuía carteira de habilitação. Márcio, o único sóbrio que restou, foi o escolhido para dirigir o caminho de volta. Em uma curva perigosa, o carro em alta velocidade em que os quatro amigos estavam, chocou-se violentamente com um outro de uma família que voltava da praia. Descobriu-se que Márcio estava alcoolizado, embora aparentasse sobriedade. Ele, aliás, foi o único sobrevivente desse acidente que matou sete pessoas, sendo os seus três amigos e o casal com seus filhos de 8 e 12 anos que estavam no outro carro. Márcio sobreviveu, mas vive em cadeira de rodas.


Maykssuel sabia que Valdirene tinha recém-terminado o seu namoro com Valmir, um adolescente de 14 anos com várias passagens pela polícia. Maykssuel não dava atenção aos conselhos de pais e amigos que diziam “essa mina é chave de cadeia” e não se importava com as frequentes ameaças de morte de Valmir. O seu amor por Valdirene superaria tudo e duraria para sempre. Em uma noite, quando voltava do trabalho, ele foi alvejado por um motoqueiro que lhe deu três tiros certeiros na cabeça, matando-o ali mesmo.


O que todos esses casos têm em comum? Todos eles envolvem mortes que foram motivadas pela ignorância, por uma autoconfiança burra e pelo velho pensamento de que “isso nunca vai acontecer comigo”. O álcool destrói lares e mata. O cigarro mata, lentamente, mas mata. Largar as drogas demanda muita força de vontade para superar o vício e amor próprio, mas como poucos os possuem, ela mata quase sempre. Embora o tratamento contra a AIDS tenha se aprimorado, ela ainda mata. O trânsito mata milhares de pessoas todos os dias: culpados e inocentes. Os criminosos são pessoas muito sensíveis e orgulhosas que matam sem precisarem de grandes motivos.


Poucos são os que se preocupam com o sofrimento que a sua irresponsabilidade possa causar. Os vícios destroem famílias. Tem gente que se importa muito mais com a multa por beber embriagado do que com a própria vida e a dos outros. A ignorância, o preconceito, a autoconfiança burra e a arrogância matam. O mínimo de inteligência pode salvar a sua vida e poupar a dos outros.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ponto luminoso misterioso no céu


Em uma noite fria dos anos 1990, uma pequena comunidade testemunhou algo que despertou o seu medo da morte e pelo desconhecido.


Fazia uma noite gelada e ventosa. O fato de o céu estar limpo possibilitava a boa observação das estrelas e da Lua na fase minguante. Embora fosse uma das noites mais geladas daquele inverno do comecinho dos anos 1990, havia um grupo de adolescentes na casa dos 17 anos conversando sentados na calçada da casa de um deles. Era uma conversa animada regada a vinho com Coca-Cola.


Na casa a frente deles, uma garota esperava gravar as canções de Laura Pausini contanto a ajuda de seu irmão menor, enquanto tocava “Total Eclipse Of The Heart”, de Bonnie Tyler. Na casa da esquina, que ficava bem perto de onde os adolescentes estavam, os pais de um deles preparava um churrasco.


Tudo transcorria normalmente até que a mulher que ajudava a preparar o churrasco notou algo estranho. Um pequeno ponto vermelho brilhava intensamente no céu. Podia ser confundido com uma estrela muito brilhante, mas esta parecia estar se aproximando. Notando essa anormalidade, ela avisou o marido que ficou intrigado com o ponto luminoso e não esboçou nenhuma reação além de incredulidade.


Os adolescentes não demoraram muito para perceber que os pais observavam alguma coisa no céu, assim como não puderam deixar de perceber o cheiro do churrasco queimando. Então eles saíram da calçada e foram conversar com o casal. Observavam e não comentavam muita coisa além de “o que será que é isso?” e “que estranho, né”?


Uma das adolescentes saiu do grupinho e foi alertar a sua família. Ela era irmã da garota que gravava as músicas em fita-cassete. “Vem cá ver uma coisa no céu!”, disse. A garota, o irmãozinho dela e sua mãe foram assistir a agora misteriosa bola vermelha brilhante no céu. E não eram os únicos. Os outros vizinhos perceberam a reunião de pessoas olhando para o céu e, curiosos, foram se juntar a eles. Já havia bastante gente, por volta de 30 pessoas.


Um dos vizinhos então disse que podia se tratar de um OVNI ou de um meteoro. As pessoas começaram a ficar preocupadas, começaram a chorar, a se abraçar e o homem que preparava o churrasco, que era policial civil, resolveu informar a polícia sobre o fato curioso (o churrasco mais queimado do que nunca).


Quando o medo e a falta de ideias para escapar da morte iminente tomaram conta da vizinhança, chegaram as viaturas da polícia. Um dos policiais saiu do carro, alisou o bigode e declarou:


- Não é um OVNI e muito menos um meteoro. É apenas um balão meteorológico.


As pessoas não sabiam o que era um balão meteorológico, mas aquela bola vermelha brilhante, que agora tinha o tamanho maior do que o da Lua vista da Terra, não assustava mais e as pessoas puderam suspirar aliviadas. O policial sugeriu que as pessoas usassem espelhos para refletir a luz para o balão. As pessoas estranharam essa técnica, mas não demorou muito para que houvesse espelhos fora de casa...

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OBS: Esse episódio realmente aconteceu no bairro onde eu moro até hoje. Como faz muito tempo que isso aconteceu (por volta de 1993), não me lembro do episódio com riqueza de detalhes então, resolvi introduzir alguns que não tenho certeza se foram reais ou não. Não sei o que houve com o churrasco e não entendi a ligação dos espelhos para afastar o balão até hoje.