sábado, 28 de março de 2009

Ataque biológico


Uma grande cidade que costumava ter suas vias entupidas de carros estava vazia. Alheio a isso, um rapaz andava saltitante pela avenida.


Fazia um final de tarde frio e cinzento durante aquele dia de inverno. As ruas, que costumavam estar lotadas de carros, estavam irreconhecivelmente vazias. Os prédios pareciam ter sido abandonados e as salas iluminadas eram tão poucas que era possível contá-las. Aquela cidade superpopulosa, cheia de pessoas apressadas tinha dado lugar a outra mortalmente quieta.


Não parecendo ter notado todo aquele raro momento de silêncio e abandono, um rapaz de aproximadamente 21 anos andava tranquilamente por uma das largas avenidas da cidade. Embora estivesse fazendo frio, vestia apenas uma calça e uma jaqueta preta sobreposta a uma camiseta branca. Ele não andava, simplesmente. Ele dançava reggae ao som de Bob Marley que tocava em seu mp3. Seus pés sentiam apenas o impacto do asfalto duro e seco.


Enquanto ouvia “Three Little Birds”, o rapaz percebeu algo estranho. Parou de andar e dançar. Agora sim ele estava sentindo frio, mas começou a senti-lo de maneira muito rápida, quase que instantânea. Seus pés pareciam estar congelando. Ele então olhou para o chão. Havia pisado em um pó branco derramado no asfalto. As luzes dos postes se acenderam e ele pôde enxergar um pequeno frasco quebrado, deixando vazar um pó branco. No rótulo estava escrito “cianettun”.


Ele então voltou à realidade. Recordou que as manchetes do jornal diziam que a cidade havia sofrido um ataque terrorista com armas biológicas e que ela estava sendo evacuada. Os terroristas haviam usado um pó branco chamado “cianettun”, uma substância química que podia matar através do ar e que causava hipotermia se tivesse contato com a pele.


“Don’t worry about a thing
’cause every little thing

is gonna be alright”


“Não se preocupar porque tudo vai ficar bem? EU PRECISO DE UM MÉDICO!” pensou ele.


O rapaz então saiu correndo desesperado atrás de um posto de saúde naquela cidade fantasma. Para a sorte dele, ele avistou um hospital em funcionamento com a ajuda dos médicos da Cruz Vermelha. Eles usavam toda aquela roupa branca necessária em caso de um acidente biológico.


Não foi necessário falar com ninguém. Os médicos avistaram o rapaz e logo se prontificaram para atendê-lo. Preparam a maca e o levaram para a sala. O frio estava atingindo o seu ápice e sua morte era cada vez mais certa. Respirava com muita dificuldade, e seu coração estava parando de bater, deixando-o inconsciente. Os médicos passaram outro pó branco na sola dos seus pés e então começou a sentir calor novamente. Havia sido salvo.


Assim como todas as outras poucas vítimas que puderam ser salvas, o rapaz teve que ficar de quarentena em uma sala fechada e escura junto delas, sendo monitorados pelos médicos atrás de espelhos 24 horas por dia. Depois da quarentena, ele foi liberado.


Ele saiu saltitante, com as mesmas roupas e os pés descalços. Fazia uma tarde nublada e morna. Ele se sentia bem até pisar no mesmo pó outra vez. Sentiu-se muito estúpido de não ter saído mais cauteloso do hospital. Estava sentindo o frio de novo, mas seu orgulho e a vergonha de voltar ao hospital e ser taxado de “burro” fizeram que ele não retornasse para lá. Ficou ali sofrendo de frio e de dor por alguns minutos. Mas ela passou e ele sobreviveu. Era o começo de uma vida nova em um lugar sem vida.

5 comentários:

  1. O pé só funciona uma vez? Ou na vdd não era tão poderoso assim?

    Gostei mto cara. É dificil me imaginar numa situacao dessas. Mas caso acotnecesse e uestaria previnido. Odeio ficar descalço e sair na rua assim então, nem pensar. hehehe...

    Abç

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  2. Querido amigo avassalador...
    Fiquei aqui pensando naquele filme com Will Smith "Eu sou a lenda" uma refilmagem de filme com Charlston Heston na decada de 60 eu acho... A população morta por um virus e boa parte transformada em monstros ferozes e elé só... com seu cachorro...
    Imagino o que eu faria so, absolutamente só no mundo e sem esperanças...
    Oh Shit!

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  3. Espero que dessa vez ele use uma bota de plataforma bem alta.
    POSKPOSKPOSK
    Adorei a crÔnica meu querido, tu é bem criativo e detalha bem a situação.

    Adorei o pó tbm. rsrsrs =D

    Continue tendo grandes idéias.
    Abraço!

    http://canalcereja.blogspot.com/

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  4. De repente me tornei um rapaz de 21 anos,perdido,com medo e com expectativas distintas.Gostei dos detalhes,dá pra imaginar a história, imaginar o local e o sentimento do personagem! =)

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  5. puxa vida, fiquei impressionado com o tamanho dos detalhes e da linha lógica que você usou, isto é, o pó, o efeito que causa... vc fez alguma pesquisa pra escrever essa ficção?

    ficou muito bom, mesmo!
    mas não entendi, ele sobreviveu? mas o efeito do pó não era mortal? ele não teve assistência médica na segunda vez...

    abraço!

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