quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Way of life

Você sente uma pressão para viver a vida de uma maneira pré-determinada? Você faz o que faz porque gosta ou para não bancar o esquisito?


Todos os dias somos bombardeados por comerciais na mídia (TV, revistas e internet) que nos sugerem um modo de vida ideal para sermos “felizes”. Esses comerciais mostram gente jovem, bonita, sarada e aparentemente feliz consumindo os seus produtos. Os comerciais nos “vendem” um estilo de vida onde todo mundo é feliz e muitos de nós acabamos “comprando” ele.

“Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva”

PITTY – Admirável Chip Novo


Essa música da Pitty do álbum “Admirável Chip Novo” (2003), assim como muitas outras do álbum como “Máscara”, fazem uma crítica ao sistema capitalista e as imposições da sociedade. A sociedade impõe um modo de vida ideal para nós seguirmos (especialmente à sociedade jovem). Como se vestir, qual grife você deve usar, qual cerveja beber, qual praia frequentar e qual filosofia de vida você deve seguir.


Os emos são muito ridicularizados pela sociedade em geral. E me desculpem os emos: eles fazem por merecer. Os emos são a personificação da hipocrisia em muitos casos. Eles são todos iguais! Ouvem as mesmas músicas, vestem as mesmas roupas, calçam a mesma marca de tênis, escrevem da mesma maneira, são sentimentais, etc. Eles seguem religiosamente o mesmo padrão de vida e criticam os padrões de vida estabelecidos pela sociedade e pelo capitalismo (como se não fossem capitalistas, imagina). Além disso, agem feito crianças de 6 anos ou menos e querem ser tratados como adultos, além de muitos darem na cara de que são homossexuais e se dizem bissexuais, ou ainda, heterossexuais.


Além dos emos, temos os malacos. Para quem não sabe, o termo “malaco” é usado aqui em Santa Catarina para designar aqueles rapazes jovens que seguem o “modo de vida malaco”. Eles escutam hip-hop dos EUA sem entenderem uma única palavra em inglês-errado, só usam bermuda (calça, nunca), geralmente da mesma marca e do mesmo tecido, que parece um cobertor vagabundo, usam tênis sem meias, usam um monte de correntes de prata e usam gírias do tipo “guerrero”, “baia” (casa), “pipoco” (tiro), etc... Se eles não seguem esse padrão de vida, não são malacos logo, são taxados de prayboys.


As pessoas com quem eu converso da cidade do Rio de Janeiro reclamam bastante da ditadura do corpo sarado por lá e essa ditadura vem crescendo em Florianópolis. Os “feios” não têm vez. Feios casam com feios e têm filhos feios que casarão com outros feios e terão filhos feinhos.


Além do modo de vida imposto pelas tribos urbanas que impõem a roupa que você deve vestir, a música que você deve ouvir, as gírias que você deve falar, ou seja, as coisas que você deve consumir, essas tribos também impõem um modo de agir, viver a sua vida.


Muita gente que mora no litoral ou perto do mar, adora a praia de paixão. Mas adora porque gosta da maresia, do Sol, do mar ou gosta apenas para exibir o corpo sarado? Se você não curte praia, você é taxado de ET.


Apesar de não serem raras as pessoas que não gostam do carnaval, existe uma frase preconceituosa que diz que “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Ou é ruim da cabeça, ou é doente do pé”. Ou seja, você que não gosta de carnaval, lamento lhe informar, mas para eles, você é um ET.


Nas festas de fim de ano, todo mundo se reúne, se beija, se abraça, deseja um Feliz isso, Feliz aquilo, muitas vezes no maior clima de falsidade. Por quê? Porque a sociedade impõe essas formalidades. Se você resolve passar o Natal sozinho na sua casa, lendo um livro ou assistindo televisão, as pessoas lamentam “Óinn... passou o réveillon sozinho, coitadinho”... E novamente você é taxado de ET.


A sociedade jovem é muito pressionada para seguir um modo de vida idealizado. É pressionada a viver todos os dias como se fossem o último (é o que a minha sorte de hoje do Orkut recomenda). É pressionada a ter o sexo como o sentido da vida. É pressionada a catar geral pelo menos cinco pessoas na balada. É pressionada a beber Coca-Cola, Skol, comer em fast-food e a um monte de coisas.


Se você segue o way of life imposto, mas se você o segue porque realmente se sente bem e não o faz por pressão, ótimo. Muita gente segue esse padrão de vida imposto sem gostar, apenas para não se sentir excluído ou esquisito para os outros. Faz as coisas para chamar a atenção de pessoas das quais ele não gosta e que muito menos gostam dele. Eu sinceramente acho uma estupidez essas discriminações que essas tribos urbanas e a sociedade em geral comete com quem decide não seguir esses padrões pré-determinados. As pessoas deveriam fazer somente o que elas gostam. Se são felizes assim, ótimo. Se são criticados, ignorem. Se eu pudesse impor um way of life para vocês, eu diria “Viva a sua vida da maneira que você quiser e danem-se as críticas dos outros”. Ponto final.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mentiras sinceras


Mentir, fingir e omitir. Em quais momentos elas são aceitáveis e em quais elas não são? E em quais momentos a sinceridade pode ser um defeito?


Desde que eu fui “dispensado” (em outras palavras, demitido), eu passei a questionar o caráter do pessoal que trabalhava comigo. Quem era falso, quem era sincero e quem era indiferente. Acredito que, a exemplo da minha antiga empresa, existam várias outras empresas com funcionários falsos e oportunistas que, na primeira oportunidade que tiverem, elas puxarão o seu tapete sem culpa alguma.


Mentir, fingir e omitir, a exemplo da sinceridade, tem seus prós e seus contras. Em alguns casos, a mentira é perfeitamente aceitável e importante para a sua sobrevivência. É claro que o ideal seria que as pessoas não contassem mentiras, mas você não pode bancar o Sr./Sra. Sincero(a) se estiver em poder de assaltantes, sequestradores e bandidos no geral. Se você for sincero (e covarde) pode colocar a vida de outras pessoas em risco.


Fingir é uma maneira de as pessoas conquistarem o que querem, mas fingir por muito tempo cansa e, uma hora ou outra, a verdade aparece. Eu já tive a infelicidade de conhecer gente que era tão fingida que ao ponto de me deixar furioso. Gente que dizia coisas do tipo “nunca desista dos seus sonhos”, “espere que a sua hora vai chegar” e uma meia dúzia de frases positivas e que em seguida, estava me “dispensando”. Além disso, também já presenciei a cena desagradável de pessoas que chamavam as outras de “amigas” e que, na minha frente e na frente de outras pessoas, estavam falando mal dessas tais amigas.


Omitir as coisas não chega a ser uma mentira, mas é uma maneira, às vezes covarde, de as pessoas protegerem a si mesmas ou as outras. É comum naqueles casos onde você se vê dividido entre “contar ou não contar” porque você sabe que a verdade pode chocar alguém ou te trazer problemas. Se você descobre que o seu melhor amigo está sendo traído, você contaria mesmo que soubesse que ele está perdidamente apaixonado pela sua companheira? E se alguém percebe marcas de espancamento em seu corpo, você denunciaria o seu marido violento à polícia?


Ser sincero nos dias de hoje não é algo muito comum, pois tem gente que não gosta de tomar a verdade na cara e gosta de viver uma vida superficial cheia de mentiras. As pessoas que são sinceras são pessoas honestas com os outros e consigo mesmas. Ser sincero, em alguns casos, pode ser uma virtude, e em outros, pode ser um defeito.


O lado bom de ser sincero é que você se sente com a consciência tranquila por estar sendo você mesmo, honesto com você e os outros. Ser sincero só é algo positivo se você for educado. Para muita gente, ser sincero é sinônimo de ser rude. A sinceridade pode ofender as pessoas se você não tiver educação e um pouco de sensibilidade para apontar falhas ou defeitos dos outros. É claro que, se for fazê-lo, você deve ter moral para falar. Se você tiver os mesmos defeitos ou tiver cometido ou estiver cometendo os mesmos erros daquele a quem você aconselha, esse alguém pode ser ríspido e falar coisas para lhe ofender.


Uma coisa é certa, por mais que você minta, finja, omita ou seja sincero, você nunca irá conseguir agradar a todos. Isso é fato. Sempre vai haver alguém que não irá simpatizar com você porque faz um pré-julgamento de você ou simplesmente porque vocês não têm muito em comum. Se você quiser agradar alguém, seja sincero, educado e seja você mesmo.


Mentir, fingir e omitir é uma maneira de as pessoas conquistarem o que querem de uma maneira suja e desonesta. Conquistar as coisas falando a verdade pode ser algo mais demorado, mas é a melhor opção se você quiser sentir o orgulho de ter sido capaz de atingir seus objetivos sendo honesto e sem o peso na consciência de ter puxado o tapete de alguém.