domingo, 27 de dezembro de 2009

Au revoir


Houve um tempo em que os fantasmas me assustavam, mas aprendi a deixá-los para trás. Porém, ainda há aqueles que insistem em tentar assustar.

Ah, e hoje que a minha realidade é outra, tu vens até mim como um fantasma para fazer “bu”. Para quê? Qual o propósito disso?

É alguma crise existencial? Não tomaste o teu Prozac hoje? Percebeste que o teu mundo maravilhoso não é tão maravilhoso assim e que o belo caminho das pedrinhas coloridas não era tão belo?

Oh! Houve um tempo em que eu achava que sem ti eu estaria fadado a ser sugado pelo buraco negro. Ontem eu não conseguia enxergar meu futuro. Jogaste-me na caverna escura. Jogaste-me na lama, sem dó nem piedade.

O desespero fez-me procurar a saída. Na caverna aprendi muito sobre eu mesmo. Descobri uma força que tu fazias questão de dizer que eu não possuía. Levaste-me a acreditar que eu era incapaz e que sem ti, eu era apenas lixo.

E tinhas razão, eu era lixo pois convivia com o lixo. Aprendi que teu ato de me jogar na lama pode ter sido duro e dolorido, mas foi a chave que tu me deste capaz de libertar-me das algemas que me prendiam a ti. Eu era covarde e sem esta atitude tua, quiçá eu não tão cedo teria movido um músculo sequer e teria me acomodado à situação.

Reciclei-me. Reciclei minhas ideias. Reciclei o meu livro dos dias. Virei a página. Encontrei meu camaleão interior. E tu? Reciclaste ou decidiste apodrecer na mesmice?

Os peões do teu xadrez passam por mim, dizem-me oi. Teus peões são fiéis a ti, vítimas de tua hipnose, da tua lavagem cerebral. Lindo será o dia que eles acordarem do transe e se rebelarem. Verás que és apenas lixo sem o teu lixo.

Meu passado, eu deixo no passado. É uma grande janela exposta ao tempo. A cada dia, ela ficará mais suja e mais difícil ficará de enxergar através dela. Um amontoado de dias, horas, minutos, segundos, capazes de findar emoções bobas e ingênuas. Do meu passado trago lições essenciais para melhorar a pessoa que hoje eu sou. O que me faz bem e o que me faz mal. O que posso aproveitar e o que posso descartar.

Então passado, deixe o passado no passado. Não quero revivê-lo, não, obrigado. Precisas dele para te sentires melhor? Não estou disposto a te tornar parte do meu presente de novo e muito menos, do meu futuro.

E se um dia nós nos virmos de novo por aí nas ruas da vida, não fiques impressionado caso eu finja que não te vi, passe batido ou atravesse a rua. A etiqueta não será capaz de me fazer ceder à falsidade e à artificialidade. Eu retorno à indiferença. E tu? Vives do teu passado?

Passado, acabou. Deixe-me em paz, segue o teu caminho e procura ser feliz (quanto mais longe de mim, melhor).

Adeus. Good-bye. Au revoir.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Tempos de exagero


Em busca da tão citada emoção, a sempre criticada mídia transforma estalinhos na Tsar Bomba.

Muita gente sabe que a mídia não é nada santa e que criticar a sua “falta de santidade” tornou-se um clichê clássico de qualquer boçal que se acha intelectual. Mesmo assim, ainda tem muita gente que se deixa levar pelas opiniões da mídia e pela exagerada importância que ela dá para casos que estão longe de serem preocupantes.

Temos vivido anos muito chatos onde usinas nucleares não explodem e matam milhares, onde ditaduras importantes não caem, onde não há novos países independentes, onde o homem não pisa mais fora da Terra, onde o mundo não é dividido entre duas superpotências capazes de dar início a uma nova guerra mundial.

A mídia tem estado carente de algo que prenda a atenção de um país inteiro para frente da TV, a exemplo da final da Copa do Mundo de 1994 e dos ataques de 11 de setembro de 2001. Ela quer causar a famosa “emoção” que todas as novelas da Globo afirmam que irão causar (“você vai se emocionar com a nova novela das oito”).

Quando as pessoas começam a comentar sobre as coisas que viram na TV na escola, no trabalho, no happy-hour, no Orkut ou onde quer que seja, é porque a mídia conseguiu causar o impacto que desejava. Nem sempre isso se deve ao fato de a notícia ser relevante e sim, ao fato de ela ter sido citada à exaustão, dando a impressão de ser algo extremamente relevante.

O que diferencia os casos Isabela Nardoni e João Hélio de todos os outros casos de violência contra as crianças? Várias crianças são violentadas a cada dia no Brasil e no mundo e isso não é noticiado. O que diferencia esses dois casos destes tantos outros de violência é que eles envolveram crianças bonitas e de famílias ricas. Se uma criança não muito bela fosse lançada pela janela pelos pais pobres e feios, a repercussão não teria sido maior que a destas.

A gripe suína e seus múltiplos substantivos é um grande exemplo da carência da mídia por notícias que causem rebuliço. Foi um caso exaustivamente noticiado que gerou o pânico em muitas pessoas (ignorantes, diga-se de passagem) que passaram a ver esta enfermidade como uma espécie de “peste negra moderna”. A famosa dengue continuou matando muito mais que a gripe suína Brasil afora e ficou esquecida. A gripe suína era uma doença nova, desconhecida e totalmente fashion.

Para finalizar, ainda tivemos o rotulado “absurdo caso de discriminação” contra uma estudante de uma universidade de São Paulo que foi humilhada por seus colegas de faculdade acéfalos por ter vestido um vestido curto demais. Ok, ela não queria chamar a atenção para a sua ousadia, ser xingada, e eventualmente ficar famosa e estampar a capa de uma revista masculina (“Por dentro do vestido vermelho”).

Se você acha que é o expert em maldades da mídia e é “inteligente” o bastante para morder iscas como estas, cuidado. Os seus clichês anti-Globo podem ser usados contra você: sorria, você está sendo manipulado!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Hoje


Hoje nossas ideias, gostos e sentimentos são imutáveis e algumas vezes acreditamos veementemente que assim será até o fim de nossos dias.

O tempo passa de maneira tão rápida para algumas coisas e tão devagar para outras. Se você parar para pensar na pessoa que você era alguns anos ou meses atrás, talvez você possa perceber que você mudou e as pessoas também. Os seus gostos e sentimentos continuam os mesmos?

Durante o período de tempo mais longo, o prazer. Durante o período mais curto, a dor. O tempo voa quando nos divertimos e se arrasta quando estamos sofrendo (seja devido a uma dor de dente ou a dor de uma perda).

E hoje eu acredito que os meus melhores amigos estarão comigo para sempre. E amanhã?

Hoje eu acredito que eu não sou capaz de fazer isso e aquilo. E amanhã?

Hoje eu gosto de ouvir a uma determinada música e considero-a de um ritmo e qualidade insuperáveis. E amanhã?

Hoje eu não consigo imaginar o que seria da minha vida e como seria a minha felicidade sem você. E nenhuma outra pessoa neste mundo chegaria aos seus pés. E amanhã?

Hoje eu tenho meus conceitos de certo e errado muito bem formados dentro da minha cabeça. E amanhã?

Hoje eu acho que nenhum Prozac seria capaz de curar a minha dor, a minha tristeza, a minha noite mais escura. E amanhã?

O delicioso bolo está guardado na geladeira. E amanhã? Continuará delicioso?

Oh, hoje nossas ideias, gostos e sentimentos são imutáveis e algumas vezes acreditamos veementemente que assim será até o fim de nossos dias.

E o amanhã trará a mudança. Quiçá uma noite de sono seja o suficiente para você colocar as ideias em ordem. Quiçá seja necessário mais tempo: alguns dias, ou semanas. Não muito mais que isso. E você aprende a conviver com a mudança com o passar do tempo de maneira mais amistosa, mesmo que ela seja dolorida. Fato é que o hoje acaba e que as coisas passam. Você muda, as pessoas ao seu redor mudam, o mundo muda. Hoje você é uma pessoa, e amanhã?

domingo, 15 de novembro de 2009

O amor é fashion


Há gritos que ecoam dentro da sua cabeça: “Tenha alguém! Todo mundo tem alguém! Você não vai querer morrer sozinho, né”?

O símbolo do coração está estampado por todos os cantos. O amor é enaltecido em filmes, livros, novelas e músicas. Ao nosso redor, em uma avenida movimentada, no shopping, no supermercado podemos ver pessoas se abraçando...

O amor é um sentimento extremo, uma espécie de êxtase natural. Assim como o seu parônimo (ecstasy, a droga), o amor causa dependência. É uma espécie de droga que todos querem provar e ficarem viciados, uma vez que há uma apologia ao amor: “ame, ame e seja amado”.

E se não fores amado?

Não ser amado pode gerar um sentimento oposto ao amor: o ódio. Como eu escrevi no post anterior, há pessoas que irão declarar guerra ao mundo e considerar o amor como uma grande babaquice ou um sentimento de tolos. Fecham-se ao amor. São pessoas que não amam ninguém, exceto a elas mesmas (ou a sua imagem prepotente).

Por outro lado, há pessoas que ficam deprimidas e que não “matam” o amor por completo, isto é, não perdem a capacidade de amar aos outros, mas perdem a capacidade de amar a si próprias.

A falta de amor próprio gera uma visão deturpada do amor entre estes pobres seres humanos. Sabiamente, algumas pessoas tentarão tirar proveito da desgraça destas almas carentes de alguma forma afinal, estamos no Brasil.

Certamente você deve conhecer alguém preocupado somente em “pegar geral”, em adicionar pessoas em sua Lista De Pessoas Que Eu Já Peguei. Para isso, elas ganham as tais pobres almas na lábia, sendo amáveis até chegar ao seu objetivo final. Depois disso, suas vítimas são simplesmente descartadas, assim como um palito de picolé*.

Mas o tempo vai passando, passando... Você olha ao seu redor e as pessoas estão namorando, casando, tendo filhos e você ali, sozinho. Os anos passam e... cadê a tampa da sua panela? Seus amigos, pais, a sociedade e a Ditadura do Amor gritam dentro da sua cabeça: VOCÊ VAI MORRER SOZINHO!

E aí você se envolve com a primeira coisa que aparece e sente a necessidade de afirmar para si mesmo que finalmente encontrou o “amor da sua vida” e que casarão, terão filhos e viverão felizes por todo o sempre. Na verdade, você não tem muita certeza disso, pois achou que o sentimento do amor fosse algo mais intenso, mas... “Ah, nosso amor não é como o de Romeu e Julieta, mas... dá pro gasto”!

Você pega o seu amor em seus braços, sobe até a montanha mais alta, ergue como um troféu e grita:

— EI, OLHEM! EU TENHO ALGUÉM, EU NÃO SOU UMA PESSOA SOZINHA! OLHEM PARA MEU TROFÉU!

Isso aí é amor? O amor é a necessidade de provar para si e para os outros que não se é uma pessoa sozinha? Definitivamente, não é amor. Muita gente se ilude pensando que só vai ser feliz quando encontrar o tal “amor da sua vida”. Elas não precisam de uma pessoa para fazê-las felizes. Elas precisam de amor-próprio.

Amar tornou-se um alvo da moda logo, o amor é fashion.

*Se você faz coleção de palitos de picolé, desconsidere esta metáfora.

domingo, 1 de novembro de 2009

Pateticamente superior


Eles precisam provar ao mundo e a si mesmos que são superiores fazendo os outros se sentirem inferiores.

Você conhece pessoas explosivas? Pessoas que criticam a tudo e a todos o tempo todo? Pessoas que sentem prazer em tentar diminuir as outras? Bem, se você não conhece, levante suas mãos para os céus e agradeça: sua vida pode não ser perfeita, mas pelo menos você tem paz!

Vivemos em um mundo sem amor, embora o símbolo do coração esteja estampado em todos os cantos. Devido a essa falta de amor e essa pressão toda de “ame, ame e seja amado”, algumas pessoas sentem-se frustradas quando elas não têm um retorno disso. Elas então tornam-se pessoas amargas que ficam ofendidas com a felicidade alheia.

Pessoas desse nível sentem a necessidade de se sentirem superiores. Sentem a necessidade de chamar a atenção, sentem a necessidade de impressionar. Mas e se elas não são superiores? E se na verdade são nada mais que lixo? Muitos costumam sentirem-se superiores tentando fazer com que os outros se sintam inferiores. Eles podem seguir o exemplo de um Marcelo (ex-BBB 8) da vida, falando “verdades que doem” de maneira extremamente grosseira, sarcástica e arrogante.

Além disso, sentem a necessidade de provarem que são sim, seres perfeitos, magnânimos. Talvez por isso não admitam os próprios defeitos, que têm medos, que têm frustrações como todo e qualquer ser humano normal. E quando eles não obtêm êxito no que queriam, ficam extramente irritados e até mesmo, agressivos, partindo para a agressão verbal e, em casos mais extremos, para a agressão física.

É extremamente desagradável ter que conviver com uma pessoa assim, uma pessoa focada em “sugar” a sua energia. É desagradável ter que lidar com pessoas egoístas que seguem uma filosofia a la “quando eu sofro, todos devem sofrer”. Oh, anões que pensam que são gigantes. Oh, como são patéticos!

O melhor que você pode fazer é virar as costas e ignorar. Lembre-se que você está lidando com uma pessoa “superior” que está sempre certa, ou seja, não adianta rebater as ofensas, é inútil. O que eles querem é ver que estão conseguindo causar raiva ou tristeza, combustíveis que alimentam o seu sádico prazer pessoal. Eles querem é te colocar para baixo. Querem puxar você para o esgoto onde vivem. Ignore-os ou rebaixe-se ao nível deles. Ninguém consegue fazer você sentir-se inferior sem o seu consentimento...

domingo, 18 de outubro de 2009

Statu quo


“In statu quo res erant ante bellum” é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for. (Wikipédia)

Um dia um homem desejou libertar-se e libertar seus irmãos do statu quo – o estado atual das coisas. Ele sonhava com um mundo onde todas as pessoas pudessem viver em nível de igualdade, onde ninguém fosse melhor nem pior do que ninguém.

Em uma noite qualquer, ele adormeceu profundamente e sonhou... Sonhou com uma fada que concedera a ele o poder de romper com o statu quo e foi o que ele fez...

As coroas dos reis e rainhas caíram no chão e quebraram-se. Sua vida de luxo e poder havia acabado e agora eles eram pessoas comuns, membros da plebe. Enquanto isso, os mendigos das ruas ganharam um banho, roupas limpas, uma casa confortável, emprego, mil coisas...

A modelo linda e perfeita da revista de moda e beleza ganhou rugas, estrias e um cabelo odioso. A adolescente gorda, feia e depressiva perdeu quilos e quilos, seu rosto marcado pelas espinhas ganhou um aspecto mais liso, seu aparelho nos dentes desapareceu...

O intelectual não era mais tão inteligente para impor seu bom gosto, qual música prestava, qual vinho prestava, não sabia mais se expressar e mudar a opinião dos outros através de sua inteligência. O ignorante parou de ouvir os ruídos da rádio e TV. Desligou a TV, contestou a imparcialidade do jornalismo, abriu os livros e enxergou um horizonte totalmente novo.

O mal parou de causar dores a si e aos outros. Aceitou a imperfeição, livrou-se de todo o ódio, raiva, mágoa, rancor, inveja. O bem enxergou um mundo menos cor de rosa. Via agora tons de vermelho-sangue, preto-cadáver e coelhinhos fofos com olhares malignos.

Ao mesmo tempo em que ele rompera com o statu quo, ele criara um novo statu quo! Ninguém se destacava. Todos agiam de forma parecida, tinham ideias parecidas, tinham uma beleza parecida, viviam uma vida parecida.

Desesperado, ele correu até o intelectual para tentar entender porque as coisas estavam iguais e as pessoas não estavam finalmente felizes por viver em estado de igualdade. O intelectual respondeu:

- Sou Flamengo e tenho uma nega chamada Teresa. Em fevereiro, em fevereiro, tem carnaval... Meu amigo, este é um assunto difícil demais para mim entender.

Não era apenas difícil demais para o intelectual entender, mas como para qualquer um naquela sociedade igualitária, sem ricos e pobres, sem feios e bonitos, sem intelectuais e ignorantes, sem o bem e o mal.

O homem acordou com a cabeça cheia de dúvidas, mas elas logo se esvaíram e ele as esqueceu. Sua inteligência era muito mediana para ele poder pensar e entender se romper com o statu quo era algo bom ou ruim...


domingo, 11 de outubro de 2009

Cérebro de massinha


É mais fácil construir um menino do que consertar um homem. (Charles Chick Govin).

Imagine o nosso cérebro como uma grande massa de modelar. Uma massa suscetível a manipulações e a mudança de ideias, que podem ser positivas ou não. Mas não pense que ela é totalmente maleável. Algumas partes ressacam, não podendo mais sofrer qualquer tipo de manipulação ou mudança.

As crianças podem ser facilmente manipuladas. Como ainda são muito novas e sabem pouco da vida, elas acabam absorvendo informações de pessoas que impõe respeito a elas.

Os filhos costumam ser reflexos dos pais. Isto pode ser um grande problema, uma vez que muitos deles sejam frutos de uma gravidez indesejada, sendo tratados como estorvos. Muitos pais não se preocupam em ser bons exemplos aos filhos e os expõem a diversas situações desagradáveis.

Os pobres também são presas fáceis dos manipuladores. Muitos não têm o estudo necessário para desenvolverem o senso-crítico próprio e muito menos a inteligência para contra-argumentar. A falta de vontade de correr atrás de conhecimento e da verdade faz com que eles sejam o alvo principal de políticos em tempos de eleição, como todos nós já sabemos.

Ter um cérebro de massinha é ruim então?

Nem sempre. Como ninguém é o dono da verdade, é importante que estejamos sempre abertos para algumas mudanças de opinião que podem ser necessárias. Mudanças que podem evitar a injustiça, o sofrimento, o retrocesso. O problema é estar aberto demais a novas ideias. Isto pode ser enlouquecedor. Em um momento, você acreditava na verdade pura depois, abriu-se à mentira, que marcou território e expulsou a verdade da sua cabeça.

Estar fechado demais pode poupar você de situações como esta, mas também podem transformar você em um ignorante convicto. É como sentir-se um pecador quando você ousa contestar qualquer coisa que possa estar errada na sua religião, por exemplo.

O ideal mesmo é armar-se de conhecimento. Estudar e ir atrás de verdade. Assim, haverá partes maleáveis no seu cérebro para receber a verdade e partes ressecadas para repelir a mentira e inutilidades.

domingo, 13 de setembro de 2009

Os outros


Ninguém nutre afeto por aqueles que os tratam mal, exceto aqueles desprovidos de amor-próprio.


Vivemos em um mundo onde somos avaliados e julgados constantemente pelas pessoas ao nosso redor. O nosso comportamento, nossas ideias e atitudes interferem demais no modo como elas nos veem e, consequentemente, no modo como nos tratam.


Lidar com elas é importante e necessário para conquistarmos os nossos mais variados objetivos. Para isso, tratá-las bem é o mínimo necessário. Ninguém nutre afeto por aqueles que os tratam mal, exceto aqueles desprovidos de amor-próprio.


Uma vez que seja importante tratar bem as pessoas, elas passaram a cuidar mais da sua reputação perante os outros e a usar máscaras para esconder os seus defeitos, medos e podres. Uma pessoa com uma reputação impecável ou pouco manchada consegue conquistar os seus objetivos de maneira mais fácil e rápida.


Entretanto, ainda há aquelas que se preocupam exageradamente com essa tal reputação e procuram mantê-la intacta ao máximo. São escravas da própria imagem e de uma perfeição impossível de ser alcançada.


Nossa sociedade impõe modos de vida tão perfeitos que muitos se sentem mal caso não desfrutem desta perfeição. Ela espera que a sua vida e sua família sejam perfeitas. Durante muitos anos, as pessoas sempre temeram a “avaliação dos outros”.


Vários casais manteram um “casamento de fachada”. Eles gostariam muito de se divorciarem, mas temendo serem mal-vistos pela sociedade, preferiram manter o teatrinho até onde puderam, ou até mesmo até a morte.


Ainda há muitas pessoas que se preocupam demais com o que os outros vão pensar ou deixar de pensar sobre si mesmas, logo, vivem uma vida que não pertence a elas e sim, aos outros e constantemente sentem-se estranhas por não conseguirem se encaixar nos padrões de perfeição impostos pela sociedade.


As pessoas precisam se libertar deste padrão imposto. Não parece uma incoerência exigir a perfeição sendo que ela não existe?


Há pessoas que tem objetivos claros e sérios e que não perdem tempo com futilidades. E há pessoas frustradas que precisam puxar os outros para a lama onde vivem para não se sentirem tão mal e inferiores. O que você prefere: cuidar da sua vida ou juntar-se a essa ralé frustrada que quer te arrastar para a lama junto com eles? Em relações a pessoas assim, aperte aquele botão e seja feliz.

domingo, 6 de setembro de 2009

Esta guerra não é sua

Eles são vítimas de uma mente maior. Sob o comando dela, eles brigam entre si gratuitamente por uma guerra que não é deles.


Você já reparou que as pessoas que dão início aos conflitos são aquelas que não se envolvem diretamente neles? Ou você já viu algum chefe de estado declarar guerra a um povo, travestir-se de Rambo e armar-se até os dentes para dizimar o inimigo? Certamente, não.


Muitas guerras foram declaradas durante os séculos. O povo sofreu lavagem cerebral de seus líderes e foi levado a acreditar que esses motivos eram justos. Passaram então, a odiar um inimigo que não era deles e sim, dos seus superiores. Todos os conflitos, sejam eles armados ou ideológicos, não costumam ter o tal “motivo justo”. Eles são criados para atender aos caprichos e desejos de uma minoria poderosa e fortemente manipuladora.


A Guerra do Iraque, por exemplo, foi um desses conflitos que visava apenas satisfazer os interesses de uma minoria. Neste caso, tínhamos a indústria de armas e a exploração do petróleo iraquiano. Para que essa verdade não chocasse a opinião pública, o presidente estadunidense George W. Bush usou o pretexto de que o Iraque possuía armas nucleares e prometia também estabelecer a democracia neste país. Porém, Bush era reconhecido mundialmente por sua ignorância logo, muitos não levaram a sério a sua desculpa.


Aqui no Brasil não enfrentamos guerras declaradas contra outras nações, felizmente. As nossas maiores guerras são ideológicas e muitas vezes fúteis. Elas incluem confrontos clássicos como Lula vs. FHC, Globo vs. Record, Corinthians vs. Palmeiras, torcidas do BBB, entre outros. Uma guerra por uma educação de qualidade ou contra a impunidade poucos compram. Para estas guerras, as pessoas apertam o “foda-se”.


Enquanto soldados inocentes matam soldados inocentes, os senhores da guerra estão contabilizando os seus lucros ou perdas em segurança. Enquanto defensores do Lula e do FHC ficam trocando farpas, os políticos e empresários ficam mais e mais ricos. Enquanto aficionados por TV trocam ofensas pelo Orkut, as emissoras de TV agradecem o Ibope. Enquanto as torcidas (máfias) organizadas lançam coquetéis molotov umas contra as outras, o Odicreiso é vendido para um clube mediano do Uzbequistão. Conflitos onde o povo briga entre si enquanto os culpados lixam as unhas tranquilamente.


Comprar uma guerra só é aceitável quando a outra parte iniciou a agressão por mero interesse. Não dá para ficar apanhando sem fazer nada. As vítimas precisam se defender.


É importante que saibamos enxergar o real motivo de qualquer conflito e quem é que sairá ganhando com ele. Em todo conflito, há vencedores e perdedores sim. Há sempre alguém que sai com os bolsos carregados de dinheiro ou, pelo menos, com o ego inflado. Então, não perca o seu tempo, seu dinheiro, sua paciência ou até mesmo a sua vida em conflitos de interesses onde você é apenas uma vítima. Abandone-a! Essa guerra não é sua.

domingo, 30 de agosto de 2009

Necromania: o espetáculo da morte


Ela fascina o povo desde a pré-história. Ela é o medo de muitos, o ganha pão de alguns e a diversão de tantos outros.


Um amontoado de gente ao redor de um carro estraçalhado. A mesma notícia sendo dada durante semanas. Jogos que fazem um enorme sucesso entre crianças e adolescentes. A exploração do medo. O que todas essas coisas têm em comum? Um mórbido fascínio pela morte!


A morte é encantadora. Embora essa afirmação dê medo e pareça suicida, não há como negar que ela encanta as pessoas. E não é de hoje. Desde a pré-história, o homem sempre teve a curiosidade de saber como seria a sua vida após o fim dela. Nasceram, então, as religiões com suas teorias (i.e., verdades absolutas) sobre a morte para aliviar mentes inquietas.


O medo é um sentimento que anda de mãos dadas com a morte. Sabendo disso, as religiões e governantes o exploraram sabiamente como uma forma de manipular as pessoas, induzindo-as a fazer tudo o que quisessem. Porém, alguns não caíram nessa chantagem emocional e foram assassinados em público de modo criativo e extremamente cruel.


Isto mostrou todo o fascínio do ser humano pelo desconhecido. Enquanto por um lado não desejam morrer de jeito algum, por outro eles não têm piedade e até apreciam ver pessoas agonizando até vir a falecer.


Uma pena de morte em praça pública sempre atrai e atraiu centenas de pessoas. Não deve ter havido uma inquisição, um enforcamento, um apedrejamento ou uma condenação à guilhotina sem público presente. O Coliseu, por exemplo, nada mais era do que um lugar aonde a urbe ia para assistir batalhas sangrentas, ansiando por mortes emocionantes.


A morte fascina as pessoas até hoje. Quando há um acidente de carro, tem sempre aqueles urubus ao redor, onde muitos olham e poucos ajudam. Quando um avião explode, uma criança é arrastada pelo asfalto ou um popstar bate as botas, muitas pessoas procuram manter-se informadas, não que elas lamentem pelas vítimas, mas elas apenas quererem viver a emoção que a morte propicia.


Existem aqueles que fazem dela um espetáculo visando o lucro. É o caso da mídia, dos diretores de filmes de terror e dos criadores de sites sobre mortes e mortos. O pior de tudo é que existe gente que realmente aprecia esse tipo de espetáculo. Gente que, na minha opinião, é mentalmente perturbada e que não passa de um psicopata passivo ou em potencial.


Fato é que a morte ainda fascinará a raça humana até que saibamos o que realmente acontece depois que perdemos a vida. Muitas pessoas se aproveitarão do medo para manipular as outras, farão dinheiro sobre ele e haverá aqueles que desfrutarão da emoção que ela propicia. Muitos esperam que a morte seja mesmo algo fascinante, pois muitos se sentiriam frustrados se descobrissem que ela é tão bobinha e chata quanto um documentário sobre a reprodução de lesmas albinas no Sri Lanka.

domingo, 23 de agosto de 2009

Cuidado: frágil


Receber uma crítica* não é uma coisa muito agradável. Pior do que reconhecer os seus defeitos é saber que os outros também os conhecem.


Há dois tipos principais de crítica: a destrutiva e a construtiva. A primeira é caracterizada pelo desejo de magoar alguém visando satisfação pessoal. Já a segunda é caracterizada pelo desejo de aprimorar algo através dela, fazendo com haja um trabalho sobre o problema.


Como vivemos em um mundo egoísta, é muito comum pensarmos que quando uma pessoa nos critica ela está fazendo por mal. Muitos não sabem diferenciar uma crítica destrutiva de uma negativa. Então, é bastante comum que as pessoas confundam isso e a encarem como algo extremamente ruim.


Por causa disto, é necessária toda uma técnica na hora de criticar. Para começar, o sujeito deve ter moral para fazê-la. É como um fumante criticar as pessoas que fumam, por exemplo: que moral ele tem para falar? Segundo, o sujeito deve ser educado e manter um tom de voz brando, mas sem deixar de ter firmeza e plena convicção de que sabe do que está falando. E por último, e não menos importante, é necessário ter tato.


Algumas pessoas sabem entender as críticas e reconhecer que não são perfeitas. Elas mantêm o respeito por quem a criticou e aprendem com a crítica. Por outro lado, há também aquelas pessoas que não as aceitam de jeito nenhum. Elas agem como se fossem perfeitas e, não satisfeitas com a crítica, guardam rancor e assim que puderem, irão se vingar, nem que seja através de críticas destrutivas.


Cientes disso, muitas pessoas temem ser sinceras e preferem ficar caladas. Essa omissão pode gerar consequências desagradáveis como perda de autoridade e falsidade, além de mostrar que você consente com o erro.


Criticar mostra muito sobre a sua personalidade. Pode mostrar indignação com coisas absurdas e também pode ser uma demonstração de amizade afinal, amigo é aquele que enxerga virtudes e defeitos e não um ser apaixonado que te vê como a personificação da perfeição.


Agora se a sua crítica foi feita com boas intenções e a pessoa não a recebeu muito bem, talvez isso mostre que ela não tem maturidade o suficiente para lidar com elas. São pessoas muito mimadas, egoístas e arrogantes. São pessoas que gostam de aparentar que são muito fortes, mas que na verdade são muito frágeis.


*Para a melhor compreensão dessa postagem, entenda crítica como “o ato de apontar erros ou defeitos”.


domingo, 16 de agosto de 2009

O botão "foda-se"


Ele foi criado para libertar as pessoas das preocupações desnecessárias, mas caiu em mãos erradas...


Era uma vez uma sociedade que se sentia oprimida por uma carga pesada de responsabilidades e condutas. As pessoas viviam extremamente preocupadas com a sua imagem, com o que os outros poderiam pensar ou deixar de pensar caso se desvirtuassem. Os dias se passavam e alguns sentiam a necessidade de se libertarem. Sentiram a necessidade de viver uma vida plena, sem desejos reprimidos. Até que um dia apertaram o botão “foda-se” de suas vidas...


Pessoas ficaram chocadas e os recriminaram por pura inveja. Eles invejaram a falta de vergonha na cara e a ousadia daqueles que apertaram o botão “foda-se” para a sociedade careta. No fundo, queriam estar vivendo a vida dos “sem-vergonha”, mas eram covardes demais e não queriam pagar o preço de serem criticados por terem apertado um botão tão... amoral.


Aqueles que não queriam casar virgens apertaram o “foda-se”. Aqueles que se sentiam desconfortáveis com seu casamento apertaram o “foda-se”. Aquelas que queriam catar geral apertaram o “foda-se”. Aqueles que não queriam passar o resto de suas vidas vivendo uma vida certinha e normal imposta pela sociedade apertaram o “foda-se” e resolveram ser felizes.


Muitas pessoas se libertaram em busca de uma vida mais plena e feliz graças ao “foda-se”. Os índices de medo de rejeição, angústia e preocupação com a própria imagem diminuíram visivelmente quando as pessoas descobriram todo o prazer e liberdade proporcionada por este revolucionário botão.


A sociedade caminhava para um futuro glorioso. Ela sentia-se mais livre, feliz e ia quebrando preconceitos e tabus. Mas no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho e esta pedra era (e ainda é) constituída pelos “burros”, um povo desprovido de inteligência, senso crítico e moderação.


Os burros ignoraram as precauções do botão “foda-se” e o apertaram a qualquer momento. Os burros eram matutos e ficaram fascinados pelas maravilhas causadas pelo apertar deste botão. Eles o apertaram inúmeras vezes inutilmente tornando-se assim, cada vez mais irresponsáveis e egoístas.


Achavam estudar chato e apertaram o “foda-se”. Não conseguiam estabelecer um diálogo e apertaram o “foda-se”. Engravidaram: “foda-se”. Seus filhos viraram trombadinhas: “foda-se”. Política: “foda-se”. Violência: “foda-se”. Aquecimento global: “foda-se”.


O inventor do “foda-se” morreu de desgosto. Sua invenção deveria ter ajudado a libertar as pessoas e de termos uma sociedade mais justa e harmoniosa, mas ele só viu egoísmo e irresponsabilidade quando sua criação caiu nas mãos dos burros.


Um dia o mundo chegará ao colapso pelo uso excessivo do “foda-se”. Nesse dia, o presidente dos Estados Unidos da América subirá em um palanque e nos dará a notícia fatídica:


"O botão Foda-se do mundo foi acionado e quebrou. Agora, ninguém poderá desfudê-lo até que todos se unam em prol da desfudição."

domingo, 9 de agosto de 2009

Um eterno carnaval de Veneza


Embora tenham uma conotação negativa e seu uso seja condenável, a verdade é que é impossível viver sem elas.


Um dia desses, uma amiga de um amigo meu fez uma visita ao meu perfil no Orkut e eu fui checar quem era. Ela tinha um texto bastante interessante em seu “sobre mim” que começava dizendo:


“Você usa máscaras. Isso não é uma pergunta, é uma afirmação”.


Dizer que uma pessoa usa máscaras é apontar com o dedo sujo, pois todos nós também usamos. E não adianta negar que você não faz uso delas; ou você torna a sua vida um livro aberto, falando exatamente tudo aquilo que pensa e sente, agindo da maneira que você quiser?


A expressão “fulano usa máscaras” tem sempre uma conotação negativa. Falamos isso quando queremos dizer que um sujeito é dissimulado e que esconde a sua verdadeira personalidade para conquistar algo. Em geral, é usado quando queremos dizer que uma pessoa é muito falsa e mal-caráter.


Por outro lado, usar máscaras não torna ninguém condenável, pois as máscaras, infelizmente, são necessárias. Usamos máscaras para controlar a nossa impulsividade e evitar problemas. Usamos máscaras para preservar coisas muito íntimas que dizem respeito somente a nós.


As máscaras servem de escudo não só para nós nos protegermos dos outros, como também para proteger aos outros de nós. Você já imaginou um mundo sem máscaras com pessoas plenamente sinceras? Elas seriam extremamente mal-educadas pois, sem as máscaras, elas não precisariam medir as palavras, não teriam papas na língua. A sinceridade seria uma “qualidade” extremamente cruel e muitas pessoas ficariam realmente tristes e desapontadas umas com as outras.


Imagine-se você vivendo sem máscaras em um mundo também sem máscaras. As pessoas não diriam “me dá licença”: elas diriam “sai da minha frente” ou simplesmente te dariam um empurrão sem pronunciar uma única sílaba. Elas tirariam sarro da maneira como você se veste e de defeitos que veem na sua aparência. Elas não esconderiam o choque e seus preconceitos se você revelasse os seus segredos e desejos mais íntimos. Se vivêssemos em um mundo sem máscaras, as pessoas estariam condenadas a viver na depressão.


Máscaras são necessárias, então, viveremos um eterno carnaval de Veneza. Mas é claro que isso não lhe dá o direito de ser dissimulado e fingir ser uma pessoa que você não é para conquistar os seus objetivos a qualquer custo.

domingo, 2 de agosto de 2009

As medidas paliativas


As medidas paliativas são ideais quando você quer dar uma maquiada no problema para mostrar que está fazendo algo.


Resolver problemas é muitas vezes algo complicado e que exige certa dedicação. Quando o problema é complexo demais e a sua solução exige investimento (costumeiramente financeiro), os responsáveis pela solução dão o seu “jeitinho” com medidas paliativas.


Seja em casa, no trabalho ou na política, as medidas paliativas são, quase sempre, medidas covardes de pessoas que não estão realmente dispostas a solucionar um problema. Tais medidas são usadas para iludir as pessoas menos instruídas ou que gostam de se comportar como mendigas. A solução definitiva desses problemas seria atacar na raiz do problema, mas os paliativos são os atalhos e as pessoas já se dão por satisfeitas com eles.


Uma série de exemplos de medidas paliativas por parte do governo são os programas sociais: Bolsa Isso, Bolsa Aquilo... Tem gente que acha que elas são a revolução quando nos referimos ao combate a pobreza. Abram os seus olhos: elas não são!


Mas ai de você se disser isso na presença de um ativista do PT. Ele simplesmente irá virar para você de maneira arrogante e, desesperado pela falta de argumentos convincentes, irá chamar você de “ignorante” com ar de superior. Aliás, uma pessoa que não concluiu o Ensino Superior e que torna o diploma de jornalismo desnecessário para ingressar na mídia podre tem muita moral para falar, né? Em breve, ela estará na Suécia e na Noruega recebendo vários prêmios Nobel.


Muita gente acha adorável o governo e suas Bolsas, achando que ajuda mesmo no combate a fome, a pobreza e a desigualdade social. As bolsas amenizam os problemas, mas não os resolvem. O correto seria investir pesado em educação de qualidade para todos, fazendo com que cada cidadão seja capaz de conseguir um emprego digno e bem remunerado.


Mas investir em educação não dá votos e o Brasil tem problemas maiores com corrupção, violência então, não podemos perder tempo com bobagens como crianças em uma sala de aula aprendendo a serem honestas, justas, cultas, inteligentes e capazes de viver sem o auxílio desses programas sociais. Não dá para esperar muito de um país onde educação e cultura são tratadas como supérfluos.


As medidas paliativas nunca resolvem um problema, elas apenas os amenizam. As pessoas que tomam essas medidas são preguiçosas, covardes e inaptas a resolvê-los, muito provavelmente porque são ignorantes. É importante que tenhamos essa visão se nós realmente queremos que um problema seja solucionado de vez, aonde quer que seja. Medidas paliativas iludem e nos fazem perder tempo, dinheiro, qualidade de vida e paz.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O camaleão interior


Você sentia-se seguro quando a possuía e não admitia a possibilidade de perdê-la. Mas como agir quando a perda ocorrer?


Durante a nossa vida, nos deparamos com várias escolhas. Podem ser escolhas pequenas, como se você vai comer pudim de leite ou gelatina de morango como sobremesa, ou escolhas grandes como mudar de cidade ou não. Até mesmo quando não fazemos escolhas aparentes, estamos fazendo a escolha de deixar as coisas fluírem sozinhas.


Uma escolha que poucas pessoas fazem é mudar. Pode ser mudar de cidade, cônjuge, emprego, estilo de vida, pensamento, etc. A verdade é que muitas pessoas têm medo de mudar, motivadas pelo medo de “trocar o certo pelo duvidoso”. Elas não querem sair da sua zona de conforto e preferem ir vivendo a segurança da sua rotina.


Essas são escolhas que você pode tomar, capazes de transformar a sua vida num paraíso ou num inferno. Porém, há aquelas coisas que você não é capaz de interferir, pelo menos não diretamente.


Quando você é obrigado a abrir mão de algo que te dava conforto, é como se você tivesse levado um soco no estômago, e o tempo que você fica sem ar é proporcional ao quanto você não queria abrir mão do que perdeu. Se a situação já foi vivenciada antes, a recuperação ocorre mais rapidamente. Se é inédita, ela é mais lenta e dolorosa.


A melhor maneira de enfrentar a mudança seria antecipando-se a ela, mas isso é algo tão desconfortável que as pessoas não gostam nem de imaginá-las. Além do mais, isso seria ser pessimista e poderia ser inútil, pois seria sofrer por antecipação. Fato é: a mudança ocorrerá, mais cedo ou mais tarde.


Uma vez que a mudança inesperada chega, as pessoas devem manter a cabeça fria para tomar as melhores decisões para si. Elas devem primeiramente aceitar a mudança como algo natural, o que não é fácil. Depois de terem aceitado a mudança, elas devem entender que a vida deve continuar, desatando todos os nós que o prendem à coisa perdida.


Aceitar a mudança não é procurar substituir exatamente o que foi perdido. Cada coisa é única e é por isso mesmo que não estamos dispostos a abrir mão delas: elas não são 100% substituíveis e é doloroso para nós nos imaginarmos sem elas. Quando a pessoa que você ama termina com você, por exemplo, não tente encontrar um outra que sorria, pense, aja ou te trate da mesma forma que a que terminou. Essa é uma das atitudes que vão manter você sem ar depois do soco.


Para que você possa conviver com a mudança sem que isso se torne um martírio, você deve encontrar o seu camaleão interior. Você deve rapidamente adaptar-se à nova situação e desligar-se da antiga para poder tocar a sua vida novamente. Entenda que o que você perdeu não pode ser substituído em 100%, mas não se feche para um novo horizonte que pode ser mais próspero que o antigo.

domingo, 5 de julho de 2009

Só mais um


Por mais que eles digam que você é importante, você é apenas mais um. Eles querem apenas o seu dinheiro, força ou voto.


Para que uma empresa venda os seus produtos e tenha lucro, ela precisa de pessoas como você. Para que sua empresa cresça e atraia novos clientes, ela precisa de trabalhadores como você. Os políticos querem ser eleitos para representar você.


Você, você, você. Esse é o pronome mais amplamente usado pelo comércio para atrair clientes, pelas empresas para que seus funcionários trabalhem o máximo que puderem e para que os políticos possam se eleger. Nós, o singular você, somos induzidos a acreditar que nós somos importantes e que sem nós, eles não seriam nada.


A verdade é que eles precisam de vocês (com S), plural, não singular. Isso, é claro, se eles dependerem de muita gente para obterem êxito no que quer que desejem. Em alguns casos, o você (singular) realmente é necessário.


O povo realmente tem o poder. Porém, ele não fica concentrado nas mãos do tal você da propaganda, do seu chefe ou do discurso político. O poder é descentralizado entre as pessoas de tal modo que uma a mais ou uma a menos não faça diferença, embora sempre tentem nos convencer do contrário. O povo sabe sobre essa descentralização de poder, mas se sente impotente quando sabe que só a união faz a força.


Houve um tempo que uma operadora de telefonia móvel tinha como slogan “É você em 1º lugar”, embora tivesse outra onde se orgulhava de dizer que tinha milhões de clientes no Brasil. Milhões de pessoas em 1º lugar para a empresa? Meio difícil, né?


Algumas empresas aderiram a essa ideologia mentirosa de massagear o ego dos trabalhadores para conquistarem os seus objetivos, mesmo que eles sejam apenas mais um. Visam motivar seus “colaboradores” (eufemismo para “empregados”) para que estes trabalhem mais e melhor, iludidos pelo pensamento de que eles são “essenciais” para a empresa. Porém, quando você enxerga a hipocrisia e não segue as imposições do seu chefe, a empresa manda você embora sem dó nem piedade. O seu chefe não irá se jogar de joelhos e beijar seus pés choramingando pelo seu retorno. Eles simplesmente “trocam” você como se troca uma lâmpada queimada.


Um mundo perfeito, onde todos os problemas podem ser solucionados em quatro anos, é apresentado pelos nossos políticos em tempos de eleições. Nessas horas, eles se lembram do povo, que o seu único voto é importante. Depois desse período, voltamos a nossa realidade com serviços públicos precários que volta e meia entram em greve, apesar dos altos impostos. O povo só se lamenta “que absurdo, né?”.


A verdade é que quando estamos inseridos na maioria e o poder está concentrado nas mãos de uma minoria, estamos sempre expostos a comum falta de respeito. A população precisa de serviços como água, luz, telefone, bancos, transporte que são comandados por um pequeno grupo de pessoas. Se você não estiver satisfeito com esses serviços, o problema é seu.


Por mais que eles digam que você é muito importante para eles, um cliente a mais, um cliente a menos não faz diferença alguma. O mesmo vale para a empresa onde você trabalha e políticos e seus serviços públicos.


Se você não é um especialista em um ramo que você é um dos poucos que entende, empresário ou político, conforme-se em sofrer com a falta de respeito ou iluda-se achando que você é importante. Ou quem sabe, sonhe com a revolução: as pessoas unindo o seu poder que foi descentralizado para fazer valer os seus direitos...

domingo, 21 de junho de 2009

A mulher e seu lugar na socidade


Elas vêm conquistando cada vez mais espaço, mas acreditam que ainda não é o bastante. Como elas podem conquistar mais direitos?


Durante as últimas décadas, as mulheres têm conquistado cada vez mais o seu espaço na sociedade ocidental. No começo do século passado, muitas mulheres eram educadas para levar uma vida de dona de casa, tendo como funções lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos. Aos homens cabia somente colocar comida e dinheiro para dentro de casa e, por causa disto, ele era a autoridade absoluta.


A mulher sempre esteve à sombra dos homens em inúmeras culturas desde a pré-história. O homem sempre se fez valer de sua força física para ser a autoridade no lar e na sociedade e restava à mulher cuidar do marido e do lar, pois eram serviços que não exigiam força. Isso caracterizou a mulher como o “sexo frágil” e criou uma sociedade machista onde o homem manda e a mulher obedece.


Em pouquíssimas culturas a mulher era tratada em nível de igualdade pelos homens e até hoje elas ainda lutam para ter o direito de serem independentes deles. Como a Igreja Católica vem perdendo cada vez mais fiéis e poder de influência no mundo ocidental, as mulheres daqui do Ocidente vem podendo conquistar o seu espaço na sociedade sem o perigo de serem punidas ou recriminadas por grande parte da sociedade.


Elas ainda não chegaram ao estado de igualdade e total independência, mas elas estão conquistando cada vez mais espaço na sociedade e poder de decidir o que querem e o que não querem fazer das suas vidas. Atualmente, são poucas as mulheres que vivem o sonho de ser uma Amélia da vida. A maioria hoje procura estar inserida no mercado de trabalho para não precisar se rebaixar e depender do dinheiro do marido para ter o que elas querem.


Poucas ocupam cargos de chefia em empresas e no campo político tanto que, quando ocupam, sempre chamam a atenção por estarem no poder. Aqui no Brasil, a ministra Dilma Roussef é costumeiramente citada como “uma mulher com chances reais de ser eleita a primeira presidente do Brasil”, assim como a governadora Roseana Sarney já foi em 2006. No cenário internacional, temos a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e a chanceler alemã, Angela Merkel.


Uns dos grandes problemas de as mulheres ainda não terem conquistado os tais “direitos iguais” deve-se não só a uma sociedade machista, mas sim da falta de união delas. Uma característica típica da enorme maioria das mulheres, a sensibilidade, pode ser uma arma que pode ser usada a favor delas (afinal a empatia e a simpatia são apreciadas por todo mundo), como também pode ser usada contra elas.


Uma mulher tende a ficar muito mais aborrecida com uma crítica do que um homem. Elas podem não engolir isso muito bem podendo demonstrar raiva e ficar com o desejo de dar o troco. Se você criticar uma mulher que está em um cargo acima do seu, é bastante provável que você tenha criado uma inimiga silenciosa, enquanto um homem possivelmente será tão duro com você do que você foi com ele. Porém, isso vai depender do profissionalismo de cada um, é claro.


É nesses casos que o ditado “se você não pode com eles, junte-se a eles” pode ser aplicado. Quem exerce o poder em muitas sociedades são os homens e se as mulheres quiserem conquistar o seu espaço, elas terão que se impor e lutar de igual para igual. Elas precisarão mostrar que são capazes, competentes e vão ter que deixar o seu lado emocional de lado nessas ocasiões, além de que terão que se unir em prol de um sentimento igualitário e justo.