sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Escravos do dinheiro do papai


Os pais mais bem remunerados fazem certo em dar aos seus filhos tudo do bom e do melhor? Quais podem ser as conseqüências disso?

Há séculos, a sociedade sempre foi dividida entre ricos e pobres, onde ambos não costumam se misturar. A visão estereotipada que os ricos têm dos pobres é a de que eles são ladrões, oportunistas, ignorantes e desocupados. Os pobres costumam se sentir humilhados perto de gente rica e os vem pelo estereótipo de arrogantes e esnobes. Existe um abismo enorme entre eles. Os ricos conseguem as coisas com mais facilidades enquanto os pobres precisam se matar para conseguirem o querem. Em situações como essas, os pobres podem se destacar mais do que os ricos.

Todo o pai de família descente trabalha duro para dar a sua família condições de vida melhores. Alguns deles começam lá de baixo, em cargos pequenos mas, com o passar dos anos, eles vão progredindo às custas do seu esforço, obtendo cargos maiores e mais bem remunerados. Alguns deles conseguem atingir um padrão de vida tão bom que o dinheiro passa a não ser um problema como antes. Boa parte deles, quando têm filhos, prometem a si mesmos: eu vou dar ao meu filho tudo o que eu não tive na minha juventude. Esse tipo de atitude, ao invés de ajudar aos jovens, pode acabar por prejudicá-los.

O grande problema de os pais ricos mimarem os seus filhos e lhe proporcionarem tudo do bom e do melhor, é que isso faz com que eles não aprendam a dar valor a essas coisas. Existem muitos estudantes pobres que tem gosto pelo conhecimento e que gostariam de estudar em uma escola particular, pois as mazelas da escola pública atrapalham nos seus estudos. Enquanto isso, tem alunos de escola particular que recebem ensino de qualidade, mas que mesmo assim, preferem fazer algazarra em sala de aula e alguns acabam sendo reprovados.

Jovens ricos não precisam trabalhar para conseguir dinheiro. Eles recebem uma mesada. Por culpa disso, acabam esbanjando muito dinheiro com futilidades. Já os pobres precisam dar um jeito de conseguir dinheiro para conseguirem o que querem. Até mesmo se ele optar por roubar, ele vai aprender a dar valor ao que ele quer, pois corre o risco de ser preso ou sofrer algum tipo de vingança.

Para freqüentar uma universidade, a maioria dos pobres precisa estudar e trabalhar ao mesmo tempo para poder arcar com os gastos de transporte, livros e, dependendo da faculdade, com as mensalidades. Já o rico tem o famoso “paitrocínio”. Ele pode morar perto da faculdade e arcar com os gastos de morar longe dos pais sem muitos problemas para não se preocupar com o transporte.

Jovens pobres dão muito mais valor a cargos importantes dentro de uma empresa, pois eles precisam começar de baixo. Já os jovens ricos e diplomados começam em cargos importantes, ganhando um bom salário e não precisam se preocupar tanto com o trabalho. Se ele fracassar, ainda tem o dinheiro dos pais para bancá-lo e, além disso, conseguir outro emprego não é difícil tendo um diploma nas mãos.

Os pais que oferecem aos filhos tudo o que não tiveram em sua juventude, podem acabar estragá-los. Isso pode torná-los arrogantes e irresponsáveis. Tudo isso, priva os filhos de eles darem valor as coisas que seus pais conquistaram e deram a eles, priva-os de se sentirem capazes de conquistarem as coisas sozinhos, de serem mais independentes, mais úteis, mais responsáveis. Já os pobres sabem dar um valor maior a essas coisas, pois seus pais não puderam lhe proporcionar a vida que eles gostariam que seus filhos tivessem tido.

14 comentários:

  1. Eu penso o seguinte, os pais ricos podem sim dar tudo aos filhos, mas em contrapartdia, devem cobrar atitudes e bom desempenho, na escola e no comportamento em sociedade e mostrar que tudo o que eles tem veio do trabalho dos pais.

    ResponderExcluir
  2. Acho que depende muito, não dá pra ser tão taxativo assim. Conheço jovens com condições financeiras, a família, que são pessoas conscientes e responsáveis, sem essa atitude de desperdício e futilidade. Tudo depende...

    ResponderExcluir
  3. Muito interessante o assunto abordado. Mas as opiniões váriam. Eu concordo quando você diz que o Pobre valoriza mais o dinheiro do que o Rico, mas não podemos generalizar. Também não devemos esquecer que pobreza não é desculpa para virar bandido!
    Parabém por expressar sua opinião de forma clara e sobre um assunto tão polêmico!

    ResponderExcluir
  4. Como pedagoga entendo perfeitamente o que vc diz... a diferença é muitas vezes gritante... Uma pena.
    Adorei o blog, de verdade.
    Parabéns!
    Bjoooo

    ResponderExcluir
  5. Eu acho que os pais sempre vao querer dar tudo do bom e do melhor pro filho...naum importa se é rico ou pobre...o q muda é como esse filhos vão receber as coisas...as vezes facilitar tudo não vai ajudar em nada

    ResponderExcluir
  6. Ter tudo de "mão beijada" acaba por estragar qualquer filho.

    Tive um exemplo destes na ultima semana: Logo no fim do semestre, a apenas poucos dias da apresentação do trabalho semestral, uma aluna (do meu grupo por sinal) simplismente abandonou a facul. O motivo?
    Se cansou do curso, não aguentou a pressão, quer tentar coisas novas... Qlqr uma destas justificativas seriam sensatas, se não fosse o fato de a aluna não arcar com nenhum custo de seus estudos. E olha que nem rica ela é. É apenas uma "vitimizada" desta nova geração de pais de classe-média divorciados que lutam para ver quem mima mais o filho.

    Acho que os pais devem sim dar apoio aos filhos, principalmente no quesito educação. Mas bancar todas as despesas do filho eh mais do que mimálo é, como dito no texto, estragá-los.
    Eles bem que podiam arcar com os custos da mensalidade, livros e transporte. Mas baladas, roupas, saídas e alimentação fora de casa tem que ser algo que os "filinhos de papai" aprendam a dar valor.

    ResponderExcluir
  7. Minha mae nao conseguiu dar todo amparo material que ela gostaria, mas e, se puder, gastariade proporcionar uma vida confortavel a meus filhos. Educalos e o melhor que posso fazer!

    ResponderExcluir
  8. Pior do que o pai rico dando tudo aos seus filhos, é o pai pobre mimando seus filhos fazendo com que eles cresçam iludidos.

    Esse tema é meio dificil de comentar, pq tanto o lado pobre quanto o rico tem seus prós e contras neh... O meio termo quase nunca rola.

    Enfim, devo estar falando bobagem.
    Teh o próximo.

    ResponderExcluir
  9. Hum...tudo depende.
    Existe ricos conscientes, exite pobres que apelam pela marginalidade, crime e tráfico, existe os exemplos citados no blog e nos comentários...
    Acho que o melhor é nunca se esquecer da educação. Acho que não teria problema se o pai rico desse coisas ao seu filhos, desde que ensine o valor das coisas; e que o pai pobre ensinasse seu filho a batalhar e conseguir as coisas de uma forma limpa e honrada, ao invés deste se encostar atrás de sua pobreza material.

    ResponderExcluir
  10. "Paitrocínio” pode até ser bem intencionado, mas em excesso pode causar estragos. Ajudar sim, mimar não.
    Aiii, só hoje percebi que não estou na comunidade do blog! Entrei.

    (www.pollyok2.zip.net)

    ResponderExcluir
  11. Cara, acho que a "ajudinha" dos pais tem que ser focada. Considerando pais beeem de vida, e filhos crianças para adolescentes, se eles quiserem fazer algum esporte, estudar um idioma, fazer um intercâmbio no exterior, tá valendo. Claro que tudo isso que citei deve ter um acompanhamento de empenho. Se o filhão sair do Karatê, entrar pro Judô e desisitir pq agora quer fazer natação, não rola. A grana está perdendo valor da mesma forma. Quanto às outras facilidades como o celular que ele vai mostrar pro colega como o melhor da turma, o PS3 ou o Wii que veio fácil no Natal, aí cabe aos pais avaliar o que está merecendo. Critérios: notas, comportamento, educação, respeito. Acho que assim começa a formar um bom ser humano.

    ResponderExcluir
  12. O problema é que os tais pais ricos acham que dando tudo que não tiveram, já estarão dando tudo. Mas falta a educação, etc.

    DECENTE*!

    ResponderExcluir
  13. Bem, penso que isso depende de que tipo de "pai rico" você fala, posto que até mesmo nas classes altas, existem "ricos e ricos".

    Eu nunca fui rico, e muito pelo contrário, se considerar os bem materiais que minha família possui, posso consider-me pobre, pois não temos carro nem casa própria, por exemplo.

    Mas veja só, tenho um computador, vivo no orkut e estudo numa faculdade particular. É pra considera-me rico? claro que não. O computador foi comprado a prestação, e tenho bolsa pelo Prouni, ou seja, não pago faculdade. Que tipo de classe eu me insiro?

    E isso não significa que eu não pudesse ter saido um esnobe fútil, pois nunca faltou nada pra mim ou pra minha educação, que por sinal, foi exemplar. Contudo, meus pais nunca me mimaram.

    Vejo alguns colegas meus, que eu poderia considerar "ricos", pois pagam a faculdade, tem carro do ano e viajam nas férias pro exterior. Não são pessoas mimadas e fúteis. Pelo contrário, muitos trabalham, batalham pra pagar a faculdade. Outros, bolsistas como eu, ganham dinheiro dos pais todas as semanas. Vejo gente tola em todas as classes, e gente humilde em todas elas igualmente.

    Talvez a educação seja ponto crucial, mas como explicar aqueles que, mesmo tendo tudo, são pessoas humildes, e aqueles que não tem nada, são pessoas extremamente arrogantes? Não sei, mas as vezes penso que o caráter de uma pessoa é, uma parte dele, inerente ao ser, nascendo junto com ele, e sendo moldado pelo meio.

    Abraço, Peterson, gostei bastante desse post!

    ResponderExcluir
  14. Conheço pessoas ricas que os pais sempre fizeram tudo...e hoje em dia não sabem fazer nada e após a maioridade vivem as custas do pai.
    Ajuda é bom e bem-vinda desde que haja limites para que a pessoa possa se tornar independente.
    Mas há casos e casos.

    ResponderExcluir