terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O governo e a educação pública

Como está a educação pública no Brasil? Quais são os reais interesses do políticos quando interferem na educação?


A política de cotas está se tornando cada vez mais comum em várias universidades públicas do Brasil. Além de cotas para negros e indígenas, criou-se também uma cota para estudantes oriundos de escola pública. Será que a educação pública no Brasil está tão mal que os alunos que estudaram nelas precisam de cotas para passar? Será uma medida paliativa do governo para agradar a esses estudantes? Ou será que a queda da qualidade nas universidades é interessante ao governo?


Existem escolas públicas boas no Brasil, cuja qualidade de educação é igual ou superior a de escolas particulares? Sim, existe, mas são raras. A grande maioria das escolas públicas do Brasil têm uma qualidade de educação muito inferior se comparada a de escolas particulares. Os estudantes de escola pública sentem isso, principalmente quando passam a estudar em uma escola particular seja por muito ou pouco tempo.


As escolas públicas sofrem nas mãos do governo. Os professores são os que mais sentem isso. Por várias vezes, eu ouvi meus professores comentando sobre os seus salários baixos e que tinham de dar aulas pela manhã, tarde e noite para conseguirem um salário melhor. Por várias vezes, eu não tive aula devido as constantes paralisações dos professores e em alguns anos, houve greves. Por várias vezes eu não tive aula porque não havia professor para determinada disciplina. Por várias vezes, eu fui para a casa com dúvidas porque nem mesmo os professores entendiam o que estavam explicando. Na educação pública do Brasil, os alunos pagam o pato pela má remuneração e falta de qualificação dos professores.


Além dos problemas relacionados aos professores, os alunos são prejudicados pelas constantes interferências do governo nos métodos de avaliação. Na gestão Amin, a educação só piorou. Em 2001, o ano letivo foi dividido em 3 trimestres e as notas iam de 1 a 3 (1º e 3º trimestre) e 1 a 4 (2º trimestre). O aluno que somasse 7 pontos estaria aprovado. No ano seguinte, o Ensino Médio foi divido em 6 fases (semestres). Havia 3 avaliações por semestre, e os alunos que tirassem média 7,0 (agora com notas de zero a dez) estariam passados. Vários alunos que tiraram nota baixa na primeira avaliação e que não obtiveram êxito na segunda estavam virtualmente reprovados. Por culpa disso, o número de desistências aumentou bastante.


O governo estadual interferiu novamente nos métodos de avaliação, implantando a recuperação paralela. Os alunos que haviam tirado uma nota baixa em uma prova tinham direito de fazer uma recuperação da mesma na aula seguinte. Quem tivesse obtido uma nota alta tinha o direito de optar entre fazer a mesma prova para tentar melhorar a nota ou ser dispensado da aula.


Agora o governo está implantando cotas para estudantes oriundos de escola pública. Qual o interesse deles nisso?


Existe muito interesse atrás disso. Para o governo, é interessante que o número de aprovações aumente, nem que isto signifique a queda na qualidade de ensino. É uma forma de marketing pessoal a ser usada em suas campanhas políticas: “no meu governo, o número de aprovações aumentou consideravelmente”. A política de cotas pode criar uma imagem positiva do político na mente do cotista aprovado. “Graças ao deputado Fulando de Tal, eu realizei o meu sonho de entrar na universidade”.


Além dessa imagem positiva que o governo acaba tendo, é interessante ao governo que a população não seja muito instruída. Pessoas com pouca educação são facilmente manipuláveis. Será que aqueles que elegeram o Collor como senador de Alagoas por 8 anos eram pessoas cultas e estudadas? É claro que não. Ele conquistou o voto de muita gente pobre e de pouca gente rica que, na verdade, seria economicamente beneficiada pela sua vitória. Uma população bem instruída é um perigo para qualquer governo onde a haja corrupção e injustiça.


Em países desenvolvidos, onde a educação é levada a sério, a corrupção é muito menor e candidatos vagabundos, que são incrivelmente reeleitos no Brasil, não teriam uma segunda chance.


A educação pública no Brasil é tão inferior a particular que muitos alunos nem se arriscam a prestar um vestibular, pois muitos não se sentem capazes de serem aprovados. Uma boa parte dos que decidem fazer uma faculdade preferem uma faculdade paga, onde o ingresso é facilitado. Como boa parte dos estudantes das universidades federais mais prestigiadas do Brasil vieram de escolas particulares, o governo implementou as cotas para agradar aos estudantes de escolas públicas. Uma medida paliativa, onde o correto seria melhorar a educação pública, mas para o governo, isso pode ser perigoso.


Enquanto a educação pública continuar a mercê de políticos que não entendem de educação, continuaremos a ter uma sociedade ignorante e manipulável, formada por gente fútil e desonesta, que não dará a devida importância à política, educação e os nossos inúmeros problemas sociais.



Para quem não sabe, este foi o 100º post de “O Cão Ocidental”. Eu gostaria de agradecer a todo o pessoal que leu, comentou e opinou. Agradeço também ao pessoal que me ajudou ao participar de algumas postagens, e especialmente ao pessoal que lê este blog há bastante tempo. Se não fosse por isso, eu provavelmente não estaria mais postando durante esse período de 2 anos e 8 meses.

14 comentários:

  1. A educação no Brasil pede socorro mesmo... E nós, cidadãos não temos como alcançar as mudanças necessária sem fazer algo coletivamente.
    Parabéns pelo blog.

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  2. Sou totalmente contra o sistema de cotas. A faculadade deve ser composta por alunos capacitados e que sebem o que estão fazendo e não por qualquer um que apenas faz a faculdade por fazer.

    A educação não é levada a sério e nunca vai ser. Até porque nem o aluno acredita. Minha ex escola foi a melhor escola do Estado de São Paulo no ENEM (se eu não me engano). E você acha que alguém acreditou? Parecia piada. A escola estava caindo aos pedaços, apenas a minha sala levava a sério. É estranho...

    Enfim, parabens pelo post 100. Sou um leitor novo, mas serei um dos velhos daqui ha um tempo. hehe... Que venham outras centenas.


    Nossa, hoje fiz um praticamente um post aqui neh. hehehehe...

    Abraço.

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  3. Quer dizer que os professores ensinam mal de propósito? Por conta dos baixos salários?
    Por mais desagradável que possa parecer a minha opinião. Eu acho que os professores ganham até mais do que merecem ganhar, dada a incapacidade de atingir a um mínimo de alfabetização.

    Professores deveriam mostrar compet~encia e depois exigir salários.

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  4. A educação no Brasil é vergonhosa mesmo, ensinam os alumos a decorar e não a pensar...
    um abraço

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  5. cara...

    o pior de tudo...

    a culpa é nossa, que vê isso e não faz P.N.

    eu concordo que a educação tá um cocô humano...

    e sobre as cotas...

    na minha opinião não era pra existir cota nenhuma...

    não é pq alguém é negro, pobre ou índio que vai ser burro...

    ps: estudei em escola pública a vida toda...

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  6. Ótimo texto,é um assunto muito interessante, poderiam, ao invés de cotas, haver cursinhos praparatórios para o vestibular gratuitos e destinados somente àqueles que estudaram a maior parte de seu segundo grau em escolas públicas. abraço.

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  7. Está cada vez, me lembrei de um programa de tv que estava vendo, onde falava que os brasileiros nivelam por baixo. O seu texto só comprovou esta tese, se não consegue passar pelo trimestre, dá uma recuperaçãozinha ou depois muda de escola para ficar na média, mas o aluno não se torna responsável pelos seus atos.
    As cotas também nivelam por baixo, em vez de melhorar a escola pública, eles pioram com as faculdades, teremos universitários incompetentes, assim como o país.

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  8. Gostei, por esses dias estava "discutindo" isso com alguns colegas, eu estudo em escola pública, é pra ser sincera, até, que onde estudo o ensino é de qualidade, mas, já foi melhor, hoje posso dizer que se fosse dá uma nota de 0 á 10 daria 7. O meu maior medo é no futuro, o que serão dos novos estudantes, outro ponto que eu sempre estou em "conflito", é em relação ao salário dos professores, é difícil, dá uma boa aula, interessante, que chame atenção dos alunos, sem serem obrigados, aquilo, e sim por livre e expontânea vontade, quando se ganha o insuficiente. Mas juntos, poderemos mudar isso.

    Há, claro, adorei aqui, seus posts, sua meneira de escrever, se identifica comigo.

    voltarei mais vezes

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  9. 1- o sistema de cotas é hipocrita. a politica é hipocrita e pronto
    2- quanto mais burro o cidadao melhor para o estado.
    3- Os politicos sao os principais culpados da merda. Os professores tambem sao. Professor nao enriquece...quer enriquecer vira politico, funqueiro, traficantes, sei la..
    4- a merda vai continuar piorando!
    5- ai tu cagou no pau no texto>
    "o collor foi mais vitima que criminoso". o que o Collor fez nao se equipara ao que FHC e LULA fizeram. fora isto tens razao concordo contigo...mas quero ver melhorar...

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  10. a educação do Brasil é um lixo mesmo
    aqui no RS ta uma merda tambem essa governadora fez um negocio, os professores entraram em greve e quem paga sao os alunos agora estudando nas férias
    por essas e outras que o brasil nao vai pra frente

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  11. Nossa sociedade é tão mediocre, hipócrita e nogenta, que até perco a vontade de comentar.

    Cara, quantos de nós não lemos artigos como esses, olhamos para quem está do nosso lado e dizemos: "Ah é, a educação tá uma porcaria" ?

    A má educação do brasileiro começa lgo quando ele nasce. Quantas mãe (na maioria adolescentes) vemos xingando seus próprios filhos, falando palavrões na presença deles, discutindo com o pai ou qualquer outra pessoa, etc...?

    E aquelas que engravidam, o pai some, ela nem terminou os estudos, arranja um "bico", passa o tempo fora "trabalhando", quando volta, volta cansada e desconta a raiva nos filhos que elas mesmas fizeram???

    Quantos casos difíceis o professor (de verdade) tem que lhe dar em sala de aula? É aluno que o pai não deu o mínimo de educação, é aluno que sofre violência física dentro de casa, é aluno vítima de abuso sexual, é aluno que mesmo sendo apena uma criança, tem que ter responsabilidade de adulto para tomar conta dos irmãos...

    Gente, o problema com a educação é um forte emaranhado!!! Não está fixado em um único lugar.

    Quanto aos professores: eu já tive professores de verdade!!!
    Professores que não olhavam para o seu miserável salário e entrava na minha sala com aquela vontade de ensinar. Faziam da aula uma coisa gostosa...Porém, também tive professores, que nos tratava como estranho, ou com aquele ar de soberania: "eu sou o professor, você é o aluno".
    Outra coisa,hoje em dia, para dar aula precisa do diplona universitário, então se um professor decide por determinado curso, vai dar aula, e sabe que o salário é pequeno, então por que ingressou na carreira?
    Salário baixo, não justifica a má vontade do profissional. Se ele não está satisfeito, mude de profissão, ou como foi citado aí "mostre competência para depois reivindicar salário justo".

    Fora que, os alunos não são coitadinhos que sofrem por causa do pouco investimento na educação. Nada disso! Conheço pessoas que estudaram comigo, e hoje dão um banho de cultura e educação em muitos filhinhos de papai estudados em escola particular.
    Nó vemos aí, pessoa de família humilde, que se diz prejudicado profissionalmente por causa da educação pública que cursou, mas, mesmo assim, estes tem condições de irem na balada, de comprar um tênis de marca, um novo aparelho de celular...só não tem dinheiro para comprar livros!
    Cinemas? Bailes Funk? Vivem lotados!
    E por que museus, livrarias, bibliotecas, não?

    Hoje em dia, o acesso à internet já está atigindo bastante gente, mas, o que será que os brasileiros procuram na net? Enciclopédias? Dicionários? Sites educacionais? Não!!!
    Claro que o nosso governo é uma porcaria, mas a cultura não é inacessível!
    Temos museus gratuitos, bibliotecas, exposições...sites...
    E outra, um livro não é tão caro, dá até pra comprar um usado, mas, os brasileiros preferem gastar seus salários miseráveis com cervejinha, revista playbol, ingresso de futebol...

    Parabéns pelo seu centésimo post e por pensar como pensar com relação a alguns temas. =]
    Me desculpem os erros de gramática e ortografia...a culpa é toda da educação pública...lalalal

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  12. =D...
    Adorei a parte que fala sobre a relação professor-aluno e queria dizer uma coisa sendo eu uma futura professora...o brasileiro é manipulado e ignorante mesmo,sabemos que hoje os pais mandam os alunos para a sala de aula nem sempre com intenção de estudar,mas para não perder o "Bolsa escola",que além de ser uma vergonha o valor,não sabemos se é usado para a educação dos filhos mesmo...e assim as salas das escolas publicas estão lotadas e o professor que tem que se virar com esses alunos mal educados...condições de sala,condições de trabalho...muita coisa pra melhorar...e só piora.

    Sem mais!
    Tá maravilhoso o texto.

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  13. É fato que a educação no Brasil não é prioridade. Mas daí a culpar professores pelo ensino de baixa qualidade é deveras equivocado. Os professores por piores que sejam estão sujeitos a planos e disciplina regida pelo defeituoso MEC, as condições de trabalho na maior parte das escolas são tão precárias que qualquer tipo de intervenção enérgica por parte dos professores é tratada como equívoco. É inegável que o salário da educação não corresponde ao mínimo aceitável, e esse aspecto deveria ser corrigido. Muitas pessoas que pensam estar bem informadas dizem "Mostra competência antes de exigir algo", mas o fato é que muitos professores não têm como se atualizar nem melhorar sua formação devido aos baixos salários. Qualquer tipo de atualização e/ou formação melhor bem posta custa dinheiro, e este é o que falta aos professores, pois cada um tem sua família, suas despesas e acaba não conseguindo melhorar sua formação acadêmica. Quanto a educação, os alunos não tem que serem educados pelos professores, a educação começa em casa, e como bem disse uma pessoa num dos posts abaixo, os problemas dos alunos não podem/nem devem ter que serem resolvidos na escola. Escola é local de estudo, de aprendizado. Os maiores culpados da má educação são os pais. As cotas são uma peneira colocada diante o sol para esconder a realidade do Brasil. Os políticos são assuntos há muito debatidos, mas o nosso acomodado povo (me incluo nele) se sente incomodado em ter que deixar sua televisão, perder seu jogo/novela para sair nas ruas e exigir o combate a corrupção.
    A inclusão digital tão difundida está aí, acessem o pérolas do orkut e façam uma pesquisa de estatísticas de acesso. O site domínio público (disponíbilizado pelo governo) ameaça fechar por falta de acesso, as obras completas lá distribuídas gratuitamente tem ínfimos acessos. Os jovens não têm interesse em estudar e o sistema de cotas é visto como um incentivo ao estudo, mas, ao chegar na faculdade pela sua cota, ele vê que não está deveras preparado para aquilo, e desiste. Por que será que nas propagandas que mostram o quão aprovados foram os alunos do ensino público, não mostra o quão desistentes foram?
    É de se pensar.
    Estudei meu ensino médio em escola pública e passei na federal sem cotas.
    PS:EXISTEM SIM CURSINHOS DE GRAÇA PARA QUEM FOR DO ENSINO PÚBLICO(EM SC) mas estes têm vagas sobrando pela falta de interesse dos aluninhos que só querem beber, cair e levantar.

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  14. Concordo que a educação pública está realmente precária, porém, quanto as cotas, penso que se fazem necessárias pois caso contrário a imensa maioria de alunos aprovados em vestibulares seriam de escolas particulares ou que possuem cursos pré-vestibular (particulares) o que obviamente só aumenta a desigualdade social e impede o desenvolvimento das pessoas de baixa renda, mas, a solução deveria ser o ensino público de qualidade e não as cotas.

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