terça-feira, 30 de dezembro de 2008

PF - Retrospectiva 2008


O ano de 2008 mal começou a já está indo embora. Apesar de ter sido um ano “parado”, foi um de em grandes e radicais mudanças.


O ano que está chegado ao fim pode ser resumido em uma frase criada por mim para o MSN que durou algumas semanas: “Getting, missing and refusing”.


- “Getting” (conquistando), pode se resumir ao desconto de 40% para estudar na Aliança Francesa, a desinteressante “promoção” oferecida pelo gerente do Imperatriz para trabalhar no açougue e o meu investimento para crescer profissionalmente através do curso de Secretariado e a inscrição no vestibular da UFSC.


- “Missing” (sentindo falta), refere-se às decisões que eu tive que tomar visando alguma melhoria na minha vida. Eu poderia resumir meu ano no “missing”. O clima no trabalho piorou assombrosamente e aquela união que se via nos tempos do paredão do Julio não existia mais. Várias pessoas foram embora: Vanderlei, Felipe, Julio, eu... O que se via era um contra o outro e eu inclusive, parei de falar com pessoas que eu conversava bastante. Também senti falta de paz e tempo livre para eu poder me divertir.


- “Refusing” (recusando), refere-se a recusas como trabalhar no açougue, desistir da Aliança Francesa e do vestibular. Eram coisas que estavam me deixando angustiado por eu não me sentir capaz de levar adiante.


Janeiro

- Em pleno verão, uma dor de garganta me deixa de cama.

- O último dia do mês se destaca pela enchente que inundou vários bairros da Palhoça, invadindo o Imperatriz enquanto estávamos trabalhando. Pela manhã, tivemos que salvar as mercadorias que podíamos e de tarde, tivemos que depender do socorro prestado pelo louco motorista do Imperatriz de Barreiros.


Fevereiro

- O Cristiano, que estava cobrindo as férias da Eliane como Chefe de Loja, desaparece por alguns dias. Durante esses dias, um cara procurava por ele reclamando “Esse cara está me enrolando”. Estaria o Cristiano envolvido com o crime (des)organizado?

- No dia 06, o Julio pega férias e eu assumo o posto de “Chefe de Frios”. Pela primeira vez em meses de Imperatriz, me senti valorizado na empresa.

- No mesmo dia, eu e o Cristiano fomos fazer uma entrevista para tentar o cargo de auxiliar administrativo em um dos setores da empresa. Eu sou um dos 3 que passaram para a entrevista final. O Cristiano não passa e fica puto, achando que foi vítima de um complô.

- Faço a entrevista no dia 11 com o chefe do setor de manutenção, mas a entrevista fica muito vaga e eu saio de lá meio desconfiado.

- Fui enrolado o mês inteiro pela psicóloga da empresa, que nunca estava disponível para me dar uma posição no resultado final da entrevista para o setor de auxiliar administrativo.

- No dia 29, a Aliança Francesa me avisa que eu ganhei 40% de desconto para estudar com eles.


Março

- O Igor, que nem tinha se inscrito para tentar a vaga de auxiliar administrativo no setor de manutenção, fica com a vaga. Foi a primeira grande rasteira que eu levo no Imperatriz.

- Começam as aulas na Aliança Francesa.

- Faço 22 anos e o blog “O Cão Ocidental”, 2.


Abril

- No dia 02, a gerente-interina, Roseli Heinz, volta ao posto de subgerente se recusar a receber um salário de gerente abaixo da média da rede. Em seu lugar, assume Jaisson Vaz, a personificação da ignorância e arrogância que chegou ao posto de gerente.

- Devido ao fato de estar me consumindo muito tempo e dinheiro, desisto da Aliança Francesa por não ter um feedback do meu desempenho, o que me deixou angustiado.

- O Jaisson demonstra pela primeira vez o tipo de pessoa que é: a que projeta os seus erros nos outros. Devido a um erro de comunicação, eu e o Cristiano faltamos um dia de trabalho (24/04, feriado de Palhoça), tendo sido descontado da nossa folha de pagamento os famosos “dois dias”. Nosso protesto não adiantou de nada.


Maio

- A frase de status do Orkut “Não adiciono gente feia” causa rebuliço e gera críticas a minha pessoa, tendo sido eu taxado de “narcisista”.

- Eu, Cristiano e Person decidimos morar juntos devido aos perrengues vividos por nós em nossas casas, porém devido ao alto valor dos aluguéis, acabamos desistindo.

- Mais uma “Mentira Interna” no Imperatriz para o cargo de auxiliar administrativo no setor financeiro, vencido pela Maristela (que se inscreveu de verdade), mas acabou desistindo da vaga e retornando ao posto de operadora de caixa.

- Fico tão viciado em “The Corrs” que decido comprar uma tin whistle.


Junho

- Um mês sem muitos destaques, além de eu ter organizado a “EuroFlower” inspirado na Eurocopa, e de ter começado a acompanhar a novela “A Favorita”.


Julho

- Na época em que eu começo a ouvir mais A-ha, uma banda de rock norueguesa que fez muito sucesso nos anos 1980, no dia 17 fez 1 ano que comecei a conversar com a Estela, ao som de muitas músicas oitentistas.

- A campanha de aniversário do Imperatriz começa no dia 31. A partir daí, o clima só ficaria cada vez mais pesado na loja.


Agosto

- Minha irmã Luciana (nascida em 1980) anuncia a sua gravidez.

- Começam as Olimpíadas de Pequim e o Brasil não vai tão bem. Devido às críticas do jornal “Hora de Santa Catarina” ao seu desempenho, decido escrever para eles protestando e, incrivelmente, meu e-mail é publicado.

- Fico viciado no som das “Twelve Girls Band”.

- Completo 3 anos no Imperatriz e, devido ao fato de não terem oferecido sequer a opção de mudar de setor, começo a protestar colocando várias carinhas vermelhas seguidas.

- Compro uma bicicleta no Magazine Luiza e ela só me traz azar: a bicicleta não veio montada, depois recolhem a bicicleta para montar e engraxar, mas não me mandam engraxada (descobri isso quando a corrente arrebentou) queimo o vendedor do Magazine para o gerente dele, o cadeado que comprei para a bicicleta arrebenta também, os freios se soltam, os pneus murcham, entre outros...


Setembro

- Durante a maré de azar, o meu PC estraga e precisa ser formatado. Após a formatação, ele se torna mais lento e, uma vez ou outra, dá problemas como desligar sozinho ou ficar com o relógio desregulado.

- No Imperatriz, o Felipe, funcionário eficiente e proativo, se cansa de ser enrolado pela administração geral da empresa e dos sucessivos Sapps do Jaisson, pedindo demissão.


Outubro

- Após meses desfalcados no açougue, o Jaisson me “promove” oferecendo a vaga de açougueiro, mas concluo que não vale a pena e recuso.

- Inscrevo-me para o vestibular de verão da UFSC e, para me preparar bem, me matriculo em um curso pré-vestibular. Para isso, programo as minhas férias para novembro.

- Começa o curso de secretariado depois de mais um mês de atraso.

- O Seu Lino, cuja sala comercial alugada pelo Imperatriz é dele, ameaça botar todo mundo no olho da rua caso a empresa não queira arcar com um aluguel mais caro.

- O Julio fica de licença-paternidade por alguns dias, aconselhando que ninguém compre nada sem necessidade enquanto ele estivesse fora.

- Começa a chover com freqüência.


Novembro

- O clima pesado no Imperatriz chega ao ápice desde que eu trabalho lá. Devido a intromissão do Jaisson nas compras desnecessárias de patê, Julio e Jaisson batem boca na frente de fornecedores e outras chefias. Também puto por ter sido expulso da CIPA pelo Jaisson (que disse que não havia expulsado ninguém), eu e o Julio protestamos juntos contra os erros absurdos do pseudo-gerente.

- Pego férias dia 10 e começam as minhas aulas no curso pré-vestibular. Não entendo praticamente nada em matemática, física, biologia... e então decido desistir.

- Senti muita falta do Imperatriz no período de férias, como se eu sentisse que as coisas mudariam para sempre a partir daí.

- Choveu o mês inteiro, causando enchentes no Vale do Itajaí. Aqui em Palhoça, ficamos sem água durante períodos do dia por quase uma semana devido a um imenso cano que arrebentou, prejudicando inúmeros bairros de Palhoça, São José e Florianópolis.

- O blog “O Cão Ocidental” teve o seu 100º post publicado.


Dezembro

- Ao retornar das férias, descubro que o Julio foi demitido e que a vaga de chefe de frios ficou com o Person. O Person também ficou com a minha vaga na CIPA, confirmando a minha expulsão. Dois novos repositores foram contratados. Demitiriam alguém ou apenas ampliaram o quadro?

- No dia seguinte, 11, o Jaisson me chama na salinha junto com a Eliane. Iria me promover a chefe de frios e informar que o Person estava de quebra-galhos? Que nada! “Peterson, a empresa está passando por uma reformulação e a gente quer te informar que o colaborador Peterson está sendo dispensado a partir de hoje”. Resumindo: cansado de tomar a verdade na cara, o gerente me demitiu e não foi homem o suficiente para deixar de ser falso e explicar os motivos. “São razões da empresa”.

- Ao retornar ao Imperatriz dias depois, percebo um clima de “cada um na sua”. O repositor que ficou no meu lugar pediu demissão. Apesar de ter ficado chateado com a demissão, é como se eu tirasse um peso das costas, deixando todo aquele clima pesado que eu sentia desde abril para trás.

- Sou chamado para uma entrevista para a vaga de auxiliar administrativo no Supermercado Angeloni de Capoeiras. Como eu não tinha levado a carteira de trabalho e um currículo, a entrevista é adiada para 05/01. Supermercado de novo? NÃOOOOOO!



Para mim, 2009 tende a ser um ano de mudanças. Um ano de fazer o que eu realmente quero fazer da vida, trabalhando com o que eu gosto. Espero que os sacrifícios que eu fiz em 2008 se revertam em algo melhor e mais produtivo nesse que começa nessa quinta-feira.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Recém-casados, recém-separados


Por que os casamentos não duram mais nos dias de hoje? Será que as pessoas estão preparadas e dispostas a enfrentar os problemas causados durante o matrimônio?


O casamento é o maior vínculo afetivo que duas pessoas podem ter. Em muitas religiões, o casamento é sagrado. É uma forma de dar visibilidade à sua relação afetiva, buscar estabilidade econômica e social, formar família, procriar e educar seus filhos, legitimar o relacionamento sexual ou obter direitos como nacionalidade. O casamento é algo muito intenso, que pode levar as pessoas do céu ao inferno.


Uma pesquisa do IBGE, divulgada na semana passada, apontou um aumento no número de casamentos no Brasil, mas também apontou o aumento no número de divórcios. Existem vários motivos que podem levar as pessoas a se separarem, mas eu acredito que a maioria das pessoas que se casam, em especial as mais pobres, fazem isso por impulso, ser ter a certeza absoluta de que elas estão preparadas para se casarem.


O maior motivo para duas pessoas pobres se casarem é a gravidez não planejada. O problema não é a falta de informação ao uso do preservativo, mas sim a preguiça de usá-lo; não usando-o, as mulheres têm uma chance muito maior de engravidarem. Uma gravidez não planejada já serve de motivo para as pessoas se casarem, pois os pais mais sérios vão querer estar próximos de seus filhos. Então eles se juntam (de certa forma, se casam sem precisar de uma cerimônia) para atingirem uma estabilidade econômica.


Não é muito incomum as pessoas se casarem com o parceiro que tem a partir de determinada idade. Você quase não vê aquele namoro de adolescente, iniciado aos 14 anos terminar em casamento com muita freqüência, certo? Porém, aqueles namoros que ocorrem entre pessoas na casa dos 20 e que já duram alguns anos, estão mais propensos a terminar em casamento. Isso não se deve somente ao fato de que o namoro na casa dos 20 é mais sério do que o namoro de adolescentes. A pressão da família, dos amigos e de si mesmos, de certa forma “obriga” as pessoas a se casarem. Não é todo mundo que pretende se casar aos 30 ou 40 anos, pois acreditam que com essa idade já estarão “velhos demais” para casar, alem disso, não é todo mundo que quer ficar para titio ou titia.


Mas uma coisa é certa: ninguém se casa se não amar o cônjuge (exceto em casos do golpe da barriga ou do baú). Porém, para uma pessoa se casar, ela tem que ter certeza de que ela ama de verdade o parceiro a ponto de querer isso. Muitas pessoas se casam por impulso, pois acham que seu parceiro atual é o “amor da sua vida”. Vários casamentos terminam quando existe uma traição, ou seja, quem quiser se casar tem que ter em mente de que ela quer somente o mesmo parceiro e ninguém mais. Se você está não disposto a comer o mesmo arroz com feijão todo o dia e gostar de pular a cerca de vez em quando, então nem case.


Casamento é uma coisa muito séria para ser feita por impulso. Filho é uma coisa ainda mais séria, então não o faça se não estiver pronto para casar. As pessoas só deveriam se casar quando tivessem certeza de que é isso que elas querem para a sua vida, que elas têm condições financeiras de manter uma família, casa e problemas, e que o amor que sentem um pelo outro é forte o bastante para resistir as tentações e a uma eventual crise causada por esfriada no clima, sem a pressão da “idade ideal para o casamento”.


O fim de um casamento mal planejado só traz dor de cabeça. Seu ex quase sempre vira seu inimigo. Os filhos saem perdendo um pai ou uma mãe presentes. Os problemas econômicos pioram quando um deles se vê obrigado a se mudar e a arcar com uma casa nova, contas novas e dívidas novas. Quando você toma a decisão de se casar em uma hora errada, você se compromete a perder dinheiro duas vezes: uma com o casamento e a outra com a separação.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Escravos do dinheiro do papai


Os pais mais bem remunerados fazem certo em dar aos seus filhos tudo do bom e do melhor? Quais podem ser as conseqüências disso?

Há séculos, a sociedade sempre foi dividida entre ricos e pobres, onde ambos não costumam se misturar. A visão estereotipada que os ricos têm dos pobres é a de que eles são ladrões, oportunistas, ignorantes e desocupados. Os pobres costumam se sentir humilhados perto de gente rica e os vem pelo estereótipo de arrogantes e esnobes. Existe um abismo enorme entre eles. Os ricos conseguem as coisas com mais facilidades enquanto os pobres precisam se matar para conseguirem o querem. Em situações como essas, os pobres podem se destacar mais do que os ricos.

Todo o pai de família descente trabalha duro para dar a sua família condições de vida melhores. Alguns deles começam lá de baixo, em cargos pequenos mas, com o passar dos anos, eles vão progredindo às custas do seu esforço, obtendo cargos maiores e mais bem remunerados. Alguns deles conseguem atingir um padrão de vida tão bom que o dinheiro passa a não ser um problema como antes. Boa parte deles, quando têm filhos, prometem a si mesmos: eu vou dar ao meu filho tudo o que eu não tive na minha juventude. Esse tipo de atitude, ao invés de ajudar aos jovens, pode acabar por prejudicá-los.

O grande problema de os pais ricos mimarem os seus filhos e lhe proporcionarem tudo do bom e do melhor, é que isso faz com que eles não aprendam a dar valor a essas coisas. Existem muitos estudantes pobres que tem gosto pelo conhecimento e que gostariam de estudar em uma escola particular, pois as mazelas da escola pública atrapalham nos seus estudos. Enquanto isso, tem alunos de escola particular que recebem ensino de qualidade, mas que mesmo assim, preferem fazer algazarra em sala de aula e alguns acabam sendo reprovados.

Jovens ricos não precisam trabalhar para conseguir dinheiro. Eles recebem uma mesada. Por culpa disso, acabam esbanjando muito dinheiro com futilidades. Já os pobres precisam dar um jeito de conseguir dinheiro para conseguirem o que querem. Até mesmo se ele optar por roubar, ele vai aprender a dar valor ao que ele quer, pois corre o risco de ser preso ou sofrer algum tipo de vingança.

Para freqüentar uma universidade, a maioria dos pobres precisa estudar e trabalhar ao mesmo tempo para poder arcar com os gastos de transporte, livros e, dependendo da faculdade, com as mensalidades. Já o rico tem o famoso “paitrocínio”. Ele pode morar perto da faculdade e arcar com os gastos de morar longe dos pais sem muitos problemas para não se preocupar com o transporte.

Jovens pobres dão muito mais valor a cargos importantes dentro de uma empresa, pois eles precisam começar de baixo. Já os jovens ricos e diplomados começam em cargos importantes, ganhando um bom salário e não precisam se preocupar tanto com o trabalho. Se ele fracassar, ainda tem o dinheiro dos pais para bancá-lo e, além disso, conseguir outro emprego não é difícil tendo um diploma nas mãos.

Os pais que oferecem aos filhos tudo o que não tiveram em sua juventude, podem acabar estragá-los. Isso pode torná-los arrogantes e irresponsáveis. Tudo isso, priva os filhos de eles darem valor as coisas que seus pais conquistaram e deram a eles, priva-os de se sentirem capazes de conquistarem as coisas sozinhos, de serem mais independentes, mais úteis, mais responsáveis. Já os pobres sabem dar um valor maior a essas coisas, pois seus pais não puderam lhe proporcionar a vida que eles gostariam que seus filhos tivessem tido.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O governo e a educação pública

Como está a educação pública no Brasil? Quais são os reais interesses do políticos quando interferem na educação?


A política de cotas está se tornando cada vez mais comum em várias universidades públicas do Brasil. Além de cotas para negros e indígenas, criou-se também uma cota para estudantes oriundos de escola pública. Será que a educação pública no Brasil está tão mal que os alunos que estudaram nelas precisam de cotas para passar? Será uma medida paliativa do governo para agradar a esses estudantes? Ou será que a queda da qualidade nas universidades é interessante ao governo?


Existem escolas públicas boas no Brasil, cuja qualidade de educação é igual ou superior a de escolas particulares? Sim, existe, mas são raras. A grande maioria das escolas públicas do Brasil têm uma qualidade de educação muito inferior se comparada a de escolas particulares. Os estudantes de escola pública sentem isso, principalmente quando passam a estudar em uma escola particular seja por muito ou pouco tempo.


As escolas públicas sofrem nas mãos do governo. Os professores são os que mais sentem isso. Por várias vezes, eu ouvi meus professores comentando sobre os seus salários baixos e que tinham de dar aulas pela manhã, tarde e noite para conseguirem um salário melhor. Por várias vezes, eu não tive aula devido as constantes paralisações dos professores e em alguns anos, houve greves. Por várias vezes eu não tive aula porque não havia professor para determinada disciplina. Por várias vezes, eu fui para a casa com dúvidas porque nem mesmo os professores entendiam o que estavam explicando. Na educação pública do Brasil, os alunos pagam o pato pela má remuneração e falta de qualificação dos professores.


Além dos problemas relacionados aos professores, os alunos são prejudicados pelas constantes interferências do governo nos métodos de avaliação. Na gestão Amin, a educação só piorou. Em 2001, o ano letivo foi dividido em 3 trimestres e as notas iam de 1 a 3 (1º e 3º trimestre) e 1 a 4 (2º trimestre). O aluno que somasse 7 pontos estaria aprovado. No ano seguinte, o Ensino Médio foi divido em 6 fases (semestres). Havia 3 avaliações por semestre, e os alunos que tirassem média 7,0 (agora com notas de zero a dez) estariam passados. Vários alunos que tiraram nota baixa na primeira avaliação e que não obtiveram êxito na segunda estavam virtualmente reprovados. Por culpa disso, o número de desistências aumentou bastante.


O governo estadual interferiu novamente nos métodos de avaliação, implantando a recuperação paralela. Os alunos que haviam tirado uma nota baixa em uma prova tinham direito de fazer uma recuperação da mesma na aula seguinte. Quem tivesse obtido uma nota alta tinha o direito de optar entre fazer a mesma prova para tentar melhorar a nota ou ser dispensado da aula.


Agora o governo está implantando cotas para estudantes oriundos de escola pública. Qual o interesse deles nisso?


Existe muito interesse atrás disso. Para o governo, é interessante que o número de aprovações aumente, nem que isto signifique a queda na qualidade de ensino. É uma forma de marketing pessoal a ser usada em suas campanhas políticas: “no meu governo, o número de aprovações aumentou consideravelmente”. A política de cotas pode criar uma imagem positiva do político na mente do cotista aprovado. “Graças ao deputado Fulando de Tal, eu realizei o meu sonho de entrar na universidade”.


Além dessa imagem positiva que o governo acaba tendo, é interessante ao governo que a população não seja muito instruída. Pessoas com pouca educação são facilmente manipuláveis. Será que aqueles que elegeram o Collor como senador de Alagoas por 8 anos eram pessoas cultas e estudadas? É claro que não. Ele conquistou o voto de muita gente pobre e de pouca gente rica que, na verdade, seria economicamente beneficiada pela sua vitória. Uma população bem instruída é um perigo para qualquer governo onde a haja corrupção e injustiça.


Em países desenvolvidos, onde a educação é levada a sério, a corrupção é muito menor e candidatos vagabundos, que são incrivelmente reeleitos no Brasil, não teriam uma segunda chance.


A educação pública no Brasil é tão inferior a particular que muitos alunos nem se arriscam a prestar um vestibular, pois muitos não se sentem capazes de serem aprovados. Uma boa parte dos que decidem fazer uma faculdade preferem uma faculdade paga, onde o ingresso é facilitado. Como boa parte dos estudantes das universidades federais mais prestigiadas do Brasil vieram de escolas particulares, o governo implementou as cotas para agradar aos estudantes de escolas públicas. Uma medida paliativa, onde o correto seria melhorar a educação pública, mas para o governo, isso pode ser perigoso.


Enquanto a educação pública continuar a mercê de políticos que não entendem de educação, continuaremos a ter uma sociedade ignorante e manipulável, formada por gente fútil e desonesta, que não dará a devida importância à política, educação e os nossos inúmeros problemas sociais.



Para quem não sabe, este foi o 100º post de “O Cão Ocidental”. Eu gostaria de agradecer a todo o pessoal que leu, comentou e opinou. Agradeço também ao pessoal que me ajudou ao participar de algumas postagens, e especialmente ao pessoal que lê este blog há bastante tempo. Se não fosse por isso, eu provavelmente não estaria mais postando durante esse período de 2 anos e 8 meses.