sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O sensacionalismo vende mais

O jornalismo sério está perdendo espaço no Brasil? A mídia é capaz de atrapalhar a polícia? Por que o sensacionalismo tem cada vez mais espaço no Brasil?


Nos últimos anos, a mídia brasileira tem noticiado crimes cada vez mais cruéis com maior freqüência. Esses crimes deram tanta audiência na mídia e venderam tantas revistas e jornais que eles foram exaustivamente noticiados. Alguns programas de TV usaram desta tragédia para ganhar audiência. Onde termina o jornalismo sério e começa o sensacionalismo?


A partir dos anos 1990, uma nova e infeliz forma de fazer jornalismo começou a ser popularizada no Brasil: o jornalismo sensacionalista. De acordo com a Wikipédia, sensacionalismo pode ser definido como: “o nome dado a um tipo de postura editorial adotada regular ou esporadicamente por determinados meios de comunicação, que se caracteriza pelo exagero, pelo apelo emotivo e pelo uso de imagens fortes na cobertura de um fato jornalístico. Exagero de tal fato exibido com muitas cenas emotivas e de certa forma generalizando o tema exibido.”


O jornalismo sensacionalista também é caracterizado pela bizarrice. Na década passada, a mídia abriu espaço para casos como o do chupa-cabras, do ET de Varginha e o da menina libanesa que, supostamente, chorava cristais. Como se não bastasse, também abriu espaço para programas que abordam o “mundo cão” na cidade de São Paulo, programas que abordavam um caso bizarro, cujo apresentador ficava empurrando o desfecho deste com a barriga por uma semana inteira, e outros com pancadaria entre os convidados.


A Rede Globo, odiada por muitos que a taxam de “manipuladora”, pouco a pouco vem aderindo a essa forma de se fazer jornalismo. Talvez ela tenha se sentido ameaçada pelas emissoras rivais que conseguem bons índices de audiência apelando para o sensacionalismo e resolveu o aderir para não ficar atrás na audiência.


Desde o caso do menino João Hélio, que morreu sendo arrastado por sete quilômetros pelas ruas do Rio de Janeiro, preso pelo cinto de segurança do lado de fora do carro, a Globo começou a praticar o jornalismo sensacionalista, conseguindo fazer reportagens com os pais do menino e apelando para o lado emocional. Ela também o fez em uma cena da novela “Páginas da Vida”, onde um grupo de freiras lia a notícia no jornal “O Globo” que lamentaram e oraram.


O caso Isabela, a menina que foi jogada pelo pai e a madrasta do 6º andar do prédio onde morava, também foi exaustivamente abordado pela mídia. A Globo saiu da frente e conseguiu uma entrevista exclusiva para o “Fantástico” com os acusados. Reportagem que, inclusive, foi usada no inquérito policial, causando inveja em suas concorrentes que foram as pioneiras no jornalismo sensacionalista.


O caso mais recente de que o jornalismo sensacionalista pode atrapalhar a polícia foi o caso do seqüestro de Santo André, onde um rapaz manteve a ex-namorada e a amiga dela presas em cárcere privado por mais de cem horas. Cenas do seqüestro foram transmitidas ao vivo e vários apresentadores de televisão transformaram o caso em um verdadeiro “espetáculo”. Uma apresentadora de um famoso programa de culinária (que, diga-se de passagem, de culinária não tem mais nada) pedia para que o seqüestrador se rendesse, como se ela fosse capaz de amolecer o coração dele, coisa que ninguém conseguiu.


O “espetáculo” em si começou quando alguns jornalistas conseguiram entrevistas com o seqüestrador e a vítima sendo que até uma famosa apresentadora de um programa de fofocas conseguiu isso, chegando a bloquear a linha telefônica que era usada para contato com os negociadores.


O desfecho do crime foi um fracasso, culminando na morte da menina Eloá. A polícia foi simplesmente ridicularizada em cadeia nacional. Mais absurdo do que isso foi que uma das vítimas, Nayara Rodrigues, amiga da falecida Eloá, virou uma celebridade mirim, como se ela não tivesse sofrido trauma algum, com direito a uma visita ao Projac, sendo consolada pelos “artistas na arte de ser cara de pau” da Rede Globo, e em comunidades no Orkut.


O jornalismo sério está perdendo espaço no Brasil e quem o faz corre o risco de passar fome. Talvez pelo fato de o jornalismo ser um curso muito concorrido em várias universidades do Brasil, alguns tenham que apelar para o sensacionalismo para sobreviverem no mercado de trabalho. A população está mais interessada no sensacionalismo, na emoção da tragédia. O sensacionalismo vende mais e se é isso que o povo quer, a mídia há de dar. Afinal, vivemos em um mundo capitalista onde muitas vezes os fins justificam os meios.

22 comentários:

  1. Isso ai meus amigo!
    Noticias sensacionalistas vende mais e rende mais.
    Eu odeio esse tipo de propraganda mais fazer o que né?
    Tem que aturar!

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  2. O Cão Ocidental está de volta! Passei aqui há um tempo atrás e achei que você tinha parado com ele! :) Vi agora na comunidade do orkut!
    Eu estive estudando exatamente sobre essa modificação do jornalismo desde a década de 90.
    A questão é que agora o povo virou o centro dos noticiários, e a "realidade" virou um alvo super-explorado de audiência. Os programas de cunho não-jornalístico têm usado deste artifício para dramatizar a violência urbana e o jornalismo, infelizmente, também o faz através da edição, closes e excesso de detalhes sobre os casos, o que faz com que o público se sinta ainda mais próximo das vítimas, aumentando o interesse. Muito pertinente seu post.
    Beijos

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  3. eu, como quase uma jornalista, ainda nao perdi a fé na profissao, mas um peneirao ia bem de vez em quando

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  4. É de se lamentar o quanto nossa mídia é sensacionalista e usa crimes bárbaros para conseguir mais audiência e visibilidade.Texto muito bom o seu.

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  5. sou jornalista e fico triste qndo vejo q esse tipo de notícia (q eu nao considero jornalismo) tá tomando conta. eu tava assistindo ao vivo a sonia abrao aquele dia e fiquei impressionado com a cara de pau dela. veja vc q hj já nao ha mais notícias sobre o caso isabella, joão hélio... a grande mídia perdeu interesse e o assunto deixou de ser notícia

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  6. Exatamente por isso que assisto ao jornal da Cultura. A notícia é dada de forma direta, e ainda somos presentiados com uma pitada de ironia do jornalista Herodoto Barbeiro.
    Sobre Sônia Abrão, acho que ela merecia um processo, ou até uma demissão. Claudete Troiano há um tempo foi demitida, porque a filha tinha sido presa, já a Sônia que fez esse papel ridículo, continua por aí com seus programinhas para Amélias.
    Ora, se ela se acha tão boa para negóciar com jovens babacas, deveria estar trabalhando na polícia, não?
    Mas, mais uma vez aperto a mesma tecla: a culpa é da sociedade! Se o povo não desse audência para essa babaquice, garanto que a televisão teria mais conteúdo.
    Esses tipos de jornalismos são ótimos para lançarem moda: uma hora a moda é atirar crianças pelas janelas; outra, é mater em cárcere privado a ex-namorada; e assim por diante...
    Parabéns! É esse o Brasil que o povo quer.

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  7. Acredito que o que vem acontecendo com o Jornalismo é parecido com o que está ocorrendo com a Literatura. Assim como na mídia é cada vez mais expressivo o sensacionalismo, na Literatura é cada vez maior o número dos chamados autores de Best-Sellers. O que se vê é o aumento do mercado popularesco, o que é muito triste, já que ao invés de se investir em notícias e culturas úteis, se perde com o trivial, que não adiciona nada aos indivídiuos. Seja com Sônia Abrão, na Televisão, ou com Paulo Coelho nos livros, o que se vê é uma forma de tentar alienar a população brasileira, que já é, e muito, alienada.

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  8. Tragédia é o que vende nesse país, quanto maior a tragédia maior a cobertura da mídia, deixando de lado assuntos que teriam de ser abordados cm mais relevância.
    quem nao se lembra do 1 mês de ' enfâse ' que deram pro caso isabella..

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  9. a palavra JORNALISMO, acho que ja fazem anos que se perdeu, o que temos hoje é puramente SENSACIONALISMO, o dia que as notícias divulgadas pela grande maioria das midias forem uteis realmente e não indutivas ai sim será jornalismo.
    _________
    http://www.tecnojogos.com.br

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  10. Ideias sensacionalistas é o que mais vende, o que mais se é procurado. Apesar de que, não deveria ser tanto assim, mas é.

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  11. Nos vemos numa situação difícil.
    Veja bem, provavelmente não teriamos o sensacionalismo na tv hoje se o público - em sua maioria - não fosse burro.
    O que não dá é as emisoras perderem audiencia.
    Quanto aos casos das trágedias com o João Hélio, Isabela e Eloah, creio que só no ultimo realmente aconteceu da midia atrapalhar.
    João Hélio - a entrevista dada ao Fantástico serve para as pessoas se tocarem que não dá mais pra aceitar nossa realidade. Serve até como arma e estimulo pra gente.
    Isabela - se a entrevista serviu na elaboração do inquérito, e eles são os reais culpados, qual foi o erro da Globo ao promover essa entrevista? Foi ali que ficou claro que eles eram dois maníacos.
    Eloah - Nesse caso, não concordei nem com a postura da Nayara e nem com a postura da Globo, que 'puxava' as respostas dela contra a polícia. Nesse caso, eles realemnte pecaram.

    Bom blog. Gostei muito!
    _______________________________
    Soletra pra Mim?
    www.soletrapramim.blogspot.com
    Obrigada!

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  12. Escrevi um post há dias abordando o mesmo caso do cara de São Paulo que sequestrou a ex-namorada... Assim como no caso dos Nardonis, houve uma exploração sensacionalsta assustadora...
    mas sabe o que me assusta? É porque, se tem quem vende, é porque tem quem compre. que público é esse que se alimenta disso?
    Isso é preocupante mesmo.
    Abs

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  13. Adoro seu blog...
    seus post são bem inteligentes... e me identifico com muito do que escreve auqi.
    já vim outras vezes.. e gostei tbm

    ;] bjs

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  14. Gostei do seu blog tbm.
    Mto interessante. Já vou te add lá na minha lista, pra sempre passar aqui.

    Sobre a Mallu... eu concordo com vc. Esse jeito dela de garota timida que mal sabe o que fazer, já deu. Enfim...

    E sobre seu post... Blah, o sensacionalismo não tem minha audiencia definitivamente. E na minha opiniao, a Globo vem aderindo a esse "estilo" desde a época em que o PCC tomou conta de SP.

    É isso... teh o prómimo

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  15. BAh muito bom, concordo plenamente com o texto, essa postura sensacionalista da mídia é deprimente!
    Muito bom! ^^

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  16. Estão apelando demais para a emoção, tragédia e talz e acaba ficando muito bizarro.
    Acho que o jornalismo sério está perdendo espaço mesmo.
    Parabéns pelo blog,
    bjoos :*

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  17. é... os humanos estão se mostrando abutres, se deliciando com a desgraça alheia. nada mais natural nesse contexto que a escalada deprimente do sensacionalismo...

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  18. CARA, POST MÓ INTELIGENTE VIU!!...CONCORDO PLENAMENTE AI QUANDO VC DISSE Q NO CASO DA ELOÁ A POLÍCIA FICOU RIDICULARISADA, SÓ SEI CARA, Q COM ISSO AS COISAS SÓ TENDEM A PIORAR, AO INVÉS DE LIGAR A TV E ASSISTIR UMA NOTICIA REALMENTE VERDADEIRA, NÓS ESTAMOS ASSISTINDO COISAS MUITO MAIS ALÉM DO NA VDD É! MUITAS MENTIRAS SABE, MUITAS INVRDADES. BOM ABRAÇÃO FLWS CARA..TUDO DE BOM AII!!^^

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  19. O jornalismo é, de certa forma, o retrato da sociedade. Infelizmente, retrato de uma sociedade sensacionalista e por vezes superficial.. O que se ve hoje é uma enorme comoção nacional que dura até o fim do jornal ou fim do intervalo da novela.. =/
    As pessoas acompanham os últimos acontecimentos como se fosse um folhetim, e assim como um folhetim.. terminou a notícia volta tudo ao normal..
    Deprimente!


    Até!
    =]

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  20. Sensacionalismo vende fácil, fácil, bom texto...
    Valeu pelo comentário no meu blog, agradecido mesmo =]
    um abraço e bom dia ae

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  21. Verdade. Mas acho que a maior culpada pela manipulação da mídia é a população. Como você bem afirmou, foi graças ao crescimento das emissoras com esse tipo de abordagem jornalística que a Globo, maior emissora do país, aderiu à essa prática.

    Ainda resta esperança, na época do sequestro da Eloá, segundo o blog Querido Leitor, da Rosana Hermann, o então advogado de Lindemberg entrou em contato com "Jornal do SBT", aquele, esquecido por todos, apresentado pelo Carlos Nascimento. E a resposta da emissora foi a de que não gostaria de fazer sensacionalismo com o assunto.

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  22. Verdade. Mas acho que a maior culpada pela manipulação da mídia é a população. Como você bem afirmou, foi graças ao crescimento das emissoras com esse tipo de abordagem jornalística que a Globo, maior emissora do país, aderiu à essa prática. ²

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