quarta-feira, 30 de julho de 2008

Na-nani-nani-na-não

Receber um “não” quase sempre é algo frustrante. As reações que essas três letrinhas geram são variadas.


Uma vez, a apresentadora de TV Xuxa Meneghel deu uma entrevista a um programa da Rede Globo promovendo a sua primeira gravidez. Nessa entrevista, ela foi questionada sobre qual seria a parte mais difícil na educação de sua filha. Ela disse “eu acho que dizer não”. Talvez essa não seja a parte mais difícil, mas que é muito complicada, ah... isso é!


Vamos pegar como exemplo uma típica criança mimada. Uma das coisas mais burras que os pais podem fazer é levar o seu filho junto deles para qualquer estabelecimento comercial, como supermercados, lojas de brinquedo e lanchonetes. A criança fica encantada ao ver vários doces e brinquedos e, seduzida por estratégias de marketing que ela não conhece, começa a importunar seus pais para comprarem o que ela deseja. Se o que ela quiser for baratinho, os pais até compram, mas se for vários deles ou demasiado caros, os pais se vêem obrigados a impor limites...


- “Marcelo Augusto, NÃO”!


O poder do “não” na criança culmina em revolta e logo aquela criança mimada começará a berrar como se estivesse sido incendiada, chamando imediatamente a atenção das pessoas ao redor. Os pais, já constrangidos e não dispostos a continuarem a ser alvo dos olhares dos curiosos, cedem a compram o que a criança quer. Falha dos pais! Primeiro por levarem consigo seus filhos e, segundo, por terem sido egoístas ao preferirem evitar o constrangimento pessoal ao invés de fazer o certo e impor certos limites.


Dizer “não” para uma criança birrenta é uma faca de dois gumes. Se você aceitar o que a criança exige, você não a educa, mas você se polpa de toda a sua birra; e se você disser “não”, você vai impondo respeito e limites, mas agüente a cólera da criança (alguns pais batem em seus filhos para silenciá-los algumas vezes).


Crianças e adolescentes tendem a receber um “não” de maneira negativa, tornando-se rebeldes e algumas vezes, agressivos. Para eles, ouvir um “não” é como se fosse um decreto seco e totalitário. É como se seus sonhos ou anseios tivessem sido considerados bobagens. Sua ira ou frustração serão dos mesmos níveis dos seus sonhos ou anseios. Se o que era desejado era considerado muito importante, a ira ou frustração será muito grande; se o desejo não for tão grande assim, a ira ou frustração desaparecerão rapidinho.


Uma boa maneira para lidar com as crianças é procurar compreendê-las. Os pais precisam compreender que são crianças que ainda não tiverem as mesmas experiências de vida que eles já tiveram no passado. É errado tratar uma criança como se ela fosse capaz de entender todas as regras do mundo adulto... o que é certo e o que é errado. Os pais precisam estar ali, dispostos a entender as razões de seus filhos e, quando forem dizer “não”, devem explicar para a criança os motivos da negação, explicando o porquê da recusa ser melhor para a criança.


Já os adultos recebem o “não” de uma forma mais madura – exceto aqueles que foram crianças mimadas e que assim permaneceram até a vida adulta. Quando um adulto recebe um não, ele procura argumentar o motivo da recusa. Se a resposta tiver sido convincente, ele aprenderá algo com esse “não”. Se ele acreditar que ainda vale a pena lutar por esses objetivos, ele procurará meios de alcançá-los. Mas caso tenha sido convencido que desistir tenha sido o melhor para ele, ele desistirá.


A maneira como você reage a um “não” diz muito sobre a sua personalidade. Você precisa ter a maturidade para entender o motivo do “não” e, caso o motivo da recusa tenha sido convincente ou não, você deve agir como adulto e evitar conflitos. Corra atrás dos seus objetivos se você acreditar que eles valem a pena. Desista se não valorem o esforço. E não encare um “não” como uma barreira, mas sim como uma oportunidade para que você cresça como pessoa, descobrindo o caminho correto para você chegar aonde você quer.