terça-feira, 30 de dezembro de 2008

PF - Retrospectiva 2008


O ano de 2008 mal começou a já está indo embora. Apesar de ter sido um ano “parado”, foi um de em grandes e radicais mudanças.


O ano que está chegado ao fim pode ser resumido em uma frase criada por mim para o MSN que durou algumas semanas: “Getting, missing and refusing”.


- “Getting” (conquistando), pode se resumir ao desconto de 40% para estudar na Aliança Francesa, a desinteressante “promoção” oferecida pelo gerente do Imperatriz para trabalhar no açougue e o meu investimento para crescer profissionalmente através do curso de Secretariado e a inscrição no vestibular da UFSC.


- “Missing” (sentindo falta), refere-se às decisões que eu tive que tomar visando alguma melhoria na minha vida. Eu poderia resumir meu ano no “missing”. O clima no trabalho piorou assombrosamente e aquela união que se via nos tempos do paredão do Julio não existia mais. Várias pessoas foram embora: Vanderlei, Felipe, Julio, eu... O que se via era um contra o outro e eu inclusive, parei de falar com pessoas que eu conversava bastante. Também senti falta de paz e tempo livre para eu poder me divertir.


- “Refusing” (recusando), refere-se a recusas como trabalhar no açougue, desistir da Aliança Francesa e do vestibular. Eram coisas que estavam me deixando angustiado por eu não me sentir capaz de levar adiante.


Janeiro

- Em pleno verão, uma dor de garganta me deixa de cama.

- O último dia do mês se destaca pela enchente que inundou vários bairros da Palhoça, invadindo o Imperatriz enquanto estávamos trabalhando. Pela manhã, tivemos que salvar as mercadorias que podíamos e de tarde, tivemos que depender do socorro prestado pelo louco motorista do Imperatriz de Barreiros.


Fevereiro

- O Cristiano, que estava cobrindo as férias da Eliane como Chefe de Loja, desaparece por alguns dias. Durante esses dias, um cara procurava por ele reclamando “Esse cara está me enrolando”. Estaria o Cristiano envolvido com o crime (des)organizado?

- No dia 06, o Julio pega férias e eu assumo o posto de “Chefe de Frios”. Pela primeira vez em meses de Imperatriz, me senti valorizado na empresa.

- No mesmo dia, eu e o Cristiano fomos fazer uma entrevista para tentar o cargo de auxiliar administrativo em um dos setores da empresa. Eu sou um dos 3 que passaram para a entrevista final. O Cristiano não passa e fica puto, achando que foi vítima de um complô.

- Faço a entrevista no dia 11 com o chefe do setor de manutenção, mas a entrevista fica muito vaga e eu saio de lá meio desconfiado.

- Fui enrolado o mês inteiro pela psicóloga da empresa, que nunca estava disponível para me dar uma posição no resultado final da entrevista para o setor de auxiliar administrativo.

- No dia 29, a Aliança Francesa me avisa que eu ganhei 40% de desconto para estudar com eles.


Março

- O Igor, que nem tinha se inscrito para tentar a vaga de auxiliar administrativo no setor de manutenção, fica com a vaga. Foi a primeira grande rasteira que eu levo no Imperatriz.

- Começam as aulas na Aliança Francesa.

- Faço 22 anos e o blog “O Cão Ocidental”, 2.


Abril

- No dia 02, a gerente-interina, Roseli Heinz, volta ao posto de subgerente se recusar a receber um salário de gerente abaixo da média da rede. Em seu lugar, assume Jaisson Vaz, a personificação da ignorância e arrogância que chegou ao posto de gerente.

- Devido ao fato de estar me consumindo muito tempo e dinheiro, desisto da Aliança Francesa por não ter um feedback do meu desempenho, o que me deixou angustiado.

- O Jaisson demonstra pela primeira vez o tipo de pessoa que é: a que projeta os seus erros nos outros. Devido a um erro de comunicação, eu e o Cristiano faltamos um dia de trabalho (24/04, feriado de Palhoça), tendo sido descontado da nossa folha de pagamento os famosos “dois dias”. Nosso protesto não adiantou de nada.


Maio

- A frase de status do Orkut “Não adiciono gente feia” causa rebuliço e gera críticas a minha pessoa, tendo sido eu taxado de “narcisista”.

- Eu, Cristiano e Person decidimos morar juntos devido aos perrengues vividos por nós em nossas casas, porém devido ao alto valor dos aluguéis, acabamos desistindo.

- Mais uma “Mentira Interna” no Imperatriz para o cargo de auxiliar administrativo no setor financeiro, vencido pela Maristela (que se inscreveu de verdade), mas acabou desistindo da vaga e retornando ao posto de operadora de caixa.

- Fico tão viciado em “The Corrs” que decido comprar uma tin whistle.


Junho

- Um mês sem muitos destaques, além de eu ter organizado a “EuroFlower” inspirado na Eurocopa, e de ter começado a acompanhar a novela “A Favorita”.


Julho

- Na época em que eu começo a ouvir mais A-ha, uma banda de rock norueguesa que fez muito sucesso nos anos 1980, no dia 17 fez 1 ano que comecei a conversar com a Estela, ao som de muitas músicas oitentistas.

- A campanha de aniversário do Imperatriz começa no dia 31. A partir daí, o clima só ficaria cada vez mais pesado na loja.


Agosto

- Minha irmã Luciana (nascida em 1980) anuncia a sua gravidez.

- Começam as Olimpíadas de Pequim e o Brasil não vai tão bem. Devido às críticas do jornal “Hora de Santa Catarina” ao seu desempenho, decido escrever para eles protestando e, incrivelmente, meu e-mail é publicado.

- Fico viciado no som das “Twelve Girls Band”.

- Completo 3 anos no Imperatriz e, devido ao fato de não terem oferecido sequer a opção de mudar de setor, começo a protestar colocando várias carinhas vermelhas seguidas.

- Compro uma bicicleta no Magazine Luiza e ela só me traz azar: a bicicleta não veio montada, depois recolhem a bicicleta para montar e engraxar, mas não me mandam engraxada (descobri isso quando a corrente arrebentou) queimo o vendedor do Magazine para o gerente dele, o cadeado que comprei para a bicicleta arrebenta também, os freios se soltam, os pneus murcham, entre outros...


Setembro

- Durante a maré de azar, o meu PC estraga e precisa ser formatado. Após a formatação, ele se torna mais lento e, uma vez ou outra, dá problemas como desligar sozinho ou ficar com o relógio desregulado.

- No Imperatriz, o Felipe, funcionário eficiente e proativo, se cansa de ser enrolado pela administração geral da empresa e dos sucessivos Sapps do Jaisson, pedindo demissão.


Outubro

- Após meses desfalcados no açougue, o Jaisson me “promove” oferecendo a vaga de açougueiro, mas concluo que não vale a pena e recuso.

- Inscrevo-me para o vestibular de verão da UFSC e, para me preparar bem, me matriculo em um curso pré-vestibular. Para isso, programo as minhas férias para novembro.

- Começa o curso de secretariado depois de mais um mês de atraso.

- O Seu Lino, cuja sala comercial alugada pelo Imperatriz é dele, ameaça botar todo mundo no olho da rua caso a empresa não queira arcar com um aluguel mais caro.

- O Julio fica de licença-paternidade por alguns dias, aconselhando que ninguém compre nada sem necessidade enquanto ele estivesse fora.

- Começa a chover com freqüência.


Novembro

- O clima pesado no Imperatriz chega ao ápice desde que eu trabalho lá. Devido a intromissão do Jaisson nas compras desnecessárias de patê, Julio e Jaisson batem boca na frente de fornecedores e outras chefias. Também puto por ter sido expulso da CIPA pelo Jaisson (que disse que não havia expulsado ninguém), eu e o Julio protestamos juntos contra os erros absurdos do pseudo-gerente.

- Pego férias dia 10 e começam as minhas aulas no curso pré-vestibular. Não entendo praticamente nada em matemática, física, biologia... e então decido desistir.

- Senti muita falta do Imperatriz no período de férias, como se eu sentisse que as coisas mudariam para sempre a partir daí.

- Choveu o mês inteiro, causando enchentes no Vale do Itajaí. Aqui em Palhoça, ficamos sem água durante períodos do dia por quase uma semana devido a um imenso cano que arrebentou, prejudicando inúmeros bairros de Palhoça, São José e Florianópolis.

- O blog “O Cão Ocidental” teve o seu 100º post publicado.


Dezembro

- Ao retornar das férias, descubro que o Julio foi demitido e que a vaga de chefe de frios ficou com o Person. O Person também ficou com a minha vaga na CIPA, confirmando a minha expulsão. Dois novos repositores foram contratados. Demitiriam alguém ou apenas ampliaram o quadro?

- No dia seguinte, 11, o Jaisson me chama na salinha junto com a Eliane. Iria me promover a chefe de frios e informar que o Person estava de quebra-galhos? Que nada! “Peterson, a empresa está passando por uma reformulação e a gente quer te informar que o colaborador Peterson está sendo dispensado a partir de hoje”. Resumindo: cansado de tomar a verdade na cara, o gerente me demitiu e não foi homem o suficiente para deixar de ser falso e explicar os motivos. “São razões da empresa”.

- Ao retornar ao Imperatriz dias depois, percebo um clima de “cada um na sua”. O repositor que ficou no meu lugar pediu demissão. Apesar de ter ficado chateado com a demissão, é como se eu tirasse um peso das costas, deixando todo aquele clima pesado que eu sentia desde abril para trás.

- Sou chamado para uma entrevista para a vaga de auxiliar administrativo no Supermercado Angeloni de Capoeiras. Como eu não tinha levado a carteira de trabalho e um currículo, a entrevista é adiada para 05/01. Supermercado de novo? NÃOOOOOO!



Para mim, 2009 tende a ser um ano de mudanças. Um ano de fazer o que eu realmente quero fazer da vida, trabalhando com o que eu gosto. Espero que os sacrifícios que eu fiz em 2008 se revertam em algo melhor e mais produtivo nesse que começa nessa quinta-feira.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Recém-casados, recém-separados


Por que os casamentos não duram mais nos dias de hoje? Será que as pessoas estão preparadas e dispostas a enfrentar os problemas causados durante o matrimônio?


O casamento é o maior vínculo afetivo que duas pessoas podem ter. Em muitas religiões, o casamento é sagrado. É uma forma de dar visibilidade à sua relação afetiva, buscar estabilidade econômica e social, formar família, procriar e educar seus filhos, legitimar o relacionamento sexual ou obter direitos como nacionalidade. O casamento é algo muito intenso, que pode levar as pessoas do céu ao inferno.


Uma pesquisa do IBGE, divulgada na semana passada, apontou um aumento no número de casamentos no Brasil, mas também apontou o aumento no número de divórcios. Existem vários motivos que podem levar as pessoas a se separarem, mas eu acredito que a maioria das pessoas que se casam, em especial as mais pobres, fazem isso por impulso, ser ter a certeza absoluta de que elas estão preparadas para se casarem.


O maior motivo para duas pessoas pobres se casarem é a gravidez não planejada. O problema não é a falta de informação ao uso do preservativo, mas sim a preguiça de usá-lo; não usando-o, as mulheres têm uma chance muito maior de engravidarem. Uma gravidez não planejada já serve de motivo para as pessoas se casarem, pois os pais mais sérios vão querer estar próximos de seus filhos. Então eles se juntam (de certa forma, se casam sem precisar de uma cerimônia) para atingirem uma estabilidade econômica.


Não é muito incomum as pessoas se casarem com o parceiro que tem a partir de determinada idade. Você quase não vê aquele namoro de adolescente, iniciado aos 14 anos terminar em casamento com muita freqüência, certo? Porém, aqueles namoros que ocorrem entre pessoas na casa dos 20 e que já duram alguns anos, estão mais propensos a terminar em casamento. Isso não se deve somente ao fato de que o namoro na casa dos 20 é mais sério do que o namoro de adolescentes. A pressão da família, dos amigos e de si mesmos, de certa forma “obriga” as pessoas a se casarem. Não é todo mundo que pretende se casar aos 30 ou 40 anos, pois acreditam que com essa idade já estarão “velhos demais” para casar, alem disso, não é todo mundo que quer ficar para titio ou titia.


Mas uma coisa é certa: ninguém se casa se não amar o cônjuge (exceto em casos do golpe da barriga ou do baú). Porém, para uma pessoa se casar, ela tem que ter certeza de que ela ama de verdade o parceiro a ponto de querer isso. Muitas pessoas se casam por impulso, pois acham que seu parceiro atual é o “amor da sua vida”. Vários casamentos terminam quando existe uma traição, ou seja, quem quiser se casar tem que ter em mente de que ela quer somente o mesmo parceiro e ninguém mais. Se você está não disposto a comer o mesmo arroz com feijão todo o dia e gostar de pular a cerca de vez em quando, então nem case.


Casamento é uma coisa muito séria para ser feita por impulso. Filho é uma coisa ainda mais séria, então não o faça se não estiver pronto para casar. As pessoas só deveriam se casar quando tivessem certeza de que é isso que elas querem para a sua vida, que elas têm condições financeiras de manter uma família, casa e problemas, e que o amor que sentem um pelo outro é forte o bastante para resistir as tentações e a uma eventual crise causada por esfriada no clima, sem a pressão da “idade ideal para o casamento”.


O fim de um casamento mal planejado só traz dor de cabeça. Seu ex quase sempre vira seu inimigo. Os filhos saem perdendo um pai ou uma mãe presentes. Os problemas econômicos pioram quando um deles se vê obrigado a se mudar e a arcar com uma casa nova, contas novas e dívidas novas. Quando você toma a decisão de se casar em uma hora errada, você se compromete a perder dinheiro duas vezes: uma com o casamento e a outra com a separação.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Escravos do dinheiro do papai


Os pais mais bem remunerados fazem certo em dar aos seus filhos tudo do bom e do melhor? Quais podem ser as conseqüências disso?

Há séculos, a sociedade sempre foi dividida entre ricos e pobres, onde ambos não costumam se misturar. A visão estereotipada que os ricos têm dos pobres é a de que eles são ladrões, oportunistas, ignorantes e desocupados. Os pobres costumam se sentir humilhados perto de gente rica e os vem pelo estereótipo de arrogantes e esnobes. Existe um abismo enorme entre eles. Os ricos conseguem as coisas com mais facilidades enquanto os pobres precisam se matar para conseguirem o querem. Em situações como essas, os pobres podem se destacar mais do que os ricos.

Todo o pai de família descente trabalha duro para dar a sua família condições de vida melhores. Alguns deles começam lá de baixo, em cargos pequenos mas, com o passar dos anos, eles vão progredindo às custas do seu esforço, obtendo cargos maiores e mais bem remunerados. Alguns deles conseguem atingir um padrão de vida tão bom que o dinheiro passa a não ser um problema como antes. Boa parte deles, quando têm filhos, prometem a si mesmos: eu vou dar ao meu filho tudo o que eu não tive na minha juventude. Esse tipo de atitude, ao invés de ajudar aos jovens, pode acabar por prejudicá-los.

O grande problema de os pais ricos mimarem os seus filhos e lhe proporcionarem tudo do bom e do melhor, é que isso faz com que eles não aprendam a dar valor a essas coisas. Existem muitos estudantes pobres que tem gosto pelo conhecimento e que gostariam de estudar em uma escola particular, pois as mazelas da escola pública atrapalham nos seus estudos. Enquanto isso, tem alunos de escola particular que recebem ensino de qualidade, mas que mesmo assim, preferem fazer algazarra em sala de aula e alguns acabam sendo reprovados.

Jovens ricos não precisam trabalhar para conseguir dinheiro. Eles recebem uma mesada. Por culpa disso, acabam esbanjando muito dinheiro com futilidades. Já os pobres precisam dar um jeito de conseguir dinheiro para conseguirem o que querem. Até mesmo se ele optar por roubar, ele vai aprender a dar valor ao que ele quer, pois corre o risco de ser preso ou sofrer algum tipo de vingança.

Para freqüentar uma universidade, a maioria dos pobres precisa estudar e trabalhar ao mesmo tempo para poder arcar com os gastos de transporte, livros e, dependendo da faculdade, com as mensalidades. Já o rico tem o famoso “paitrocínio”. Ele pode morar perto da faculdade e arcar com os gastos de morar longe dos pais sem muitos problemas para não se preocupar com o transporte.

Jovens pobres dão muito mais valor a cargos importantes dentro de uma empresa, pois eles precisam começar de baixo. Já os jovens ricos e diplomados começam em cargos importantes, ganhando um bom salário e não precisam se preocupar tanto com o trabalho. Se ele fracassar, ainda tem o dinheiro dos pais para bancá-lo e, além disso, conseguir outro emprego não é difícil tendo um diploma nas mãos.

Os pais que oferecem aos filhos tudo o que não tiveram em sua juventude, podem acabar estragá-los. Isso pode torná-los arrogantes e irresponsáveis. Tudo isso, priva os filhos de eles darem valor as coisas que seus pais conquistaram e deram a eles, priva-os de se sentirem capazes de conquistarem as coisas sozinhos, de serem mais independentes, mais úteis, mais responsáveis. Já os pobres sabem dar um valor maior a essas coisas, pois seus pais não puderam lhe proporcionar a vida que eles gostariam que seus filhos tivessem tido.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O governo e a educação pública

Como está a educação pública no Brasil? Quais são os reais interesses do políticos quando interferem na educação?


A política de cotas está se tornando cada vez mais comum em várias universidades públicas do Brasil. Além de cotas para negros e indígenas, criou-se também uma cota para estudantes oriundos de escola pública. Será que a educação pública no Brasil está tão mal que os alunos que estudaram nelas precisam de cotas para passar? Será uma medida paliativa do governo para agradar a esses estudantes? Ou será que a queda da qualidade nas universidades é interessante ao governo?


Existem escolas públicas boas no Brasil, cuja qualidade de educação é igual ou superior a de escolas particulares? Sim, existe, mas são raras. A grande maioria das escolas públicas do Brasil têm uma qualidade de educação muito inferior se comparada a de escolas particulares. Os estudantes de escola pública sentem isso, principalmente quando passam a estudar em uma escola particular seja por muito ou pouco tempo.


As escolas públicas sofrem nas mãos do governo. Os professores são os que mais sentem isso. Por várias vezes, eu ouvi meus professores comentando sobre os seus salários baixos e que tinham de dar aulas pela manhã, tarde e noite para conseguirem um salário melhor. Por várias vezes, eu não tive aula devido as constantes paralisações dos professores e em alguns anos, houve greves. Por várias vezes eu não tive aula porque não havia professor para determinada disciplina. Por várias vezes, eu fui para a casa com dúvidas porque nem mesmo os professores entendiam o que estavam explicando. Na educação pública do Brasil, os alunos pagam o pato pela má remuneração e falta de qualificação dos professores.


Além dos problemas relacionados aos professores, os alunos são prejudicados pelas constantes interferências do governo nos métodos de avaliação. Na gestão Amin, a educação só piorou. Em 2001, o ano letivo foi dividido em 3 trimestres e as notas iam de 1 a 3 (1º e 3º trimestre) e 1 a 4 (2º trimestre). O aluno que somasse 7 pontos estaria aprovado. No ano seguinte, o Ensino Médio foi divido em 6 fases (semestres). Havia 3 avaliações por semestre, e os alunos que tirassem média 7,0 (agora com notas de zero a dez) estariam passados. Vários alunos que tiraram nota baixa na primeira avaliação e que não obtiveram êxito na segunda estavam virtualmente reprovados. Por culpa disso, o número de desistências aumentou bastante.


O governo estadual interferiu novamente nos métodos de avaliação, implantando a recuperação paralela. Os alunos que haviam tirado uma nota baixa em uma prova tinham direito de fazer uma recuperação da mesma na aula seguinte. Quem tivesse obtido uma nota alta tinha o direito de optar entre fazer a mesma prova para tentar melhorar a nota ou ser dispensado da aula.


Agora o governo está implantando cotas para estudantes oriundos de escola pública. Qual o interesse deles nisso?


Existe muito interesse atrás disso. Para o governo, é interessante que o número de aprovações aumente, nem que isto signifique a queda na qualidade de ensino. É uma forma de marketing pessoal a ser usada em suas campanhas políticas: “no meu governo, o número de aprovações aumentou consideravelmente”. A política de cotas pode criar uma imagem positiva do político na mente do cotista aprovado. “Graças ao deputado Fulando de Tal, eu realizei o meu sonho de entrar na universidade”.


Além dessa imagem positiva que o governo acaba tendo, é interessante ao governo que a população não seja muito instruída. Pessoas com pouca educação são facilmente manipuláveis. Será que aqueles que elegeram o Collor como senador de Alagoas por 8 anos eram pessoas cultas e estudadas? É claro que não. Ele conquistou o voto de muita gente pobre e de pouca gente rica que, na verdade, seria economicamente beneficiada pela sua vitória. Uma população bem instruída é um perigo para qualquer governo onde a haja corrupção e injustiça.


Em países desenvolvidos, onde a educação é levada a sério, a corrupção é muito menor e candidatos vagabundos, que são incrivelmente reeleitos no Brasil, não teriam uma segunda chance.


A educação pública no Brasil é tão inferior a particular que muitos alunos nem se arriscam a prestar um vestibular, pois muitos não se sentem capazes de serem aprovados. Uma boa parte dos que decidem fazer uma faculdade preferem uma faculdade paga, onde o ingresso é facilitado. Como boa parte dos estudantes das universidades federais mais prestigiadas do Brasil vieram de escolas particulares, o governo implementou as cotas para agradar aos estudantes de escolas públicas. Uma medida paliativa, onde o correto seria melhorar a educação pública, mas para o governo, isso pode ser perigoso.


Enquanto a educação pública continuar a mercê de políticos que não entendem de educação, continuaremos a ter uma sociedade ignorante e manipulável, formada por gente fútil e desonesta, que não dará a devida importância à política, educação e os nossos inúmeros problemas sociais.



Para quem não sabe, este foi o 100º post de “O Cão Ocidental”. Eu gostaria de agradecer a todo o pessoal que leu, comentou e opinou. Agradeço também ao pessoal que me ajudou ao participar de algumas postagens, e especialmente ao pessoal que lê este blog há bastante tempo. Se não fosse por isso, eu provavelmente não estaria mais postando durante esse período de 2 anos e 8 meses.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Os urubus da tragédia de SC

Será que a ajuda do governo Lula vai ajudar mesmo os atingidos pela enchente em Santa Catarina? Será que os supermercados são solidários de verdade? Para alguns, essa pode ser uma boa hora para tirar vantagem.


O estado de Santa Catarina tem sofrido com o excesso de chuvas que ocorrem desde meados de setembro. Elas causaram enchentes e deslizamento de terras que destruíram rodovias estaduais e federais, mataram 97 pessoas e deixaram 27.404 famílias desabrigadas e 51.252 desalojados (fonte). Enquanto muitas pessoas se mobilizam em um sentimento de solidariedade, algumas pessoas se aproveitam disto para lucrar e aparecer.


O principal motivo dessa tragédia ter acontecido foram as chuvas. Choveu a quantidade esperada para o mês todo em menos de dois dias, ou seja, não seria muito justo ficar procurando culpados. Porém, essa tragédia poderia ter sido bem menor se o urbanismo no Brasil fosse tratado com mais seriedade.


Os deslizamentos de terra teriam causado muito menos prejuízos se não houvesse tantas residências próximas às encostas. A grande maioria das pessoas que moravam próximas a essas áreas eram pessoas mais humildes e que não tiveram opção de onde morar. O governo, que deveria ter procurado soluções para o problema da falta de habitação, liberou essas áreas para serem habitadas mesmo assim, embora cientes do risco de deslizamentos.


Na quarta-feira, 27 de novembro, o presidente Lula esteve em Santa Catarina sobrevoando as áreas atingidas e liberou mais de 1 bilhão de reais ao estado, além de estudar a liberação do FGTS das vítimas. Não vamos nos iludir pensando que isso é muita coisa. Vamos analisar: primeiro, o FGTS é um dinheiro do próprio trabalhador e não nenhuma doação do governo e, segundo, grande parte desse 1 bilhão vai ser usado na reconstrução de rodovias, postos de saúde, escolas, etc. e dele não vai sobrar muita coisa para a reconstrução das casas e para a compra da mobília destruída. Mesmo que os cidadãos paguem todos os seus caríssimos impostos, eles terão que arcar quase sozinhos com os prejuízos causados pelas chuvas. Se a casa do governador tivesse sido atingida, o dinheiro para a sua reconstrução sairia do bolso dele ou dos cofres públicos?


Não é somente o governo que se está se aproveitando desta tragédia. O comércio também está se aproveitando do caos para lucrar. Aqui em Palhoça, onde há uma imensa fila de caminhões causada pela interdição da BR-101 devido a um deslizamento de terra, os postos de gasolina e o comércio local aumentaram abusivamente o preço se seus serviços visando lucrar com os caminhoneiros parados na rodovia. Por exemplo, o preço do almoço de R$ 6,00 dobrou para R$ 12,00 e o preço o banho está custando por volta de R$ 4,00, além de outros aumentos.


Os supermercados também estão de olho nos lucros que essa tragédia dará, tanto que em praticamente todos eles, funciona como um posto de coleta de mantimentos. A pessoa que quiser ajudar compra tudo no supermercado onde está e faz as suas doações nele mesmo. A propaganda na TV anunciando o pesar é balela, eles querem mesmo é lucrar com a venda das doações.


Desesperados pela falta de comida, várias pessoas saquearam os supermercados dos municípios atingidos juntando inclusive, alimentos que haviam caído na água. Enquanto alguns saqueavam produtos de primeira necessidade, outros aproveitaram para saquear cerveja. Ainda falando em malandros, foi noticiado na TV que alguns estão desviando as doações e outros solicitando depósito em sua conta bancária.


É em momentos como que podemos perceber quem são aqueles cidadãos de bem preocupados em ajudar e quem são os urubus que se estão mais interessados em aparecer e lucrar com a tragédia.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O preço da liberdade

Qualquer um está apto a ser totalmente livre? Quais são os preços da liberdade?


De acordo com o dicionário Aurélio, liberdade é a “faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação”. Liberdade é independência. Ou seja, é ser independente para pode fazer o que você quiser. Por causa disto, a liberdade absoluta não existe, pois você não pode sair por aí fazendo tudo o que quer, não é mesmo? Para ser livre em algo, muitas vezes você vai precisar abrir mão de alguma coisa.


Nossa sociedade tem limites, tem regras, tem leis. Qualquer um é livre para tornar-se um assassino, por exemplo. Mas é claro que se você quiser ter a liberdade de sair por aí matando, seja por prazer ou para ser entrevistado ao vivo em um programa de fofocas, você vai abrir mão da sua liberdade de ir e vir. A justiça vai lhe julgar e lhe condenar por homicídio e então você vai perder o seu direito de ir e vir, já que você será preso e, teoricamente, deverá ficar apodrecendo dentro da cadeia por anos.


Nem mesmo para os chamados “homens livres”, o direito de ir e vir vale para eles. Se você, brasileiro, quiser morar e trabalhar na Europa ou nos Estados Unidos, por exemplo, você deverá seguir uma série de exigências para que você possa fazê-lo, pois eles têm uma política de controle da imigração. Os estrangeiros, principalmente os vindos de países subdesenvolvidos, não são muito bem-vindos por lá, pois por servirem como mão-de-obra barata muitas vezes, são vistos como uma ameaça pelos nativos, como alguém que lhes rouba os seus empregos.


As pessoas também não são livres para conseguirem um lugar no mercado de trabalho sem que precisem abrir mão de algo. Pessoas muito tatuadas, que usam piercing, dreadlocks, barba e cabelos compridos (no caso dos homens) estão menos aptas a conseguirem um emprego em relação a alguém que não faz o uso deles, principalmente se for para trabalhar diretamente com clientes. Há preconceito com essas pessoas? Há, sem dúvidas. A sua aparência não é considerada “agradável” aos olhos da sociedade, e este poderá criar uma imagem negativa da empresa onde trabalham e poderão evitar comprar com eles. Cientes disso, muitos chefes evitam contratar pessoas com essa imagem, afinal ninguém gosta de perder clientes (dinheiro).


Muitos homossexuais “no armário” sofrem com a falta de liberdade de poderem ser eles mesmos e terem que viver uma vida paralela. Muitos são escravos dos seus próprios segredos e desejos, tendo que medir as palavras, vigiar suas as suas atitudes para não gerar a desconfiança de que sua homossexualidade possa vir a ser descoberta. Quando ele decide revelar a sua homossexualidade para as pessoas mais próximas, ele abre mão da sua imagem heterossexual, podendo vir a ser vítima de preconceito.


Muitos imigrantes se mudaram de sua terra natal ansiando por liberdade. Eles queriam se libertar da pobreza e de doenças, principalmente. Viam na terra nova uma oportunidade de serem livres para reconstruírem as suas vidas sem aqueles problemas.


Muitas guerras foram e ainda são travadas tendo a liberdade como objetivo. Mesmo conquistando a independência política, seria difícil para muitos países terem a liberdade de não precisar depender da economia dos outros. Poucos países são auto-suficientes em alimentos, e os que são seriam dependentes de tecnologia, etc.


O homem não tem a liberdade para viver fora da Terra. Nenhum outro planeta fornece condições de vida ideais e a terraformação, que consiste em um processo de transformações em um planeta ou na Lua para que seja viável a colonização humana, nunca foi testada, além de ser caríssima.


A liberdade absoluta não é possível, pois teremos sempre que abrir mal de alguma coisa para conquistar outra, mas são os vários tipos de liberdade que fazem as pessoas lutarem por seus objetivos. Sabendo que a liberdade absoluta é inviável, o que podemos fazer é aprender a conviver com essas limitações para que possamos viver em paz.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O sensacionalismo vende mais

O jornalismo sério está perdendo espaço no Brasil? A mídia é capaz de atrapalhar a polícia? Por que o sensacionalismo tem cada vez mais espaço no Brasil?


Nos últimos anos, a mídia brasileira tem noticiado crimes cada vez mais cruéis com maior freqüência. Esses crimes deram tanta audiência na mídia e venderam tantas revistas e jornais que eles foram exaustivamente noticiados. Alguns programas de TV usaram desta tragédia para ganhar audiência. Onde termina o jornalismo sério e começa o sensacionalismo?


A partir dos anos 1990, uma nova e infeliz forma de fazer jornalismo começou a ser popularizada no Brasil: o jornalismo sensacionalista. De acordo com a Wikipédia, sensacionalismo pode ser definido como: “o nome dado a um tipo de postura editorial adotada regular ou esporadicamente por determinados meios de comunicação, que se caracteriza pelo exagero, pelo apelo emotivo e pelo uso de imagens fortes na cobertura de um fato jornalístico. Exagero de tal fato exibido com muitas cenas emotivas e de certa forma generalizando o tema exibido.”


O jornalismo sensacionalista também é caracterizado pela bizarrice. Na década passada, a mídia abriu espaço para casos como o do chupa-cabras, do ET de Varginha e o da menina libanesa que, supostamente, chorava cristais. Como se não bastasse, também abriu espaço para programas que abordam o “mundo cão” na cidade de São Paulo, programas que abordavam um caso bizarro, cujo apresentador ficava empurrando o desfecho deste com a barriga por uma semana inteira, e outros com pancadaria entre os convidados.


A Rede Globo, odiada por muitos que a taxam de “manipuladora”, pouco a pouco vem aderindo a essa forma de se fazer jornalismo. Talvez ela tenha se sentido ameaçada pelas emissoras rivais que conseguem bons índices de audiência apelando para o sensacionalismo e resolveu o aderir para não ficar atrás na audiência.


Desde o caso do menino João Hélio, que morreu sendo arrastado por sete quilômetros pelas ruas do Rio de Janeiro, preso pelo cinto de segurança do lado de fora do carro, a Globo começou a praticar o jornalismo sensacionalista, conseguindo fazer reportagens com os pais do menino e apelando para o lado emocional. Ela também o fez em uma cena da novela “Páginas da Vida”, onde um grupo de freiras lia a notícia no jornal “O Globo” que lamentaram e oraram.


O caso Isabela, a menina que foi jogada pelo pai e a madrasta do 6º andar do prédio onde morava, também foi exaustivamente abordado pela mídia. A Globo saiu da frente e conseguiu uma entrevista exclusiva para o “Fantástico” com os acusados. Reportagem que, inclusive, foi usada no inquérito policial, causando inveja em suas concorrentes que foram as pioneiras no jornalismo sensacionalista.


O caso mais recente de que o jornalismo sensacionalista pode atrapalhar a polícia foi o caso do seqüestro de Santo André, onde um rapaz manteve a ex-namorada e a amiga dela presas em cárcere privado por mais de cem horas. Cenas do seqüestro foram transmitidas ao vivo e vários apresentadores de televisão transformaram o caso em um verdadeiro “espetáculo”. Uma apresentadora de um famoso programa de culinária (que, diga-se de passagem, de culinária não tem mais nada) pedia para que o seqüestrador se rendesse, como se ela fosse capaz de amolecer o coração dele, coisa que ninguém conseguiu.


O “espetáculo” em si começou quando alguns jornalistas conseguiram entrevistas com o seqüestrador e a vítima sendo que até uma famosa apresentadora de um programa de fofocas conseguiu isso, chegando a bloquear a linha telefônica que era usada para contato com os negociadores.


O desfecho do crime foi um fracasso, culminando na morte da menina Eloá. A polícia foi simplesmente ridicularizada em cadeia nacional. Mais absurdo do que isso foi que uma das vítimas, Nayara Rodrigues, amiga da falecida Eloá, virou uma celebridade mirim, como se ela não tivesse sofrido trauma algum, com direito a uma visita ao Projac, sendo consolada pelos “artistas na arte de ser cara de pau” da Rede Globo, e em comunidades no Orkut.


O jornalismo sério está perdendo espaço no Brasil e quem o faz corre o risco de passar fome. Talvez pelo fato de o jornalismo ser um curso muito concorrido em várias universidades do Brasil, alguns tenham que apelar para o sensacionalismo para sobreviverem no mercado de trabalho. A população está mais interessada no sensacionalismo, na emoção da tragédia. O sensacionalismo vende mais e se é isso que o povo quer, a mídia há de dar. Afinal, vivemos em um mundo capitalista onde muitas vezes os fins justificam os meios.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A mudança da qual nós precisamos


Quais são as diferenças entre as eleições presidenciais dos EUA e do Brasil? Por que eles dão muito mais importância ao seu presidente do que nós ao nosso?


O novo presidente da maior potência militar e econômica do mundo, os Estados Unidos da América foi eleito hoje, dia 05 de novembro de 2008. Seu nome é Barack Obama, que entrará para a história como o primeiro presidente negro a chegar a Casa Branca. Mas este post não será sobre o resultado das eleições, mas sim sobre a importância que ela tem para o povo dos Estados Unidos e para a sociedade internacional.


Sempre que assistimos a um filme estadunidense, é muito comum vermos a sua bandeira nacional. De maneira geral, o povo dos Estados Unidos é extremamente patriota. Alguns amam os EUA cegamente, outros dizem odiar, mas quando se odeia algo ou alguém, é porque você gosta dela, mas gostaria que esta fosse diferente do que é. É raro encontrar alguém que seja indiferente, que nem ame e nem odeie os EUA.


A importância das eleições presidenciais dos EUA ultrapassa as suas fronteiras. Quando Barack Obama foi declarado o presidente eleito, sua vitória não foi comemorada apenas nos EUA, mas também na Europa, África e em outros continentes. O mundo demonstrou estar esgotado da política de guerras da Era Bush e da crise econômica mundial que vem ocorrendo neste final da sua gestão. Além disso, seu opositor foi John McCain, que defendia a política de guerras de George W. Bush.


O povo dos EUA dá a devida importância à política. O cargo de presidente dos Estados Unidos da América é muito valorizado pela população, não somente por sua importância de líder da maior potência econômica e militar do mundo, mas como também por sua importância na história do país. Quando o presidente faz um pronunciamento, as pessoas comparecem em massa, assim como nos comícios dos candidatos à presidência do país. Algumas chegam a chorar de emoção. A população valoriza as eleições e não se importa de ficar quatro horas aguardando numa fila (afinal, o voto não é obrigatório) para votar, pois eles têm consciência do valor do seu voto e da democracia.


Descendo a Linha do Equador, no Brasil, vemos um enorme contraste da cultura do povo com a política entre o povo do Brasil em relação ao povo dos EUA.


Os brasileiros não são patriotas. E não é de se estranhar afinal, não temos tido muitos motivos plausíveis para ser. O brasileiro costuma ser patriota em época de Copa do Mundo, pois o Brasil faz parte da elite do futebol internacional, mas isso não é ser patriota de verdade: isso é ser imbecil. Se o brasileiro fosse patriota, talvez ele não precisasse ser tão dependente da mídia para se importar com a política. Aliás, acho que se a mídia não tivesse impulsionado o impeachment de Fernando Collor, quem sabe ele não tivesse permanecido no cargo de presidente do Brasil até o fim.


O Brasil possui certa notoriedade no cenário mundial, é verdade. Está entre as nove maiores economias do globo e é a maior economia da América Latina então, quando elege um novo presidente, alguns jornais importantes dos EUA e da Europa escrevem algo a respeito. Ser uma das maiores economias do mundo deveria ser motivo de orgulho para nós mas, infelizmente, a distribuição de renda para a população continua muito desigual e, mesmo que o governo tente nos iludir dizendo que a classe média aumentou, isso não vem refletindo na nossa qualidade de vida.


Os comícios promovidos pelos presidentes dos EUA e Brasil são extremamente diferentes. No Brasil, os candidatos não inspiram sentimentos de mudança. Seus comícios não atraem muitas pessoas, exceto se ele for um “showmício”, onde o que chama a atenção dos eleitores não é o discurso do candidato, mas sim o show musical populista (que foi pago com o dinheiro dos impostos altíssimos que nós pagamos), e que costuma ser regado a cerveja, churrasco e dançarinas bundudas.


A votação pode ser considerada mais rápida no Brasil se for comparada a dos EUA, mesmo assim, muitos reclamam, pois são obrigados a votar. A população não dá a devida importância à democracia e ao seu voto.


Essas eleições presidenciais dos EUA deveriam nos servir de exemplo. Deveríamos nos importar com a polícia assim como eles: é a mudança da qual nós precisamos. Eles não se tornaram uma superpotência com um povo que não dá a mínima para a política. Se a população dos EUA não tivesse consciência da importância dela e se não fossem tão participativos, talvez não tivessem todo esse poder que têm e quem sabe não fossem tão diferentes do Brasil.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Em nome de Deus


Será que religião não se discute mesmo? Existe algum sentido na Guerra Santa? Por que pessoas muito religiosas são majoritariamente pobres?


Desde que o homem sabe que sabe, ele vem se perguntando sobre a origem do mundo, os limites do universo e principalmente, sobre a vida após a morte. E desde a pré-história, o homem tem procurado na religião as respostas para esses questionamentos inquietantes, para que ele possa encarar a morte sem medo algum. Cientes disso, algumas religiões se aproveitaram (e ainda se aproveitam) deste fator para conquistar riqueza e poder, manipulando a verdade.


“Religião não se discute”. Esse é um jargão muito usado quando alguém não quer conversar sobre a filosofia de sua religião, que pode ser causado pelo medo de uma punição divina ou simplesmente porque ele prefere fingir ou porque acredita veementemente que sua religião não comete erros graves.


Durante a Idade Média, a Igreja Católica exerceu um poder incontestável na Europa. No período da história conhecido como “Feudalismo”, a Igreja tinha mais terras do que os senhores feudais, que as doavam para Igreja numa forma de “agradar a Deus”. Ela também coroava os reis e controlava a educação da sociedade. Por causa disto, ela promoveu uma total lavagem cerebral em todos. Ninguém ousava contestar a Igreja, pois havia o temor de ser excomungado e logo, ser desprezado pela sociedade.


Com todo o poder em mãos, a Igreja Católica manipulava senhores feudais e principalmente os servos, que trabalhavam duro o dia inteiro, seis dias por semana e, se houvesse padre, tinham uma missa aos domingos. Eles viviam a vida da forma mais humilde possível. Não faziam nada de grandioso para não ofender a Deus. E eles se conformavam com essa vida afinal, haviam nascidos servos por vontade de Deus e morreriam servos. Enquanto os servos comiam o pão que o diabo amassou (literalmente), os membros da Igreja viviam todo o luxo que a Idade Média tinha para lhes oferecer.


Como se não fosse o suficiente, a Igreja promoveu as cruzadas contra os turcos, de religião mulçumana e inimigos dos cristãos. Sangue inocente foi derramado “em nome de Deus”. A Igreja dizia que quem sacrificasse suas vidas por “Deus” teria todos os seus pecados perdoados. Além das cruzadas, a Igreja promoveu os tribunais de Inquisição, onde pessoas podiam ser condenadas por serem acusadas de estarem envolvidas com bruxaria ou até mesmo por tomarem banho (“as pessoas limpas não têm de se lavar”). A Igreja Católica começou a perder o poder a partir da Reforma Protestante no século XVI, quando o teólogo Martinho Lutero discordou de algumas filosofias da Igreja Católica e fundou sua própria igreja.


Contudo, a manipulação religiosa da verdade não se limita apenas a Igreja Católica. Os casos de fanatismo religioso são muito comuns em países do Oriente Médio, onde predomina a religião mulçumana. É uma religião muito mal vista aos olhos do mundo ocidental, não somente pelo fato de o mundo ocidental ser de maioria católica, mas principalmente pelo fato de que muitos ocidentais lutam e anseiam pela liberdade, coisa que pode ser punida com morte pelas leis do Islã.


É sabido que a religião mulçumana é muito mais rígida do que as religiões cristãs e, sabendo disso, algumas milícias usam a religião como pretexto para promover suas guerras “santas”, exercendo um grande poder de influência em pessoas que vivem em estado de miséria. As milícias se encarregam da educação (manipulação) de seu povo pouco instruído, instigando-os a lutar contra os seus “inimigos do Ocidente” e promovendo atos de terrorismo, onde alguns de seus membros “se sacrificam por Allah”, crentes de que se tornarão mártires. Que “Deus” é sanguinário é esse? Ah, e é claro que aqueles que ousam enfrentam as milícias acabam sendo mortos.


Quanto menos instruído e desprovido de senso crítico, mais suscetível um indivíduo estará de ser manipulado. Ele não é inteligente o bastante para ter suas idéias próprias. Ele acredita em tudo aquilo que alguém “mais inteligente” lhe disser. Isso pode acontecer em qualquer religião: católica, mulçumana, evangélica, etc. O indivíduo fica cego e não tolera nenhuma crítica a sua religião, agindo com hostilidade algumas vezes. Ele não quer enxergar nenhuma atrocidade, pois acredita que sua religião é absoluta e que elas são cometidas justamente.


O papel moral da religião é o de transmitir aos seus fiéis valores de bondade e justiça, onde haja o respeito total respeito entre eles próprios e às outras religiões, sem discriminações e promoções do ódio. Deve ajudá-los no seu lado espiritual e a controlarem seus sentimentos negativos. Se todas as religiões deixassem de lado o seu lado pecaminoso, talvez o mundo tivesse sido poupado de tantas guerras onde as pessoas morreram e mataram “em nome de Deus”.