domingo, 16 de setembro de 2007

Ouça música, não barulhos


O que você considera música boa? O que as diferencia das demais? O que são barulhos? Por que você não considera essa tentativa fracassada de música como tal?


A música sempre teve uma grande importância na minha vida. Elas sempre me trazem alguma lembrança ou alguma sensação do passado. Muitas das músicas que estão no meu PC me lembram algo. E são músicas dos mais variados ritmos.


O nome desse post foi inspirado em uma sugestão que meu amigo do MSN, Marcelo D’Aquino, 20 anos, deixou para os visitantes de seu Fotolog: “Ouça música de verdade, não barulhos”. Achei essa sugestão divertida e interessante, já que muita gente ouve e gosta de qualquer porcaria que esteja na moda.


Música de verdade é aquela com um som agradável e criativo. A voz do artista tem que ser bonita e combinar com a melodia. A letra tem que ter sentido, ser agradável, aquele tipo de letra que quem ouve não esquece. No Brasil, há um rótulo criado por pessoas mais cultas de que música boa seriam MPB e Bossa Nova, basicamente, porém, alguns “intelectuais” também consideram samba e pagode como música! Já para os intelectuais dos Estados Unidos, os ritmos que eles consideram música são o jazz, o blues e o soul. Porém, esses gostos estão mais restritos aos tais “intelectuais”.


Quem produz música de verdade não fica o tempo todo no alvo da mídia como os produtores de barulhos, mas mesmo assim, são reconhecidos e conseguem manter sua carreira por anos. Por exemplo, no Brasil, Djavan, Roupa Nova, Ana Carolina não estão o tempo todo nos programas de televisão e suas músicas não tocam loucamente nas rádios o tempo todo apesar de todos eles terem ótimas músicas e cantarem muito bem, porém, quem ouve música de verdade sabe reconhecer que eles são muito bons. “O que diferencia música boa de ruim, pra mim, é o fato de ela sair de moda e você continuar ouvindo-a no dia a dia”, diz Marcelo.


Os barulhos são o contrário da música de verdade. São músicas que ocupam o topo das paradas por um breve período de tempo. A indústria fonográfica praticamente “vomita” novos artistas (futuramente fracassados) no público. Artistas sem história e sem talento, que são apenas um novo rostinho bonito e que cantam grandes barulhos. Muitos cantores de talento têm muita dificuldade de fazer sucesso fazendo música de verdade, levando anos para chegarem lá.


O motivo do sucesso dos artistas ruins é que o povo gosta mesmo é de música ruim, que fale e induza a sacanagem. Esse é o motivo de grupos de axé e de pagode fazerem muito sucesso por um tempo e depois sumirem de vez da mídia e caírem no anonimato. Houve um tempo que “vai descendo na boquinha da garrafa”, “segura o tchan, amarra o tchan, segura o tchan tchan tchan tchan tchan” fez um estrondoso sucesso... e hoje? Onde eles estão? “Barulhos são todo e qualquer som que gruda na cabeça e é repetitivo. Vale a pena observar os fenômenos e as fases do "barulho" em nossa cabeça: primeiro o amamos e não conseguimos deixar de ouvir em nenhum momento, mas basta a música parar de tocar na rádio e sumir da mídia, que simplesmente a deixamos de lado”, conta Marcelo.


A banda Titãs já havia demonstrado o seu descontentamento em relação aos barulhos com a música “A melhor banda de todos os tempos da última semana”, ao criticarem a mídia e os “artistas” que fazem sucesso e logo caem novamente no anonimato:


“Os bons meninos de hoje
Eram os rebeldes da outra estação
O ilustre desconhecido
É o novo ídolo do próximo verão

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos”


Porém, nem sempre o barulho é algo ruim ou desnecessário. É o que diz Diego Rabelo, 21 anos: “até os funks atuais (cuja letra, em sua maioria, pra não dizer totalidade, é um lixo!) podem cair bem em certas situações. Sim, estou me referindo a baladas. Nessas ocasiões, por melhor que seja, ninguém quer ouvir uma sinfonia de Chopin. A letra da música nem importa nesses casos... Aliás, nem precisa de letra, apenas de um ritmo bom pra dançar...”. E acrescenta: ”Tudo vai da situação. Não há como criar um padrão único para todas as situações. Não dá pra rotular”.


A música depende de situações e do estado de espírito das pessoas. De vez em quando um barulho pode alegrar alguém desanimado, ou alguma música mais emo pode acabar com a empolgação e a alegria de uma festa. Mas devemos valorizar as músicas boas e os grandes artistas que lutam por seu espaço e não valorizar novos ídolos sem talento somente por que suas músicas são mais empolgantes.


Agradecimentos a Marcelo D’Aquino e Diego Rabelo.

11 comentários:

  1. Peterson, adorei o carinho que você usou pra abordar as coisas que conversamos!

    Obrigado pela consideração!
    Ficou lindo o post!
    Parabéns pelo blog!


    Marcelo

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  2. muito bom o texto.
    acho gosto musical uma coisa tão pessoal, e talvez por isso eu adore discutir sobre isso.

    o que é bom pra mim, pode não ser pra você e vice e versa.

    concordo que o que realmente deve ter valor são as músicas "bem feitas e bem construídas". mas não dá pra negar a importancia do pop na cultura musical. é necessário sim, uma britney. assim como é necessário uma maria bethania.

    barulho é necessário porque ninguém iria pra balada ouvir tom jobim.

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  3. Que me desculpe fãs de Britnaey Spears Rihanna, Chris Brown´e toda essa massa de lixos sonoros q tem por aí...mas para mim música boa de verdade são aquelas que mesmo depois de passar 10, 20, 30..elas continuam na nossa mente, fazendo a trilha sonora de algum momento passado. Pq nosso pais e até avos quando ouvem uma música da década de 80 à 50 suspiram e dizem: Ah aquela música, lembra dela fulano?..pq marcou época, teve um significado.
    Sim, no passado teve algumas "modinhas" como a disco music e a new wave, mas pelo menos era sons interessante, criativos q nos faziam prestar atenção em som por som, nada de meias dúzia de palavras idiotas e melodia pobre e cansativa...
    Por isso q as músicas q eu escutos são dos anos 50 a 90, de hj em dia só algumas...

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  4. Puxa, tenho que concordar plenamente com vc. Hoje mesmo estava discutindo isso com um colega da sala de aula, enquanto escutávamos o funk de uma colega patricinha e sem noção ao lado:

    eu: -"Isso é um absurdo! como alguém consegue gravar uma musica dessas? Como é que compram o cd desse cara?"

    e a musica tocando ensandecidamente:
    "Êra boi, êra boi (êra boi 20 000 vezes)"

    hahahahah
    ah, falando em música boa, Ana Carolina vai tocar aqui na minha cidade! uhuuuuu! Nem acredito!

    rsrsrs abraços!!!

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  5. essa rotulação é um tanto quanto complicada, pois o que é barulho para uns, é música para outros.

    basta lembrar no inicio do rock'n'roll, que muitos alegavam que era somente barulho. Agora, existe muitos musicos conceitudos nele.

    é tudo uma questão de gosto. Complicado isso.

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  6. faltou um "a" em 'conceitudos'. Era para ser conceituAdos.

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  7. musica é tudo de bom, mesmo quando é ruim é melhor do que aquele silêncio agunstiante que fica as vezes no ar.. eu escuto horrores \o/

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  8. Apesar de ser eclético e ser suspeito pra falar,
    acho que todo mundo gosta de música e pronto, em geral.
    afirma não gostar de uma ou de outra por causa do convivio social e talz
    modinha.

    muito bom texto

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  9. Verdade, uma boa música tem de ser agradável e de bom gosto, vc cita tb que o povo gosta de música ruim, que influencia a sacanagem e tal, pois eu concordo com vc, mas isso é problema de gosto mesmo, é uma pena que gostem muito das músicas "ruins". Vc fez um belo Post, muito bom, gostei.

    www.diegotavareli.blogspot.com

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  10. modinhas, mídia manipuladora....

    estamos todos presos nelas, mesmo que inconscientemente...

    ótimo texto, sempre venho aqui pra me atualizar =)

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