domingo, 26 de agosto de 2007

A voz do povo


A voz do povo realmente é a voz de Deus? O povo sabe tomar atitudes inteligentes e de maneira sensata? Sempre que a maioria gosta de alguma coisa ela é realmente boa?


Teoricamente, sempre que alguma coisa faz parte da maioria ela é julgada como boa. Será mesmo? Bom, eu acho que não e que a voz do povo não é a voz de Deus. Aliás, é muita falta de respeito a Deus dizendo que a voz do povo é a voz Dele. Há várias situações em que eu acredito que a maioria esteja errada. Vou tomar como exemplo o povo (a maioria) brasileiro.


O povo brasileiro já não se interessa por política, o que é um erro e a maior causa do país ser a bagunça que é. Se ele tivesse a cultura de saber como está o cenário político, saber exigir melhorias do político que ajudou a eleger e se soubesse cobrar assim como os argentinos e venezuelanos cobram, certamente nossa vida seria melhor. A corrupção no Brasil é aceita! Isso é um erro gravíssimo. Quando alguém questiona a um militante do PT sobre o mensalão, ele logo se defende dizendo que no governo FHC os políticos roubavam bem mais, ou seja, se a corrupção sempre existiu, porque deveríamos dar um basta nela justamente no governo Lula, cujo presidente foi eleito pelo povo (maioria)? A corrupção não deve ser aceita em hipótese alguma e não importa se ela sempre existiu. O dinheiro da corrupção vem dos impostos que deveria ser usado em melhorias na saúde, educação, segurança...


Já acho errado que a maioria seja obrigada a votar. É hipocrisia dizer que somos livres para ir e vir se somos obrigados a IR votar. Na verdade, não é bem uma obrigação, e sim uma chantagem: ou você vota, ou perde alguns direitos legais. Então se a maioria não fosse obrigada a votar, ela deixaria a responsabilidade do voto para uma minoria de pessoas que votaria consciente (isso se essa minoria fosse maioria em relação aos militantes dos partidos políticos, que só pensam nos seus próprios interesses). Assim, não correríamos o risco de ver um Collor da vida sendo eleito novamente.


Porém, acho que a maioria usou o cérebro ao ter votado “não” no referendo sobre a proibição do uso de armas de fogo e munição no Brasil em 2005. Sabendo que o tráfico de armas, assim como o de drogas acontece, o cidadão comum se sentiria ainda mais inseguro sabendo que um criminoso saberia que ele não estaria portando arma de fogo para se defender. O mal deve ser cortado pela raiz do problema e não através de medidas paliativas estúpidas e inconscientes como ao votar no “sim”.


Outro motivo de eu não concordar que a maioria sempre tenha razão é pelos gostos populares dos brasileiros. Como ele é maria-vai-com-as-outras e não tem opinião própria, ele segue a ditadura da maioria, que geralmente é imposta pela mídia. Se a moda é ouvir Ivete Sangalo porque toca na novela das “oito”, a maioria vai ouvir e sentir a necessidade de gostar. Muitas vezes acontece de as pessoas aderirem ao gosto popular porque a maioria gosta, e elas não querem fazer parte da minoria que não gosta para não se sentirem deslocadas. São os típicos escravos da moda. Se a moda é adotar o “Carpe Diem” como filosofia de vida, seguir uma filosofia de vida da Fergie (ser burra e gostosa, porém autoconfiante e coisas assim), a maioria irá seguir essas modas somente porque é o gosto da maioria.


O show do “Criança Esperança” conta somente com aqueles “artistas” que fazem sucesso no submundo. É claro que não vou citar nomes para não denegrir a imagem do meu blog ou aumentar o número de leitores que vão sentir a necessidade de lavarem os olhos com álcool para purificá-los, procurar um psicólogo para não entrarem em depressão, precisar se submeter à hipnose para esquecer o que leram, etc. Vocês sabem de que tipo de artistas estou falando. A maioria deles não são bons e fazem um sucesso de gosto duvidoso.


A maioria das pessoas não cuida da própria vida, não tem respeito pelos outros, valores e o mínimo de moral. É o tipo de gente que assiste e julga os participantes do Big Brother Brasil como se eles não fossem humanos, mas que glorifica os participantes mais inescrupulosos. Fiquei sabendo até que a mais diabólica de todos, apesar da falta de estudo e competência, tornou-se apresentadora de um programa que visa denegrir a imagem dos “famosos” em uma emissora reconhecida nacionalmente pelo seu baixo nível.


A maioria não tem cultura, não tem educação, tem um gosto duvidoso e não sabe usar o cérebro para fazer alguma coisa construtiva. Então, tenha opinião própria, tenha argumentos válidos, tenha segurança do que fala, questione-se se a maioria está certa mesmo e se ela é a voz de Deus. Se fizer parte de uma minoria, não compartilhe das coisas boas com a maioria para que esta não caia no ridículo. O bom gosto, a sensatez e a inteligência racional devem ser preservados.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Gritaria de aniversário



Peterson novamente desacata alguém no lugar de subgerente, é pisado e vai para trás das pseudo-grades da sala da tesouraria...


ANGELA empacotando no caixa-rápido: Ô Peterson!


PETERSON abastecendo sopas finge que não escuta e vai para o depósito.


LAURETE: A Angela tá te chamando.


PETERSON retorna depois de lavar vagarosamente as mãos.


ANGELA: Ô Peterson.


PETERSON finge que escutou e, contra a vontade, vai lá fazer aquilo que ele já sabe o que têm que fazer.


ANGELA (tom de voz normal): entrega essas compras na rua do Venceslau no número 316? Tem um orelhão vermelho na frente.


PETERSON (em falso tom de inocência): Cadê o Lourival?


ANGELA: O Lourival está de folga hoje.


PETERSON (tom de voz normal): Como é que vocês dão folga pra ele sabendo que quinta é o dia de mais movimento?


ANGELA (tom de voz hostil): Isso não é da tua conta.


PETERSON (tom de voz igualmente hostil): É claro que é da minha conta! Está interferindo no meu trabalho!


ANGELA (tom de voz do tipo “ah, vai se catar”): Pergunta isso pro Laudeli.


PETERSON (estarrecido): Qual é o número mesmo?


[...]


Depois da entrega em que a cliente demorou uns 3 minutos para atender e que me deixou no vácuo. Voltei à loja, pus o carrinho no lugar e quando atravessava o caixa-rápido para ter acesso ao meu corredor...


[...]


ANGELA (com raiva): Peterson, vem aqui que eu quero falar contigo!


ANGELA (irritada): Como é que está assinada a tua carteira?


PETERSON (tranqüilo): Serviços gerais?


ANGELA (zangada): Então quando eu te chamar tens que fazer o que eu MANDAR.


ANGELA (ameaçadora e vitoriosa – Flawless Victory!): Eu vou falar isso para o Laudeli...


PETERSON se retira do setor de frente de caixa surpreso demais para dar uma resposta à altura e por ter sido discriminado por ter a carteira assinada como “serviços gerais” (vulgo “escravo”).

domingo, 19 de agosto de 2007

O poder das palavras


Elas podem te iludir, elas podem chocar você, elas podem melhorar seu ânimo e coisas assim. Sim, as palavras têm poder!


Desde que o “homem” começou a demonstrar sutis traços de que tinha capacidade mental de se expressar, ele foi deixando de emitir ruídos, berrar e grunhir e passou a expressar-se de maneira mais civilizada, por meio de palavras. Foi uma criação muito importante e prática para a conservação da espécie durante todos esses séculos, já que os homens das cavernas não precisavam mais decifrar mais nenhuma linguagem corporal. Hoje esse poder fica muito limitado aos psicólogos na hora de uma entrevista de emprego.


As palavras foram ganhando poder nesse tempo. Pessoas mais inteligentes e sem-caráter usavam as palavras para iludir, principalmente. Já desde a pré-história até os dias atuais, as palavras têm esse poder quando o assunto é religião. Não sabemos o que será de nós após nossa morte, então, precisamos nos apegar a alguma coisa que nos conforte e que nos diga que a morte não é algo ruim, apesar de inevitável. Assim surgiram as religiões, que usam as palavras para criar teorias sobre a vida após a morte. Usando desse artifício, várias igrejas iludem e fazem “lavagem cerebral” em seus fiéis com o intuito de enriquecer. Os pastores de igrejas evangélicas são especialistas em usar as palavras ao seu favor para enriquecerem com o terror que seus fiéis sentem pela morte e por Deus.


O poder das palavras para iludir, também é famosamente usado na política. Em época de eleição, tudo é perfeitamente possível de se realizar. Eles prometem que nosso salário vai subir, a educação vai melhorar, o sistema de saúde será eficiente, a violência será diminuída e blá, blá, blá... Apenas palavras, apenas promessas e nada mais que isso.


Elas também podem ser usadas pelas pessoas comuns na hora da conquista. Tradicionalmente, os homens são especialistas no quesito “sedução”. Apesar de ainda agir como seus antepassados primatas ao estufar o peito, rir muito e alto, arrumar os cabelos e coisas assim, os homens usam as palavras para seduzir as mulheres (ou outros homens também, se forem gays). O tom de voz ajuda bastante, se ele for suave e sedutor. O conhecimento que ele adquire de filmes pornográficos, pelos amigos e pela mídia, o ajuda a usar as palavras certas para conquistar a pessoa que ele tem interesse. Os homens mais obtusos e que não querem nada sério agem assim (e também usam o físico casam não tenham outro atributo além desse). Os mais sérios preferem falar se suas qualidades e demonstrar suas idéias para causar uma boa impressão.


Alguém pode te animar apenas com palavras se você estiver triste. Geralmente são pessoas da família e amigos que agem assim. São pessoas que você gosta e que gostam de você então, vão procurar palavras para te mostrar que a tristeza é passageira. Vão lhe ajudar a encontrar soluções, e não usarão um tom de voz pesaroso, sem lamentar também, e manterão o otimismo para lhe passar segurança. Piadas podem ser usadas também.


A imagem de uma pessoa pode ser destruída caso ela seja vítima de fofocas e calúnias. Movida pelo ódio, uma pessoa pode inventar uma mentira e ir espalhando para as outras pessoas, e essas para outras, e essas outras para outras e assim sucessivamente. Isso me lembra uma dessas mensagens de auto-ajuda que é mais ou menos assim: uma pessoa contou uma mentira sobre outra e acabou com a dignidade de uma outra pessoa. Esta primeira foi acusada de calúnia e o juiz sentenciou que este escrevesse uma carta, rasgasse e jogasse seus pedaços ao vento. O pedido do juiz foi atendido. No outro dia, novamente reunidos, o juiz pediu ao réu que recolhesse todos os pedaços da carta e este disse que era impossível fazê-lo. O juiz disse que quando uma pessoa usa as palavras para destruir a outra, não há como desfazer o dano, que são palavras jogadas ao vento, assim como aqueles pedaços de papel, e que elas não têm volta.


O mesmo poder destrutivo das palavras é usada em brigas, seja na família ou com futuros ex. Sinceridade é importante, mas sinceridade demais pode magoar as pessoas sem necessidade. Quando ocorrem brigas, as pessoas falam coisas com o objetivo de ofender, aumentar a raiva e o ódio da outra pessoa, feri-la para que ela sinta toda a dor que as palavras podem causar. Muitas verdades são ditas na hora de uma briga e é claro que isso causa um grande impacto no oponente. Depois que as coisas esfriam, o arrependimento vai corroendo a alma do ofensor e o remorso aumenta. É constrangedor pedir desculpas e é muito difícil perdoar. As palavras que foram ditas ficam gravadas e não são esquecidas por quem foi ofendido seriamente. Não há como pedir para esquecer, nem tentar amenizar as coisas. Talvez isso só piore.


Às vezes palavras são somente palavras e não dizem tudo. Gestos e atitudes são mais importantes. Um sorriso pode substituir um “obrigado” ou um “eu gosto de você”. Um aceno de cabeça pode cumprimentar e o movimento das mãos pode dar um tchau. A expressão corporal às vezes fala mais do que as palavras. Não somos mais homens das cavernas então, acabamos esquecendo da linguagem corporal para nos expressar e o subconsciente se encarrega de falar, sem palavras, pelo corpo. Então, pense duas vezes antes de falar, já que as palavras têm o poder e não tem retorno.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Opinions & Rock classique


O que você acha do governo Lula? O que você pensa sobre a política? E o que você achou do jogo do Figueirense? Dê sua opinião!


Há algumas semanas, a maior militante do PT na Palhoça, Ana Nobre, estava perambulando com seu mega-fone pela Praça Sete de Setembro no centro de Palhoça, protestando contra a privatização da água em nossa cidade. Irritada, ela berrava a plenos pulmões os nomes dos vereadores que, juntamente com o prefeito, “estavam contra a Palhoça” por terem sido favoráveis a privatização da água. Eu não sabia se era contra ou a favor da privatização. Eu não conhecia o assunto e não tinha argumentos válidos para ter uma opinião formada. Ao voltar para a casa, fiquei pensando no assunto e escrever um post sobre "opiniões".


Achei totalmente grosseiro e antiético por parte da Dona Ana agir da maneira que agiu, sendo totalmente unilateral e impondo sua opinião como se fosse uma verdade absoluta. Ela sempre foi uma pessoa violenta ao expressar suas opiniões contra os opositores do governo Lula. Ano passado, inclusive, ela enchia o saco dos operadores de caixa do Imperatriz quando o Lula concorria à reeleição, geralmente falando mal do governo FHC (que já não era mais presidente até 4 anos atrás). E ai de quem argumentasse contra o Lula!


Eu não gosto do PT, não gosto do PSTU, nem de nenhum partido político que tenha uma filosofia socialista, pois a história já nos mostrou que isso não funciona e eu acho que o governo Lula está bem abaixo do que poderíamos esperar. Eu não gosto da postura arrogante desses partidos. Sou filiado ao sindicato dos comerciários, que é filiada à CUT que tem apoio do PT. Todos os meses eles me enviam um folheto falando do sindicato. Neste último, havia um artigo intitulado: “Governo Lula e as vaias nos Jogos Pan-Americanos” e “Diego Hipólito elogia o presidente Lula”. Eu reprovei esse lado unilateral do sindicato, não respeitando os não simpatizantes do PT.


O que eu não gosto mesmo é essa paixão idiota pelo governo Lula. Temos os mesmos problemas de sempre. Se precisar de um médico ou de um leito hospitalar, você não conseguirá com facilidade e será mal-atendido. A educação continua deficiente e o salário mínimo chega a ser hilário de tão ridículo que é. Os argumentos pró-Lula geralmente criticam o governo FHC e que o sujeito é anti-Lula é pró-FHC. Os militantes do PT não têm argumentos convincentes para falarem que o governo Lula é bom e precisam baixar o nível malhando o FHC. Quando finalmente falam sobre o Lula, falam da economia que vem crescendo, mas eu não vi o meu salário aumentar mais que 3,5% ano passado.


Esse é um dos motivos de eu não simpatizar com a política. Poucos gostam de política. Isso ocorre porque o brasileiro é acomodado. Ele já vai votar contra a própria vontade, não vota consciente, vota nos corruptos de sempre (tais como o Collor), não cobra dos políticos, não se interessa e ainda acha que tem direito de reclamar? É por isso que esse país não vai para frente!


Esse post é basicamente sobre isso: opiniões. Muita gente dá a sua opinião porque é maria-vai-com-as-outras. Não é fácil conhecer uma pessoa que tenha opinião própria, que alguns chamam erroneamente também de personalidade própria. Personalidade todos nós temos, o que há é gente com e sem opinião formada. O maior exemplo é esse da política.


A mídia é a maior formadora de opinião para as pessoas. Os programas de televisão mais sérios checam a autenticidade das notícias que irão exibir, mas eles também expressam sua opinião. Os programas de opinião de baixo nível como os da Band, SBT e Redetv! que falem de fofoca, são totalmente unilaterais e maldosos, influenciando as mentes dos idiotas que perdem seus tempos com esse tipo de programa para serem igualmente idiotas. Ou seja, a mídia é confiável na maioria das vezes, mas isso não significa que tudo o que ela diz pode ser verdade. A TV só nos mostra o que ela quer que nós vejamos.


O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está se tornando um novo ditador na América Latina. A rede de televisão que ele não gostava está fora do ar e em seu lugar está uma emissora pró-Chávez. Teria ele insinuado que o povo venezuelano é ignorante e que se deixa influenciar pela mídia por não ter opinião própria? Eu acho que sim.


Eu admiro pessoas que tem opinião própria, que sabem defender suas idéias com bons argumentos e que sempre procurem ver as coisas não de um ângulo só para não cometer nenhuma injustiça. Isso demonstra inteligência. Isso é ter opinião própria.