domingo, 15 de julho de 2007

Assassinaram a gramática


O português é a quinta língua mais falada no mundo e há várias pessoas que não sabem como ler, escrever e falar corretamente.


É do conhecimento de todo mundo que somos um país onde muita gente comete erros de português. É claro que errar uma palavrinha ou outra é perfeitamente normal, mas o problema é quando falar ou escrever errado torna-se perfeitamente normal para muita gente.


Desde que a internet se tornou acessível para a grande maioria dos brasileiros, principalmente os jovens passaram a ficar ainda mais relaxados com a forma de escrever do que de costume. O pior de tudo nessa linguagem da internet são aqueles emoticons que são uma palavra em si. Você não tem nada escrito lá. Apenas hieróglifos.


A maioria escreve as palavras do jeito que as pronuncia (e geralmente pronunciam-nas de forma errada) usando a fonética das letras para encurtá-las que nada mais é do que uma modinha de escrever da internet. A maior modinha de todas é a linguagem “miguxa”, aquela que consiste em usar várias vezes a letra “x” substituindo as letras “s” e “ch” na maioria das vezes. Essa forma de escrita já foi uma febre, mas diminuiu quando se tornou um dos vários símbolos “emos”.


Já li em vários blogs posts sobre de placas com erros de português de doer os olhos. Eu considero esse tipo de post de um tremendo de um mau gosto. Em primeiro lugar porque já é algo desagradável de se ler. Segundo, porque o autor não tem criatividade para escrever sobre algo mais interessante. E terceiro porque quem escreve essas placas não tem estudo, então não esperem que ela seja um Professor Pasquale da vida que conhece todas as regras de ortografia e gramática de cabo a rabo.


Ainda sobre esses cartazistas que escrevem errado, existem aqueles que chegam a ser obcecados pelo uso de acentos gráficos. O maior exemplo de é o acento circunflexo na palavra “coco” (fruto do coqueiro). Muita gente escreve “côco” para diferenciar de cocô (excremento). Isso é ridículo! Pior do que as pessoas que não sabem de nada, são aquelas pessoas que não sabem de nada, mas acham que sabem de tudo, e acabam fazendo papel de ridículo.


Erros de gramática também são bastante comuns e são eles que dificultam o entendimento de tudo. Eu sei que muita gente não consegue nem ler alguma coisa que esteja corretamente pontuada, fazendo algumas coisas que eu escrevo perderem o sentido, principalmente as minhas frases exclamativas. E por falar em exclamação, essa é muito usada. Inclusive tenho amigos que usam várias exclamações até quando fazem perguntas. Um ponto, uma vírgula, ou qualquer acento gráfico no lugar errado podem mudar totalmente o sentido de uma palavra e até mesmo de uma frase. Vou dar alguns exemplos:


Acentuação gráfica:

Situação: um jornal escreveu uma manchete sobre uma freira estava atuando como padre em uma igreja. Repare que o uso ou não do circunflexo no verbo “poder” mudaria o entendimento sobre os fatos.


1. “A freira só pode atuar como padre com uma autorização do Papa”.

2. “A freira só pôde atuar como padre com uma autorização do Papa”.


No primeiro caso, a freira estaria desrespeitando uma lei do Vaticano. Já no segundo, ela não estaria fazendo nada de errado, já que houve uma autorização do Papa para tal.


Ortografia:

Situação: Eloísa enviou um scrap para Silvana, sua prima, para ela enviar os convites de sua festa de aniversário. Nesse convite (sem pontuação nenhuma) ela escreveu:


“Enviar o convite para Ana e Carol de jeito nenhum quero o Tiago na minha festa”.

Silvana resolveu pontuar a mensagem antes de convidar os amigos de Eloísa para a festa. Ela pensou que sua prima não quisesse as garotas na festa para que pudesse ficar com Tiago. Silvana entendeu a mensagem da seguinte maneira:


“Enviar o convite para Ana e Carol de jeito nenhum. Quero o Tiago na minha festa”.

O que Silvana não sabia é que Eloísa queria Ana e Carol na festa dela, e não queria o Tiago lá nem pintado de ouro. No final, Tiago foi o maior beneficiado, pois pôde comer docinhos a noite toda.


A má educação nas escolas, com professores desmotivados e que não tem capacidade de tornar suas aulas mais atraentes, somadas as modinhas que os jovens amam seguir, fazem com que esse crescente problema das pessoas escreverem e falarem errado aumentar. Escrever corretamente é melhor para todo mundo. Para quem escreve e principalmente para quem lê, já que ela não ficar perdendo o seu tempo decifrando o que lhe foi escrito.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

As pessoas são como os Sims



Com um mouse na mão, você é Deus, você controla os Sims. E com algum mouse invisível, pessoas são como Sims.


Para quem não sabe, ou nunca jogou, The Sims foi um jogo criado por Will Wright, onde você controla a vida dos seus Sims. Nesse jogo, os Sims compram a mobília, compram ou constroem a própria casa, trabalham, estudam, fazem amigos, vão ao banheiro, dormem e mais uma infinidade de outras coisas. Os seus Sims são seres controlados. Você decide o que ele vai fazer ou não. É claro que quando você não os manda fazerem nada, eles vão automaticamente fazer alguma coisa.


E é mais ou menos assim como as pessoas da vida real agem: automaticamente. Há vários exemplos de que muitos de nós agimos de forma mecânica, seja por hábito ou instinto animal. É tiro e queda. Algo mais ou menos como colocar uma isca num anzol e um peixe tonto ir lá comer. Eles ainda não são suficientemente inteligentes para saber que irão serem pegos, comidos ou assados (ou algo do gênero).


Há alguns exemplos de que nós, humanos, somos como os Sims no próprio jogo. Quando um Sim está cozinhando e o fogão pega fogo, por exemplo, a primeira reação que ele terá será se desesperar. Ele fica lá, gritando apavorado, e só toma a atitude sensata de pegar o extintor e apagar o fogo só se você mandá-lo fazer isso, se não, a casa pode pegar fogo à vontade. Algumas vezes os meus Sims foram mais inteligentes e foram para dentro do fogo.


Além do fator fogo, os Sims são puritanos. Quando há uma visita e o Sim está no banho, este último fica surpreso e pede para que o outro saia. Alguns deles também não sabem pedir licença. O Sim pode estar explodindo de vontade de ir ao banheiro, mas se houver algum Sim bloqueando o caminho, o Sim que está sendo chamado pela natureza explodem ali mesmo e chegam até mesmo a chorar. Os Sims são seres burros em sua maioria, tendo apenas inteligência artificial, o que não é muito diferente dos humanos.


Os humanos também tomam atitudes previsíveis e automáticas, assim como os Sims. Quando há um acidente, é previsível que curiosos se reúnam em volta da vítima para olhar e soltar exclamações de surpresa. Elas se organizam em filas quando precisam de atendimento. Recém nascidos choram quando estão com fome (instinto animal). Temos uma reação rápida de soltar um objeto que nos deu choque ou de retrair a mão ou a perna de algo que nos feriu, assim como usar as mãos para proteger o corpo, ou até mesmo a cabeça, pois instintivamente, sabemos que o cérebro precisa ser protegido, pois ele controla todos os outros órgãos.


O exemplo que darei a seguir me inspirou a escrever esse post. Eu estava trabalhando e o açúcar estava na oferta com um preço muito baixo. Havia várias coisas faltando e precisando ser abastecidas no meu corredor. Então decidi colocar o açúcar em um carrinho de supermercado (com a placa de oferta colada nele) e por as outras mercadorias no carrinho-plataforma. Por incrível que pareça, os clientes pegaram o açúcar do carrinho de supermercado, ao invés de virem para cima de mim para gritar “COMO É QUE VOCÊS COLOCAM UMA COISA NA PROMOÇÃO QUE NÃO TEM?”. Depois disso, fui de volta para o depósito. Eu estava impressionado demais com a cena dos clientes pegando o açúcar do carrinho e pensei “Eles não são tão burros assim”.


Mas depois disso, eu percebi que os clientes são pessoas como os Sims: automatizadas. A situação que descreverei a seguir é muito comum. O cliente chega no corredor, vê os produtos e pergunta o preço. Não, ele não tem o hábito de ler. Então, eu, no meu momento de Sim, mostro a etiqueta com o preço do produto para o cliente, o que não ajuda mesmo, pois o cliente não decora o preço, pergunta o dos outros e ainda, por preguiça, pergunta qual é o mais barato. De vez em quando eles acabam levando o produto mais caro.


Quando algum produto está em oferta e está em falta, eles sempre reclamam e dão aquele famoso grito: “COMO É QUE VOCÊS COLOCAM UMA COISA NA PROMOÇÃO QUE NÃO TEM?” Clientes mais idosas dizem que “isso é um absurdo”. Ou seja, coisas óbvias que já fazem parte do instinto do cliente.


E nós humanos somos assim. Como Sims. Agimos muitas vezes de forma mecânica, como se alguém tivesse um mouse e clicasse em nós para fazermos o que fazemos. Algumas vezes agimos assim por extinto e outras vezes porque muita gente faz o mesmo. Esse post não é uma crítica à alguma coisa. É apenas uma constatação.

domingo, 8 de julho de 2007

A arte de dar presentes


Quando se presenteia uma pessoa, uma coisa geralmente é certa: será uma surpresa. Algumas agradáveis. Outras nem tanto.


Presentear uma pessoa não é uma coisa muito fácil, principalmente quando é um amigo, namorado, parente, ou seja, pessoas mais íntimas e por quem você tem mais estima. Presentear alguém é massagear o ego do outro. É uma demonstração de carinho que melhora a relação de presenteador e presenteado.


Muita gente não sabe escolher o presente quando vai comprá-lo. O preço é um fator que influencia muito na escolha. Se a pessoa não for tão importante para quem está comprando, o presente escolhido é algo mais simples, como roupas, por exemplo. Agora quando há amor ou paixão pelo presenteado, o presenteador opta por presentes mais caros, desde perfumes a automóveis, com o objetivo de impressionar positivamente e economicamente a pessoa amada.


Além do fator dinheiro, outro fator que ajuda na decisão da escolha do presente é se o presenteado irá gostar ou não. Então, o presenteador faz algo que eu realmente admiro, faço e gosto que façam comigo: reparar nos gostos do presenteado. Se o presenteado der valor a esse pensamento, ele irá adorar o presente sem dúvida alguma, pois quem o deu pensou nele, nas atitudes dele, nos gostos dele... Uma grande massagem no ego.


Os últimos presentes que dei tiveram seus significados. Vamos a eles:


I. Garrafa de whisky Passport para o Jardel em seu 18º aniversário (28/07/2006). O presente simboliza que, por ser maior de idade agora, ele poderia beber. Eu também poderia lhe dar algemas, simbolizando que aos 18 ele poderia ser preso.

PS: a garrafa permanece intacta aqui em casa até hoje porque Jardel não veio receber...


II. O livro “Lost” para o Robisson no seu 19º aniversário (07/10/2006), pois eu sabia que ele gostava da série “Lost” e que gostava de ler também. Ele nunca leu o livro...


III. O DVD “Cidade dos Anjos” para um ex-amigo mentalmente perturbado, pois eu sabia que ele amava o filme, o que chega a ser irônico.


Como vocês puderam ver, todos os últimos presentes que dei tinham um significado. E como puderam ver também, meus amigos não tiveram capacidade mental e nem o mínimo de respeito a mim para desfrutarem de seus presentes. Ou ainda de fingir que gostaram.


Mas não são todos os presentes que são dados às pessoas que você estima e muito menos eles são dados de bom grado. O maior exemplo de todos são os presentes de amigo secreto. Muita gente sai frustrada da brincadeira. Elas alegam que deram um presente caro e descente para receberem um presente inútil e feio. Houve um amigo secreto da minha turma em 2000 onde meu amigo Ditter recebeu uma pokébola com um Pokémon dentro (ambos de brinquedo). Meu amigo achou o presente ridículo (assim como a turma toda). E é tradicional ocorrerem avacalhações em amigos secretos, como levar uma caixa gigante e dentro de cada uma haver uma menor, e outra menor, e outra menor... até chegar a um presente mínimo que na maioria das vezes é besta.


Falando em presente besta, eu acho a coisa mais idiota do mundo dar panelas ou utensílios domésticos para as mães no Dia das Mães, Natal, ou no aniversário dela. O filho ou o marido sem noção que compra esse tipo de coisa deveria ser espancado com o presente. Ele deve presentear a mulher e não a casa.


Acontece ainda de o presenteado se auto-presentear. Lembro de uma vez que eu estava em sala de aula e um aluno comentou: “o meu pai me dá presentes que ele sabe que não serve em mim só para ele usar depois”. Bem canalha ele...


Então qual é o segredo para agradar a alguém quando de dá um presente? Eu lhes digo! Repare os gostos e as atitudes da pessoa que receberá o presente. Pense no que ela gosta, em algo que ela irá gostar muito, e compre o presente. De vez em quando o valor do presente nem importa. O que importa mesmo é o significado dele para a pessoa que vai recebê-lo.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Futuro incerto


O modo que as crianças encaram a vida vem mudando ao longo dos anos. Os tempos mudam e as pessoas também. É o progresso. Ou o regresso?


“As crianças são o futuro do Brasil”. Essa frase é uma daquelas frases que muita gente entende apenas literalmente, ou que a usa demagogicamente sendo que o mais importante é o seu real significado. O futuro do Brasil, do mundo, ou simplesmente da sua família está nas mãos de suas crianças, pois quando estivermos velhos e dependentes, as crianças já terão se tornado adultos e estarão no poder, ou seja, é importante que elas sejam muito bem educadas e estejam aptas para tomarem decisões importantes.


O que vejo hoje em dia é uma total marginalização das crianças. Essa marginalização já é o espelho da vida que seus pais levam. Está se tornando cada vez mais comum os casos de adolescentes grávidas. Isso vem acontecendo porque elas parecem não terem pais responsáveis que souberam conquistar (e muito menos, impor) o seu respeito. Então, os jovens estão se tornando cada vez mais irresponsáveis, não compreendendo o quão complexo é criar uma criança.


Em um dia qualquer e em um momento qualquer, a garota revela para a mãe que está grávida. A mãe enlouquece, é claro. Não que ela possa estar preocupada com o fato de que a filha terá um filho, mas e sim com o fato de que ela própria praticamente terá um novo filho, já que a filha é menor de 18 anos e deve ficar sob a tutela dos pais. A filha acha que a mãe está exagerando e tenta explicar que ela e o namorado dela darão conta de tudo numa boa. É óbvio que a mãe não se convence nenhum pouco, já que ela mesma já passou pela mesma experiência.


A criança nasce, mas a mãe dela não está nem aí, nem lá, nem em lugar nenhum. A irresponsável saiu para a balada enquanto a mãe dela está cuidando de seu filho. E quando a avó da criança grita com a própria filha que chora por ter sido abandonada pelo namorado, a criança vai sendo deixada de lado. Sua mãe não lhe dá atenção, carinho, não o educa, não participa da vida dele. E essa criança vai crescendo sem preocupações e responsabilidades. Alguns acabam virando criminosos, como eu escrevi no post O Berço do Mal.


O caso das crianças marginalizadas não se resume somente ao caso de filhos de mães adolescentes. O que vejo nos dias de hoje é um completo abandono afetivo dos pais pelos filhos. Os pais de hoje vem criando seus filhos por criar, dando a eles somente o necessário para que eles se sustentem. Quantas pessoas vocês conhecem que tem uma boa relação com os pais assim como aquelas famílias perfeitas da “Malhação”, cujos pais estão sempre dando apoio aos filhos, estimulando-os, dando-lhes broncas quando necessário, participando em todos os campos da vida dos filhos? Provavelmente você deve conhecer poucas famílias assim.


Quando pensamos sobre a nossa infância e comparamos com as das crianças de hoje, certamente concluímos que quando éramos pequenos, existia mais moral no que assistíamos na televisão. Na escola, a educação era melhor e os alunos respeitavam os professores. Éramos mais engajados nos estudos, tínhamos mais força de vontade para tudo. Nossos pais eram mais firmes conosco, cobrando respeito e resultados. Escolhíamos nossos amigos com mais cuidado. Tínhamos mais responsabilidades e corríamos mais atrás dos nossos objetivos. Respeitávamos mais aos nossos pais, amigos, professores e as coisas ao nosso redor. E as crianças de hoje?


As crianças dos dias de hoje não vem recebendo uma boa educação dos pais, vem se relacionando com pessoas de mau caráter, estão expostas à futilidade e à inutilidade da mídia, não valorizam e nem respeitam ninguém, nem a eles mesmos. E isso se refletirá no futuro. Quando eles forem adultos e tiverem que enfrentar as responsabilidades de uma vida adulta, eles falharão e as coisas se tornarão piores, já que eles não foram bem-educados para terem responsabilidades.


Está cada vez mais temível falar que essas crianças são o futuro do Brasil. Certamente não queremos que as coisas piorem e que precisemos mudar o lema de nossa bandeira de “Ordem e Progresso” para “Desordem e Regresso”.