domingo, 6 de maio de 2007

Palavrões em nossas vidas


Palavrão é um termo de baixo calão usado em momentos de exasperação e lazer, presentes na vida de todos nós. Todo mundo usa ou usará um termo de baixo calão para se expressar até o final da vida.


O palavrão faz parte da cultura do brasileiro. Todos os dias, você ouve seus vizinhos xingando. Na televisão, as pessoas usam termos de baixo calão. Nos filmes brasileiros, só faltam fazer poesia com palavrões. Quando algo dá errado, você xinga.


Ele está presente nas nossas vidas desde muito cedo. E cada vez mais cedo. Está cada vez mais comum ver crianças cada vez mais novas, já por volta dos cinco anos, usando termos pesados para xingar as pessoas. Conversamos sobre isso ontem no Imperatriz. Thiago (atendente de açougue) disse viu duas criancinhas fazendo um pega com os carrinhos lá dentro do supermercado e uma xingar a outra: “Ô, seu filho da puta!”. Roseli (sub-gerente), disse que pôs seu filho de castigo logo no primeiro palavrão que ele disse. “Minha sogra me recriminou quando eu fiz isso, disse que eu estava exagerando”, disse ela. Ela disse que se não tivesse feito isso, seu filho poderia estar tratando-a como o filho da sua vizinha: “Esses dias ele xingou ela de vagabunda, puta... Então eu comentei com a minha sogra: se eu não o tivesse deixado de castigo, ele estaria me tratando como o filho da vizinha trata a mãe dele”. Ela disse que seu filho imediatamente se arrepende quando deixa escapar um palavrão: “Ele fala ‘Desculpa mãe!’ logo em seguida, ou então, tenta disfarçar falando uma outra coisa”. Como diz o ditado: é de menino que se torce o pepino.


Na mídia, o uso de palavras de baixo calão é amplamente usado, o que é um péssimo exemplo, já que as pessoas se deixam manipular por ela. O palavrão é usado de maneira excessiva em filmes nacionais, como a exemplo de “Cidade de Deus”. Brasileiro fala muito palavrão sim, mas o filme exagerou nessa parte, assim como muitos outros filmes e principalmente os mais antigos, como os dos anos 1970 e 1980.


Nos programas de “humor”, a parte “engraçada” geralmente envolve sacanagem no meio e é claro, tem que usar uma palavra de baixo calão para que as pessoas mais burras consigam entender, e logo, acharem engraçado.


Nas novelas eles não podem ser muito usados devido ao horário, então, os autores usam palavras mais suaves como biscate, sirigaita, pederasta... No caso da novela “Suave Veneno”, a malvada personagem de Letícia Spiller xingava com classe, como “seus vermes insignificantes”, e outros xingamentos refinados. Porém, o brasileiro não tenha tido capacidade intelectual de entender, o que poderia justificar o fracasso de audiência da novela. Aliás, essa novela concorria pela audiência com o “Programa do Ratinho” em seu momento áureo. E por que o “Programa do Ratinho” fazia sucesso? Pelo uso excessivo do palavrão e dos barracos que eram incentivados pelo programa. Brasileiro adora isso.


Os palavrões também são geralmente usados em momentos de exasperação. Ao brigar com alguém, você xinga. E não xinga por xingar. Xinga para ofender mesmo, para fazer a pessoa revidar ou para destruir com a moral do seu respectivo desafeto. Até mesmo quando se está sozinho e acontece algo desagradável quando alguma coisa não funciona direito, por exemplo, ou quando você se machuca ao bater com o dedinho do pé em algum canto, quando vai fechar a janela e ela cai em cima de você ou quando você toma um choque.


Eles também são usados em momentos de confraternização de lazer, como nas festas do BBB, onde os confinados chegaram a um nível que o apresentador Pedro Bial teve que dar uma bronca neles e, como sinal de confraternização, terminou a frase com um simpático “porra”. Todos riram, afinal, falar palavrão é lindo no Brasil, tanto que as pessoas admiram a Dercy Gonçalves. É claro que não devemos odiá-la pelo fato de falar 11 palavrões a cada 10 palavras, mas eu não acho nada bonito achar engraçado ou admirá-la somente por ser desbocada. Nesse caso, não é coisa de gente burra, mas sim, idiota mesmo.


Nem toda palavra é palavrão. Agora mesmo eu usei o termo “idiota” para xingar, mas não é uma palavra chula. É apenas um adjetivo inocente, assim como retardado, imbecil, trouxa, burro... Eles também podem ser usados para xingar, mas eles não envolvem sacanagem. Mas se envolverem sacanagem, aí sim é palavrão, uma palavra de baixo calão. Um dos palavrões mais conhecidos são filho da puta, puta, viado, caralho, porra, cu... Ou seja, todos envolvem sacanagem. Aliás, a palavra cu é o mais versátil de todos os palavrões, já que há várias formas de xingar usando essa palavra.


Agora uma coisa esquisita é não usar palavrão em situação nenhuma. É muito esquisito. É muito bizarro falar somente “ai” quando você se machuca. Chega até a ser evangélico demais. Acho que o uso de palavrões pode ser usado nesses casos, para expressar a raiva no momento, mesmo que seja inútil xingar uma coisa inanimada, mas pelo menos, tira o estresse do momento e a pessoa fica aliviada.


Falar palavrões o tempo todo para expressar-se inclusive em momentos de lazer é coisa de pessoas que não tem criatividade, educação e capacidade intelectual para expressar-se de maneira civilizada. Falar um palavrão em um momento de raiva é perfeitamente normal e aceitável, porém, não vá fazê-lo na frente de alguém, assim como masturbar-se. Todo mundo faz isso, mas escondido. Afinal, algumas coisas têm e precisam de limites.

15 comentários:

  1. Tenho que descordar de você, pois palavrão não é somente uma palavra que envolva sacanagem, mas sim, qualquer palavra grosseria ou obscena. Portanto, chamar alguém de idiota, imbecil, trouxa, burro, também pode ser caracterizada como um palavrão pela grosseria.

    Fora que, se você chamar alguém de idiota, imbecil, trouxa ou burro com o intuito de ofender, isso será caracterizado como INJÚRIA. E de acordo com o art. 140 do Código Penal Brasileiro, a pena é de 1 ano a 6 meses de detenção ou multa.

    Injúria: "...é ofender a honra subjetiva do sujeito passivo, atingindo seus atributos morais (dignidade) ou físicos, intelectuais e sociais (decoro)." Julio Fabbrini Mirabete, Manual de Direito Penal - vol. 2 - 19ª ed., 2002.

    Bom, mas referente ao uso dos palavrões em meios de comunicação (TV), concordo plenamente. Eles influenciam e muito a população brasileira, causando, assim, um uso desenfreado.

    Mas quer saber? Também uso palavrões o tempo inteiro, é inevitável!

    Abraços

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  2. kkkkkkkkkkkkkkk
    pode me chamar de bizarra, mas só falo "ai" quando me machuco...
    ODEIO PALAVRÃO!

    (www.pollyok2.zip.net)

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  3. É uma forma de expressão, como qulquer outra.
    Usada "adequadamente", não faz mal a ninguém, pois é uma coisa natural, de uma forma ou de outra, ao ser humano...

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  4. falar palavrão em excesso é algo comum nos países do ocidente. Olhe os filmes estadunidenses: boa parte deles tem palavrões, mas eles são legendados de um modo amenizado.

    eu não gosto muito de falar palavrão... prefiro falar nos momentos em que não tem como não falar!

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  5. Concordo com você. Soltar umas barbaridades de vez em quando é válido, mas o tempo todo, é falta de argumento.

    E concordo também com a mãe que colocou seu filho de castigo.
    ;)
    Não tem nada mais triste do que ver uma criança soltando palavrões cabeludos a torto e a direito..

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  6. eu não gosto muito de palavrao, mas se estiver nervosa... ai vira um problema...rsrs! ótimo post!!

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  7. hauhauhua "termo de baixo calão" é ótimo né...

    Concordo quanto à parte de que falar palavrão sempre nem é legal, porque teu vocabulário fica restrioto aquilo, nem é por ser palavras ofensivas, mas sim por não ampliar os horizontes culturais...

    Tenho um certo preconceito com o cinema brasileiro principalmente por causa dos palavrões, talvez tenha deixado de assistir filmes bons por esse motivo. Adoro de cinema, e principalmente da poesia e do romantismo que existe nos filmes

    Palavrão é, como vc disse, aceitável sim, mas não se pode fazê-lo parte do cotidiano
    valeu!

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  8. Quando nós explodimos, com certeza sempre sai algum palavrão!

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  9. Pra te falar a verdade, acho que eu uso o palavrão mais para desabafar mesmo, HAUAHUAHHAUHA. Não contra ninguem, mas tipo quando me machuco, ou se perco o onibus ou se vou mal na prova, se meu time perde e aí vai. Não ha nada melhor doq soltar um F D P após trupicar no meio da rua e estourar a cabeça do dedo. Ri com este post, legal msm. Parabens!

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  10. hmmm, interessante meu querido, eu uso palavrões sim, mas em casos extremos para situações que ainda não inventarão expressões, por exemplo, quando bati o carro, acho que falei todos os palavrões existentes.

    estou adicionando seu blog na lista de favoritos =)

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  11. Discordo de alguém aí em cima que disse que a televisão influencia as pessoas a dizerem mais palavrão. Discordo plenamente. A televisão é um reflexo, um pouco ampliado pelas câmeras, evidentemente, da sociedade em que vivemos. Não é a toa que colocam palavrões em filmes brasileiros, é que os filmes brasileiros costumam retratar a realidade de favelas, de cotidianos suburbanos e até de ricos, que, como você disse, costumam usar muitos palavrões em seu dia-a-dia. Até nosso presidente gosta de um palavrão.
    E Peterson, meu comentário hoje também tem a finalidade de pedir que você visite meu novo blog, tudo bem que minha última postagem no meu blog trata disso também, mas não custa convidar pessoalmente por aqui alguém de quem eu costumo ler o blog freqüentemente. Te espero lá, abraço

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  12. Acho que não é só no Brasil que os palavrões em sucesso, em todo o mundo os filmes mais populares são aqueles que abusam dessas expressões.

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  13. Sobre esse assunto, só lembro do mais novo hit youtubístico: "Vai tomar no c*", mt legal. Ouça!
    http://www.youtube.com/watch?v=dHpSCHxb780&eurl=http%3A%2F%2Fkibeloco%2Eglobolog%2Ecom%2Ebr%2F%2F
    bjos

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  14. É, o seu texto é uma pá de cal numa história contada por minha tia uma vez: "Tenho uma amiga que nunca falou um palavrão na vida...". Huahauhau só a minha tia msm para acreditar...

    www.bem-bolado.blogspot.com

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  15. Sem contar que Porra tem variações incriveis.. não é só um palavrão.. é nome proprio, adverbio de tempo, de lugar, substantivo, adjetivo.

    Ou seja, Porra serve pra qualquer porra mesmo.

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