domingo, 8 de abril de 2007

Retratos de Palhoça


Palhoça, Bela por natureza. Uma cidade que não tem muito a ver com a Santa Catarina estereotipada. Uma cidade com ruas empoeiradas e esburacadas, onde a pobreza é explícita. Os retratos de Palhoça do ponto de vista de um repositor...


Jardim Aquárius: 06:00h

Ruas esburacadas e empoeiradas. As casas são pequenas, de alvenaria, e medem por volta de 70 m². Geralmente estão em construção, o que explica o fato de que a maioria tem uma parte da casa pintada e outra não. Casas feias. O quintal foi aterrado e a casa ficou praticamente soterrada, pois o medo de uma enchente existe, e este aumenta ainda mais levando em consideração o esgoto a céu aberto, que é o ponto zero do loteamento. Não há jardins, não há plantas, não há árvores, não há grama. De vez em quando, topo com um cavalo que mais parece um zumbi pela rua. Tenho a impressão de que ele não sabe o que está fazendo ali.


Avenida Barão do Rio Branco: 06:20h

Pessoas na rua. Algumas vão trabalhar de bicicleta. Outras esperam pelo ônibus. E há aquelas pessoas mais preocupadas com a saúde também, umas figurinhas carimbadas que estão sempre fazendo uma caminhada com suas roupas esportivas. Duas mulheres modernas conversam sobre família, filhos, estética entre outros. Um homem na casa dos quarenta anos, vestindo uma camisa de uma concessionária, dá um bom-dia ao rapaz, que a partir de então, atravessa a rua quando o vê. Um outro homem de uns cinqüenta anos, vestindo uma regata branca, está sem fôlego, parecendo que vai ter um ataque cardíaco. Sempre assim. E há dois cachorros pretos abandonados que vagam na frente do ponto de ônibus e que correm atrás de pessoas andando de motocicleta e de bicicleta, e de vez em quando, de uma carroça.


Rua Coronel Bernardino Machado: 07:00h

Três funcionários de um supermercado estão descarregando o caminhão e atravessam a rua puxando alguns paletes. Uma senhora gorda varre a calçada do Clube Sete. Mais ou menos nessa hora, a rua é invadida por crianças entre 07 e 14 anos que estudam no Venceslau Bueno. Elas estão vestidas com um uma calça verde claro e uma camiseta que é branca na parte superior de verde clara na inferior. As meninas usam a calça apertada, o que revela com exatidão o tamanho de suas respectivas bundas, o que acaba chamando a atenção do motorista.


Supermercados Imperatriz: 08:00h

Os primeiros clientes chegam à loja e logo de cara já vão se servindo de café com leite na recepção. Um mendigo com sua tradicional bermuda verde cumprimenta os colaboradores do supermercado com um “queridinho” e, do nada, tem um acessos de risos. A risada dele é absolutamente bizarra.


Rua Coronel Bernardino Machado: 12:00h

Hora do almoço. Palhoça ferve. Muitas pessoas pela rua. Os carros estacionados na área da Zona Verde, cuja menina loira de cabelos amarrados que cuida disso, está num canto protegendo-se do sol forte. Na frente do supermercado, criancinhas que acabaram de sair da escola, estão bebendo refrigerante, gargalhando alto, conversando sobre “Rebelde”, e dando os primeiros passos no quesito “reprodução humana”.


Restaurante Baraúna: 12:00h

As pessoas de maior poder aquisitivo se encontram no restaurante Baraúna para almoçar. São pequenos empresários e funcionários do Fórum de Palhoça, e alguns colaboradores do supermercado que fica na diagonal do restaurante, que geralmente almoçam na parte de cima em mesas quadradas e cadeiras de madeira. Nele, há um rapaz tomando mais um litro de Ades. Depois que muitos funcionários do supermercado já almoçaram, comidas mais saborosas e preparadas com mais amor são servidas lá embaixo...


Centro de Palhoça: 15:00h

Trimania! Várias pessoas, sendo todas elas feias vendem Trimania (é uma loteria regional), vestidas com um jaleco laranja e segurando uma prancheta. Na frente da farmácia Coelho, tem sempre alguém vendendo CDs e DVDs piratas e... Trimania! O ponto de ônibus está lotado de, em sua maioria, pessoas velhas entupidas de sacolas e recém-operadas de alguma coisa. Na praça, os roqueiros se encontram para encher a cara. Os pais vêem suas crianças brincando no parquinho. Os hippies ficam mais próximos ao quadrante solar. E tem aquelas pessoas que ficam sentadas nos bancos esperando alguém, namorando, ou apenas conversando.


Jardim Aquárius: 15:20h

E o retorno a um típico bairro pobre de Palhoça. Crianças negras, feias, sujas, barrigudas, mal-educadas e mal-cheirosas dominam as ruas. Não, não estou falando sobre as criancinhas do filme “Cidade de Deus”. Elas estão soltando pipa, gritando: “Vai em cima! Vai te fuder!”, ou então, estão na Rua Joinville jogando futebol na rua empoeirada, com uma bola de couro velha e rasgada, junto com um bando de adultos vagabundos e bêbados. Enquanto isso, a adolescente de 14 anos que já foi bonita e educada, agora está gorda e grávida, e conversa com sua amiga preocupada pelo fato de o seu namorado sumir ao saber que ela está grávida. Por fim, as vizinhas fofocam sobre a vida dos outros...



DESAFIO!


Convoco os seguintes blogueiros para escreverem um post sobre os retratos de suas respectivas cidades:


1. Iaiá

Se conselho fosse bom...


2. Wagner

Blá-Blaísmo

10 comentários:

  1. adorei, cheio de humor! uma visão apurada de um lugar pitoresco

    abraços
    Iris

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  2. Adorei a idéia desse post.
    Qual não foi a minha surpresa quando vi meu nomezinho ali embaixo, sendo convocado! \0/

    Esse post vai demorar um pouco de sair, mas vai! Valeu Florindo!!!!

    Ah! Qto ao cara do meu post, ele é apenas...sincero!

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  3. Vô tirar umas fote de sampa!

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  4. Parece ser um bom lugar para se conhecer...

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  5. Mais um dia comum em uma cidade brasileira.
    abraço!

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  6. Peterson... o que vc acha de ao inves de eu escrever sobre humor, eu escreva sobre a minha cidade, mas utilizando de humor? Só estou complementando o tema que vc me passou.

    pode ser?

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  7. Muito legal seu post! Ficou legal o texto, bem detalhado...parabéns!

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  8. Palhoça não é apenas "mais uma cidade brasileira". Na visão de P. Florindo, Palhoça é um microcosmo onde se desenrolam, se desenlaçam e se contorcem freneticamente as infindas paixões, ilusões e realismos da alma. Palhoça é onde cada um, olhando nua e friamente para dentro de si, encontra-se refletido em um labiríntico jogo de espelhos. Palhoça, lugar para encontrar-se - ou perder-se.

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  9. Palhoça não é apenas "mais um cidade brasileira". Na versão de P. Florindo, Palhoça é um microcosmo onde se desenrolam, se desenlaçam e se contorcem freneticamente as infindas paixões, ilusões e contorcionismos da alma. Palhoça é onde cada um, olhando nua e cruamente para si mesmo, encontra-se refletido em um labiríntico jogo de espelhos. Palhoça: lugar para encontrar-se - ou perder-se.

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  10. Se acha tão ruim, mude-se de onde mora!

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