quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

A Globo manda em você

Amada e odiada, a Rede Globo de Televisão sempre teve muita influência na vida do brasileiro em vários aspectos. Isso é inegável. Mas você já parou para pensar no por quê?


A Rede Globo é a emissora de televisão mais importante e poderosa do Brasil e uma das mais importantes do mundo. Há mais de quarenta anos, milhares de pessoas gastaram algumas horas de sua vida sendo entretidos por seus programas. Mas por que muita gente fala mal de seus programas, diz que é amoral, mas acaba vendo?


É verdade que a Globo é uma emissora que se mete em várias questões da vida do brasileiro. Ela geralmente consegue mudar os rumos do Brasil em vários aspectos. Se ela mostrar-se a favor de algum candidato à presidência, ele terá grandes chances de vencer, mas se for contra alguém, pode deixar que perto do dia da votação, ela estará divulgando uma reportagem comprometedora sobre o desafeto no “Jornal Nacional”. Mas ela já foi derrotada, por exemplo, no referendo de 2005, quando vários atores da Globo apoiavam o “Sim”, mas quem acabou vencendo foi o “Não”.


A Seleção Brasileira de Futebol é o patrimônio particular da Globo. Ela cai em cima com tudo. Se ela não está satisfeita com os resultados, ela detona os responsáveis, que vão desde os jogadores, passando pela cabeça do técnico até os dirigentes mais poderosos. Ela criou uma verdadeira “Idade das Trevas” na Era Luxemburgo, quando a seleção foi um fiasco em Sydney e sofria com o sensacionalismo do fantasma de ficar de fora da Copa do Mundo de 2002. A Globo tem o poder de manipular a seleção, já que monopoliza os direitos de transmissão não apenas dos jogos da seleção, como também os da Copa do Mundo de Futebol.


Ela já mostrou seu poder ao forçar a aprovação de algumas leis. Foi o caso da lei que aprovou o “Estatuto do Idoso” durante a época da novela “Mulheres Apaixonadas”, onde o casal de idosos era desrespeitado pelo governo, pela sociedade, e pela malvadíssima Dóris.


A Globo também levantou várias bandeiras em suas novelas das oito. Transplantes de medula óssea, Síndrome de Down, homossexualidade, imigração, drogas, bulimia, racismo, violência doméstica, entre muitos outras, foram as bandeiras levantadas pelas novelas da Globo, que conseguiram mudar algumas leis e fazer o brasileiro pensar (ela tem o poder de fazer o brasileiro pensar!) sobre esses temas, e conseguindo forçar a aprovação de algumas leis.


Não há como negar que a Globo faz parte da vida do brasileiro. Quem não se lembra daquela época em que as pessoas imitavam o Seu Creysson, Pit Bicha, ou que fez o Brasil realmente parar para assistir ao último capítulo de “Celebridade” para resolver a questão “Quem matou Lineu?”, ou para ver a final das primeiras edições de “No Limite” e “Big Brother Brasil”, além da final da Copa do Mundo de 2002?


Muita gente critica a falta de moral da rede por mostrar “coisas que não deve na TV”. No meu serviço, já testemunhei críticas sobre a personagem Giselle, sobre o fato de ela comer e vomitar tudo logo em seguida, e sobre os personagens homossexuais. Mas ser puritano nos dias de hoje é ser cínico. Além disso, isso não é uma realidade para a qual as pessoas querem tapar os olhos para não ver?


Aliás, a Globo é muito contraditória em relação aos homossexuais. Nessas últimas novelas, desde o casal de lésbicas ao atual casal de gays, ela mostra que eles são pessoas normais, como todas as outras, que apenas amam pessoas do sexo oposto. Entretanto, ridicularizam-nos nos programas de “humor”.


Para resumir, a Globo influencia sim na vida das pessoas, mas por quê? Porque as pessoas se deixam influenciar, simplesmente. A Globo sacode as pessoas para a vida com as suas novelas, talvez por isso, elas sempre tem altos índices de audiência. Ela faz mais do que muito político vagabundo. Se ela quiser, mobiliza o Brasil todo a favor ou contra algum movimento político, social, ou qualquer que seja. No geral, a Globo apóia as coisas certas, o que é bom. O que seria do Brasil sem a Globo? Quem é que conseguiria mover os brasileiros em prol de alguma coisa? Quem é que teria o poder de fazer o brasileiro pensar?


O fato é que, querendo ou não, a Globo ajuda muito o Brasil. Se deixar influenciar vai da cabeça de cada um. Se não gosta da Globo, então não assista e vá fazer algo melhor, como ler um livro.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Um pouco de equilíbrio

Cair e levantar. Levar porradas da vida e tirar lições delas. Pesar as coisas em cada lado da balança, levando em conta seus erros, é poder ter um pouco de equilíbrio.

O equilíbrio a que me refiro é o de saber separar as coisas. Saber o que é o certo e o que é o errado. Saber separá-las com a razão e com o coração e ficar bem no fim de tudo. Nada pode ser demais nem de menos. Tem que estar na medida certa. Precisa haver equilíbrio.


É tolice acreditar em tudo que lhe dizem. Algumas pessoas falam coisas bonitas com segundas intenções. Pode ser que elas queriam usar você. É típico dos homens. Vários deles são extremamente românticos e sedutores quando estão a fim de alguma menina. A trouxa da menina, encantada, acha que encontrou o homem perfeito. Eis que eles acabam ficando, se beijando, e como o mundo anda muito moderno hoje, acabam fazendo sexo. A menina fica apaixonada. Ela começa a correr atrás de seu novo amado, mas ele se esquiva. Aquele homem que ela acreditava ser perfeito vai deixando de existir. Ela vai se magoando. Até que ela cai em si e descobre que foi usada e descartada. Por fim, se ela for um pouco inteligente, aprenderá a seguinte lição: “nunca confie cegamente em ninguém”.


Entretanto, você não pode generalizar nada. Decepcionada por ter sido usada e descartada, a garota vai perdendo a confiança nos homens (assim como a íris do BBB em relação a Diego). Ela passa então a considerar que todos os homens são farinha do mesmo saco. Que são como aqueles que a usaram e descartaram. Então, ela deixa de ser ingênua e passa a ser radical. Um novo homem surge. Ela desconfia de cada coisa. De cada frase que passa a ser agradável a ela. Passa entender que cada frase dele tem um duplo sentido (o que é muito natural afinal, estamos no Brasil: Terra do Duplo Sentido). Ela acaba sendo violenta ao expressar-se em relação a cada frase que ela julga haver um duplo sentido. Trata-o como um mentiroso. O romance não vai para frente. Mas ela vai refletindo... Ele realmente parecia ter boas intenções. Realmente boas. Então, quando ela caiu em si de que aquele cara poderia ser o homem da vida dela, já é tarde demais. Por mais que ela tente se desculpar, esse homem correto não irá querer mais nada com essa louca neurótica. Ela aprendeu mais uma lição: “não generalizar as pessoas e que nem todas são como as outras”.


Ela precisava de equilíbrio. O equilíbrio para não confiar cegamente nas pessoas e nem de desconfiar demais.


No trabalho, também é necessário de equilíbrio. Você arranja um emprego. Está todo empolgado. Ajuda todo mundo, trabalha sempre com determinação, com vontade, é dedicado e faz um bom trabalho. Seu chefe ama você e sempre lhe pede para fazer várias coisas, inclusive algumas mais... humildes (para não dizer humilhantes). Eis que abre uma oportunidade na sua empresa para alguma coisa que lhe dê mais vontade para trabalhar e muito mais dinheiro. Você tem certeza que você será promovido pelo bom trabalho que desempenhou. Então, certo dia, seu chefe os reúne. Você acha que ele irá anunciar a sua promoção. Ao lado dele, está uma mulher com seios fartos, corpo escultural, uma bunda à la Carla Perez (lembram dela?) e pernas de dar inveja a qualquer mulher. Só pode ser a mulher do chefe. Então, ele a apresenta: “Pessoal, essa é a Sandrinha, nossa nova funcionária”. O seu mundo cai. Você se matou e, de repente, uma mulher que provavelmente fez o “teste do sofá”, ocupa a sua vaga. Ela é perfeita até a hora de abrir a boca. Até uma ameba é mais inteligente que ela.


Você, puto da vida, sai do emprego, e no novo, começa a “morcegar”, matar o tempo. Não faz o seu melhor, só o que lhe mandam fazer. É grosseiro com os clientes e está sempre de mau humor. Seu chefe pede mais dedicação e lhe dá algumas broncas de vez em quando. Chega uma hora que você é um funcionário tão ruim, mas tão tuim, que seu chefe explode e lhe demite, mesmo que sem justa causa, pois ele não suporta você nem sua incompetência. Ou então, ele veste a fantasia de chefe mau e começa a lhe infernizar. Ele faz da sua vida um inferno e você mesmo acaba pedindo demissão, e o chefe fica super feliz por não precisar lhe demitir e não precisar pagar nada por alguma demissão sem justa causa.


Você precisava de equilíbrio. Precisava aprender que esforçar-se demais pode ser burrice, mas que esforçar-se de menos. Sua vida trabalhista será perda de tempo e algo feito por fazer, apenas por dinheiro e sem prazer algum, tornando-se um nada na vida.


E mais um exemplo para finalizar. Você tem um amigo. Vocês vão se conhecendo e ele vai te mostrando que é uma pessoa que tem os gostos parecidos com o seu, tem um bom papo, e ao que você vai descobrindo, parece ser realmente uma pessoa muito boa. Mas eis que vocês se desentendem e ele passa a ser extremamente grosso com você. Você reclama das grosserias, mas ele demonstra não se importar nem um pouco. Mas você pára e pensa: apesar do fato de ter sido grosseiro, ele passou essa impressão de que é boa gente e você acredita nisso. Então, você decide perdoá-lo e desculpar-se por alguma coisa que você tenha feito. Você procurou dentro de si as coisas que poderiam tê-lo incomodado e resolveu consertar esses seus erros. O papo volta a tornar-se interessante, mas eis que mais alguma coisa que você diz o desagrada e ele explode novamente. E esse fato de ocorrer um desentendimento, desculpar-se, sentir-se mal pela briga, e voltar a se falar, vai ocorrendo com certa freqüência. Em um momento de total idiotice, ele explode mais uma vez por um motivo ridículo. Dessa vez é você quem explode. Você joga para fora tudo aquilo que você queria falar, mas que não falou por respeito. A pessoa que era violenta, baixa a bola, mas mesmo assim, continua se achando a dona da verdade. E vocês param de se falar. Ele é orgulhoso e não se desculpa. Você não é mais idiota e pára de ser saco de pancadas, resolvemdo ficar na sua. O silêncio e o orgulho vão separando os amigos... A amizade vai diminuindo, diminuindo, até que, de fato, acaba.


Era necessário o equilíbrio. Tentar procurar o lado bom da pessoa, dar uma chance e saber perdoar, mesmo que você não diga de fato “eu te perdôo”, não é fácil, mas pode enriquecer as coisas. Entretanto, se a coisa persistir, e você perceber que a pessoa é muito imatura, orgulhosa e egoísta, é melhor deixar de ser saco de pancadas e acabar o que já foi amizade.


Vivendo e aprendendo. Não é fácil atingir o equilíbrio. Talvez este seja perfeição, mas, se souber dividir as coisas, ter uma visão multilateral, pode ajudar. É um processo que cada um vai aprendendo com seus erros e os erros dos outros, evitando persisti-los. Talvez você precise de um pouco de equilíbrio.