sexta-feira, 24 de março de 2006

II Momentos de Filosofia - Cliente chato

Não vou enrolar. Vou direto ao ponto. Vou falar de algo que eu realmente entendo porque eu vivo isso. Existem muitos clientes legais, mas existe uma minoria capaz de irritar qualquer um. Falarei de clientes chatos (apenas dos chatos).

Para entender os clientes chatos, devemos pensar como eles, tentar achar as suas razões, mesmo que nossa mente permaneça fechada ao absurdo. Devemos libertar nosso lado mais doentio para entender mentes doentis dos clientes chatos. Legilimens*! Abra sua mente.

São poucos os clientes chatos que aparecem no Imperatriz, mas que eles existem, existem. Eles chegam na loja, reclamam do café que está frio ou quente demais (café é cortesia. Creio que não são todos os supermercados que servem café de graça), esses dias apareceu uma retardada que reclamou das crostas amarelas (ver post “Lavar loja”) do chão (minha vontade reprimida foi de dizer: “Quer limpar? Eu deixo!”), de produto da promoção que está em falta e do famoso preço, idiotamente comparando os preços dos supermercados como aquelas velhas da Adocom (Associação das Donas de Casa) que não tem nada pra fazer da vida e ficam por aí comparando o preço (apesar de tê-las chamado de velhas e desocupadas, eu devo admitir que é um trabalho útil), como se fosse EU que definisse o preço das mercadorias.

Na Suécia é assim, como diz o livro “Sobre a Suécia” de Stig Hadenius e Ann Lidgren, página 07:
“Num mercado de uma praça da Suécia não se ouvem discussões sobre o preço e a qualidade dos produtos. Os clientes que não estão satisfeitos dirigem-se para outra barraca à procura de melhores opções”.
A diferença entre os clientes do Brasil e as Suécia é que os clientes de lá são civilizados. O mesmo não se pode falar dos nossos que são uns primatas ignorantes (isso para não ser curto e grosso e dizer “macacos”).

Eu tenho uma teoria pra isso. O cliente chato é frustrado por algum motivo.

Quando o cliente não está como cliente, ele está na função de empregado, caso ele trabalhe (caso contrário, VAI ARRANJAR UM EMPREGO, VAGABUNDO). No trabalho dele, ele sofre com o trabalho e se estressa. O estresse é um sentimento angustiante que só passa quando você comete a injustiça de gritar com alguém que não tem nada a ver com isso, já que você é um covarde que não tem um pingo de coragem para enfrentar os seus problemas no trabalho. Discorda?
Então, esse estresse é descontado em uma pessoa (por exemplo, eu) que não tem nada a ver com a história porque o cliente não tem nenhum vínculo de amizade com essa pessoa, ou seja, não há como ela ficar mortalmente arrependida, mas eu vou tratar disso daqui a pouco (teoria do remorso). Também, o cliente nos considera inferiores (no caso das pessoas mais estúpidas), já que estamos subordinados ao dinheiro deles. Essa é minha teoria sobre estresse.

Todo o cliente que reclama tem algum problema de fundo psiquiátrico. Além do estresse no trabalho, outro motivo que eu acho que torna um cliente chato é uma vida sexual inexistente.

A pessoa que reclama da crosta amarela só pode ser doente mesmo, porque eu pensei, pensei, pensei e não consegui uma teoria que fizesse sentido simplesmente porque reclamar de crostas amarelas não têm sentido algum.

Já do produto que está em falta, o cliente tem razão de reclamar sim, mas desde que ela tenha peito de reclamar com o responsável direto pela falta do produto, e não com o repositor cuja função principal é de abastecer as gôndolas. Pensando do ponto de vista do cliente, ele se vê enganado pelo anúncio de algo em oferta que não tem e que o faz perder tempo, e acima de tudo, a paciência, claro.

E comparar preços pode-se concluir que o cliente além de querer ofender, ele quer que sintamos ódio suficiente por ter dito o nome da concorrência debaixo de nosso teto para chegarmos a ponto de espancá-lo, e se ele sobreviver, de nos processar, ficando rico. Pode ser uma teoria absurda, mas no fundo, no fundo ele quer isso, já que ele quer mesmo é provocar. Ele reclama dos preços já que torrou toda a sua grana com cachaça! E não lhe sobra dinheiro para mais nada. Mas o objetivo reprimido do cliente é o seguinte (e este faz sentido): vivemos em uma economia de mercado (capitalismo), onde impera a lei da oferta e da procura (isto é, se não houverem monopólios nem cartéis, ou outra forma onde não haja concorrência). Seu objetivo é que baixemos os preços. Tendo o menor preço, o cliente vai na concorrência falar mal do preço deles. A concorrência fica com o preço menor que o nosso e o cliente reclama dos nossos preços, e depois nós abaixamos e por aí vai... Em resumo, o cliente é louco.

Mas agora chegou a parte onde nós poderemos lidar com o estresse dos clientes fazendo atingir a eles próprios, mas com um dos mais angustiantes sentimentos do ser humano: o remorso.
A teoria do remorso é a seguinte. O cliente chega junto em toda a sua fúria e maldade. Tenta nos ofender o máximo possível. O que fazemos?
a) damos um soco
b) damos um tiro
c) rimos debochadamente (como a Brasil Telecom faz)
d) ignoramos
e) pomos o telefone no mudo e vamos ver a novela das sete (como a Brasil Telecom faz)
f) ouvimos atentamente o cliente não tentando expressar nosso ódio incontido.

A alternativa certa é a “F”. Aprendi com a Casan e eu vou ter que contar uma breve história que me fez comprovar o quanto a teoria do remorso é eficiente. É o seguinte. A Casan, no verão, fecha as torneiras e deixa todo mundo sem água. Um dia, eu fiquei puto e fui reclamar (seria eu um cliente chato?). Não consegui porque as pessoas do atendimento ao telefone são estremamente simpáticas e eu não tive coragem de gritar com elas. Se eu gritasse, eu sentiria remorso. A teoria vai por aí. Seria nós tratamos o cliente com extrema simpatia para deixá-lo constrangido o suficiente para ficar quieto. Se mesmo assim, ele ser grosso e nós simpáticos, ele ficará arrependido por ter sido um macaco total e sentirá remorso! E isso será uma cruz que ele carregará pelo resto da vida, já que as palavras são como a morte. Não tem volta.

E assim será...

*Feitiço que estréia no livro "Harry Potter e a Ordem da Fênix" que serve para ler a me
nte alheia.

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