sábado, 18 de março de 2006

História das Copas do Mundo

Apenas treze países aceitaram (sim, aceitaram) participar da primeira Copa do Mundo de futebol. Não houve eliminatórias porque não se sabia se o evento daria certo ou não. Alguns países que hoje são potências no futebol como Inglaterra e Alemanha simplesmente recusaram participar do evento. As viagens eram feitas de navio e demoravam dias. Então, muitos países europeus recusaram-se a participar, pois além de se demorar dias em alto mar navegando da Europa até o Uruguai, o torneio era rapidinho, ou seja, uma ou duas derrotas e tchau. Não valia a pena. Os treze países que participaram da Copa, além do Uruguai foram: Argentina, Brasil, Peru, Bolívia, Paraguai, Chile, México, Estados Unidos, e os “destemidos europeus” Bélgica, Romênia, França e Iugoslávia. O Brasil era uma porcaria e não se deu bem. Na final, o Uruguai venceu a Argentina por 4 a 2, tornando-se o primeiro campeão mundial.
(Na foto, perceba como o futebol era uma coisa chique).

A segunda Copa do Mundo ocorreu na Itália em 1934 com quinze países. Nessa época, a Europa vivia em clima hostil e a Itália governada pelo ditador fascista Benito Mussolini (que era quase tão louco quanto Adolf Hitler), que obrigou a Itália a vencer a Copa do Mundo ou os jogadores corriam o risco de serem mortos a mando dele. Na base da pressão macabra, a Itália venceu na final a Tchecoslováquia por 2 a 1. Uruguai e Argentina, campeão e vice da Copa anterior não participaram. Das Américas, participaram apenas Brasil, Cuba e Antilhas. O Brasil foi eliminado logo no primeiro jogo.

Em 1938, a França sedia a Copa do Mundo, vencida novamente pela Itália, primeira bi-campeã mundial. O Brasil começa a mostrar suas garras, conquistando o terceiro lugar. Dezesseis países participaram da brincadeira. A Argentina novamente fez (...) doce e não foi ao torneio de raiva porque não sediou.

Não houve Copas do Mundo em 1942 porque a Europa estava vivendo os horrores da II Guerra Mundial. A Guerra durou de 1939 até 1945. Não havia como fazer uma Copa do Mundo em 1946 porque os efeitos da Guerra foram grandes.

Doze anos depois, Espanha, Suécia, Iugoslávia, Suíça, Itália, Inglaterra (que deixou de esnobar a Copa e participou pela primeira vez), Uruguai, Chile, Estados Unidos, Paraguai, México e Bolívia se reúnem no Brasil para a disputa da IV Copa do Mundo. Não houve uma final tradicional. Houve sim um quadrangular final, onde quem conquistasse mais pontos seria o campeão. Nessa época a vitória valia dois pontos e o empate, um. Brasil, Uruguai, Espanha e (se eu não estiver enganado) Suécia participaram do quadrangular final. Brasil e Uruguai fariam o último jogo. O Brasil tinha a vantagem de um ponto sobre o Uruguai era líder. Ao Uruguai só interessava a vitória. O Brasil começou vencendo e fez 1 a 0 com não sei quem. Depois, o Uruguai empatou. Faltavam poucos minutos para o jogo acabar e a alegria já tomava conta dos brasileiros felizes que viam o jogo do Maracanã. Mas eis que Gigia faz o segundo gol do Uruguai, que além da vitória lhes dá o bi-campeonato. O Maracanã fica mudo como em um cemitério de madrugada, mas sem nenhum barulho assustador nem um “bú”.
(Na foto, o palco da tragédia. Infelizmente o site da FIFA não tinha nenhuma foto de nenhuma senhorita bonita com a mão na boca de espanto). =(

Na Suíça, a Alemanha Ocidental vence a Hungria de Puskas por 3 a 2 e conquista, em 1954, seu primeiro título mundial.

Com Pelé e Garrincha, o Brasil vence o país dono da casa, a Suécia, na final por 5 a 2, em 1958. Quatro anos mais tarde, 1962, no Chile, o Brasil tornava-se bicampeão vencendo a Tchecoslováquia por 3 a 1.
(Na foto, a seleção brasileira dando a volta olímpica).

A Inglaterra vence em casa a Al
emanha Ocidental na final por 4 a 2 com um gol que até hoje inspira polêmica.

A mais consagrada Copa do Mundo pelo Brasil: México 1970. Aquela seleção cheia de craques que os nossos pais se lembram até hoje. Não era apenas mais uma disputa de uma Copa do Mundo, mas a da posse definitiva da Taça do Torneio, a famosa Jules Rimet (que foi o primeiro presi
dente da FIFA). Havia Brasil, Itália e Uruguai nas semifinais, todos bicampeões. O país que vencesse uma Copa do Mundo três vezes ficaria com a posse definitiva da Jules Rimet. Somente a Alemanha Ocidental poderia adiar a posse da Taça, pois ela era apenas campeã, ou seja, estava quase garantido que seria no México que a Taça saberia onde ficaria guardada (e bem guardada) para sempre. Brasil e Itália chegaram na final e o Brasil venceu por 4 a 1. Nessa época, a ditadura militar estava no auge, e a conquista da Jules Rimet veio para amenizar esse período de sofrimento. A Taça ficou na sede da CBF (acho que na época se chamava CBD) no Rio de Janeiro. A Taça foi roubada e derretida, claro, ela estava no Rio de Janeiro, terra de gente irresponsável que só pensa em praia, funk e sexo o tempo todo! Com pena do Brasil, a FIFA faz uma réplica.

Nessa Copa surgiram os cartões amarelo (advertência) e vermelho (expulsão) porque a pancadaria dentro de campo estava grande, parecendo luta livre. Não vou exagerar, claro, dizendo que havia jogadores que arremessavam televisões e cadeiras uns contra os outros, nem mata-leão, e muito menos pular em cima do adversário como a Sheeva do Mortal Kombat.
(Na foto, o capitão do Brasil, Carlos Alberto).

Em 1974, a Alemanha Ocidental vence, em casa, a sua seg
unda Copa do Mundo, batendo o famoso carrossel holandês liderado por Cruyff por 2 a 1, sendo o primeiro país a ficar com a atual taça da Copa do Mundo (aquela douradona e pesadona. São dezoito quilos de ouro maciço). A Polônia vence o Brasil na disputa do terceiro lugar. Malvada, não?

A Argentina finalmente ganha a sua primeira Copa do Mundo, em 1978, vencendo a Holanda na final por 3 a 1, mesmo que por meios ilícitos (roubo descarado). O Brasil fica em terceiro
porque o Peru levou seis do outro lado =X não indo para a final.

Espanha 1982. O Brasil tem uma seleção fortíssima, candidata ao título, mas eis
que Paolo Rossi é responsável pela vitória da Itália, cujo episódio ficou conhecido como “A Tragédia do Sarriá”. E essa seleção medíocre de Paolo Rossi venceu a Copa do Mundo, batendo a Alemanha Ocidental (o futebol da outra Alemanha era uma merda) por 3 a 1.

Novamente o Brasil tem uma seleção com craques como Falcão, Careca e Zico (e mais uns outros tantos) fundadora do “futebol arte” que não vence uma Copa. Moral da história: não é com a beleza gay do futebol, como a Globo ama enaltecer, que se vence uma Copa e sim na base do futebol duro, cheio de pancadas. O Brasil foi eliminado, nos pênaltis, pela França (creio que nas quartas-de-final) que foi a 3ª colocada. Na final, Argentina 3 vs. 2 Alemanha Ocidental.

Curiosidade: a Colômbia foi escolhida para sediar essa Copa, mas as FARC já mandavam por lá e não houve jeito de a Copa ocorrer nesse país cheio de drogas. O México foi escolhido
para sediar a sua segunda Copa do Mundo por ainda ter a boa estrutura da Copa de 1970.

Considerada a pior Copa do Mundo, a Copa da Itália 1990 tem como final Argentina 0 vs. 1 Alemanha (agora reunificada). O Brasil vivia um mal momento, realizando treinos secretos e perdendo para times (para não dizer “coisas”) como a Úmbria (região da Itália). Sebastião Lazaroni era o técnico na época.

Vinte e quatro anos após, o Brasil vence a Copa do Mundo dos Estados Unidos 1994. A primeira Copa que eu me lembro de alguma coisa, como o murro que o pai de no sofá e a coleção de figurinhas da Ping Pong do meu irmão (que nessa época tinha doze anos e não era o retardado mental que é hoje). O Brasil não era favorito. Havia se classificado no último jogo contra o Uruguai, no Maracanã (o jogo que exorcizou alguns fantasmas da Copa de 1950) graças ao Romário. Treinados por Carlos Alberto Parreira, o Brasil começou vencendo a Rússia por 2 a 0, depois Camarões por 3 a 0, e se classificou ao empatar com a Suécia em 1 a 1. Nas oitavas, Brasil 1 a 0 nos Estados Unidos em pleno 04 de julho (o dia da Independência deles, e eles são bem chatos com esse dia. Basta se lembrar do filme absolutamente idiota Independence Day), nas quartas, Brasil 3 a 2 na Holanda, novamente a Suécia nas Semifinais, Brasil 1 a 0. Na disputa do terceiro lugar a Suécia goleia a Bulgária por 4 a 0 (que no mesmo ano havia sido vice-campeã na Copa Mundial de Quadribol). E finalmente, a final. Zero a zero nos noventa minutos, zero a zero na prorrogação. Nos pênaltis, Baggio manda pra fora, além da bola, o sonho do tetracampeonato italiano. O Brasil vence de 3 a 2 nos pênaltis.
(Na foto, Romário, que carregou o Brasil nas costas. Hoje ele dá nojo).

A Copa do Mundo de Ronaldinho, o fenômeno. França 1998. A primeira Copa do Mundo com 32 países (desde Espanha 1982, vinte e quatro eram os países participantes), quatro em cada um dos oito grupos. Essa Copa contou com todos os países que jogavam futebol em um nível de competência (isso é, se referindo aos grandes. Jamaica, Japão e EUA jogavam “alguma coisa que poderia lembrar futebol”) como Inglaterra (de volta após ter sido afastada acho que por causa dos hooligans), Argentina, Alemanha, Itália, Espanha, Holanda. Na primeira fase, Brasil venceu países como Escócia (2-1), Marrocos (3-0), perdeu para a Noruega (1-2), venceu o Chile nas oitavas (4-1), Dinamarca nas quartas em jogo sufocante (3-2), a Holanda nos pênaltis, onde o Galvão tornou ainda mais famoso o seu berro infernal: “Tafareeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeel! Vai que é tua, Taffarel!” (1-1, 4-2 nos pênaltis) e na final...

“... E Edmundo no ataque. Ronaldinho está fora!” alardeava o mundo Galvão Bueno, para a desgraça que assolava o Brasil inteiro, desde São Paulo até Santa Itapipoca do Juazeiro do Norte (nem sei se existe).

Nesse dia, Ronaldinho havia tido uma convulsão, um treco que ele ficou espumando que nem o Coady revoltado. Ele jogou bem mal e muitos dizem que ele amarelou. Só que eu acho meio cruel dizer isso porque ela era o centro das atenções e era tratado como um Deus, mas ele é um ser humano igual aos outros (embora pareça um ET). A Croácia bateu a Holanda e ficou com o terceiro lugar. Na final, a França de Zidane goleou o Brasil por 3 a 0, em jogo que os brasileiros arrogantes que não sabem perder dizem ter sido “vendido”. ¬¬
(Na foto, Brathez atropelando o Rona doidão).

Copa do Mundo Japão / Coréia do Sul 2002. A Copa mais maluca de todas. Primeiro por ser a primeira realizada em dois países, segundo, que contou com surpresas como a eliminação prematura de Argentina e França (ah, como fiquei feliz. Eu odeio a seleção francesa), zebras como Senegal, Estados Unidos e Coréia do Sul. O roubo explícito no jogo Espanha 0 vs. 0 Coréia do Sul (nos pênaltis, Coréia do Sul 5 a 3), e a presença na final de duas seleções grandes que estavam sem prestígio nenhum (ou quase nenhum) antes da Copa: Brasil e Alemanha. Ronaldinho deu a volta por cima após o fracasso em 1998 e de dois anos parados devido ao joelho que simplesmente abriu no jogo Inter vs. Lazio (mostrando uma fratura exposta que, aos doze anos, me deixou horrorizado) fez os dois gols da vitória do Brasil por 2 a 0. Esse jogo foi o responsável por transformar Oliver Khan, o goleiro alemão, em motivo de chacota devido ao seu frango no primeiro gol. Será que ele dará a volta por cima assim como Ronaldinho em 2006?
(Na foto, Cafu com sorriso Colgate Tripla Ação).

Olha, foi bem foda ter que escrever isso e o pior de tudo foi ter que fazer o upload de fotos que as vezes nem aparecem.

2 comentários:

  1. Nossa, continua escrevendo bastante..

    Legal a história.

    bjoo

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  2. Muito bom seu blog,parabéns se possível veja o meu também.Abraços

    melhoresjogadoresdefuteboldomundo.blogspot.com

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