sexta-feira, 17 de março de 2006

Balanço


Quando eu falo de alguma coisa relacionada com o Imperatriz uma coisa é certa: Peterson vai escrever uma coisa com muitos detalhes porque ele simplesmente ama seu trabalho.

O balanço tem como função contar manualmente TUDO. Todos os produtos à venda na área de vendas (ou seja, nas gôndolas, pontas de gôndolas e pontos-extras) e no depósito da loja. Para tal, é necessário fechar a loja, deixar de vender cerca de R$ 14.000,00, mobilizar praticamente todos os funcionários e orientadores de consumos (não sei o que um Orientador de Consumo faz. Não temos um trabalhando na nossa loja) e o gerente-regional.

Uma semana antes, os repositores e colaboradores que dão uma de repositores, tem como missão organizar nas gôndolas os produtos por cor, fragrância (o diferencial deles está no código de barras). Um dia antes do balanço, repositores e metidos a repositores (não estou falando mal deles. É que eu não achei algo mais direto pra dizer quem são eles) tem como missão fazer o oposto de puxar-frente, ou seja, seria “empurrar frente”, para facilitar a contagem. Eu fiquei horrorizado só de ver. A loja fica bem feia, e ninguém foi tão atingido por isso como eu que tem que puxar-frente todo o santo dia (assim como na foto).

No dia do balanço, houve uma divisão dos corredores para cada um cuidar de um setor. Eu fiquei com uma gôndola só pra mim! As gôndolas tem umas seis prateleiras, por aí, cada uma medindo cerca de 10 metros (não tenho uma boa noção de distância, mas acho que é por aí). Peguei a gôndola do pior corredor para puxar-frente: a das bolachas. Apesar de tudo, tive apenas quatro erros, todos por distração. Não digo que eu fiquei com o pior de tudo porque contar bolachas não é tão chato do que contar miúdos como sucos (refresco em pó), e caldos. Um corredor ruim mesmo de contar é o dos enlatados (conservas, azeites, caldos Knorr, Maggi, etc) porque é muita miudeza. Já um corredor bem fácil de contar é do limpeza (principalmente a parte do sabão em pó) e do café, mas nesse do café tem chás em caixinhas, pacotinhos de frutas cristalizadas, gelatinas... (retiro o que eu disse. Contar o corredor do café também é um saco).

Bom, a contagem é assim. Todo mundo ganha uma caneta e pega um bloco particularmente grosso de papeizinhos (medindo 20x5 cm, por aí). Você faz a contagem, anota somente a quantidade desse produto que há, põe o produto encima do papel deixando visível o papel com a quantidade e a sua assinatura. Exemplo: Bombom Lacta, 15 unidades, você escreve 15, assina, e põe o papel sobre o produto. Em seguida, o Orientador de Consumo faz a recontagem, pra ver se não houve erro.

Vai chegar uma hora que a loja está infestada de papeizinhos nas gôndolas e fios pra tudo quanto é canto. Então é chegada a hora de atuarem os caixas-móveis. Mas que diabos são os caixas-móveis? São os computadores do que caixa são seqüestrados com seus respectivos leitores ópticos (os que lêem os códigos de barras), movidos manualmente por carrinhos de supermercado (o que explica os fios pra todos os lados).

Então funciona assim: a gente pega um produto, pega o seu papel, passa o código de barras no leitor, fala a quantidade de produtos para o Orientador de Consumo que digita no computador e joga o papel fora (no chão!). Quando o leitor não coopera, a gente tem que ditar o código.

Depois que toda a quantidade de produtos foi repassada para o computador, chega a pior hora de todas: recriar o layout. E isso demora porque além de toda a loja ter sido completamente destruída para o balanço, não são todos que sabem o que é layout, e os que sabem não se lembram como era. Então a minha chefe teve que “redesenhar” o layout da loja toda. Teria sido menos difícil se os outros se lembrassem que sou eu quem puxa-frente todo dia. =(
Após dez horas, o balanço foi finalizado na loja 13...

Cansativo, não? O bom é que isso ocorre apenas uma, ou no máximo, duas vezes ao ano. Qual é o objetivo do balanço? Eu não faço a mínima. Mas o legal é que reúne a loja em prol de um mesmo objetivo, assim como a Copa do Mundo pode unir um país e até mesmo, o mundo.

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